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O que a sua posição no elevador diz sobre você

Ana Carolina Prado 19 de abril de 2013

A pesquisadora em psicologia Rebekah Rousi passou dias em elevadores, subindo e descendo os dois maiores prédios de escritórios em Adelaide, Austrália. Não, não era nenhum hobby bizarro. Ela queria descobrir, a pedido de uma companhia que fabricava elevadores, se existe algum padrão na forma como as pessoas se organizam nas cabines. Será que os mais altos tendem a ficar no fundo? Os homens e as mulheres ficam em lugares específicos? Será que todo mundo tende a olhar para o mesmo lado?


Imagem: Reprodução NPR.org

Depois de muito observar e após entrevistas com cerca de 50 usuários, Rebekah realmente descobriu um padrão. Para começar, ela notou que os homens mais velhos tendem a ficar no fundo das cabines, enquanto os homens mais novos ficam no meio. As mulheres, independentemente da idade, tendem a ficar na frente, de costas para os homens todos, e voltadas para as portas.

Além disso, ela descobriu que os homens geralmente olhavam para os espelhos nas laterais e nas portas do elevador para poder observar outros usuários e/ou si mesmos. As mulheres não: elas preferiam olhar para TVs e evitar contato visual com outros (a menos que estivessem conversando com alguém). E elas só observavam outros passageiros por meio dos espelhos quando estavam com outras mulheres.

O que a escolha de lugar pode significar

Ao site NPR.org, Rebekah disse que é necessária uma análise mais profunda e científica, mas acredita que essas atitudes e disposições talvez tenham a ver com relações de poder. Os homens que se reuniram na parte de trás, com uma melhor visão de seus companheiros, eram bem mais velhos, e muitos deles não estavam preocupados em “serem pegos” olhando para outros pelo espelho. Assim, poder observar livremente outros pode sugerir uma sensação de privilégio. Os homens mais jovens, supostamente menos “poderosos” pareciam evitar aquele espaço, preferindo um meio termo.

Há também outra leitura dos resultados: segundo ela, pode ser que a escolha do lugar tenha a ver com timidez. Pessoas ousadas escolheriam a parte de trás (o que não exclui a influência do poder de que a pessoa dispõe), enquanto os mais tímidos prefeririam a frente. Mas isso implicaria na suposição de que as mulheres australianas seriam mais tímidas do que os homens, o que é meio arriscado de se afirmar.

O que você acha? Já notou algum padrão desse tipo na empresa em que trabalha?


Por que é bom falar sozinho (às vezes)

Ana Carolina Prado 28 de março de 2013

 

Você já se pegou falando sozinho enquanto estava concentrado em alguma tarefa? Se a resposta for sim, não se preocupe: você não está ficando maluco. Pesquisas anteriores já haviam mostrado que falar consigo mesmo em voz alta é importante para as crianças porque faz com que se concentrem melhor nas tarefas que estão realizando. Elas muitas vezes falam em voz alta cada passo que precisam dar para amarrar seus cadarços, por exemplo, como forma de orientar suas ações.

Então os psicólogos Gary Lupyan (Universidade de Wisconsin-Madison) e Daniel Swingley (Universidade da Pensilvânia) começaram a se perguntar se isso funciona com adultos também. Eles já haviam observado que muita gente fica murmurando sozinha enquanto está procurando certos objetos – um pote de manteiga de amendoim em uma prateleira de supermercado, aquele pedaço de queijo em sua geladeira… Quem nunca, né?

Assim, realizaram experimentos para descobrir se a coisa realmente funciona e o resultado foi publicado no “Quarterly Journal of Experimental Psychology” no ano passado. No primeiro, os voluntários viram 20 fotos de vários objetos e deveriam encontrar um em particular. Em algumas rodadas, eles recebiam um texto com o que deviam encontrar e deviam fazer isso em silêncio. Em outras, esses mesmos voluntários deveriam fazer essa busca enquanto repetiam o nome do objeto para si mesmos. Resultado: quando falavam sozinhos, eles encontravam os objetos mais rapidamente.

