Como as pessoas funcionam Como as pessoas funcionam

Por Atualizado em 24/10/2016

Crédito: adamkaz/Getty Images
Crédito: adamkaz/Getty Images

A disputa presidencial nos Estados Unidos tem rendido um material extenso para quem se interessa em entender como as pessoas (e as sociedades) funcionam. É impossível não nos perguntarmos: Como um cara como Donald Trump chegou até aqui? Como é que em 2016 ainda tem tanta gente concordando com as suas ideias? O que pode acontecer com o mundo se esse homem for eleito o presidente de uma das nações mais poderosas do mundo?

Há inúmeros artigos por aí tentando explorar questões como essas. Mas vamos falar aqui sobre um aspecto mais específico da personalidade dos dois principais candidatos, Trump e Hillary Clinton. O site Science of Us chamou a atenção para o fato de que cada um deles representa formas opostas de pensar sobre si mesmos – ou mindsets, segundo a psicologia do desenvolvimento.

Desde 1975 (veja o artigo original aqui), a professora de Stanford Carol Dweck defende que há duas formas principais de vermos a nós mesmos e nossas capacidades: há o mindset fixo e o mindset de crescimento.

Duas formas opostas de pensar

Quem tem o mindset fixo acredita que as habilidades são inatas e que o sucesso vem como uma confirmação de sua capacidade natural. Para essas pessoas, seria vergonhoso se esforçar muito para se sair bem em alguma atividade: elas veem isso como um sinal de que não são boas o suficiente, de que não têm essa capacidade de verdade. Falhar, então, seria inadmissível.

Já para aqueles que têm um mindset de crescimento, o sucesso é resultado de esforço e dedicação, não de alguma habilidade que já nasceu com você. Sair-se bem em algo é sinal de que você se esforçou bastante, e falhar significa que devia ter se preparado melhor.

Como você já pode imaginar, essas duas formas de pensar influenciam diversos aspectos da vida, e pessoas com o mindset de crescimento apresentam melhor desempenho em várias áreas, da acadêmica à sexual.

Hillary e Trump são ótimos exemplos para entender melhor como isso funciona na prática, especialmente em relação a como eles tratam os debates de que participaram nesta corrida presidencial. Trump chegou a dizer que é “um grande crente na habilidade natural”, ou inata, e uma reportagem da CNN revelou que ele não queria se “preparar demais” para seu primeiro debate televisivo, preferindo confiar em seus instintos.

Já Hillary Clinton, embora tenha uma enorme experiência com debates por já estar na política há um bom tempo, não abriu mão de uma preparação intensa de quatro dias que teria incluído até consultas com o ghostwriter de um livro de Trump para descobrir suas maiores inseguranças.

Trump zombou dos esforços da adversária, mas não deveria: pesquisas têm mostrado que, a cada debate, cresce a vantagem de Hillary. Pouco antes do primeiro, ela estava à frente por apenas 1,5 ponto; perto do segundo, sua vantagem subiu 5,6 pontos e, perto do terceiro, subiu mais 7,1 pontos.  Hoje, ela tem mais de 85% de chance de ganhar.

Trump ainda evidencia perfeitamente aquela coisa de não aceitar a derrota: em seu último debate, ele se recusou a dizer se vai aceitar o resultado da eleição caso seja derrotado. Disse que “vai ver na hora”.

Se você se identifica com a maneira Trump de pensar e não curtiu isso, aí vai uma boa notícia: segundo Carol Dweck, é possível mudar o nosso próprio mindset, se quisermos. Mas como fazer isso é assunto para outro post.

Hillary: “Você sabe para que mais eu me preparei? Eu me preparei para ser presidente”. via GIPHY

Hillary: “Você sabe para que mais eu me preparei? Eu me preparei para ser presidente”. via GIPHY

Por Atualizado em 17/10/2016

(Imagem: iStock)
(Imagem: iStock)

Ser mulher não é fácil, não. A sociedade espera que sejamos dóceis, delicadas, boazinhas. E, se ficamos irritadas com alguma coisa, somos logo tachadas de loucas. É tudo 8 ou 80. Como não poderia ser diferente, esse viés de gênero também existe no mundo corporativo e influencia a forma como as mulheres são vistas e o que se espera delas.

