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9 idiomas fictícios (que você pode aprender)

26 de setembro de 2012

Cada fã tem seu jeito de provar seu amor por séries, filmes ou livros. Uns vestem camisas com estampas baseadas nas suas histórias favoritas, outros colecionam brinquedos e objetos relacionados a elas. Mas sempre tem um jeito de ir além. Tipo aprender um idioma fictício.

Línguas inventadas são ingredientes frequentes na construção de mitologias presentes em algumas das mais importantes obras de ficção do mundo nerd. Em alguns casos, aliás, são o ponto de partida para o desenvolvimento de histórias épicas.

A SUPER reuniu 9 exemplos de idiomas fictícios que você pode aprender no mundo real – e tirar onda com todos os seus amigos. Tem língua para todos os gostos.

1. Klingon – “Jornada nas Estrelas”

Esta é, provavelmente, a língua fictícia mais conhecida (graças a “The Big Bang Theory”). A primeira vez que alguém pronunciou palavras no idioma foi em “Jornada nas Estrelas: O Filme”, de 1979. E foi tudo no improviso: James Doohan, o ator que interpretava Scotty, inventou umas palavras e, depois, Marc Okrand se baseou na sua fala para desenvolver toda a língua. Desde então, a linguagem já apareceu em várias outras séries e filmes.

A gramática, o alfabeto e a fonética do klingon não se assemelham a línguas reais. Mas muita gente dedica a vida a estudar o idioma – academicamente, inclusive. Existe até um instituto voltado para a divulgação e tradução do klingon.

 

2. Quenya e Sindarin – “O Hobbit” e “O Senhor dos Anéis

Conhecido também como élfico maduro, o quenya é o idioma élfico mais antigo na Terra Média, algo como o galego-português em relação ao português que nós falamos hoje em dia. J. R. R. Tolkien desenvolveu toda a língua inspirado pela fonética do finlandês, mas isso não significa que quem é fluente nesse idioma consegue entender o quenya. Como precisava de um alfabeto, Tolkien inventou as tengwar e, para representar os sons de vogais, as tehtar.

Ouça J. R. R. Tolkien recitando um poema na língua élfica

Um outro idioma que foi bastante desenvolvido para a saga do Anel é o sindarin. Também uma língua élfica, o sindarin é baseado no galês e chegou a ser a língua mais falada na Terra Média. Você se interessou: existem vários dicionários de élfico pela interne. Já foi publicado até um curso de quenya para quem fala português (dá pra ver aqui).

 

3. Na’vi – “Avatar”

Além de uma biodiversidade fenomenal, um planeta e um povo, James Cameron decidiu criar também uma cultura e um idioma para os alienígenas humanóides de Avatar. Para isso, ele passou a Paul Frommer, professor da University of Southern California, a tarefa de criar um idioma que fosse fácil de falar, mas que não lembrasse línguas reais. No site Learn Na’vi, você encontra a gramática e o vocabulário e tudo mais que possa precisar para aprender a língua. O único problema é que a versão em português estava fora do ar quando montamos este post, mas isso pode ser um incentivo pra você aprender inglês também!

 

4. Dothraki – “Game of Thrones”/ “Crônicas de Gelo e Fogo

Se você curte a série “Game of Thrones” e os livros de George R. R. Martin, com certeza já se pegou tentando falar alguma coisa em dothraki, a língua-mãe de Khal Drogo que Daenerys Targaryen teve que aprender. O idioma, como você pode imaginar, surgiu na cabeça de George, mas nos livros há poucas palavras e frases. Quando a HBO decidiu produzir a série de TV, chamou David J. Peterson, um inventor de línguas, para desenvolver o idioma e torná-lo crível na telinha. Embora o idioma seja um dos mais novos da lista, já tem gente aprendendo a se comunicar com o Grande Garanhão. Um dos portais mais seguros para quem quer se arriscar é o Dothraki.com. O site é mantido pelo próprio David e ele fala de muitas outras coisas do universo de Westeros. O Dothraki.org também traz muitas dicas para quem quer aprender a língua e funciona na base do wiki, ou seja, os próprios fãs desenvolvem as apostilas.

 

5. Novilíngua – “1984″

A novilíngua não é exatamente um novo idioma, mas a mudança de um idioma pré-existente. No livro “1984″, de George Orwell, o governo autoritário do Grande Irmão recriou e deletou palavras do inglês para que pudesse controlar o pensamento das pessoas. Quer dizer, se você não sabe como se referir a um sentimento ou ideia, não tem como você pensar neles. Teoricamente, uma língua nunca encolheria, já que a tendência natural é cada vez mais vocábulos se juntarem a seu léxico. Mas como essa mudança foi imposta pelo Grande Irmão, faz sentido. Nesse artigo do portal Duplipensar – totalmente dedicado ao livro -, você tem uma boa ideia de como funciona esse novo dialeto. Dá até para tentar aprender.

