Como o tomate ficou com preço de ouro

Por Atualizado em 09/04/2013

O preço do tomate é um desastre. Um desastre aéreo. Não pela gravidade da coisa, mas pela causa: o responsável foi uma “combinação de fatores” – a explicação clássica para as quedas de avião.

O primeiro fator é o mais inusitado: um dos culpados pelo tomate caro demais é o tomate barato demais.

Vamos voltar quatro anos no passado, quando o quilo do tomate a R$ 10 ainda era algo tão distante quanto o teletransporte. Uma caixa com 25 quilos estava saindo por R$ 40 nos centros de distribuição. Era um preço do tipo “bom para ambas as partes”: baixo o bastante para ninguém reclamar e alto o suficiente para fomentar a produção. Os agricultores aumentaram as áreas de cultivo de tomate. A oferta bombou. Mas aí veio o primeiro revés: a demanda não acompanhou. E o preço foi pras cucuias: em 2010 já tinha caixa a R$ 8.

Ótimo para uma das partes, a que compra. E péssimo para a outra. Tinha agricultor jogando caixa de tomate fora – se gastassem com o transporte delas ficariam no prejuízo. Era o crash tomateiro. Depois dessa, as fazendas diminuíram as áreas de plantio de tomate. Natural.

E a oferta minguou. Mas foi bom: com menos tomate no mercado, o preço voltou a um patamar mais aceitável para quem planta – uns R$ 30 a caixa. Só que aí aconteceu algo ruim: uma safra boa. Pois é, a economia agrícola às vezes funciona de cabeça pra baixo.

Uma safra boa pode ser algo ruim quando começa a sobrar produto no mercado. Começou a sobrar tomate. E os preços afundaram – de volta para a faixa dos R$ 10; um valor além da linha vermelha, do ponto de vista dos agricultores. E tome mais prejuízo, mais caixa de tomate abandonada e mais frutos apodrecendo na fazenda, já que nem valia a pena colher.

E o o que aconteceu? Diminuíram mais ainda as áreas de plantio, claro. Pra que gastar dinheiro plantando o que não dá retorno? Em Goiás, por exemplo, reservaram 40% menos terras para o tomate. É do jogo. Isso diminuiria a oferta, faria o preço subir, e o lucro dos produtores voltaria.

Só que entrou um elemento totalmente inesperado nessa história: um ataque de bactérias.

As bactérias que infestam os tomateiros crescem e se multiplicam quando chove demais. Choveu demais. O índice de mortalidade da tomatada aumentou. E a produção despencou: algumas fazendas colheram só um terço do que esperavam.

Tudo isso numa realidade em que as áreas de plantio já estavam bem menores só podia dar numa coisa: o tomate de ouro. Ele ficou raro a ponto de o preço da caixa bater em R$ 150 nos centros de distribuição (dá R$ 6 o quilo, o que nas feiras e supermercados acaba virando R$ 10 fácil); um aumento de 1.775% comparado com 2010. Foi o que alimentou um momento histórico: a estreia dos hortifrutigranjeiros no mundo dos memes.

 

Mas ok. Foi uma situação atípica. E o tomate a preço de ouro é justamente quem vai trazer de volta o tomate a preço de tomate: vai estimular os produtores a aumentar as áreas de cultivo. E a tempestade ficará pra trás.

Mas não. Isso não vai ser a salvalção da lavoura.

O preço do tomate pode ter sido circunstancial. Mas a inflação dos alimentos – e de todas as outras coisas – não. Ela não tem nada de circunstancial. É generalizada. E contínua. E só existe porque hoje há mais dinheiro em circulação do que o país dá conta. Ou seja: mais do que a nossa capacidade de produzir coisas para serem compradas com esse dinheiro. A culpa, em última instância, não é de quem produz o tomate (ou a pizza, ou as quitinetes de R$ 1 milhão). É de quem produz o dinheiro: o governo.

