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A divulgação atabalhoada da PF criou mais pânico do que deveria

O Brasil levanta US$ 14,5 bilhões por ano com exportação de carne. Temos mais cabeças de gado no país (215 milhões) do que gente (204 milhões). Levando em conta que imposto sobre exportação é de 30%, o governo recebe tanto dessa indústria a cada TRÊS MESES quanto ganhou com a última rodada de privatização de aeroportos (US$ 1,2 bi).

Tudo isso só mostra o quanto a operação Carne Fraca é importante. Melhor que a indústria leve um safanão de uma vez do que vê-la perder mercado gradativamente, até que o Brasil volte à hoje inimaginável situação de importador líquido de carne.

A operação é valiosa. Ponto. Mas não dá para dizer o mesmo da forma como ela foi divulgada pela Polícia Federal. O atabalhoamento colocou no mesmo barco frigoríficos pêgos vendendo carne estragada com outros que nem chegaram a ser acusados disso.

E tem o caso do papelão. Agora, que vários técnicos de universidades já foram ouvidos, está claro que se foi um mal entendido da Polícia Federal. Tudo leva a crer que, de fato, não existe carne com papelão – para começar, ele faria a carne apodrecer mais rápido, o que só traria prejuízo para a indústria. Só tem um problema: a maior fonte de informação de boa parte dos brasileiros não é nem o Facebook. São os memes de internet. E a ideia da carne com papelão é matéria-prima perfeita para memes de primeira linha, como você tem visto no Whatsapp.

A PF nunca foi tão atuante, e importante, para o País. O problema é que isso parece ter contaminado parte do bom senso da instituição. A divulgação da Carne Fraca na sexta-feira precisava de um técnico que fosse para tirar dúvidas da imprensa – e do público. Pintar virtualmente todos os produtores de carne do país como bandidos, questionar a qualidade de toda proteína animal brasileira e criar novas lendas urbanas, do papelão na carne à ideia de que toda carne produzida no Brasil está condenada, mancha parte do que a operação tem de bom.

Os efeitos deletérios para a economia já começam a vir: a Coreia do Sul já barrou nosso frango, China e Chile, nossa carne, e a União Europeia planeja suspender os frigoríficos investigados. Nada disso significa que uma divulgação mais madura da PF evitaria esses bloqueios. O mercado de proteína animal é tão sensível a questões sanitárias que mesmo se o anúncio fosse feito por uma bancada de cientistas, como o devido cuidado para não gerar informações falsas, nossa carne de exportação acabaria pagando o pato do mesmo jeito. Mas nada justifica a proliferação de exageros e erros. Aí já é papelão.

 

 

 

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  1. Michael Oliveira

    Nada parcial enh?!

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  2. Wendel Marcelino Mendes de Souza

    Cadê o disclaimer? Logo abaixo de sua “reportagem” a JBS exibiu propaganda ao melhor estilo Goebbels.

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  3. Alexandre, sou veterinária atuante no setor de avicultura industrial. Depois que li seu artigo, enaltecendo o trabalho da Polícia Federal (que sempre acreditei ser uma instituição séria), ficam algumas questões.
    1- Por que o MAPA não foi imediatamente informado?
    2- A atitude prevista pela legislação vigente seria a apreensão do lote de produtos “estragados” ou “com papelão” ou em não conformidade e o MAPA a faria cumprir.
    3- Se todas essas “atrocidades” estavam sendo investigadas há 2 anos ou mais, então a PF permitiu que produtos adulterados fossem consumidos pela população, aguardando a “hora certa” de agir?
    4- E por final, qual o objetivo do circo montado, se o número de frigoríficos e agentes autuados eram menos que 0,5% do total?

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  4. Diego Andrade

    Faltou revisar o texto. Tem algumas frases meio sem sentido.

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  5. Marcia Camargo

    será que não tem ninguém ali no Palácio do Planalto, não necessariamente que ganhe 30 mil reais, que saiba escolher uma churrascaria??? kkkk

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  6. Jean Miranda

    Concordo em grau, número e gênero com os comentários da Aline Sousa, sobretudo sobre o fato de a PF fazer uma investigação tão longa, permitindo irregularidades alimentares para montar um “caso grande”.
    Tenho repetido isso nas redes sociais e muita gente discorda e defende o modus operandi da PF….assustador.

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  7. Thalita Oliveira

    Essa operação carne fraca foi jogado na mídia pra desviar a atenção sobre a questão da reforma da previdência…

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  8. Carla Arantes

    Concordo com o autor. Mas o anúncio da JBS no meio pegou mal pra caramba (sem contar a falta de revisão que faz parecer que o texto foi escrito às pressas).

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