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Estudo traça comportamento dos brasileiros em relação ao álcool

29 de abril de 2013

Estamos bebendo mais – e num nível perigoso para a saúde


Imagem: George Marks/Stringer

A porcentagem de brasileiros abstêmios pode surpreender, mas quem bebe tem feito isso de forma, digamos, cada vez mais intensa – 20% dos adultos bebedores consomem 56% de todo o álcool vendido no país. E essas pessoas não estão mais felizes e relaxadas: no grupo dos que abusam do álcool, a incidência de depressão é muito alta.

Esses e outros dados foram obtidos no 2º Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), organizado pelo médico Ronaldo Laranjeira, coordenador da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Para o estudo, cujo resultado foi revelado este mês, foram entrevistadas no ano passado 4.607 pessoas maiores de 14 anos, de 149 municípios de todas as regiões brasileiras em 2012.

- 52% da população brasileira é abstêmia.

Até o autor do estudo se surpreendeu com essa informação. “Durante mais de 30 anos, acreditei que a taxa brasileira [de abstêmios] era semelhante à europeia, em torno de 12%”, contou Laranjeira à Agência FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, que apoiou o estudo).

- Mas quem consome álcool tem consumido cada vez mais

Entre os que curtem um goró, no entanto, aumentou de 45% para 59% o número de pessoas que têm um padrão de consumo batizado de “binge” e considerado nocivo – quatro unidades de álcool para mulheres e cinco para homens em uma única ocasião. Entre as mulheres, o crescimento foi ainda maior, passando de 36% para 49%.

- Só 20% dos adultos bebedores consomem 56% de todo o álcool vendido no país – e a maioria tem menos de 30 anos

Está aí outro dado preocupante. “O padrão brasileiro é o de beber fora de casa, nas ruas, nos bares, e de forma excessiva. Os jovens bebem para ficar bêbados e isso aumenta muito o risco de prejuízos à saúde e de envolvimento com violência, drogas e outros comportamentos de risco. A ideia que a indústria do álcool tenta passar, de que no Brasil todo mundo bebe um pouco, não é verdadeira”, afirmou Laranjeira.

- Beber mais traz consequências perigosas

“O aumento do consumo entre as mulheres, especialmente nesse padrão ‘binge’, terá consequências importantes do ponto de vista da saúde pública no médio prazo. Isso vai aumentar as taxas de câncer da mulher brasileira”, acredita Laranjeira. Pois é: segundo ele, evidências apontam que o consumo de duas ou mais doses de álcool por dia pela mulher aumenta em 20% o risco de câncer de mama. E estima-se ainda que 30% dos casos de câncer na população em geral tenham o álcool como um agente causador.

- Entre os que bebem, dois em cada dez apresentaram critérios para abuso ou dependência

Isso corresponde a cerca de 11,7 milhões de brasileiros. Outras estatísticas destrincham isso: 32% dos bebedores disseram que já aconteceu de não terem sido capazes de parar depois de começar a beber; 10% contaram que alguém já se machucou em consequência do seu consumo de álcool; 8% admitiram que a bebida já teve efeito prejudicial no trabalho e 9% admitiram prejuízo na família ou no relacionamento. Sem contar que quase um terço dos homens jovens bebedores abusivos se envolveu em briga com agressão física no último ano.

- O índice de depressão é bem maior entre os que abusam do álcool,

O estudo revelou que o índice de depressão entre os que abusam de álcool é de 41%, contra 25% na população em geral. Para Laranjeira, isso é um aviso importante: “É preciso desassociar a imagem do álcool à alegria. Quem bebe e bebe muito tem mais chance de ficar depressivo do que de ficar feliz”.

- Menos pessoas estão dirigindo após o consumo de álcool (mas o número ainda é alto)

O levantamento trouxe uma boa notícia: houve queda de 21% no número de pessoas que relatam ter dirigido após o consumo de álcool, embora o índice de casos em que isso acontece ainda seja alto (também de 21%, contra a porcentagem de 1% ou 2% vista nos países desenvolvidos). Isso indica que a Lei Seca provavelmente está surtindo efeito. “Mas só a manutenção dessa política e o aumento da fiscalização conseguirão fazer os números caírem ainda mais”, diz Laranjeira.

Possíveis razões para os números

Para o médico Laranjeira, uma das razões do aumento no consumo de álcool é o crescimento econômico do Brasil nos últimos 10 anos e o consequente aumento da renda per capita. “Quem não gastava dinheiro com álcool continua não gastando. Mas os que bebem estão gastando mais com bebida, especialmente as mulheres”, disse.

Além disso, ele reclama da falta de regulamentação do mercado de bebidas alcoólicas e defende a diminuição dos pontos de venda (que, segundo dados da Ambev, somam 1 milhão em todo o país), a restrição dos seus horários e a proibição de propagandas nos meios de comunicação. “Quando Diadema proibiu o funcionamento dos bares após as 23 horas, a mortalidade por homicídio caiu mais de 90% no município. Isso é um exemplo de uma medida política que faz a diferença. Já campanhas educativas em escolas, por exemplo, adiantam muito pouco”, disse.