Joyce Bono, pesquisadora e professora de administração da Universidade da Flórida, investigou como isso afeta as mulheres em cargos de chefia. Em um estudo recente publicado na revista Personnel Psychology, ela buscou entender o chamado “descarrilamento de carreira” (“managerial derailment” em inglês), situação em que um profissional com tudo para dar certo – boa formação, boa empresa, boa posição nessa empresa – acaba demitido, rebaixado ou estagnado em sua vida profissional.

A autora e seus colaboradores descobriram que, no caso das mulheres, há um fator sexista nesse fenômeno. Eles perceberam que os supervisores podem ter diferenças de expectativas para o comportamento de gestores homens e mulheres – algo muitas vezes sutil e inconsciente, mas que ainda assim gera más consequências para elas.

Um fenômeno de sutilezas

Essa diferença no julgamento é tão sutil que geralmente não é detectável em avaliações de desempenho realizadas pela empresa, o que é ruim, pois o departamento de recursos humanos não pode fazer nada para ajudar.

Para chegar a essa conclusão, Bono e seus colegas usaram avaliações informais por meio de quatro estudos. Dois deles analisaram dados recolhidos de cerca de 50.000 gestores inscritos em programas de desenvolvimento de liderança. Outros dois foram estudos experimentais em que os supervisores examinaram as avaliações de desempenho de dois gerentes fictícios cuja única diferença era seu sexo.

Os pesquisadores descobriram que, ao avaliar os gestores que apresentaram níveis iguais de comportamentos interpessoais ineficazes, os supervisores eram mais propensos a prever o fracasso na carreira para mulheres do que para os homens. A principal desvantagem para elas, segundo o estudo, é a perda de mentoria: o chefe, descrente do potencial dessas mulheres, meio que joga a toalha e deixa de acompanha-las e orientá-las (e mesmo de lhes dar chances) da mesma forma que continuam fazendo com os homens. E aí isso acaba virando uma profecia autorrealizável.

“A mentoria é ainda mais importante para mulheres do que para homens, porque elas são normalmente menos ligadas àqueles em cargos mais altos na hierarquia corporativa – em parte porque há mais homens do que mulheres nesses níveis mais altos”, diz Bono.

A meritocracia é mito nesse cenário: mesmo tendo capacidades equivalentes, os homens recebem mais atenção, apoio e confiança de seus superiores do que as mulheres, o que favorece em muito a sua ascensão na carreira. (E vale ainda lembrar que, mesmo quando as mulheres conseguem sucesso profissional depois de enfrentar esses obstáculos maiores, ainda têm de lidar com insinuações de que ofereceram algum tipo de serviço sexual aos seus chefes, né?).

Como lidar

É tudo muito injusto, mas cabe uma ressalva: Bono enfatiza que a diferença no nível de confiança dos supervisores em homens e mulheres não é algo intencional de gente ruim. É algo inconsciente. “As pessoas esperam que as mulheres sejam mais agradáveis do que os homens, porque é isso que lhes é ensinado. Essas crenças influenciam nossos comportamentos, muitas vezes sem percebermos”, diz ela.

Isso não significa, é claro, que o assunto deve ser deixado de lado. Pelo contrário: a autora faz um apelo para que não apenas o RH das empresas, mas principalmente os CEOs e outros chefões estejam atentos e dedicados a fornecer mentoria a gerentes do sexo feminino. “Temos de continuar falando sobre isso sempre que percebermos os preconceitos de nossos colegas, e trabalhar em conjunto para reduzir os seus efeitos negativos sobre a orientação e o avanço das mulheres”.

A pesquisa foi divulgada no Futurity.org.

Por Atualizado em 10/10/2016

Giphy | postpickle.com
Giphy | postpickle.com

Quem é que nunca sofreu ao se dar conta de que perdeu o dia inteiro fazendo coisas inúteis e não conseguiu terminar a única coisa que realmente precisava fazer, não é mesmo? Ou então levou um dia inteiro para acabar um trabalho besta.