Em outro experimento, a tarefa envolvia fazer compras em um supermercado virtual: os voluntários viam fotos de itens, como certo refrigerante ou um saco de maçãs, e deviam encontrá-los nas prateleiras desse mercado o mais rápido possível. Novamente, provou-se que ficar repetindo o nome do objeto durante a procura ajudou na busca – mas só nos casos em que se tratava de algo familiar.

“Falar com você mesmo não é algo sempre útil – se você não sabe como é o objeto, dizer seu nome pode não ter efeito nenhum ou até deixar você mais lento na sua procura”, disse Lupyan. “Se, por outro lado, você sabe que bananas são amarelas e têm determinado formato, ao dizer banana você está ativando essas propriedades visuais no cérebro para ajudá-lo a encontrá-las”, completa.  Para ele, pesquisas futuras devem analisar a atividade cerebral enquanto esses experimentos são realizados para que se possa entender realmente como isso funciona no cérebro.

(Via Science Daily)


Quer se concentrar? Mascar chiclete funciona, diz estudo

Ana Carolina Prado 12 de março de 2013


Foto: Getty Images

Você já colocou um chiclete na boca enquanto tentava se concentrar em alguma tarefa e achou que foi útil? Pois não era mera impressão ou coincidência – isso funciona, mesmo.

Pelo menos foi o que pesquisadores das Universidades de Cardiff e Bournemouth, na Grã-Bretanha, concluíram após realizar testes com voluntários que precisavam realizar testes de memorização.

O estudo, publicado semana passada no British Journal of Psychology, foi feito com 38 pessoas que se separaram em dois grupos, cada um tendo de realizar uma tarefa de 30 minutos que envolvia ouvir uma série de números de 1 a 9 em ordem aleatória. Eles precisavam identificar sequências de números ímpar-par-ímpar, como 7-2-1. Quanto mais rápidos fossem, mais pontos ganhavam. Um dos grupos fez isso enquanto mascava chiclete; o outro, não.

Resultado: quem havia mascado chiclete apresentou reações mais rápidas e precisas e resultados melhores no decorrer da tarefa – mas, no começo dela, quem não mastigou nada teve vantagem.  ”Isso sugere que a goma de mascar ajuda na concentração em tarefas que exigem um acompanhamento contínuo por um longo período de tempo”, conclui a autora Kate Morgan, da Universidade de Cardiff. “Em nosso estudo, focamos em uma tarefa de áudio envolvendo a memória de curto prazo, especialmente nos últimos estágios da tarefa”, completa.

Segundo estudos anteriores, esse benefício se deve ao fato de que mascar chiclete aumenta o fluxo de sangue e de oxigênio em certas regiões cerebrais, o que aumenta a atividade neurológica e o estado de alerta.

Para ler o estudo, clique aqui.


Cumprindo suas promessas de Ano-Novo – parte 3: Como comer menos

Ana Carolina Prado 18 de fevereiro de 2013

Agora que começamos a primeira semana pós-carnaval, não há mais desculpas: o ano começou de verdade. Portanto, se você estava postergando seus planos de Ano-Novo até agora, não tem mais saída, meu chapa. Já dei a receita da ciência para duas metas capazes de mudar a sua vida: parar de procrastinar e conseguir sair da cama mais cedo. Para finalizar a série, escolhi outro tema muito recorrente nas listas de resoluções: emagrecer.

O grande segredo, segundo um estudo recente da Universidade de Bristol, é mudar as suas memórias associadas à comida. Esse pequeno truque vai ajudar você a comer menos e, consequentemente, perder algum peso (em uma quantidade que vai variar, é claro, de acordo com sua dieta, rotina de exercícios e outros fatores).

Fome fisiológica x fome psicológica

A fome é um meio de nosso organismo fazer com que consumamos a quantidade necessária de calorias para nosso corpo ter energia suficiente. Mas, de acordo com a pesquisa, publicada na PLOS One, ela também tem um componente psicológico, o que torna possível que a manipulemos.

