Começa nesta sexta o Lupaluna, festival de música curitibano que este ano traz o conceito “música, energia e muita diversão”. Além de receber nomes como Nando Reis, Los Hermanos, Lenine e Skank, um dos destaques do festival será a BioBalada Ligeirão.
A festa acontecerá dentro do maior ônibus movido a biodiesel do mundo, o Ligeirão Azul, que tem 28 metros de comprimento e capacidade para 250 passageiros. Sem os bancos, receberá grupos de 150 pessoas a cada 15 minutos, que poderão aproveitar o espaço para dançar ao som de vários DJs. Os “passageiros” também vão receber mensagens educativas de incentivo ao transporte coletivo.
A entrada do público na balada será feita por tubos de embarque e desembarque, um dos símbolo da capital paranaense.
O objetivo da Prefeitura Municipal de Curitiba, responsável pela iniciativa, é incentivar o uso do transporte coletivo na cidade, além de destacar a utilização de biodiesel nas frotas de ônibus, o que diminui consideravelmente a emissão de poluentes na capital.
As jornalistas e pesquisadoras em agricultura e alimentação Tatiana Achcar e Cláudia Visoni são grandes entusiastas da saúde no campo, na cidade e na mesa. Para elas, promover uma alimentação de qualidade é uma das formas de transformar o mundo. Alimentação de qualidade, aqui, significa uma rede de produção do que vai pra mesa do consumidor feita com responsabilidade e saúde para a terra e para o homem.
Tatiana já viveu experiências como voluntária em fazendas orgânicas dos EUA por meio do WWoofing, rede internacional que conecta pequenos produtores no mundo todo com pessoas interessadas em trabalhar voluntariamente pra aprender o manejo rural em pequena escala, de forma conectada com a natureza e com os ciclos naturais da terra.
Cláudia mantém um blog no qual dá dicas para quem quer começar a repensar a sua relação com a comida. São textos sobre como fazer uma horta em casa/apartamento, alimentos orgânicos, notícias sobre o tema e dicas gerais sobre alimentação.
Ambas estão entre as fundadoras do grupoHortelões Urbanos. Hortelão é o nome dado a pessoas que cultivam hortas. A comunidade já conta com quase 900 pessoas conectadas pelo Facebook. Por lá, elas trocam informações, ideias e conhecimentos gerais sobre agricultura urbana e marcam encontros como o “picnic” de trocas de mudas e sementes que aconteceu em abril no Parque da Luz, em São Paulo. “Foi um momento riquíssimo de trocas, gente chegando com mudas, sementes, comidinhas especiais. Tudo ali tinha uma história que as pessoas contavam com amor e entusiasmo”, conta Tatiana. Qualquer um que faça parte da rede social pode se conectar e começar a entender e explorar mais o assunto.
Em Abril, Cláudia e Tatiana ministraram a oficina “No campo, no quintal, no prato: a revolução dos alimentos para um mundo melhor”, que fez parte da programação de atividades da Hub Escola de Outono, do Hub São Paulo, sobre o qual falamos aqui na semana passada.
Cláudia na sua horta, em São Paulo
Para elas, tudo começa com a convicção de que há uma relação estreita entre a saúde do ser humano e a saúde do planeta. “Não há como dissociar uma coisa da outra”, dizem. Hoje, boa parte da alimentação brasileira é baseada em monoculturas, ou seja, extensas plantações mecanizadas que desmatam áreas naturais, empobrecem o solo e demandam adubos químicos, fertilizantes e agrotóxicos. “É o modelo do desmatamento. Estamos fabricando um deserto com a monocultura”. Por isso, nossa alimentação se resume a quatro grandes commodities, que são a base de praticamente todos os outros produtos que consumimos: soja, milho, trigo e arroz.
“É um questionamento do modelo de produção e distribuição dos alimentos. No Brasil, essa discussão quase não existe ainda”. Na mesma medida em que somos uma potência do agronegócio mundial(condição exaltada em propagandas como a deste vídeo abaixo), os caminhos alternativos (alimentos saudáveis e livres de veneno) muitas vezes tornam-se mais difíceis de serem percebidos por grande parte da população. “Às vezes as pessoas até ficam bravas quando se inicia uma conversa sobre isso”, comenta Cláudia.