A verdade é que só políticas econômicas desastradas conseguem causar inflações de dois dígitos – e a inflação dos alimentos fechou 2012 em 14%. Mas não espere que o governo assuma isso. Como escreveu Milton Friedman, meu economista preferido:

“Nenhum governo aceita que é o responsável por uma inflação. Sempre arranjam alguma desculpa – comerciantes gananciosos, sindicatos turrões, consumidores compulsivos, árabes, a chuva. Sem dúvida que comerciantes são gananciosos, sindicatos são duros, consumidores são compulsivos, árabes aumentam o preço do petróleo e, de vez em quando, chove mesmo. Todos esses agentes têm como produzir preços altos para certos itens; mas não são capazes de fazer isso com tudo o que existe. Eles até podem causar subidas e descidas temporárias na taxa de inflação. Mas não têm como dar início a uma inflação contínua. Por um motivo simples: nenhum desses supostos culpados pela inflação tem as impressoras que produzem aquilo que a gente carrega na carteira.”

Esse texto do Friedman tem quase 40 anos. E continua mais atual do que qualquer meme.

  • Rafael

    É muito interessante em como você conseguiu construir uma crítica contundente a política monetária brasileira em cima de um comportamento esquizofrênico de um mercado competitivo e livre. Afinal de contas, a culpa do tomate valer mais que o dinheiro não é do Governo, mas é necessário lembrar que a ajuda que ele dá pra inflação é inegavelmente grande…
    Oscilações de mercado fazem parte, é claro – é toda a ideia por trás do mercado livre – mas um crescimento acima de 6% ao ano por 3 anos consecutivos não é saudável. Tudo estaria OK se só o tomate estivesse caro. Mas eu já deixei de comprar pizza há meses. Ninguém aguenta R$30 por uma pizza de muçarela.
    Tem algo bem errado com esses preços…

    • Paulo

      Boa parte da razão para se praticar preços absurdos aqui no Brasil, não somente com o tomate ou a pizza, é a demanda. Sempre haverá quem aceita pagar. Enquanto existir gente que acha que um Cherokee é um bem de luxo e status, haverá gente esperta que atenderá esse desejo/anseio/demanda. Deixemos de comprar pizza, refrigerantes, carros absurdamente caros em comparação ao mesmo modelo nos EUA. Pizza cara, pois ninguém necessita de pizza para viver bem e com saúde. Deixemos de ser otários, enquanto consumidores e o mercado se ajustará. No Brasil de hoje é chavão acusar sempre o governo por isso ou por aquilo, não que as vezes ele tenha culpa, mas pq não é bem assim se explica a situação de coisas vigente atualmente.

      • Jônatas

        Aceita pagar naquelas. Isso serve para alguns setores mas nem todos os setores nos pagamos qualquer coisa. Alimento é substituível, tomate não é fundamental e pode ser substituído por outro alimento ou simplesmente vamos comer outra coisa. Inflação é um processo generalizado e a culpa É DO GOVERNO SIM SENHOR!

  • Alikan

    Aqui em Curitiba o tomate não está “tão” caro assim… Estou encontrando ele aqui por valores entre R$ 4,99 e R$ 5,99, em mercados grandes e pequenos. Um dia desses peguei uma promoção por R$ 4,49.

    Eu não sabia que em outros lugares do país estava tão caro assim.

    • Rmaia

      No interior de São Paulo, em Jaú, comprei a 9,99 o Kg de tomate. Caríssimo.

  • Yuri

    Acontece que não há consenso quanto a causa da inflação. Mesmo alguns economistas mais ortodoxos sugerem que a inflação brasileira hoje pode estar acontecendo pelo lado da oferta e não porque há mais dinheiro em circulação do que a capacidade de o país produzir. Logo a solução que você deixa implicita no texto, que seria a redução da base monetária, pode não surtir efeito.

    • http://www.facebook.com/diego.nardoci Diego

      Pelo exposto no texto, acredito que a inflação do tomate está concentrado na ponta da oferta (como é muito comum em produtos agrícolas, sempre sujeitos a intempéries). Mas a inflação generalizada dos alimentos no Brasil, essa sim tem sua origem na política monetária equivocada do Governo Federal. Não há infra-estrutura suficiente para atender toda a demanda que foi e é estimulada artificialmente por anos a fio.

  • Daniela Eick

    Vai acabar surgindo tanta gente plantando tomate que o preço vai resvalar novamente…

  • Jotazêr

    Mais um excelente texto. Meus parabéns!

