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Pesquisador cria “humanos virtuais” para ajudar no treinamento de psicólogos

Ana Carolina Prado 6 de agosto de 2012


Pesquisador realiza consulta virtual com Justina

Você já deve ter ouvido falar de psicólogos que fazem consultas online ou, no mínimo, de sites que ofereçam esse serviço. Mas eles geralmente ajudam pessoas REAIS. Agora, a University of Southern California desenvolveu uma tecnologia que cria pessoas virtuais capazes de interagir com terapeutas através de uma tela de computador e, de uma forma bem realista, simular os sintomas de desordens psicológicas.

Segundo o psicólogo e especialista em realidade virtual Albert Rizzo, humanos virtuais agora podem ser altamente interativos, inteligentes e capazes de levar muito bem uma conversa com humanos reais. Se você já chegou a adicionar robôs como a Encarta na época do MSN (antes de todo mundo substituí-lo pelo chat do Facebook ou pelo Gtalk) (e sim, eu às vezes gostava de brigar com robôs pelo Messenger), pode parecer difícil imaginar quão espertos eles podem ser. Mas o vídeo aí embaixo dá uma boa ideia de como é. Nada mal.

Os dois primeiros pacientes virtuais desenvolvidos até agora são Justin e Justina. O primeiro é um menino de 16 anos com problemas de conduta que foi forçado pela família a fazer terapia. Justina, com uma tecnologia mais avançada, é uma vítima de violência sexual que apresenta sintomas de estresse pós-traumático.

O objetivo disso é ajudar no treinamento de futuros psicólogos e psiquiatras. Em um teste inicial, 15 psiquiatras residentes tiveram de fazer uma sessão de 15 minutos com Justina. Após fazer perguntas e ouvir as respostas, eles faziam um diagnóstico inicial.

Esse primeiro teste vai ajudar Rizzo e sua equipe a melhorar a tecnologia e ampliar o leque de desordens possíveis. Os próximos pacientes virtuais serão veteranos de guerra com depressão e pensamentos suicidas. A ideia é usá-los para treinar clínicos e outros militares para reconhecer o risco de suicídio e violência entre seus companheiros.

Hoje, estudantes de psicologia e psiquiatria treinam com outros estudantes ou supervisores, que atuam como se fossem os pacientes, antes de interagir em situações verdadeiras e supervisionadas. A vantagem da tecnologia, segundo Rizzo, é que pacientes virtuais são mais versáteis e acessíveis – basta ter um computador para falar com eles a qualquer hora e em qualquer lugar.

(Via Medical Xpress)


Cérebro fica mais ativo quando você dorme menos – mas isso não é algo bom

Ana Carolina Prado 31 de julho de 2012

Se você já virou algumas noites acordado, deve ter tido esta sensação: seu corpo fica mais lento, sua concentração piora, seus pensamentos ficam agitados e pouco claros. É como se, estranhamente, o cérebro privado de sono se torne mais ativo.

Segundo um estudo feito pelo neurofisiologista Marcello Massimini, da Universidade de Milão, na Itália, e publicado recentemente na revista Cerebral Cortex, isso pode ser verdade: conforme o tempo passa e você não dorme, seu cérebro vai ficando mais sensível a estímulos e num estado de alerta.

Para chegar a essa conclusão, Massimini estimulou as células cerebrais no córtex frontal de voluntários com um choque de energia elétrica dado por meio da técnica da estimulação transcraniana magnética não-invasiva. Em seguida, ele observava a reação do cérebro como um todo, comparando os resultados dos indivíduos que tinham ficado acordados por duas, oito, 12 ou 32 horas.

O experimento, segundo ele, era como cutucar um amigo nas costelas para ver quão alto ele pula. A ideia é que, se você fizer isso com alguém que está há um tempo sem dormir, ele vai saltar mais alto. E os resultados sugerem que é mais ou menos isso que acontece com o cérebro: ele fica mais “nervoso” em resposta à descarga elétrica, com picos mais fortes e imediatos da atividade.

Isso tem a ver com o fato, observado por alguns médicos e apontados por Massimini, de que epilépticos são mais propensos a ter convulsões se passarem mais tempo acordados, e, por outro lado, pacientes com depressão severa e que têm atividade cerebral mais baixa que o normal podem, às vezes, melhorar seu desempenho se ficarem sem dormir.

Mas por que isso acontece? A explicação provavelmente está relacionada ao seguinte: enquanto estamos acordados, nossos neurônios estão constantemente em forte atividade, formando novas sinapses, ou conexões, com outros neurônios. Quanto mais tempo você passa acordado, mais ligações são formadas. Mas muitas delas são irrelevantes – daí a importância de dormir, para dar uma podada nos excessos, fixar as mais importantes e impedir a ocorrência de alguma espécie de sobrecarga.  É por isso que é difícil aprender coisas ou memorizar novas informações em um cérebro sonolento, por exemplo.

