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8 escritores e seus pseudônimos (que você provavelmente ainda não conhecia)

Você já ouviu por aí que é melhor não julgar um livro pela capa. Para não correr nenhum risco, seria boa ideia também não julgá-lo apenas pelo nome do autor. No Dicionário Literário Brasileiro, de Raimundo de Menezes, há registro de quase dois mil pseudônimos de escritores brasileiros. Agora faça a conta para autores de todo o mundo. Pois é, colega, há muito mais entre nome e sobrenome do que sonha nossa vã filosofia. Seja para escapar da censura, se aventurar por gêneros inesperados ou explorar suas várias facetas literárias, muitos escritores já adotaram nomes falsos. Para não deixar nenhum mal entendido, a SUPER listou 8 escritores e seus pseudônimos (que você provavelmente ainda não conhecia):

 

1. “Suzana Flag” e “Myrna”

“Eu posso começar esta história dizendo que me chamo Suzana Flag. E acrescentando: sou filha de canadense e francesa; os homens me acham bonita e se viram, na rua, fatalmente, quando passo”. Assim se apresentava a autora de livros que circularam em formato de folhetins nos jornais brasileiros entre os anos de 1944 e 1948. A persona e história sensuais – com direito a mocinhas virgens, vilões valentões e bons moços envolvidos em amores impossíveis – fizeram tanto sucesso que até um pedido de casamento, enviado pelo correio, Suzana recebeu. Pena que se tratava também de um romance impossível: como num bom enredo de folhetim, Suzana era ele, Nelson Rodrigues.

O dramaturgo, jornalista e escritor pernambucano criou a persona feminina para se aventurar pelo gênero melodramático sem medo – e para se divertir com a situação, claro. O Anjo Pornográfico teve ainda outro pseudônimo feminino: em 1949 nasceu Myrna, a “Alma Irmã” que tinha uma coluna de (desa)conselhos amorosos em que respondia perguntas de leitoras desiludidas. Os 43 textos publicados na coluna Myrna Escreve foram reunidos em 2002 no livro Não se pode amar e ser feliz ao mesmo tempo (Companhia das Letras). Fica a dica.

 

2. “Mary Westmacott”

Você a conhece como a Rainha do Crime – um apelido certamente bem justificado. Com mais de 80 obras publicadas, Agatha Christie é a mais prolífica escritora de romances policiais da literatura. Mas a britânica, que também é autora de doze peças de teatro, quis se aventurar por universos diferentes daqueles habitados por Hercule Poirot e Miss Marple. Deixando o mistério no cantinho de tempos em tempos, Agatha assinou seis romances de época com o pseudônimo de Mary Westmacott, o primeiro publicado em 1930 e o sexto em 1956. Introvertida e tímida, Agatha buscou no novo gênero uma possibilidade de se expressar melhor através de palavras.

 

3. “Currer, Ellis e Acton Bell”

Na capa de Poemas, livro de 1846, lê-se o nome de Currer, Ellis e Acton Bell. Mas não estranhe o fato de não conhecer outros títulos da obra dos irmãos Bell. Para serem levadas a sério em uma sociedade amplamente machista, Charlotte, Emily e Anne Brontë decidiram adotar pseudônimos masculinos para lançarem a coleção de versos. A mudança de gênero não gerou tanto interesse, no entanto, e as irmãs foram muito melhor sucedidas em suas obras seguintes, lançadas com seus nomes reais. Jane Eyre, O Morro dos Ventos Uivantes e Agnes Grey – assinados por Charlotte, Emily e Anne, respectivamente – não só foram bem recebidos, como também ganharam status de clássicos.