Na área de administração e gestão, fala-se da chamada Lei de Parkinson, segundo a qual “O trabalho se expande de modo a preencher o tempo disponível para a sua realização”. Segundo o historiador e administrador inglês Cyril Northcote Parkinson, vamos sempre nos ajustar para usar todo o prazo disponível para terminar uma tarefa – por mais simples que ela seja. Se você tem um dia todo para escrever um artigo que demoraria uma hora a ser feito, tende a usar esse dia todo para terminá-lo. Mas é claro que essa “lei” diz respeito a uma tendência que pode ser evitada. E alguns hábitos favorecem erros desse tipo. Veja cinco deles.

Fazer várias coisas ao mesmo tempo

Precisamos aceitar de uma vez este fato: não somos capazes de fazer mais de uma coisa que exija a concentração ao mesmo tempo. Ou você lê um livro ou assiste à TV; ou escreve um texto ou lê um artigo na internet. Fazer essas coisas ao mesmo tempo é impossível. Você só está, na verdade, alternando tarefas e perdendo mais tempo, já que perde a concentração cada vez que para de fazer uma coisa e vai para outra.

 Trabalhar com o e-mail aberto

Ler e responder e-mails enquanto trabalha entra na categoria “fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo”, então a regra acima se aplica também aqui. É uma prática comum entre pessoas produtivas só checar o e-mail durante alguns períodos específicos do dia – logo de manhã, na hora do almoço e no fim da tarde, por exemplo. Deixe seus colegas saberem que, se tiverem algo urgente para tratar com você, devem lhe telefonar.

Ficar procurando coisas inúteis no Google

Você está concentrado no seu trabalho, mas aí olha para a janela, vê uma nuvem estranha e começa a se perguntar se vai chover. Então fica pensando em como sua avó conseguia prever o tempo só olhando para o céu, e resolve pesquisar no Google como fazer isso porque você também quer aprender. Quarenta minutos depois, você se vê assistindo a um vídeo sobre teorias da conspiração e não faz ideia de como chegou ali.

É meio perturbador se ver pesquisando sobre armas secretas da Rússia, sereias ou civilizações do centro da terra quando alguns minutos atrás você estava super determinado a terminar um relatório, mas às vezes essas grandes questões da vida aparecem na nossa cabeça e aparentemente a única solução possível é parar tudo e ir para o Google. Mas você sabe que esse é um hábito horrível se você tem trabalho a fazer, né? Parar uma tarefa para fazer outra no lugar quebra sua concentração e faz com que você perca um tempo valioso. Quando lhe vier à mente algo sobre o qual queira pesquisar ou alguma outra ideia, anote num papel e volte a fazer o que estava fazendo. Sim, isso já é uma interrupção, mas você já havia perdido o seu foco e pelo menos está lidando com isso de uma forma que não lhe faz perder ainda mais tempo.

"Eu não fiz nada produtivo o dia inteiro" (Giphy | phdistracted.tumblr.com)
“Eu não fiz nada produtivo o dia inteiro” (Giphy | phdistracted.tumblr.com)

Não priorizar as coisas

É legal ter um plano B para a sua vida caso as coisas não corram exatamente como você espera, e talvez seja com ter um plano C também (especialmente se você for jornalista). Mas muita gente dá um peso igual a todos esses planos enquanto ainda ataca outros objetivos menos importantes. É importante ter interesses variados e diversificar suas atividades, mas se perder de vista quais são as coisas mais importantes para você, vai ficar à deriva e nem saberá mais por que está fazendo as coisas que faz.

Isso vale não só para grandes planos de vida, mas para o seu planejamento de tarefas do dia a dia também. Por isso, lembre-se sempre de priorizar. Anote seus planos todos e depois separe os dois ou três que são realmente importantes – e foque neles. O mesmo com suas atividades diárias: organize-as em ordem de importância e siga essa ordem na hora de executá-las. Assim, se não conseguir concluir algo durante esse dia, pelo menos terá completado o que for mais importante. É bem provável que você acabe percebendo que as tarefas do fim da lista são dispensáveis. Ou pode perceber que é preciso delegá-las para outra pessoa fazer.

Deixar as tarefas mais importantes para o fim do dia

Você chega ao trabalho ainda meio sonolento e prefere começar com tarefas mais fáceis e deixa o que for mais pesado, embora mais importante, para depois? Se a resposta for sim, saiba que está no caminho errado. Pode parecer a saída mais esperta, mas seus efeitos vão contra você: não só nossa energia, mas também nossa força de vontade diminuem ao longo do dia. Logo, se você deixar o que for mais importante para depois, as chances de não conclui-las são altíssimas. Priorize suas coisas – de preferência, na noite anterior – e comece o dia já atacando o que tem de ser feito primeiro.