 

(Via Scientific American)


Como desenvolver a autocompaixão e diminuir o stress

Ana Carolina Prado 18 de julho de 2012

Você sabe o que é a autocompaixão? Já falei sobre ela há algum tempo, aqui e aqui. Trata-se, basicamente, de ser compreensivo e gentil consigo mesmo, sem ficar se culpando ou criticando demais. Cada vez mais pesquisas têm mostrado que cultivar essa atitude faz bem para a sua saúde mental – ajudando a reduzir o stress, por exemplo.

Não é conceito muito fácil de entender: é diferente da autoestima, que pode levar ao narcisismo ou um amor extremado a si mesmo, e não pode ser confundido com autopiedade (que é a pena de si).

De acordo com Kristin Neff, professora de psicologia da Universidade do Texas em Austin e pesquisadora do assunto, “autocompaixão significa tratar a si mesmo com a mesma gentileza e cuidado com que você trataria um amigo”.

Não é difícil entender por que um pouco de autocompaixão faz bem: pessoas assim evitam fazer críticas destrutivas a si mesmas ou fazer generalizações negativas (do tipo “eu SEMPRE estrago tudo”). Além disso, elas veem seus problemas e falhas como parte normal da condição humana. Sem dramas.

E, diferentemente do que possa parecer, tratar a si mesmo com gentileza também ajuda a atingir seus objetivos. Neff explicou para a Scientific American que as pessoas podem achar que a autocrítica as motiva e, se não forem duras consigo mesmas, não vão sair do lugar. Mas os estudos mostram que a autocompaixão não promove o rebaixamento dos padrões das pessoas – a diferença é que, nesses casos, se elas não atingirem seus objetivos não será o fim do mundo, porque elas não determinam seu próprio valor com base no sucesso. Isso já ajuda muito a diminuir seu nível de stress.

Como desenvolver autocompaixão

Mas como você pode desenvolver essa atitude? Uma pesquisa recente da Universidade da Califórnia em Berkeley concluiu que uma forma eficiente de conseguir isso é mostrando gentileza e compaixão a outras pessoas.

Em uma conferência da Sociedade para a Psicologia Social e da Personalidade, em janeiro deste ano, as pesquisadoras Juliana Breines e Serena Chen falaram sobre uma série de experimentos nos quais elas pediram a um grupo de voluntários que apoiassem outra pessoa. Eles poderiam fazer isso ao escrever sugestões para fazer um amigo com um problema se sentir melhor. Também foi pedido a outro grupo que recordasse um momento divertido que passaram com um amigo e, a um terceiro, que apenas lessem sobre o sofrimento de outros.

Resultado: o grupo que deu apoio se avaliou com maior autocompaixão do que os outros. Segundo Breines, apoiar outras pessoas dá o sentimento de estar conectado e ajuda a enxergar que outras pessoas também têm problemas. Mas o ponto principal é que, em épocas difíceis, as pessoas têm a tendência natural de se concentrar em si mesmas e acham difícil ajudar outras. Quando, apesar disso, nos esforçamos em aproveitar oportunidades de apoiar outros, podemos nos sentir melhor em relação ao que estamos vivendo.


Entenda a importância do tempo “ocioso” para o seu cérebro

Ana Carolina Prado 3 de julho de 2012

Você, caro leitor, tem problemas para se concentrar e sente que é cada vez mais difícil dar conta de todas as tarefas do dia a dia? Experimente cultivar um novo hábito: o de deixar o smartphone de lado, desligar a TV e o computador e deixar seu cérebro descansar e ter devaneios (ou sonhar acordado) à vontade.

A pesquisadora e professora de educação, psicologia e neurociência na Universidade do Sul da Califórnia, Mary Helen Immordino-Yang, escreveu um artigo com outros colegas que trazia um levantamento da literatura científica existente da neurociência e da ciência psicológica explorando o que significa quando o nosso cérebro está ‘em repouso’.

O trabalho foi publicado na edição de julho do periódico “Perspectives on Psychological Science” e aponta que, quando estamos descansando e focados em nosso mundo interior, nosso cérebro entra no chamado “modo padrão” ou “default”. A atividade desse modo default está ligada aos componentes do nosso funcionamento socioemocional, como autoconhecimento, julgamentos morais, desenvolvimento do raciocínio e construção de sentido do mundo que nos rodeia. Falando nisso, outra pesquisa recente, feita na Universidade da Califórnia em Santa Barbara, concluiu que ter devaneios realmente melhora a produtividade e ajuda na resolução de problemas.