Você concorda?

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O que a sua posição no elevador diz sobre você

19 de abril de 2013

A pesquisadora em psicologia Rebekah Rousi passou dias em elevadores, subindo e descendo os dois maiores prédios de escritórios em Adelaide, Austrália. Não, não era nenhum hobby bizarro. Ela queria descobrir, a pedido de uma companhia que fabricava elevadores, se existe algum padrão na forma como as pessoas se organizam nas cabines. Será que os mais altos tendem a ficar no fundo? Os homens e as mulheres ficam em lugares específicos? Será que todo mundo tende a olhar para o mesmo lado?


Imagem: Reprodução NPR.org

Depois de muito observar e após entrevistas com cerca de 50 usuários, Rebekah realmente descobriu um padrão. Para começar, ela notou que os homens mais velhos tendem a ficar no fundo das cabines, enquanto os homens mais novos ficam no meio. As mulheres, independentemente da idade, tendem a ficar na frente, de costas para os homens todos, e voltadas para as portas.

Além disso, ela descobriu que os homens geralmente olhavam para os espelhos nas laterais e nas portas do elevador para poder observar outros usuários e/ou si mesmos. As mulheres não: elas preferiam olhar para TVs e evitar contato visual com outros (a menos que estivessem conversando com alguém). E elas só observavam outros passageiros por meio dos espelhos quando estavam com outras mulheres.

O que a escolha de lugar pode significar

Ao site NPR.org, Rebekah disse que é necessária uma análise mais profunda e científica, mas acredita que essas atitudes e disposições talvez tenham a ver com relações de poder. Os homens que se reuniram na parte de trás, com uma melhor visão de seus companheiros, eram bem mais velhos, e muitos deles não estavam preocupados em “serem pegos” olhando para outros pelo espelho. Assim, poder observar livremente outros pode sugerir uma sensação de privilégio. Os homens mais jovens, supostamente menos “poderosos” pareciam evitar aquele espaço, preferindo um meio termo.

Há também outra leitura dos resultados: segundo ela, pode ser que a escolha do lugar tenha a ver com timidez. Pessoas ousadas escolheriam a parte de trás (o que não exclui a influência do poder de que a pessoa dispõe), enquanto os mais tímidos prefeririam a frente. Mas isso implicaria na suposição de que as mulheres australianas seriam mais tímidas do que os homens, o que é meio arriscado de se afirmar.

O que você acha? Já notou algum padrão desse tipo na empresa em que trabalha?


Por que é bom falar sozinho (às vezes)

28 de março de 2013

 

Você já se pegou falando sozinho enquanto estava concentrado em alguma tarefa? Se a resposta for sim, não se preocupe: você não está ficando maluco. Pesquisas anteriores já haviam mostrado que falar consigo mesmo em voz alta é importante para as crianças porque faz com que se concentrem melhor nas tarefas que estão realizando. Elas muitas vezes falam em voz alta cada passo que precisam dar para amarrar seus cadarços, por exemplo, como forma de orientar suas ações.

Então os psicólogos Gary Lupyan (Universidade de Wisconsin-Madison) e Daniel Swingley (Universidade da Pensilvânia) começaram a se perguntar se isso funciona com adultos também. Eles já haviam observado que muita gente fica murmurando sozinha enquanto está procurando certos objetos – um pote de manteiga de amendoim em uma prateleira de supermercado, aquele pedaço de queijo em sua geladeira… Quem nunca, né?

Assim, realizaram experimentos para descobrir se a coisa realmente funciona e o resultado foi publicado no “Quarterly Journal of Experimental Psychology” no ano passado. No primeiro, os voluntários viram 20 fotos de vários objetos e deveriam encontrar um em particular. Em algumas rodadas, eles recebiam um texto com o que deviam encontrar e deviam fazer isso em silêncio. Em outras, esses mesmos voluntários deveriam fazer essa busca enquanto repetiam o nome do objeto para si mesmos. Resultado: quando falavam sozinhos, eles encontravam os objetos mais rapidamente.

Em outro experimento, a tarefa envolvia fazer compras em um supermercado virtual: os voluntários viam fotos de itens, como certo refrigerante ou um saco de maçãs, e deviam encontrá-los nas prateleiras desse mercado o mais rápido possível. Novamente, provou-se que ficar repetindo o nome do objeto durante a procura ajudou na busca – mas só nos casos em que se tratava de algo familiar.

“Falar com você mesmo não é algo sempre útil – se você não sabe como é o objeto, dizer seu nome pode não ter efeito nenhum ou até deixar você mais lento na sua procura”, disse Lupyan. “Se, por outro lado, você sabe que bananas são amarelas e têm determinado formato, ao dizer banana você está ativando essas propriedades visuais no cérebro para ajudá-lo a encontrá-las”, completa.  Para ele, pesquisas futuras devem analisar a atividade cerebral enquanto esses experimentos são realizados para que se possa entender realmente como isso funciona no cérebro.