O autor, Jeffrey Brunstrom, fez um experimento bem elaborado para chegar a essa conclusão. Ele convocou voluntários para tomarem sopa em tigelas de dois tamanhos diferentes: metade recebeu uma de 300 ml e a outra metade, uma de 500 ml. Mas havia um truque: usando um sistema de tubos e válvulas secretos que podiam encher ou esvaziar as tigelas, os pesquisadores enganavam os voluntários em relação a quanto eles haviam consumido.

Parte das pessoas consumiu a quantidade de sopa que havia visto na tigela, mesmo, enquanto a quantidade real para outros foi diferente – gente com uma tigela de 500 ml podia acabar tomando 300 ml e vice-versa. Depois, os pesquisadores mediram a fome que cada um sentiu mais tarde e puderam separar os aspectos puramente fisiológicos (que têm a ver com o volume consumido anteriormente, ou quão cheio o seu estômago está) dos cognitivos (que têm a ver com quanto você acha que comeu).

Lembranças podem encher a barriga, sim

A primeira conclusão a que Brunstrom chegou foi a de que não há como enganar o estômago logo após a refeição. Quando testados logo após comer a sopa, os indivíduos que tinham comido mais se sentiam mais saciados do que aqueles que haviam comido menos e pouco importava o quanto eles pensavam que haviam comido.

Porém, duas horas depois, a mágica acontece: a fome de cada um tinha pouco a ver com o volume que realmente tinham consumido. O fator determinante era o que eles se lembravam de ter visto na tigela – ou seja, quem comeu a menor quantidade, mas achou ter recebido a maior sentiu menos fome do que quem comeu o equivalente à tigela grande, mas achou ter consumido a menor porção.

Isso nos ensina que a fome que sentimos pode ser bastante influenciada pela memória e, provavelmente, pelo contexto em que consumimos os alimentos. Uma pesquisa anterior já havia sugerido que comer distraidamente (vendo TV, por exemplo) faz com que as pessoas sintam mais fome depois, enquanto quem está bem consciente do que está consumindo acaba se sentindo mais cheio. Isso pode ser porque, quando prestamos atenção ao que comemos, criamos “memórias alimentícias” mais fortes – o que é um forte antídoto contra a fome futura.

Assim, um truque útil é se concentrar no que está comendo e trabalhar a sua percepção para considerar aquele prato algo enorme ou, quando sentir a fome vindo, manter em mente a última refeição que você teve. A dieta que escolher pode variar, mas saber que dá para burlar sua fome já é um ponto a seu favor.

 

(Via Scientific American)


Entenda (e experimente) como funciona a mente de um autista

Ana Carolina Prado 4 de fevereiro de 2013


Imagens: Reprodução do site carlyscafe.com

Enquanto sua irmã gêmea se desenvolvia normalmente, o progresso da canadense Carly Fleischmann era lento. Logo foi descoberta a razão: aos dois anos de idade, ela foi diagnosticada com autismo severo. Hoje, Carly é uma adolescente que não consegue falar – mas encontrou outro meio de se comunicar. Aos 11 anos, ela foi até o computador, agitada, e fez algo que deixou toda a sua família perplexa: digitou as palavras DOR e AJUDA e saiu correndo para vomitar no banheiro.

Supostamente, Carly nunca tinha aprendido a escrever. Mas aquilo mostrou que acontecia muito mais em sua mente do que qualquer um poderia imaginar. E foi assim que começou uma nova etapa em sua vida: ela foi incentivada a se comunicar mais desta forma e a criar contas em redes sociais, como o Twitter e o Facebook. Também ajudou o pai a escrever um livro sobre a sua condição e deu as informações para a criação de um site que simula a sua experiência diária com toda a descarga sensorial que recebe em situações cotidianas, como ir a um café. “O autismo me trancou em um corpo que eu não posso controlar”, diz ela no site.

Veja clicando na imagem abaixo.

Depois que sua história foi para a mídia, Carly começou a receber muitos e-mails de pessoas perguntando sobre o autismo e criou um canal para respondê-las. “As pessoas têm muitas de suas informações vindas dos chamados especialistas, mas eu acho que esses especialistas não conseguem dar uma explicação a algumas questões”, escreveu.