  • Rafael

    Yuri, mesmo quando você concorda que o problema da inflação é um déficit de oferta, o que o Alexandre apontou continua valendo: a oferta não acompanha a demanda porque a demanda está muito inflada. Tem crédito demais disponível na economia. E de onde vem esse crédito todo? Dinheiro circulante em excesso. Quando é fácil arranjar dinheiro, é fácil gastar. E aí, não tem produção que acompanhe, nesse país em que investir é impossível.

    • Yuri

      Até concordo em partes, mas algumas coisa continuam sem sentido para mim. O PIB brasileiro cresceu cerca de 0,9% no último ano, apesar do seu potencial estimado de cerca de 3%. Logo, tivemos fatores de produção ociosos. Como é possível existir inflação de demanda nesse cenário?

      • http://www.mises.org.br/Subject.aspx?id=3 Carlos Marcelo

        Leia qualquer um destes artigos, pelo menos uma meia dúzia deles, pra compreender melhor.

      • Carlos Marcelo
  • http://tmoricz@hotmail.com Tibor Moricz

    Alguém já foi ver o preço do salame? Mais caro que o legítimo bacalhau da Noruega.

  • david

    Quem tem uma boa vida, geralmente adora o Friedman, o cara que ajudou a financiar as ditaduras na América Latina. Ele tinha frases fortes como: “se um governo admistrace o deserto do Saara, desconfio que em 5 anos haverá escassez de areia”.

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  • epa

    É para isso que existe , ou existia nesse país pelo menos, o mecanismo de importação.

  • Marcos

    Nossa inflação vagarosamente cresce e as medidas vagarosamente desaparecem. Muitas famílias brasileiras preferem comprar roupas em outros países, do que comprar em nossa terra. Isso não é culpa dos consumidores que só querem achar produtos com preços e qualidades competitivas internacional. Espero não precisar viver em um tempo, do qual a inflação variava bruscamente a cada dia.

  • WALTER DE PAULA CASTRO

    Muito boa a abrangência do texto! Sou produtor rural e acreditem, o mundo que vivemos atualmente está a beira de um colapso alimentar. Neste exato momento existe um mercado extremamente consumidor, e uma produção deficiente de mais. Os pequenos latifúndios que antes produziam com a agricultura familiar pequenas roças que agrupavam-se nas mãos dos atravessadores até chegar as centrais de abastecimentos, agora já não existem mais. Estamos passando por um momento histórico, a população urbana cresce a dizimas absurdas enquanto as terras rurais estão cada vez mais vazias. A politica de financiamento não atende a exigência do figurino, ou quem sabe a verdade o produtor não atende as exigências das agencias fomentadoras (Banco do Brasil, BNDS, Fomentar… entre outras), as exigências de garantias, distanciam os empreendedores corajosos que saem do meio urbano e vão para o campo produzir, pois o velho homem do campo está escaldado dos prejuízos anteriores. Hoje produzir no campo tornou-se diante as politicas públicas da CLT/ MINISTÉRIO DO TRABALHO/ ORGÃOS AMBIENTAIS entre outros, uma imensa dificuldade. O custo da base produtiva que vêm de defensivos, adubos, energia elétrica, alugueis de terras, manutenção de maquinas e mão de obra, torna ainda mais desequilibrado a diferença entre o custo e a venda do produto agrícola.

    Dessa forma é fácil notar que falta muita infra-estrutura no Brasil, para a produção não morrer na UTI. O Governo Federal especialmente nas politicas do PT, têm feito manobras financeiras desastrosas com um único intuito: Fazer-se parecer um país mais acessível, um país onde todo mundo pode ter um carro novo, pode ter uma casa própria, pode viajar, pode comer no restaurante e aposentar o fugão, pode viver uma vida parecida com as da novela. Porém vamos pagar um preço muito alto em breve, daqui para mais um ano, vamos assistir uma escalada ainda maior dos preços dos alimentos, fora algumas commoditys que o governo ainda possa ter estoque para controlar o mercado abastecido. Os produtos que vêm de pequenas produções subirão como balões de gás. ANOTEM AÍ!