(Via Science Daily)


Quer se concentrar? Mascar chiclete funciona, diz estudo

12 de março de 2013


Foto: Getty Images

Você já colocou um chiclete na boca enquanto tentava se concentrar em alguma tarefa e achou que foi útil? Pois não era mera impressão ou coincidência – isso funciona, mesmo.

Pelo menos foi o que pesquisadores das Universidades de Cardiff e Bournemouth, na Grã-Bretanha, concluíram após realizar testes com voluntários que precisavam realizar testes de memorização.

O estudo, publicado semana passada no British Journal of Psychology, foi feito com 38 pessoas que se separaram em dois grupos, cada um tendo de realizar uma tarefa de 30 minutos que envolvia ouvir uma série de números de 1 a 9 em ordem aleatória. Eles precisavam identificar sequências de números ímpar-par-ímpar, como 7-2-1. Quanto mais rápidos fossem, mais pontos ganhavam. Um dos grupos fez isso enquanto mascava chiclete; o outro, não.

Resultado: quem havia mascado chiclete apresentou reações mais rápidas e precisas e resultados melhores no decorrer da tarefa – mas, no começo dela, quem não mastigou nada teve vantagem.  ”Isso sugere que a goma de mascar ajuda na concentração em tarefas que exigem um acompanhamento contínuo por um longo período de tempo”, conclui a autora Kate Morgan, da Universidade de Cardiff. “Em nosso estudo, focamos em uma tarefa de áudio envolvendo a memória de curto prazo, especialmente nos últimos estágios da tarefa”, completa.

Segundo estudos anteriores, esse benefício se deve ao fato de que mascar chiclete aumenta o fluxo de sangue e de oxigênio em certas regiões cerebrais, o que aumenta a atividade neurológica e o estado de alerta.

Para ler o estudo, clique aqui.


Por que sentir nojo é importante – e como isso afeta a nossa percepção

6 de dezembro de 2012


Crédito da foto: flickr.com/vipez

A capacidade de sentir nojo tem um papel importante para nossa própria saúde: ela nos leva a evitar coisas sujas que poderiam provocar doenças ou até nos matar. Afinal, imagine como seria se não tivéssemos nenhum pudor em comer coisas que caíram no chão imundo ou, sei lá, lamber maçanetas de banheiro (até existe gente que curte, mas é um caso à parte).

No entanto, um estudo recente sugere que, além de nos fazer evitar a sujeira, o nojo também nos ajuda a identificá-la melhor. Expliquemos. De acordo com muitas pesquisas, temos a tendência de associar o branco à limpeza – o que explica por que várias culturas dão tanto valor a ter dentes brancos e preferem pias e vasos sanitários de cores claras para o banheiro.

Levando isso em conta, o pesquisador em psicologia Gary Sherman, da Universidade de Harvard, realizou três estudos cujos resultados sugerem que o nojo não só motiva as pessoas a criar ou manter ambientes limpos, mas também pode levá-las a ter uma visão bem mais apurada para detectar variações de cor que poderiam denunciar pequenas sujeiras.

Para isso, Sherman e seus colegas testaram a habilidade de voluntários para detectar variações de cor em uma escala de tons de cinza. Em um primeiro estudo, 123 estudantes universitários analisaram conjuntos com quatro retângulos cada um – e, em todos eles, um dos retângulos era ligeiramente mais escuro ou mais claro que os outros. Os participantes tiveram, então, de indicar qual era o elemento diferente. No fim, a maioria achou mais fácil identificar quando o retângulo era mais escuro.

Depois de completar a tarefa, eles responderam um questionário que mediu a sua sensibilidade geral para o nojo. Resultado: as pessoas que sentiam nojo com mais facilidade apresentaram melhor desempenho na hora de identificar o triângulo levemente mais escuro.

Esses achados foram confirmados em um segundo estudo, mostrando que os estudantes que relataram sensibilidade maior ao nojo eram melhores em distinguir um número em tom claro escondido contra um fundo de um tom quase idêntico.

No terceiro estudo, os participantes viram uma apresentação de slides de imagens projetadas para provocar nojo (como baratas, lixo) ou medo (um revólver, alguém com uma cara muito brava). Em seguida, eles tiveram de completar outra tarefa que envolvia perceber variações sutis de cores. Resultado: induzir o nojo nas pessoas mais sensíveis aumentou significativamente a sua capacidade de percepção de tons. O mesmo nao aconteceu com a indução de medo, nem com aqueles que não sentiam nojo facilmente (o que faz sentido, já que as imagens não funcionaram tão bem para eles).

“Está muito claro que essa influência [a do nojo] promove o aumento da percepção”, concluem os pesquisadores. E isso, é claro, também vai nos ajudar a detectar e evitar os germes, toxinas e outras contaminações.

O trabalho está na publicação Psychological Science.

 

(Via Medical Xpress)

 

LEIA TAMBÉM (só para não desperdiçar o tema das baratas):

- Tudo que você nunca quis saber sobre as baratas

 


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