 

Por Atualizado em 04/10/2016

iStock | Gpointstudio
iStock | Gpointstudio

Você com certeza conhece muita gente extrovertida, que curte ser o centro das atenções e parece querer cultivar mais uma base de fãs e seguidores do que amigos de fato. As redes sociais são um campo fértil para esse tipo que os psicólogos chamam de narcisista.

“O narcisismo é um traço de personalidade caracterizado por uma autoestima excessivamente positiva e um constante desejo de aprovação externa. Pessoas altamente narcisistas costumam usar os outros como instrumento para construir e manter a sua autoimagem desejada”, diz um estudo publicado no fim de setembro no periódico Personality and Social Psychology Bulletin.

Apesar de soar como algo negativo, isso funciona para conquistar as pessoas – e é por isso que é tão comum ver essa gente cercada de admiradores por aí. Mas nem tudo são flores para esses Narcisos. Pelo menos foi o que descobriram os autores do estudo – um grupo de psicólogos da Polônia, Reino Unido, Alemanha e Estados Unidos que quiseram entender como funciona essa coisa complexa que é a popularidade. Para isso, eles levaram em conta diversos aspectos, como a motivação, as habilidades sociais de cada um e a variação da popularidade ao longo de um período de tempo.

O estudo

Os autores trabalharam com estudantes universitários do primeiro ano na Polônia. “Na educação superior polonesa, os calouros geralmente são divididos em grupos de estudo formais que fazem todas as aulas juntos”, diz o artigo. Os pesquisadores começaram a acompanhar os estudantes (273 ao todo) na primeira semana de aula, quando os grupos foram formados e ninguém ainda se conhecia. Ao todo, eles trabalharam com 15 grupos que tinham entre 19 e 29 pessoas.

Nessa primeira semana, cada participante completou questionários avaliando seu grau de narcisismo e medindo sua inteligência emocional – a capacidade de compreender as pessoas, entender suas necessidades e agir de acordo, controlando as próprias emoções. Eles tinham ainda que dizer quais eram as pessoas do grupo de quem havia gostado mais. A pergunta foi repetida três meses depois, desta vez com 170 calouros que permaneceram como voluntários do estudo.

Os resultados iniciais não diferem muito do que aconteceria em qualquer festa ou início de Big Brother: quando um grupo de estranhos é reunido, os indivíduos com maior grau de narcisismo se destacam logo como a alma da festa e conquistam de cara a admiração e a amizade de seus colegas.

Mas a coisa muda de figura depois. Com o tempo, a autoconfiança e carisma desses narcisistas deixam de promover novas amizades – ou mesmo de fortalecer aquelas que já haviam sido criadas. Por outro lado, aqueles com alta inteligência emocional vão se destacando aos poucos e construindo sólida e constantemente sua própria base de amigos e admiradores. No fim, eles é que seriam os vencedores de um hipotético concurso de popularidade. “Parece que um ego mais silencioso e menos necessitado, junto com habilidades para perceber, compreender, usar e gerir as emoções, garantem um melhor relacionamento no longo prazo”, concluem os autores.

Narcisista x emocionalmente inteligentes

Antes de se gabar ou de se sentir mal, é preciso frisar que as pessoas não são OU narcisistas OU emocionalmente inteligentes: dá para ser os dois, e a maioria de nós tem um pouco dessas duas características. Além disso, os pesquisadores não encontraram nada que indique que quanto mais narcisista, menor a inteligência emocional ou vice-versa. Essas características são independentes.

É verdade que algumas combinações podem ser mais problemáticas. Quem combina um grau extremo de narcisismo e inteligência emocional pode cultivar aliados duradouros com muito sucesso – mas é também um potencial sociopata manipulador. (Mas podemos ficar tranquilos: no estudo em questão, pouca gente tinha essa característica). Outra combinação ruim é a do outro extremo: pessoas que apresentam um grau baixíssimo de narcisismo e também de inteligência emocional: esses indivíduos foram os que menos fizeram amigos no estudo.