  • Rômulo Chaves

    Haha, a citação do Milton Friedman veio a calhar muito bem, tenho que dizer. Um comentário anterior ao meu, o do ‘epa’, comentou sobre a importação. A importação pode solucionar o problema dos consumidores se ignorarmos as barreiras alfandegárias, mas como o Alexandre Versignassi(autor do post) escreveu lá em cima, existe a questão que envolve a circulação de dinheiro excessiva no Brasil, sendo que muitas vezes o valor de uma moeda é dado pela produção de seu país e pela quantidade de dinheiro emitido pelo governo ( como proposto por Fischer, se não me engano ), não sou especialista, mas acho que pode haver um ‘conflito’ entre essas questões.

  • IBS

    Esse texto continua atual pelo fato de abordar um principio fundamental em economia. Os precos dos produtos, em um mercado de livre concorrencia, é dado em funcao de oferta x demanda. Assim os precos podem ser baixados aumentando-se a oferta ou diminuindo-se a demanda. Coisas que só o governo pode induzir.

  • diniz

    Po já que o produtor tinha tantos tomates, pq não produzir extrato de tomate? vai fazer pizza!

  • http://cleide_otti@hotmail.com cleide

    adorei esta reportagem. Está super atual mesmo! Muito interessante. Parabéns para quem a publicou!

  • Djalma Bevilacqua

    Continuem votando neles, 2014 ta pertinho, vote neles para mais 50 anos de atraso do pais.

  • Ademar Abiko Jr.

    A política brasileira de incentivo ao consumo não é ruim. Em tese, incentiva o investimento, ao mesmo tempo em que corrige distorções sócio-econômicas. Dar poder de compra para classes menos favorecidas é válido. É preciso incluir o fator humano nessa equação. E fator humano também quer dizer medidas imediatas. Fazer a pessoa passar forme por cinco anos até que o mercado se estabilize não é razoável dependendo do foco.

    O problema é que esse incentivo não foi acompanhado do desembaraço da produção. Infra-estrutura e tributação, principalmente.

    E a agonia é maior porque não há sinais de avanço nessas áreas mesmo 2013 sendo O ano para a reforma tributária (politicamente tranquilo e sem corridas eleitorais) e 2014/2016 A época para reformas de infra-estrutura.

    • Alexandre Versignassi

      Concordo com você, Ademar. O texto não é um manifesto por um arrocho na política monetária em si. É um pelo aceleramento nas soluções pra infraestrutura, encargos e tributação. O arrojo da política monetária, com manutenção de juros baixos e crédito turbinado por BNDES e bancos estatais, precisa dessa contrapartida. Mas se as soluções teimarem em aparecer, não podemos sacrificar a moeda no meio do caminho, como fizemos tantas vezes na segunda metade do século 20.

      Abraço

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  • Bruto

    Políticas populistas, aumento do consumo baseado em crédito, alavancagem imobiliária, etc…etc… Aguenta a ressaca depois. Desemprego, aumento da criminalidade, famílias endividadas, etc…etc…

  • luis

    Teorias sobre inflação não são tão consensuais assim, ainda mais falando de preço dos alimentos, e não dos preços em geral. Mesmo concordando em partes, é imprudente citar Milton Friedman como se fosse o dono da verdade.

    • Matheus

      Concordo!! Outros economistas tão importantes quanto o Milton Friedman não acreditam que somente a política monetária possa resolver o problema da inflação. O que temos no Brasil, como você mesmo disse, é uma falta de oferta, já que a indústria nacional é pífia. O aumento do juros, no entanto, pode prejudicar ainda mais a indústria nacional, e reduzir ainda mais o gargalo produtivo nacional. Sem contar que pressionaria a taxa de câmbio para uma valorização do Real, que, bem, pra quem vai viajar pra Disney é uma beleza, mas no geral, também prejudica a produção interna. Na economia, tudo é uma questão de trade-off, o que precisamos decidir é o que estamos dispostos à abrir mão…

      • Alexandre Versignassi

        Oi, Matheus. Vc tem toda a razão. Tb não acho que o certo é tirar moeda de circulação a toque de caixa. O certo é investir em infraestrutura, aumento de produtividade e incentivo à livre iniciativa.
        Abs

  • Cassis

    Texto bom e esclarecedor.
    A culpa é do governo…..em partes….
    Mas o povo brasileiro (e me incluo nisso as vezes) aceita tudo com um sorriso no rosto.
    Semana passada fui ao mercado e o tomate estava a R$ 7,50, tomates feios, passados e tinham muitas pessoas comprando porque estava “barato” já que nos outros mercados o preço médio era de R$ 10,00!!!
    Onde neste mundo pagar R$ 7,50 do kg do tomate é algo barato?? Embora seja algo importante para nossa alimentação será que não sobreviveremos sem??
    Deixemos de comprar tomates por uma semana….é um alimento perecível, logo logo os preços dispencam e pronto!!
    O mesmo com carros, celulares

    • Alexandre Versignassi

      Opa.

