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Cientistas descobrem molécula responsável pela depressão e ansiedade

25 de julho de 2013

molecula stress
Se a depressão tivesse uma aparência física, ela seria assim. A imagem mostra a molécula CRF1, que está diretamente ligada ao estresse. Moléculas menores, como a que aparece no centro da imagem, podem ser projetadas para inibir sua ação. Imagem: Reprodução

 

Apesar de ter virado algo comum nos últimos anos, muita gente acha difícil entender a depressão e acredita que, para vencê-la, é só uma questão de ver as coisas de um jeito mais positivo, fazer mais exercício físico ou coisa do tipo. É claro que esse tipo de coisa pode ajudar. Mas estresse e depressão são, antes de tudo, um problema químico. E cientistas acabaram de descobrir a molécula que está diretamente relacionada a esses problemas.

Usando uma das máquinas de raio-X mais potentes do planeta, pertencente ao Diamond Light Source, um acelerador de partículas do Reino Unido, cientistas da empresa farmacêutica Heptares Therapeutics conseguiram a imagem que você vê neste post. Essa estrutura em 3D pertence a uma molécula que atua para regular a nossa resposta ao estresse, chamada CRF1.

O CRF1 é um receptor do CRF, um hormônio liberado pelo hipotálamo como resposta do cérebro ao estresse. Ao se ligar ao hormônio, o CRF1 promove a liberação de substâncias bioquímicas que, em um período estressante prolongado, podem levar à ansiedade e à depressão. Ele também está relacionado com a síndrome do intestino irritável e outras alterações intestinais ligadas ao estresse.

A novidade é que, ao analisar com detalhes sua estrutura, os pesquisadores descobriram que a molécula tem sua “bolsa de ligação” localizada numa posição muito diferente de outros receptores. Com isso, será possível projetar com mais precisão moléculas que possam se encaixar ali e bloquear sua ação, deixando-a inativa.

O estudo foi publicado na revista Nature em 17 de julho e é importante porque abre caminho para o desenvolvimento de medicamentos que, ao interagir com o CRF1, possam tratar depressão e ansiedade, além de outros problemas relacionados a moléculas com estruturas parecidas, como diabetes do tipo 2 e osteoporose.

 

(Via Popular Science e The Independent)


Música romântica e clássica fazem você gostar mais da sua comida; rock e chorinho fazem gostar menos

12 de julho de 2013

Tommy's Cake

Quem curte música provavelmente já se sentiu mais feliz ou mais triste depois de ouvir certas canções. Mas o que talvez poucos tenham percebido é que a música também pode afetar a nossa percepção do gosto de alimentos.

Quem descobriu isso foi David Wesley Silva em sua pesquisa para a dissertação de mestrado na Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp. Ele constatou que músicas romântica e clássica podem contribuir para ampliar o grau de aceitação de um alimento, enquanto o rock e o chorinho podem exercer efeito contrário.

Para o estudo, Silva, que é graduado em Música, mas tinha grande interesse em nutrição e bioquímica, criou um minibolo especial que pudesse ser consumido por celíacos, diabéticos, vegetarianos e outras pessoas preocupadas em manter uma dieta mais saudável. Por isso, ele criou seis variações da receita; em algumas delas, excluiu a farinha de trigo, o açúcar, o ovo e o leite; algumas vezes, adicionava milho, biomassa (polpa de banana verde), edulcorantes (adoçantes: sucralose e estévia), amêndoa e coco.

Essas receitas foram provadas por um grupo de 120 voluntários enquanto ouviam quatro gêneros musicais (rock, chorinho, música clássica e música românica). Eles também tiveram que degustar o bolo sem ouvir música nenhuma, como forma de controle.

Rock e chorinho provocaram menor aceitação em determinados atributos do alimento por parte dos provadores, e esse impacto variou entre as seis formulações diferentes do minibolo. Silva explica:

“No caso do chorinho, nossa hipótese é de que ele exerce esse tipo de influência por ser agitado e ao mesmo tempo nostálgico. No caso do rock, há também a questão da agitação. Em comum, os dois gêneros apresentam padrões rítmicos enfatizados sobre os outros elementos musicais [melodia, harmonia, etc.], o que pode desviar a atenção do provador. Relacionamos também estudos que apontam para uma atuação fisiológica no sistema nervoso, o que pode influenciar a resposta sensorial”.

