Conheça a história das primeiras mulheres eleitas no Brasil

Por Atualizado em 11/03/2014

Em outubro desse ano, mais de 72 milhões de eleitoras brasileiras – que correspondem a quase 52% do eleitorado – irão às urnas para ajudar a escolher nossos representantes. Se hoje, para nós, o direito ao voto é algo universal (sem distinção de etnia, sexo, crença ou classe social), as coisas eram bem diferentes em um passado nem tão distante.

A conquista do voto feminino completou apenas 82 anos em 2014. Sim, somente no dia 24 de fevereiro de 1932, após intensa campanha nacional pelo direito das mulheres, é que foi publicado o primeiro Código Eleitoral do Brasil.

A conquista tardou e, de certa forma, falhou. Fruto de uma longa luta, iniciada antes mesmo da Proclamação da República, a resolução do então presidente Getúlio Vargas dava o direito de participar das votações somente para mulheres casadas (com autorização dos maridos) e às viúvas e solteiras com renda própria.

As coisas mudaram só dois anos mais tarde, em 1934: as restrições aos voto feminino foram eliminadas do Código Eleitoral, embora a obrigatoriedade do voto fosse um “dever masculino”. Enfim, no ano de 1946, uma nova alteração no código também tornou obrigatória a votação pelas mulheres.

Conheça aqui a história da primeira mulher a votar e das primeiras a serem eleitas no Brasil.

 

A primeira a votar

Voto
Crédito: Prefeitura de Mossoró

A potiguar Celina Guimarães Viana depositou na urna o seu voto e entrou para a história do país, tornando-se a primeira mulher a votar. O gozado é que isso aconteceu em 5 de abril de 1927, antes mesmo da aprovação do Código Eleitoral de 1932. Mas como assim? A gente explica: nesse mesmo ano de 1927, o Rio Grande do Norte havia sancionado a lei número 660, estabelecendo não haver mais “distinção de sexo” para o exercício eleitoral. Na época, havia uma ausência de regulamentação dos possíveis conflitos entre a legislação do Estado e a Constituição Federal Brasileira. Porém, logo a Comissão de Poderes do Senado mexeu seus pauzinhos e anulou todos os votos femininos daquela eleição.

 

Primeira prefeita

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Crédito: Arquivo Governo Federal

Foi também no Rio Grande do Norte que a primeira prefeita do Brasil foi eleita. Em 1929, Alzira Soriano, aos 32 anos, elegeu-se na cidade de Lajes. Mas a administração da primeira mulher a frente de um município durou pouco: com a Revolução de 1930, a prefeita perdeu o mandato por não concordar com o governo de Getúlio Vargas. Somente com a redemocratização, em 1945, Alzira Soriano voltou à vida pública, como vereadora do município onde nasceu, em Jardim de Angicos, chegando até à Presidência da Câmara de Vereadores.

 

Primeira deputada

Carlota Pereira de Queiroz 3

A médica Carlota Pereira de Queiroz foi a primeira deputada federal da história do Brasil. Eleita pelo estado de São Paulo, em 1934, Carlota fez a voz feminina ser ouvida no Congresso Nacional, ao participar da Constituinte que aposentou a Constituição da República Velha.

 

Primeira senadora

Fotos produzidas pelo Senado
Crédito: Arquivo Senado

Em 1979, o arenista João Bosco era eleito senador pelo estado do Amazonas. Apenas dois meses depois de se consagrar nas urnas, sofreu um acidente vascular cerebral e faleceu. A vaga estava aberta. E quem a ocupou foi Eunice Michiles, entrando para a história como a primeira senadora da era republicana. Bem, digo da “era republicana” porque o assunto é polêmico. Há quem atribua o título de “primeira senadora da história do Brasil” à princesa Isabel, porém o cargo estava mais para um título destinado aos herdeiros do trono no Brasil Império. Eunice, portanto, tem o título de primeira senadora eleita, ainda que como suplente.

 

Primeira governadora

A primeira mulher a governar um estado brasileiro não foi eleita diretamente para o cargo. Em 1983, Iolanda Fleming foi eleita vice-governadora do Acre na chapa encabeçada por Nabor Junior. Em 1986, quando o governador deixou o cargo para disputar uma vaga no Senado, Iolanda se tornou a primeira mulher a governar um estado da federação. Oito anos depois, em 1994, Roseana Sarney se tornaria a primeira mulher a vencer uma eleição majoritária estadual como cabeça de chapa, no Maranhão.

 

Primeira prefeita de capital

Maria Luiza
Crédito: Arquivo Pessoal

Em 1985, na concorrida campanha eleitoral para a prefeitura de Fortaleza, a petista Maria Luiza Fontenele ocupava o terceiro lugar, com pequenos 10% de intenções de voto. Abertas as urnas, a surpresa: Maria Luiza venceu o páreo, se tornando a primeira mulher eleita para governar uma capital de um estado brasileiro.

 

Primeira “presidenta” da República

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Dilma Rousseff conseguiu em 2010 se eleger a primeira presidente mulher –  ou “presidenta”, como ela prefere ser chamada – da história do Brasil. E a disputa entre as mulheres foi forte: Dilma derrotou Marina Silva, que acabou ficando em terceiro lugar nas urnas. Anteriormente, duas tentativas fracassadas marcaram a trajetória de mulheres que tentaram chegar ao principal cargo do executivo nacional: primeiro, Maria Pio de Abreu em 1989 (que ficou em 17º lugar em uma eleição que teve 22 candidatos à presidência da República), e depois Heloisa Helena, em 2006, que ficou em terceiro lugar.

 

Fontes: Estadão, TSE, Vermelho, UOL, Grandes Curiosidades, cpdoc.fgv, Mulheres no Poder, Opinião e Política

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  • Mário Segundo

    Mas peraí… você não leu a reportagem?

  • gabriel

    mas pera aí… a primeira senadora não foi a princesa Isabel?