      Pessoalmente, acho que os preços altos deveriam estimular a desburocratização para abrir negócios. Tem um exército de gente com dinheiro e apetite para criar empresas (e empregos), mas que são desestimulados pelo nossa burocracia prussiana.

      Abs

  • Rafael

    Parabens Alexandre Versignassi,

    Sempre um bom texto, claro e direto.
    Recomendo a quem não conhece o livro “CRASH” do Alexandre, muito bom, mostra que hoje cometemos erros que já cometeram no Imperio Romano.

    • Alexandre Versignassi

      Valeu, Rafael!

  • edmilson fagundes cesarino

    em toda história que me conheço como gente, jamais vi algo parecido, pois é um produto perecivél, sou do ramo de alimentação creio que estamos sendo vitimas de produtores, será que é só o Brasil que tem tomate no mundo! daqui a pouco haverá contrabando de tomate, porque não abre a importação? ha meios de resolver estas questões basta querer, é o mesmo caso da gasolina Brasileira, no último caso: os consumidores é boicotar o produto ai sim quero ver oque se faz com tomate podre, isso é uma vergonha.

  • Elaine

    concordo plenamente com o Walter de Paula Castro. E acrescento que produzir alimentos no Brasil é coisa de teimoso. Produtor Rural tem acesso a um “pseudo-credito”, não temos como aumentar a área de cultivo, a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) está sucateada, consequentemente só tem acesso a tecnologia o agricultor que busca por meios próprios, ou seja, a minoria; não temos estradas decentes para escoar a produção, não temos infra estrutura para armazenagem, os insumos custam muito, muito, muito mais caro a cada ano. As pequenas propriedades do país estão em extinção pois os filhos de agricultores estão cansados de aguentar o serviço artesanal com falta de mão-de-obra qualificada e não tem como mecanizar totalmente o cultivo de frutas e verduras, alto custo, e quando necessitam de orientação técnica, a extensão rural é totalmente deficitária, e ainda tem que doar 20% do seu patrimônio para a humanidade. Aqueles que conseguem acesso a tecnologias importadas, nem sempre conseguem utilizá-las no país porque o Governo não sabe e nem procura saber, se realmente podem causar algum impacto ou não, então melhor proibir. Os outros que ultrapassam essa barreira têm que obter aprovação pela fiscalização das Secretarias da Agricultura Estaduais, Ministério da Agricultura, Redes de Supermercados, sem contar em Ministério do Meio Ambiente, Ministério do Trabalho, etc para garantir a segurança do alimento. Quando o produtor consegue cumprir todos os requisitos e se torna econômico-social-ambientalmente justo, ou vem um delinquente e sequestra o filho do produtor, ou o Governo importa o “dito” alimento, deixando o excedente brasileiro virando lixo e que se dane o produtor mais uma vez.

    O Brasil tem capacidade de produzir alimento para alimentar meio mundo e ainda floresta suficiente para fazer a moral e cobrar de todo o mundo. Temos diferenciados tipos de clima e solo, o que dá condições de produzirmos os alimentos de melhor qualidade do mundo, sem uso de tantos defensivos se comparado à outros países exportadores. É o caso da banana, por exemplo, que no Brasil se produz com alta qualidade utilizando apenas de 6 a 8 pulverizações anuais, enquanto que o Governo negociava a importação de bananas mais caras, de países que utilizam de 30 a 52 pulverizações anuais, só por causa de promessa de “acordo comercial”. Não há critério nas tomadas de decisão do Governo. O negócio é dar esmola para conseguir garantir o voto e só!

    Vocês realmente acham que teremos filhos de agricultores aguentando tudo isso e ainda serem considerados os “demônios” da humanidade ambientalmente correta?