Já a música romântica instrumental e a clássica colaboraram para a maior aceitação dos minibolos. O autor diz que é preciso estudar o tema mais a fundo, mas sua teoria é a seguinte:

“Esses gêneros tendem a acalmar as pessoas. Tal relaxamento provavelmente causa maior disponibilidade nas pessoas para aceitar o alimento. Outros estudos apontam para associação da música clássica a conceitos de status social, autoestima e sofisticação. Sabemos que a música produz variados efeitos físicos, psicológicos e emocionais, mesmo cognitivos. De outro lado, as pessoas têm as suas preferências, associadas à cultura e histórico de vida.”

Quem ouviu música teve média de aceitação até 14,4% maior em comparação com aqueles que não ouviram. Essa informação pode ser muito útil para restaurantes – ou para quando você quiser impressionar alguém com seus dotes culinários!

Outros estudos

Pesquisas associando alimentos e música ainda estão em estágio inicial (o que torna o estudo na Unicamp ainda mais bacana e vanguardista), mas existem várias envolvendo outros tipos de sons. Ao Jornal da Unicamp, Silva mencionou um estudo no qual voluntários degustaram um sorvete de bacon e ovos (!). Quando os cientistas colocaram sons de pintinhos durante essa degustação, as pessoas relataram ter sentido mais forte o gosto de ovo. Quando tocaram um som de fritura, os provadores achavam que o sorvete tinha mais sabor de bacon.

Outro estudo usado como referência foi realizado pelo Laboratório de Pesquisa Crossmodal da Universidade de Oxford, na Inglaterra. Em 2012, foram compostas duas trilhas sonoras diferentes para acompanhar a degustação de alimentos: uma com ‘elementos musicais doces’ e outra com ‘elementos musicais amargos’. Quando voluntários provavam o cinder toffe (um doce de café e caramelo tradicional no país) ouvindo os ‘sons doces’, eles acharam a sobremesa também mais doce. Quando ouviam o ‘som amargo’, comentavam que tinham comido algo amargo.

 

(Via Jornal da Unicamp)


Bebês entendem o humor um do outro (ou: O desenho Rugrats estava certo)

2 de julho de 2013

rugrats

Não sei vocês, mas eu passei minha infância assistindo ao desenho “Rugrats” e achava super possível que os bebês interagissem e se entendessem daquela maneira. E agora um estudo meio que confirma isso.

O professor de psicologia Ross Flom da Brigham Young University e o professor Lorraine Bahrick da Florida International University descobriram que, apesar de ser muitas vezes difícil para um adulto entender o que os pequenos estão sentindo (a criança está chorando porque está com dor? Com fome? Assustado?), os bebês se compreendem facilmente. (Flom descobriu em outros trabalhos que os bebês também são bons em entender o humor de cachorros, macacos e até música clássica, mas vamos focar em humanos aqui.).

O estudo, publicado no periódico “Infant”, conclui que os bebês podem identificar emoções pelo menos a partir dos cinco meses de idade. Para testar isso, 40 bebês foram colocados de frente para dois monitores – um deles transmitindo o vídeo de um bebê feliz e sorridente e outro com uma criança triste. Então tocavam um áudio de um terceiro bebê, que poderia estar triste ou feliz (e, portanto, combinando com o rosto do monitor 1 ou do 2). E aí é que veio a descoberta: ouvindo esse som, os bebês encaravam por mais tempo o rosto que eles acreditavam corresponder àquela reação. E eles sempre acertavam. Foram usadas expressões faciais e sons porque esses elementos são mais familiares para elas, já que são a forma como se comunicam nessa idade.

O resultado reitera o que os pesquisadores já esperavam: bebês pequenos são muito sensíveis e compreendem algum nível de emoção. “Os recém-nascidos não podem verbalizar para seus pais que estão com fome ou cansados, então a primeira maneira de se comunicar é através de afeto ou emoção”, diz Flom. “Assim, não é de estranhar que, no início do seu desenvolvimento, as crianças aprendam a diferenciar mudanças nesses aspectos”, completa. Mas este é o primeiro estudo a provar tal capacidade por crianças assim tão jovens.

