Conselhos errados que as pessoas dão: Você só vai vencer na vida se for muito exigente consigo mesmo

Por Atualizado em 03/08/2011

Continuamos com a série que apresenta conceitos errados de psicologia que estão espalhados por aí disfarçados de conselhos bem-intencionados.

“Acredite em si mesmo e não aceite uma derrota!” “Você precisa ter uma autodisciplina impecável para ter sucesso”. Você já perdeu a conta de quantas vezes ouviu essas frases, certo?  É claro que boas doses de autoconfiança e disciplina são necessárias para atingirmos nossos objetivos. Mas a ciência já descobriu que é preciso pegar leve com essa exigência toda.

Estudos recentes revelaram que quem cobra demais de si mesmo apresenta níveis mais altos de depressão e ansiedade. Enquanto isso, quem é mais compreensivo com as próprias falhas é mais feliz, otimista e, de quebra, ainda tem mais saúde.

A professora de desenvolvimento humano da Universidade do Texas em Austin Kristin Neff, uma das pioneiras nesse novo campo da psicologia chamado autocompaixão, diz que muita gente não é compreensiva consigo mesma porque teme cair na autoindulgência ou baixar seus padrões de excelência.  “Eles acham que a autocrítica é o que os mantêm na linha”, disse ela ao New York Times. Tudo culpa da ideia difundida de que se deve ser extremamente exigente e autocrítico para ter sucesso. Mas a verdade é que, segundo Neff, a autocompaixão estimula as pessoas porque as leva a se cuidarem melhor. Quanto mais você se cuidar – e quanto menos energia gastar se criticando – melhor se sairá.

Agora, como é que vamos saber a medida exata de autocompaixão? Uma boa saída é nos perguntarmos se tratamos nós mesmos tão bem quanto tratamos nossos amigos e familiares. E isso é mais difícil do que parece. Um estudo recente descobriu que, no geral, as pessoas que costumam apoiar e compreender as falhas dos outros são muito mais rígidas com suas próprias falhas.

Em termos práticos: como você agiria se tivesse um filho com dificuldades na escola? Muitos pais dariam apoio e ajudariam com aulas extras. Mas e quando você é quem está nessa situação, talvez com problemas no trabalho ou com dificuldade para emagrecer?  Aí o tratamento muitas vezes é diferente: cai-se num ciclo de negatividade e excesso de crítica. Se essa estratégia é inútil na hora de ajudar outra pessoa, por que haveria de funcionar com nós mesmos?

Um estudo de 2007 da Universidade de Wake Forest mostrou que um pequeno incentivo à autocompaixão já produz resultados.  Os pesquisadores convidaram 84 mulheres para uma experiência de degustação de alguns doces engordativos que são proibidos para quem deseja manter a forma. Um instrutor pediu a algumas voluntárias que não fossem duras consigo mesmas, já que todo mundo naquele estudo comeria aqueles doces e não havia razão nenhuma para se sentirem mal ao fazerem isso também.

No fim, as mulheres que costumavam ter sentimento de culpa a respeito de alimentos proibidos e que ouviram aquela mensagem comeram menos do que as outras.  Os pesquisadores acreditam que isso aconteceu porque, ao se permitirem apreciar os doces, elas os apreciaram melhor e ficaram satisfeitas com menos. Já quem estava com sentimentos de culpa acabou comendo mais para tentar se sentir melhor. Coisa que, no máximo, permitiu só um prazer momentâneo e aumentou o sentimento de culpa posterior, num círculo vicioso. Isso também pode funcionar com o vício na internet, por exemplo. Ou com problemas de concentração.

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  • sonia

    so muito esplosiva e tenho lado madao mas eu nao queria ser a sim

  • Dijalma

    Adoramos substituir as nossas derrotas em um Deus. Acho tudo isso, uma forma de escape. Sinceramente não acredito em uma força maior sobre mim, que não seja a da gravidade.

  • http://thalis.jrf@hotmail.com thalis e emerson

    não devemos confiar no homem e na mulher somente em deus

  • http://le_eu.vc@hotmail.com leticia

    ” isso pode afetar uma vida ”

  • m@!con

    achei legal essa matéria que fala sobre tomarmos decisões na vida para adolescentes como eu.

  • R.A.S.

    É verdade que, numa sociedade cada vez mais consumista, haja sim a tendência de se viver nos extremos (o que é perigoso): rigidez excessiva x compulsividade permissiva… E, apesar de ter seus “altos e baixos”, a vida não é uma gangorra.

  • Amanda Pupin

    A pessoa precisa estar em paz consigo mesmo para o progresso próprio, as preocupações, a cobrança atraem negativismo, tem que aproveitar o sol nascente, a brisa da tarde, bem, curtir a vida, estar feliz consigo mesmo, por mais difícil que seja a vida, não dá pra viver estressado ou cabisbaixo, ser feliz é estar de bem consigo mesmo!

  • http://www.marceloquirino.com Marcelo Quirino

    Gostei. Bem pertinente isso. Essa autocompaixão tem lugar devido à tal sociedade consumista e produtora de excesso.

    Só nessa sociedade que se formam sujeitos produtores que se cobram demais.