    O pior é que estes problemas não são exclusivos da agricultura. A indústria está se deparando com os mesmos problemas.

    O preço dos alimentos está muito aquém do patamar que ainda vai atingir. Todos podem economizar no consumo de gasolina, pizza, vestuário, eletro-eletrônicos, mas não em comida.

    • Alexandre Versignassi

      Boa, Elaine!
      Abs

  • joão carlos

    O problema do preço das coisas no BRASIL chama-se ganância,além de idotice dos consumidores que aceitam tudo que lhe é imposto.Mas o principal motivo de termos preços tão alto de tudo por aqui é a mentalidade indexadora existente na cabeças de quem possui os meios de distribuição e tambem de quem governa,pois todo ano reajusta-se tarifas,combustiveis,serviços etc… alegando recomposição da inflação,como se fosse uma obrigação reajustar preços por causa da inflação. Nos paises de economia estável, para aumentar cinco centavos da moeda deles na tarifa de metrõ por ex. leva-se uns quinze anos,mesmo assim com muito protesto.Por isso é que nunca teremos uma economia estavel com uma moeda forte;pois,acabamos com hiperinflação, mas não acabamos com a nossa mentalidade indexadora.

  • Silvio Costa

    Este virou, fácil, o meu blog favorito da SUPER. Economia nunca é fácil de entender, afinal, é uma ciência social que lida com números, o que, por si só, já é uma maluquice. Mas o modo como os assuntos são abordados e explicados deixa tudo muito mais simples e compreensível. Parabéns ao autor.

  • Luiz eduardo

    Achei o danado ontem a 3,89 no Extra….quase beijei o gerente…

  • odenilmiranda

    RECEITA
    Como um tomate misturados com folhas ( rúcula,repolho, alvace, agrião,etc.), dia sim dia não

  • marcus

    não entendi. por que eu tenho culpa do tomate ta caro?

    • Alexandre Versignassi

      Oi, Marcus. A imagem é só uma sátira com a capa da Super deste mês. Não considere o texto que tem ali – pelo preço do tomate, a gente não tem culpa!
      Abs

  • Alexandre

    Talvez abrir o mercado para concorrencia internacional (importação), o mundo poderia abastecer o país e cobrir o deficit de oferta, com mais produtos e concorrencia os preços não cairiam?

  • alexandre

    cara aqui em cuiaba o tomate tá 12,99 no extra, tomate seco 45 o kilo, tomate cereja bandeija de 250g 7,00, tomate caqui 18 reais, tomate italiano 14,50

  • michel

    Texto real e cheio de verdade, porem devemos protestar contra esse tipo de aumento, onde todos nós somos assaltados a luz do dia sem se quer termos uma arma apontada em nossas cabeças, devemos sim, protestar talves não saindo as ruas, mas protestar deixando de comprar alguns alimentos cujo o custo chega ao preço da carne bovina, não devemos dar nosso dinheiro simplesmente por que não ficamos sem a bela saladinha.

  • ALBERTO CESAR

    Uma tremenda idiotice o que se criou em cima do preço dessa hortaliça. somos uma sociedade de consumo, portanto, qualquer que seja o bem , durável ou não , ele vai estar sujeito as oscilações de mercados, as ações causadas pelos agentes naturais (alguém consegue prever chuva ou temperatura na medida certa para as culturas agrícolas ou até mesmo para as criações animais. Até parece que o tomate é o primeiro produto a escasser durante um certo período (e olhe que nesse caso , o período é curto e logo o preço dele cairá). Da carne bovina ao petróleo, do chuchu ao cimento entre outros inúmeros casos. O que estão mesmo é oferecer um grande pano de fundo.

  • http://http ismael

    Oporque não pode buscar o tomate na Argentina ai o ministerio da agricultura diz que não pode pois não da para liberar o sertificado da vigilancia . Mas como para a cebola pode?