 

4. “Richard Bachman”


Retrato de Richard Bachman (na verdade, do agente de seguros Kirky McCauley, que emprestou seu rosto para dar credibilidade ao pseudônimo)

Cemitérios malditos, homens agigantados com dons especiais, adolescentes ensanguentadas – Stephen King sabe botar o terror. O escritor estadunidense já comemorava o sucesso de Carrie, a estranha (1974) e O Iluminado (1977) quando resolveu fazer um teste inusitado. Para poder publicar mais de um livro por ano sem saturar seu nome no mercado (porque King é desses que escrevem, de boa, mais de uma obra em doze meses) e descobrir se, afinal, estava vendendo bem por talento ou por sorte, convenceu sua editora a publicar livros seus sob um pseudônimo. Nascia então Richard Bachman. Seu alter-ego, casado com “Claudia Inez Bachman” lançou cinco livros antes de sua real identidade ser descoberta: Fúria (1977), A longa marcha (1979), A auto-estrada (1981), O concorrente (1982) e A Maldição do Cigano (1984). Depois da “morte” de Richard, King ainda publicou dois “manuscritos inéditos” de sua outra persona: Os justiceiros (1996) e Blaze (2007).

 

5. Daniel Handler

Ao contrário dos demais escritores desta lista, é muito provável que você conheça melhor o personagem do que o autor de carne e osso. Isso porque, mesmo que você nunca tenha esbarrado em um dos livros assinados por Daniel Handler, com certeza já ouviu falar nas obras lançadas por seu pseudônimo. Foi com o nome de Lemony Snicket que Daniel lançou dos treze livros de Desventuras em Série, coleção levada para os cinemas em 2004. Mas além da história dos órfãos Violet, Klaus e Sunny, Daniel também assinou obras bem recebidas pela crítica com seu nome real: The Basic Eight (1998), Watch your mouth (2000), Adverbs (2006) e Por isso a gente acabou (2011), história sobre o fim de um relacionamento entre dois jovens que será levada para os cinemas em 2014.

 

6. “Boas Noites”, “João das Regras”, “Dr. Semana” (+)

Críticas à sociedade não faltavam nas obras de Machado de Assis. Mas, quando o carioca queria falar de temas mais espinhosos (como críticas diretas aos fazendeiros favoráveis à abolição), recorria a pseudônimos tão criativos quanto a sua prosa. Foi só em 1950 que se descobriu que o autor havia assinado crônicas com o nome de “Boas Noites”. “Victor de Paula”, “João das Regras” e “Dr. Semana” foram outros nomes adotados pelo autor, que chegou até mesmo a assinar como “Platão”.

 

7. “Victor Leal”

O Esqueleto, A Mortalha de Alzira e O Monte de Socorro emocionaram os leitores da Gazeta de Notícia quando foram publicados no final do século XIX, entre 1890 e 1893. Victor Leal, autor que assinava os textos, era um ultra-romântico magro, com nariz pontudo e chapéu de abas largas (sua caricatura denunciava). Mas desconfie de quem jurar ter avistado o escritor bebendo um café em uma das ruas do Rio de Janeiro – Victor Leal nunca existiu. O nome era um pseudônimo não de um, mas de quatro escritores: o poeta Olavo Bilac, o romancista Aluísio Azevedo, o dramaturgo Coelho Neto e o jornalista Pardal Mallet, que, com o nome falso, podiam assinar literatura barata sem ferir a reputação nas letras.

 

8. “Álvaro de Campos”, “Ricardo Reis”, “Alberto Caeiro” (+)


Pessoa são vários (via)

Se alguns escritores flertaram com outra persona, Fernando Pessoa dá um passo além. O poeta e escritor português não tinha apenas um, mas dezenas de heterônimos – mais que apenas um nome, um heterônimo é uma personalidade poética, com biografia e características singulares. E sim, vamos repetir: ele tinha dezenas deles. #zeroualiteratura Entre seus heterônimos mais conhecidos e com mais volumosa obra, estão Álvaro de Campos, Alberto Caeiro, Ricardo Reis e o semi-heterônimo Bernardo Soares (autor do Livro do Desassossego). Antes de falecer em 1935, Pessoa se despediu de suas personas – Alberto, por exemplo, foi-se em 1915, vítima de tuberculose quando tinha apenas 26 anos. O também português José Saramago deu um fim para outra das personalidades: em O ano da morte de Ricardo Reis, o heterônimo de Pessoa é o personagem principal.

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Leia também: Quais profissões usam nomes falsos?

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Imagens: Wikimedia

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