Pequenos choques na cabeça podem melhorar suas habilidades mentais

Por Atualizado em 04/04/2012

Já pensou se houvesse um jeito de melhorar suas habilidades matemáticas, por exemplo, de uma forma simples e rápida? Pois pesquisadores descobriram que isso é possível com a estimulação elétrica do cérebro. Calma, não estamos falando da eletroconvulsoterapia, usada no tratamento psiquiátrico.

A técnica é conhecida como ETCC, ou estimulação transcraniana por corrente contínua. Ela consiste em aplicar fracas correntes eléctricas na cabeça das pessoas, através de eletrodos, por alguns minutos. As correntes passam através do crânio e alteram a atividade neural espontânea. Alguns tipos de estimulação podem excitar os neurônios, enquanto outros podem suprimir sua atividade.

Isso é indolor: as pessoas geralmente sentem apenas um leve formigamento por menos de 30 segundos. Mas os efeitos, segundo os pesquisadores, podem durar até 12 meses. Roi Cohen Kadosh, da Universidade de Oxford, explica que isso “provavelmente ocorre devido a alterações moleculares e celulares” relacionados à aprendizagem e memória.

Desafios quase impossíveis

Pesquisadores da Universidade de Sidney, na Austrália, descobriram que a ETCC pode aumentar a habilidade das pessoas em resolver problemas complexos que exijam aquela coisa de “pensar fora da caixa”.

Para o experimento, foi usado o desafio abaixo. Você consegue unir todos os nove pontos usando apenas quatro traços retos sem tirar a lápis da página?

Parece simples, mas, segundo o professor Allan Snyder, líder do estudo, pesquisas feitas ao longo do último século mostraram que quase ninguém consegue resolver isso. A estimativa muda radicalmente quando as pessoas recebem estímulos elétricos não invasivos. Bastaram 10 minutos disso para que mais de 40% dessas pessoas conseguissem resolver o desafio.

Nesse caso, o que garantiu o sucesso cerebral foi o fato de que a ETCC inibiu o lobo temporal anterior esquerdo do cérebro, enquanto o lobo temporal anterior direito foi ativado. Isso, segundo Snyder e seus colegas, permitiu a melhora da percepção e memória dos voluntários.

Estimulando as habilidades numéricas

O já citado Cohen Kadosh, da Universidade de Oxford, também descobriu que a ETCC, quando aplicada ao córtex parietal posterior, pode melhorar a habilidade das pessoas com os números – e os efeitos duraram até 6 meses.

Kadosh também fez o teste em pessoas com discalculia (o equivalente à dislexia para os números). A ETCC também funcionou para eles, mas somente quando aplicada em regiões diferentes do cérebro em relação a quem não tinha o problema. Para ele, “isso sugere que pessoas com discalculia recrutam diferentes áreas do cérebro para o processamento numérico, provavelmente devido à reorganização cerebral”.

As descobertas abrem boas perspectivas e já estão sendo feitos estudos para a aplicação desse método na melhora da aprendizagem matemática em crianças que tenham dificuldades. Vamos acompanhar.

 

 

 

 

 

 

 

Para quem ficou curioso, a resposta do desafio “impossível”é essa:

  • Robi

    Fracassados racistas, tenho nojo de vocês …

  • borges

    gostei desse assunto, ví a matéria em um programa do discovery channel.
    seria possível ter acesso a essa terapia?

  • Everton

    Tem outra solução. Basta percorrer de volta os traços já marcados, assim ficam apenas quatro traços sem tirar o lápis do papel. A solução apresentada pela revista tem prevê uma regra não apresentada: que você tem de unir os pontos com apenas quatro traços, sem tirar o lápis do papel e sem retroceder por linhas já traçadas.

  • MARIA FERNANDA

    Ótima pesquisa, gostei muito, quero saber…será que poderemos usufruir desse recurso de forma aberta ao consumo?

    Abraço!

    Mafe.

  • Paula

    A dificuldade em resolver esse problema consiste em traçar as linhas para além dos limites do “quadrado” imaginário formado pelos nove pontos. Sinceramente, não consegui resolver o problema. Pensando bem, o “fora da caixa” foi até que uma boa dica dada por vocês! Gostei muito!

  • http://www.youtube.com/watch?v=Eh2bgJLdss4&list=UUbgm3M36g6_WhdwORHMP7PQ&index=1&feature=plcp  Daniela Yoshidaa

    Olá… Adorei a matéria… Gostaria de apresentar pra revista um estudo superinteressante sobre Musicoterapia oriental de um amigo dj toshi.. Como faço?

  • André

    Arrumei outra solução! heheheh