  • Alexandre

    Se falou de tudo no artigo , menos dos atravessadores .
    Será que eles existem ?
    E como sempre para explicar tudo , a culpa é do governo …

  • http://super.abril.com.br/blogs/crash/o-caso-do-tomate-de-ouro/?utm_source=redesabril_jovem&utm_medium=facebook&utm_campaign=redesabril_super Fabrício Damasceno

    Isso tudo é fruto de planejamento ineficiente.Em minha concepção, essa inflação dos alimentos é fruto de uma política que estimula o latifúndio monoculturista.O Brasil produz milhares de hectares de soja para exportação por exemplo.Muitos agricultores produzem aquilo que está em falta e ,como foi citado, todos produzem o mesmo item e acaba jogando o preço bem abaixo.Falta muito planejamento em nossa agricultura.

  • Thamyres

    Excelente texto!

  • http://nogueira-rodrigo@live.com Rodrigo Nogueira

    Enquanto o PT ainda governar o Brasil… A editora abril só mostrará os problemas e que a culpa do Ronaldinho perder o penalty na final da copa do mundo é da Dilma. Triste mídia manipuladora brasileira.

  • Felipe

    No principal supermercado da minha cidade (RS) o tomate ainda está barato: R$3,50

  • mistyla

    Texto muito bem escrito, muito bom!

  • http://www.jorgeuramoto.com.br Jorge Uramoto

    o tomate é a bola da vez porque estava com preço alto e foi destaque nas pesquisas, foi pego no pulo, mas poderia ser qualquer outro produto, outro dia pode vir a ser a batata, a laranja, etc, mas como foi muito bem colocado acima, faltam programas e políticas que incentivem a qualidade e estabilidade do preço, da produção, o trabalho dos produtores e da população, um governo que planeje e oriente as prioridades e necessidades para o país, pelo menos como referencia, e principalmente, encontre o caminho para transformar o “custo de vida” para “investimento na vida” em forma de educação, cultura, desenvolvimento humano, acessível para todas as pessoas, de modo que participem e contribuam para um convívio mais respeitoso, equilibrado e saudável, sem negociantes que sejam excessivamente predadores, (só como exemplo entre vários tipos de maus cidadãos)

  • http://viniciusargenta@gmail.com Vinicius

    Esse país precisa de LIBERALISMO,,,,, chega de socialista imbecil destruindo a economia…..

    e parebens pela coragem de citar Friedman, q nesse paiseco de bananas dominado por idiotas uteis de esquerda, é quase um palavrao..

  • http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=118 Carlos Marcelo

    Esse artigo explica bastante.

  • F.Luiz

    Eu sempre leio que a produção de dinheiro é responsável pela aumento da inflação, mas por quê? Não entendo o motivo de isso aumentar a inflação. Alguém pode me explicar?

    • Alexandre Versignassi

      Os outros posts deste blog falam bastante sobre isso, Fábio.

      Avs!

  • André Ganzarolli

    Parabéns pessoal da SUPER. Uma verdadeira aula de economia para leigos!

  • http://www.msn.com.br Necstor

    Buemba!, meus caros estamos vivendo a farra di dinheiro público, dai a inflação em alta, lembra dos anos 70 e 80 era melhor vicer de renda do que produzir, nenhuma politica economica consegue sobrevier á isso, já estamos na corda bamba e ela vai arrebentar com certeza. Não se trata de pessimismo pois todos os paizes que viveram esse tipo de incerteza quebraram e como o Brazil não sera diferente, temos histórico lembra, já quebramos antes. Sr’s estamos vivendo uma ilusão de 1º mundo que não é nossa realidade, restaurantes mais caro que na Europa e NY, Apartamentos de 2 quartos por R$ 1 Milhão, carroças de R$ 200 mil, sso não vai aguentar. Aguardem! depois da copa, a quebradeira vai ser geral.

  • Maria De Fátima de Oliveira

    Como podemos perceber um dos pontos da reportagem mostrou que o tomate aumentou devido a redução das áreas de plantio que diminui,também o fator do clima por causa das chuvas,mas também o governo tem uma parcela de culpa que tem não tem controlado a inflação,tendo alta nos preços dos alimentos.Se o governo não controlar a inflação ele atrapalhará a economia e também irá se prejudicar não consiguindo novamente a sua reeleição para o cargo de presidente.PortantoDilma acorda e ajude o povo brasileiro a sair dessa inflação.