Veja a resposta que ela deu em seu site e entenda melhor o comportamento dos autistas:

Pergunta: Meu filho de seis anos ​​fica triste e chora com frequência, e eu não consigo entender o porquê. Você tem alguma sugestão de como eu posso descobrir o que está errado?

Carly: Pode ser muitas coisas. Será que ele está tomando algum medicamento? Eu tive muitas mudanças extremas de humor, como chorar e sentir raiva sem motivo, por causa da medicação. Também poderia ser algo que aconteceu mais cedo ou dias atrás e que ele está processando apenas agora.

Alguma vez você gritou aparentemente sem motivo? Por exemplo, você parecia feliz e relaxada, mas de repente começou a gritar? Minha filha faz isso às vezes e eu estou tentando descobrir o porquê.

Eu amo esta pergunta. Ela está fazendo uma filtragem dos sons e quebrando os ruídos e conversas que tem ouvido ao longo do dia. [O cérebro dos autistas funciona de maneira diferente e se sobrecarrega com estímulos externos, como sons, luzes, imagens e cheiros. Gritar, tapar os ouvidos, fazer ruídos ou movimentos repetitivos, segundo Carly, são uma forma de bloquear esses estímulos e se concentrar em apenas um]. Além dos gritos, você pode nos ver chorando ou rindo, tendo convulsões e até manifestando raiva. É a nossa reação ao, finalmente, entender as coisas que foram ditas e feitas no último minuto, dia ou até mês passado. Sua filha está bem.

Será que você poderia me dizer por que meu filho de quatro anos de idade (que tem autismo) grita no carro cada vez que paramos em um semáforo. Ele está bem e feliz enquanto o carro se move, mas, uma vez que paramos, ele grita e faz uma birra incontrolável.

Eu amo longas viagens de carro, elas são uma ótima forma de estímulo sem você precisar fazer nada. O movimento do carro e o cenário visual passando por ele permite que você bloqueie qualquer outra entrada sensorial e se concentre em apenas uma. Meu conselho é colocar uma cadeira de massagem no banco do carro. Assim, quando ele parar, seu filho ainda estará sentindo o movimento. Você pode também colocar um DVD mostrando um cenário em movimento.

De onde você tira tanta informação sobre a cultura pop?
Eu escuto tudo que está acontecendo ao meu redor. Se houver uma TV e eu estou em outro quarto, ainda posso ouvi-la. Se pessoas estão falando, eu gosto de ouvir o que estão dizendo, mesmo se não estão falando comigo. Não é porque eu não pareço estar prestando atenção que esse seja o caso.

Em seus sonhos você é autista?

Sim e não. Em alguns dos meus sonhos eu posso falar e fazer coisas que as crianças da minha idade fazem. Mas em outros eu ainda tenho dificuldade em fazer as coisas que posso fazer quando estou acordada. Eu sonho com um monte de coisas, como meninos e alimentos. Eu nem sempre me lembro dos meus sonhos, mas gosto deles.

Você pode descrever como se sente por dentro? Você acha que é diferente de crianças que não têm autismo?

O problema é que eu não sei o que as outras crianças sem autismo estão sentindo. Eu tenho lutas comigo todos os dias, desde que acordo até a hora de ir dormir. Não posso nem ir ao banheiro sem dizer a mim mesma para não pegar o sabonete e cheirá-lo ou sem lutar comigo mesma para não esvaziar todos os frascos de xampu.

 Existem coisas que você considera mais desafiadoras, como abotoar sua roupa ou cortar a comida com uma faca? Por que você acha que não pode fazer esse tipo de coisa? O que acha que poderíamos fazer para ajudar?

Algumas coisas eu acho que posso fazer, mas é preciso muita concentração para isso. Ficar sentada e digitar é algo muito avassalador para mim – eu preciso fazer pausas e dizer a mim mesma para fazê-lo. Eu não acho que as pessoas realmente sabem como é difícil. Parece tão fácil para todo mundo, mas é como falar três línguas ao mesmo tempo.

Para ler outras perguntas e respostas, veja o site de Carly.

Confira matérias que a SUPER já publicou sobre o tema aqui e aqui.


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