O próximo passo do pesquisador para estudar percepção infantil será realizar testes com bebês ainda mais jovens e ver se eles seriam capazes de identificar emoções assistindo e ouvindo clipes de si mesmos. Capacidade para as crianças não parece faltar. “Os bebês aprendem mais nos seus primeiro dois anos e meio de vida do que no resto da sua vida útil”, diz ele.

Isso traz à memória aquele vídeo assustador fofo dos gêmeos conversando. Alguém duvida de que estivesse realmente rolando uma conversa ali depois de ler isso?

 

(Via Science Daily)


Mapas mostram nível de racismo e de diversidade étnica em diferentes países

17 de maio de 2013

O mapa do racismo, feito por Max Fisher, do Washington Post

Quais os países mais preconceituosos do mundo? Será que a situação econômica de um país tem algo a ver com o nível de preconceito racial que seus habitantes apresentam? Isso foi parte do que um estudo de dois economistas suecos tentou descobrir. Para isso, eles usaram dados do World Values Survey, usado amplamente em estudos pelo mundo por medir atitudes e opinioes globais há décadas.

Uma das perguntas dessa pesquisa, feita a habitantes de mais de 80 países, pedia para que eles identificassem em uma lista com vários itens os tipos de pessoas que não gostariam de ter como vizinhos. Um deles era “pessoas de uma raça diferente”, e ele foi usado para medir a tolerância racial de cada país. Quanto mais pessoas do mesmo país marcassem isso, mais preconceituoso o lugar foi considerado.

O Washington Post, então, foi atrás desses dados e fez o “mapa do racismo” que você pode ver aqui. Os países em azul tiveram o menor número de pessoas que disseram não querer vizinhos de uma raça diferente – o que, segundo a teoria dos suecos, significa que elas são menos propensas a manifestar atitudes racistas. Nos em vermelho, mais as pessoas fizeram isso – e seriam, portanto, mais propensas ao preconceito.

Isso confirma o resultado obtido pelos pesquisadores, de que liberdade econômica não tinha correlação com tolerância racial – Brasil, EUA, Canadá, Suécia e Noruega, por exemplo, estao entre os menos preconceituosos.

Mesmo assim, é algo bacana de se analisar – tomando-se os devidos cuidados. Max Fisher, autor do mapa do Washington Post, fez várias ressalvas: o assunto do preconceito é complexo demais para ser analisado por meio de uma só pergunta; precisamos considerar que as pessoas podem ter mentido (o pessoal da Finlândia talvez não seja mais preconceituoso que os noruegueses – só mais sinceros ao responder a pesquisa!); e as pessoas podem entender a questão de formas diferentes (em alguns países, as pessoas talvez pensem relacionem o termo “estrangeiros” a um grupo étnico específico com quem tenham rixas históricas, por exemplo).

O mapa da diversidade étnica

Pode ser legal analisar esse mapa junto com este outro, também feito por Fisher. Desta vez, ele usou o resultado de um estudo de 2002 do Instituto de Pesquisa Econômica de Harvard sobre diversidade étnica. Cinco economistas e cientistas sociais compararam os dados de diferentes fontes, como censos nacionais, a Enciclopédia Britânica, a CIA e outros relatórios que, juntos, identificaram 650 etnias em 190 países. Depois, os autores usaram os dados para medir a diversidade étnica de cada lugar. No mapa, os países mais verdes são mais os que possuem maior diversidade, enquanto os de laranja são os mais homogêneos.


Estudo traça comportamento dos brasileiros em relação ao álcool

29 de abril de 2013

Estamos bebendo mais – e num nível perigoso para a saúde


Imagem: George Marks/Stringer

A porcentagem de brasileiros abstêmios pode surpreender, mas quem bebe tem feito isso de forma, digamos, cada vez mais intensa – 20% dos adultos bebedores consomem 56% de todo o álcool vendido no país. E essas pessoas não estão mais felizes e relaxadas: no grupo dos que abusam do álcool, a incidência de depressão é muito alta.

Esses e outros dados foram obtidos no 2º Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), organizado pelo médico Ronaldo Laranjeira, coordenador da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Para o estudo, cujo resultado foi revelado este mês, foram entrevistadas no ano passado 4.607 pessoas maiores de 14 anos, de 149 municípios de todas as regiões brasileiras em 2012.

- 52% da população brasileira é abstêmia.