 

6. Simlish – “The Sims”

No universo virtual dos Sims, o simlish é a língua oficial. Para quem ouve, parece que eles não estão falando nada com nada. Mas, por incrível que pareça, existem algumas regras  para que o idioma seja no mínimo coerente. Na hora de criar a fonética do idioma, Will Wright – o pai dos Sims – e Marc Gimbel, um especialista em idiomas, até experimentaram com línguas reais, mas optaram por criar falas que não fazem sentido. Mas é claro que os fãs tentaram decifrar os barulhos dos personagens. Nesse fórum, uma galera começou a criar um dicionário de frases em simlish. Já o alfabeto, bem, esse é piração mesmo. Ah, uma curiosidade: a cada atualização e extensão para The Sims, um artista faz uma versão de algum hit em simlish. Dá uma olhada na música Smile, da Lily Allen, traduzida:

 

7. Aklo – Mitos de Cthulhu

O idioma apareceu pela primeira vez no conto “Povo Branco”, de Arthur Machen. As obras do escritor eram carregadas de pitadas de sobrenatural, terror e coisas fantásticas, tanto que acabou influenciando H. P. Lovecraft, hoje lembrado como um dos maiores autores do gênero.

Além de fã confesso de Machen, Lovecraft pegou emprestada a língua que o colega havia inventado e usou em seus contos sobre o mito de Cthulhu, uma divindade alienígena maligna. Alan Moore também utilizou essa linguagem na sua graphic novel sobre o deus.

O curioso sobre o aklo é que ele não é apenas um idioma, mas um código que contém magia oculta, por assim dizer. Moore, por exemplo, usa a língua como uma forma de induzir a hipnose. A língua, enfim, é cheia de mistérios. Se você ficou curioso, nesse artigo há uma longa explicação sobre as origens e regras do aklo.

 

8. Ofidioglossia – Harry Potter

Não poderíamos esquecer a língua oficial dos descendentes de Salazar Sonserina, o fundador da casa mais polêmica da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. A língua que Voldemort Aquele-que-não-deve-ser-nomeado usa para se comunicar com sua serpente de estimação, Nagini, é quase impossível de pronunciar. Prova disso é que só quem já nasce com o talento consegue falar o “idioma”. A única exceção é o próprio Harry Potter, que, como você provavelmente sabe, adquiriu o dom quando um pedaço da alma de Tom Riddle entrou nele. A Warner Bros chegou a lançar um tradutor oficial de ofidioglossia quando a febre “Harry Potter” ainda estava em alta, mas ele saiu do ar. Então, a melhor opção é o TheParselmouth, que faz exatamente a mesma coisa: transforma qualquer palavra em língua de cobra. Sssssuper legal!

 

9. Nadsat – Laranja Mecânica

Em “Laranja Mecânica”, Anthony Burgess criou um modo de falar bem peculiar para seus personagens. As expressões usadas por Alex DeLarge e seu grupo são uma mistura de cockney – o dialeto da classe operária britânica – e russo. Não é um novo idioma, mas uma série de expressões idiomáticas associadas ao inglês. A grande inspiração de Burgess para criar o nadsat foram as falas dos mods e dos rockers da década de 1960. Dezenas de dicionários circulam pela internet e um dos mais completos está nesse link. Clique e aprenda a falar como os drugues.

 

E aí? Deu vontade de aprender um idioma novo?

 


Ouça J. R. R. Tolkien recitando um poema na língua dos elfos

12 de setembro de 2012

Se você conhece minimamente a obra de J. R. R. Tolkien, o que eu acho muito provável, já deve ter ouvido falar que o cara inventou idiomas inteiros para cada criatura fantástica presente na Terra Média. Uma dessas línguas, possivelmente a mais famosa, é o quenya, um dos idiomas élficos.

Quando Tolkien criou o vocabulário, alfabeto e tudo mais para que os elfos da história pudessem conversar, ele aproveitou para escrever algumas obras literárias em élfico. Afinal, por que desperdiçar um idioma inteiro só com diálogos, né?

Uma dessas peças literárias é o poema “Namárië” (Adeus), também conhecido como “O Lamento de Galadriel”. O poema é o maior texto escrito nessa língua e figura na coleção “The Road Goes Ever On”, uma reunião de canções folclóricas que são entoadas em vários cantos da Terra Média.

Bem, como Tolkien já tinha criado um idioma e escrito obras completas nele, nada mais lógico que recitar a própria poesia. E foi isso mesmo que ele fez. No vídeo abaixo, você ouve o pai de Frodo falando em quenya. Dá até pra imaginar um audiobook da Trilogia do Anel toda em élfico. Ouve aí.

Ficou curioso para saber como seria o texto escrito do poema? Dê uma olhada na primeira estrofe em tengwar e tehtar, os caracteres do alfabeto élfico.

A tradução aproximada para o português ficaria ~~mais ou menos~~ assim:

Ah! Como ouro caem as folhas ao vento,
Longos anos inumeráveis como as asas das árvores!
Os longos anos se passaram como goles rápidos do doce hidromel
Em salões altos além do oeste,
Sob as abóbadas azuis de Varda
Onde as estrelas tremem na canção
De sua voz de Santa e Rainha.

Quem agora há de encher-me a taça outra vez?

Pois agora a Inflamadora, Varda, a Rainha das Estrelas,
do Monte Semprebranco, ergueu suas mãos como nuvens
E todos os caminhos mergulharam fundo nas trevas;
E de uma terra cinzenta a escuridão se deita
sobre as ondas espumantes entre nós
E a névoa cobre as jóias de Calacirya para sempre.
Agora perdida, perdida para aqueles do Leste está Valimar!

Adeus! Talvez hajas de encontrar Valimar.
Talvez tu mesmo hajas de encontrá-la. Adeus!

Animou pra ter umas aulinhas de quenya?