  • http://SC Eric

    A questão do tomate esta muito bem explicada no artigo da SUPER, é um caso fortuito, de força maior, podendo até mesmo a ser comparado com uma coincidência. Quero ver se vão polemizar tanto quado o tomate estiver sendo doado, tamanho desperdício pela grande produção e pequena demanda. A má organização do governo não tem a ver com tomates e sim com a falta de preocupação com as pessoas da nossa juventude em relação ao assunto. Imaginem quanto dinheiro dinheiro desviado, Carlos Cachoeira, Copa do Mundo e nós preocupado com o preço da pizza! eu também to euhueaaheu mas tem coisas mais importantes, além do mais eu faço uma pizza caseira ótima. se quiser experimentar Elaine, será um prazer. Abraço a todos, muito produtiva a discussão.

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  • Roberta

    Ótimo texto! Achei interessantíssimo o trecho de Milton Friedman, tanto que gostaria de mencioná-lo num trabalho da minha universidade. Você poderia passar quais são as referências? Grata.

    • Alexandre Versignassi

      Oi, Roberta. Tirei a citação de um livro dele, o Money Mischief.
      Bjs

  • http://ofudoumyou@gmail.com henrique silva

    só é desonerar um pouquinho a importação do tomate… roubar um tiquinho menos, só um pouquinho, e vai ver o mercado equilibrando….

  • http://groselho.blogspot.com.br/ tuto

    Alexandre,
    gostei muito dos seus textos.
    Mas fiz uma crítica ao seu texto sobre hitler e o tratamento que a mídia tem dado à inflação.
    Não sei se vc vai ter tempo de ler. Em todo caso, está aqui o link:

    http://groselho.blogspot.com.br/2013/05/a-inflacao-na-midia-em-2013.html
    Abço

  • Murilo

    Na região que moro um homem enricou tão rápido, mas tão rápido- do dia para noite passou a andar de carro importado e de segurança armado- que todos achavam que ele tinha ganhado na mega. Mas ninguém tinha certeza e a dúvida era geral. Foi daí que alguém perguntou a fórmula. A resposta? Pasmem. “Plantei dez ‘pézinhos’ de tomates no meu singelo quintal, botei um adubinho e pronto.”
    Outro dia numa roda de conversa, ouvi que depois do “bolsa crack”, novo programa de cunho social que visa fomentar a venda de crack, ops, acabar, o governo quer criar o “bolsa tomate”, que pretende levar este alimento a 90% da nossa população que não tem condições de comprar este alimento, incluindo aí a classe média, pasmem de novo, e não vou nem falar de quem recebe salário mise…, ops, mínimo, minha cabeça hoje não está boa, falta de tomate, xiiii, pra esses aí aquilo é sinônimo de caviar.

    É companheiros e companheiras, a gente não come tomate, mas se diverte na medida que dá.

    Um abraço a todos.
    Alexandre, muito bom seus textos. Admirador do seu trabalho e assíduo leitor da super, sempre ansioso pela próxima edição.

  • Antônio

    É impressionante preço do tomate. Mas isso é apenas um vai e vem de preço de mercado pq na se isso fosse fixo o valor até eu estaria plantando no meu quintal. Na minha cidade tem promoções de tomate deixam o tomate no valor $2,49 ou até menos que isso Mas e assim mesmo.

  • Fabio Sampaio

    Não poderia estar mais correto esse texto. E uma das grandes responsáveis por isso é a política de programas sociais, que resgatam aquela história de dar o peixe e não ensinar a pescar. Não que elas sejam ruins, pelo contrário, é muito bom tirar o país da miséria e incluir milhões de pessoas no mercado, com dinheiro no bolso. Mas é um dinheiro que não gerou produção. Trabalho em atendimento de saúde no serviço público e vemos que tem gente que vive desses “auxílios”, produzindo filhos em série, pois a bolsa é por criança. E como é um dinheiro “dado” e não “ganhado”, ou seja, não é um pagamento por um serviço prestado, portanto não gera produção de riqueza, ele vem novinho, cheirosinho das impressoras da casa da moeda.

  • tanir lopes

    É o seguinte: reduziram a área de plantio em 70 %, mas querem faturar 100%. É o lucro fácil, explorando o próximo, sem consequências. O país da vantagem funciona ao espelho do política corrupta!

  • ANGELO

    Cara que texto loco parabéns a todos, principalmente a vc Alexandre parabéns!!!