O que funciona para cada um

Esses resultados não indicam necessariamente que narcisistas são mais infelizes. Os autores lembram que a elevada autoestima pode ajudá-los a levar na boa a perda de admiradores e lhes permite sair em busca de amigos novos sem grandes problemas. E isso pode funcionar muito bem para eles.

Os emocionalmente inteligentes, ao contrário, parecem não ver essa coisa de fazer amigos e influenciar pessoas como um fim em si mesmo. Para eles, o que importa é a relação a ser construída, não o que ela pode lhes proporcionar em termos de prestígio.

No final das contas, o segredo para ser popular – com amigos de verdade – não é nenhuma novidade: seja legal, mostre empatia e invista em relações pessoais e não superficiais.

O estudo: “Do Narcissism and Emotional Intelligence Win Us Friends? Modeling Dynamics of Peer Popularity Using Inferential Network Analysis”. Anna Z. Czarna, Philip Leifeld, Magdalena Śmieja, Michael Dufner e Peter Salovey. 

P.S.: Depois de um longo hiato, a autora deste blog tem o prazer de anunciar seu retorno. Sinta-se à vontade para escrever sugerindo pautas e enviando questões a serem analisadas por aqui.

Por Atualizado em 21/05/2015

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Não é nenhum segredo: passar o dia com gente legal pode nos deixar felizes, conviver com gente chata faz com que nos sintamos mal com alguma frequência. Mas ter de lidar com colegas de trabalho escrotos faz mais do que isso: pode prejudicar nosso desempenho profissional.

Essa foi uma das conclusões do estudo liderado pela professora Gretchen Spreitzer, da Escola de Negócios Ross da Universidade de Michigan. Ela e sua equipe já haviam descoberto, em estudos anteriores, que perspectivas de crescimento na empresa e relacionamentos com pessoas positivas (que eles chamam de relações “energizantes”) levam a um melhor desempenho profissional e melhores resultados nos negócios.

O estudo de agora vai pelo caminho oposto: descobrir se a relação com pessoas babacas (que seriam as “desenergizantes” ) são apenas um pé no saco ou se tem consequências mais profundas.

Foram feitos então dois estudos em duas empresas diferentes. Na primeira, foi pedido a funcionários de TI em uma empresa de engenharia que avaliassem suas relações com os colegas. Os pesquisadores também analisaram as avaliações de desempenho de cada funcionário. O resultado foi que, quanto mais uma pessoa tinha que interagir com gente babaca, menor era seu desempenho no trabalho.

O segundo estudo, feito com funcionários de uma empresa de consultoria, teve essas mesmas características, mas com uma coisa a mais: os voluntários também tiveram de responder o quanto achavam que estavam prosperando na carreira. Os resultados revelaram que quem sentia que tinha boas chances de crescimento profissional se saiu melhor em suas avaliações de desempenho, apesar da convivência com as pessoas “desenergizantes”.

A perspectiva de crescer na empresa atenua os efeitos negativos das pessoas negativas“, comenta a autora. E isso mostrou a ela que há algumas medidas que empregados e chefes podem adotar para evitar que esses tipos prejudiquem os outros:

 

Como lidar se você é funcionário

– Limite tanto quanto puder as interações com pessoas negativas e babacas, sem medo.

– Aumente o tempo que você gasta com pessoas que fazem você se sentir bem.

– Tenha certeza de que o seu trabalho é significativo.

 

Como lidar se você é chefe

– Defina padrões de comportamento adequado no ambiente de trabalho e cobre de seus funcionários o respeito a essas regras. Spreitzer observa que, muitas vezes, pessoas difíceis são tecnicamente boas no que fazem, e por isso há uma tendência da chefia em fazer vista grossa ao mau comportamento.

– Leve em conta o comportamento da pessoa antes de decidir promovê-las – lembre-se de que as promoções afetarão outras pessoas.

– Dê aos funcionários feedback regular sobre seu trabalho e priorize os treinamentos que envolvam cultura de trabalho e comportamento profissional.

 

Para a autora, tais medidas não só melhoram o dia a dia das pessoas, como também afetam os resultados da empresa – gente feliz produz mais e melhor – e aí todo mundo sai ganhando.

Os resultados aparecerão no Journal of Applied Psychology. Mais sobre o estudo aqui.