Até o autor do estudo se surpreendeu com essa informação. “Durante mais de 30 anos, acreditei que a taxa brasileira [de abstêmios] era semelhante à europeia, em torno de 12%”, contou Laranjeira à Agência FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, que apoiou o estudo).

- Mas quem consome álcool tem consumido cada vez mais

Entre os que curtem um goró, no entanto, aumentou de 45% para 59% o número de pessoas que têm um padrão de consumo batizado de “binge” e considerado nocivo – quatro unidades de álcool para mulheres e cinco para homens em uma única ocasião. Entre as mulheres, o crescimento foi ainda maior, passando de 36% para 49%.

- Só 20% dos adultos bebedores consomem 56% de todo o álcool vendido no país – e a maioria tem menos de 30 anos

Está aí outro dado preocupante. “O padrão brasileiro é o de beber fora de casa, nas ruas, nos bares, e de forma excessiva. Os jovens bebem para ficar bêbados e isso aumenta muito o risco de prejuízos à saúde e de envolvimento com violência, drogas e outros comportamentos de risco. A ideia que a indústria do álcool tenta passar, de que no Brasil todo mundo bebe um pouco, não é verdadeira”, afirmou Laranjeira.

- Beber mais traz consequências perigosas

“O aumento do consumo entre as mulheres, especialmente nesse padrão ‘binge’, terá consequências importantes do ponto de vista da saúde pública no médio prazo. Isso vai aumentar as taxas de câncer da mulher brasileira”, acredita Laranjeira. Pois é: segundo ele, evidências apontam que o consumo de duas ou mais doses de álcool por dia pela mulher aumenta em 20% o risco de câncer de mama. E estima-se ainda que 30% dos casos de câncer na população em geral tenham o álcool como um agente causador.

- Entre os que bebem, dois em cada dez apresentaram critérios para abuso ou dependência

Isso corresponde a cerca de 11,7 milhões de brasileiros. Outras estatísticas destrincham isso: 32% dos bebedores disseram que já aconteceu de não terem sido capazes de parar depois de começar a beber; 10% contaram que alguém já se machucou em consequência do seu consumo de álcool; 8% admitiram que a bebida já teve efeito prejudicial no trabalho e 9% admitiram prejuízo na família ou no relacionamento. Sem contar que quase um terço dos homens jovens bebedores abusivos se envolveu em briga com agressão física no último ano.

- O índice de depressão é bem maior entre os que abusam do álcool,

O estudo revelou que o índice de depressão entre os que abusam de álcool é de 41%, contra 25% na população em geral. Para Laranjeira, isso é um aviso importante: “É preciso desassociar a imagem do álcool à alegria. Quem bebe e bebe muito tem mais chance de ficar depressivo do que de ficar feliz”.

- Menos pessoas estão dirigindo após o consumo de álcool (mas o número ainda é alto)

O levantamento trouxe uma boa notícia: houve queda de 21% no número de pessoas que relatam ter dirigido após o consumo de álcool, embora o índice de casos em que isso acontece ainda seja alto (também de 21%, contra a porcentagem de 1% ou 2% vista nos países desenvolvidos). Isso indica que a Lei Seca provavelmente está surtindo efeito. “Mas só a manutenção dessa política e o aumento da fiscalização conseguirão fazer os números caírem ainda mais”, diz Laranjeira.

Possíveis razões para os números

Para o médico Laranjeira, uma das razões do aumento no consumo de álcool é o crescimento econômico do Brasil nos últimos 10 anos e o consequente aumento da renda per capita. “Quem não gastava dinheiro com álcool continua não gastando. Mas os que bebem estão gastando mais com bebida, especialmente as mulheres”, disse.

Além disso, ele reclama da falta de regulamentação do mercado de bebidas alcoólicas e defende a diminuição dos pontos de venda (que, segundo dados da Ambev, somam 1 milhão em todo o país), a restrição dos seus horários e a proibição de propagandas nos meios de comunicação. “Quando Diadema proibiu o funcionamento dos bares após as 23 horas, a mortalidade por homicídio caiu mais de 90% no município. Isso é um exemplo de uma medida política que faz a diferença. Já campanhas educativas em escolas, por exemplo, adiantam muito pouco”, disse.

Você concorda?

>>> Aproveite e faça o Teste do Bêbado: veja quanto tempo você demora para ficar sóbrio e entenda como as bebidas alcoólicas afetam o seu organismo

 

 


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