Immordino-Yang e seus colegas expressaram preocupação com o fato de que os ambientes urbanos e virtuais (redes sociais cabem muito bem aí) têm exigido demais de nossa atenção. Para eles, isso talvez esteja minando oportunidades de reflexão e pode ter efeitos negativos sobre o nosso desenvolvimento psicológico.

A importância do tempo “ocioso” para o aprendizado e memória

Para Immordino-Yang, a reflexão e o silêncio podem ser muito importantes também para o aprendizado e memória. “O foco para dentro afeta a maneira como construímos memórias e sentidos e o modo como transferimos o que aprendemos para novos contextos”, explica. Ela defende que as escolas incentivem o aluno a se voltar para si mesmo, o que pode ajudar na consolidação do aprendizado em longo prazo. “O equilíbrio é necessário entre a atenção exterior e interior, já que o tempo gasto com a mente vagando, refletindo e imaginando também pode melhorar a qualidade da atenção externa que as crianças podem sustentar”, completa.

Segundo os autores, talvez a conclusão mais importante a ser extraída de pesquisas sobre o cérebro em repouso é o fato de que isso não significa uma ociosidade negativa – pelo contrário, é fundamental para aprendermos com as experiências. Estudos já indicaram que, quando as crianças têm tempo e habilidades necessários para a reflexão, muitas vezes se tornam mais motivadas, menos ansiosas, têm melhor desempenho em testes e passam a planejar o futuro de forma mais eficaz.

 

(via Medical Xpress)


Cérebro de mulheres ansiosas trabalha mais que o de homens

Ana Carolina Prado 20 de junho de 2012

Um estudo da Michigan State University concluiu que, no que diz respeito à ansiedade, há diferenças importantes entre o cérebro masculino e o feminino. A atividade cerebral de mulheres ansiosas é bem maior que o de homens na mesma condição.

Para descobrir isso, pesquisadores pediram a estudantes universitários que fizessem uma série de tarefas simples enquanto usavam uma espécie de touca cheia de eletrodos para medir sua atividade cerebral. Uma das tarefas era identificar a letra do meio de várias séries de cinco letras em uma tela de computador. Algumas vezes a letra do meio era a mesma que as outras quatro (FFFFF), em outras era diferente (EEFEE). Depois, eles responderam a um questionário dizendo o quanto haviam ficado ansiosos e preocupados com o teste.

Embora as mulheres ansiosas tenham acertado, em geral, tanto quanto os homens ansiosos, seu cérebro trabalhou mais que o deles. E esse trabalho extra teve seu preço depois: à medida que o teste ia ficando mais difícil, elas se saíram pior – sugerindo que a preocupação atrapalhou.

Além disso, quanto mais erros as ansiosas cometiam, mais intensamente trabalhava seu cérebro – coisa que não ocorreu com os ansiosos do sexo masculino.

O estudo foi publicado no International Journal of Psychophysiology e é o primeiro a analisar a relação entre a preocupação e as respostas cerebrais a erros entre pessoas de sexos diferentes usando uma amostra válida cientificamente (no caso, 79 mulheres e 70 homens).

Por que o cérebro feminino trabalha mais?

Jason Moser, líder do estudo, acredita que o resultado pode ajudar a identificar garotas com tendência a problemas como transtorno obsessivo-compulsivo ou desordens de ansiedade. “Essa é mais uma peça do quebra-cabeça para descobrir por que as mulheres em geral têm mais problemas de ansiedade”, disse.

Segundo ele, “o cérebro das garotas ansiosas teve de trabalhar mais porque elas tinham preocupações e pensamentos que as distraíam. Como resultado, seus cérebros meio que se atrapalharam por ter que pensar tanto, o que pode levar a dificuldades na escola, por exemplo.”

Os pesquisadores agora estão pesquisando se o estrogênio, um dos principais hormônios sexuais femininos, pode ser o culpado pelo aumento da resposta cerebral. As suspeitas estão sobre ele porque já se sabe, por exemplo, que afeta a liberação de dopamina, um neurotransmissor responsável pelo aprendizado e pelo processamento de erros na parte da frente do cérebro.

Mas se você é mulher e ansiosa, não se desespere. Jason Moser deu dicas para ajudar a reduzir a preocupação e aumentar o foco: escreva suas preocupações em um diário em vez de ficar remoendo tudo em sua cabeça e resolva jogos criados para melhorar a memória e concentração.

(Via Medical Xpress)


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