Por que tanto veneno? Além de resignificar a relação com o alimento, a agricultura urbana e orgânica é uma forma de fugir do uso indiscriminado de agrotóxicos no Brasil. Segundo Tatiana, a primeira medida de mobilização necessária é impedir que o Brasil compre produtos que são proibidos no resto do mundo. É isso mesmo: por conta de uma política dominada por grandes indústrias químicas, ainda comemos alimentos contaminados com venenos que foram banidos há anos em outros países.
A Anvisa mostra que somos responsáveis por usar 19% de todos os defensivos agrícolas produzidos no mundo, na frente dos EUA, que consome 17%. Em 2011, o Brasil registrou 8 mil casos de intoxicação por agrotóxicos.
Segundo dados apresentados pela professora de Geografia da USP Larissa Mies Bombardi em entrevista ao Brasil de Fato, seis grandes empresas controlam mais de 70% do mercado de agrotóxicos no Brasil e tiveram uma renda líquida de R$15 bilhões em 2010.
E mais impressionante ainda é que 84% dos agrotóxicos da América Latina são consumidos no Brasil, que é “muito permissivo” e “tem produtos que são proibidos na União Europeia e nos Estados Unidos há 20 anos”, comenta a pesquisadora. Larissa também explica porque o argumento de que esse sistema é necessário para alimentar toda a população mundial é “mentiroso”. Para ela, não é questão de produção, mas sim de acesso à renda.
O pesquisador Joel Cohen, chefe de Laboratório de Populações da Universidade Rockefeller, nos EUA, segue a mesma linha: “Em 2009-2010, o mundo cultivou 2,3 bilhões de toneladas de cereais. Do total, 46% foi para a boca de pessoas, 34% para animais e 18% para máquinas (biocombustível e plásticos). 90% da soja cultivada no mundo serve para alimentar animais. Nosso sistema econômico não precifica gente que passa fome. A fome é economicamente invisível. Com o que se planta agora, poderíamos alimentar de 9 bilhões a 11 bilhões, mas 1 bilhão passa fome”.
Charge do Angeli: qual modelo de fazenda nós queremos?
Para piorar, no Brasil não existem linhas de financiamento voltadas para a agroecologia. “Parece mentira, mas para conseguir liberação de dinheiro no banco, o produtor precisa mostrar a nota fiscal comprovando que adquiriu agrotóxicos”, diz Cláudia em seu texto “Por que os orgânicos são tão caros?”.
Nossas faculdades de agronomia formam cada vez mais profissionais que vão reproduzir essa forma de tratar a terra e a produção de alimentos. “Nas faculdades de agronomia predomina o ensino da agricultura baseada em insumos químicos, gerando carência de profissionais que sabem cultivar a terra sem apelar para eles. Para complicar de vez a situação, entidades como a FAPESP, o CNPQ e a CAPES não costumam liberar bolsas de estudos para quem se propõe a estudar agricultura orgânica e familiar”.
Muita gente se depara com o dilema do preço. É fato que, na maior parte das cidades brasileiras, ainda é mais caro comer alimentos orgânicos. Este é, no entanto, o típico caso do barato que sai caro para o país. Como enumera Cláudia, nosso sistema agrícola dominante não leva em conta questões como:
1. O custo social representado pelo abandono do campo pelos pequenos produtores e inchaço das periferias urbanas;
2. O custo em saúde pública que tem origem no enorme número de pessoas intoxicadas pelos agrotóxicos, seja de forma aguda ou crônica (câncer, doenças neurológicas e endócrinas entre outras);
3. O custo ambiental devido à contaminação química do ar, da água e do solo, à perda da fertilidade do solo e da biodiversidade.
Campanha
É importante destacar o papel da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, que luta por outro modelo de desenvolvimento nos campos brasileiros. As pessoas que estão nesta linha de frente acreditam em “uma agricultura que valoriza a agroecologia ao invés dos agrotóxicos e transgênicos, que acredita no campesinato e não no agronegócio, que considera a vida mais importante que o lucro das empresas”, diz o site oficial.
No ano passado foi lançado o documentário O Veneno Está na Mesa, do cineasta Silvio Tendler, que está disponível na íntegra na internet para cópia, veiculação e distribuição, e é uma ótima forma de entender melhor a questão. Veja abaixo:
Nascidos e acostumados a este sistema, acabamos perdendo a sensibilidade em relação ao que comemos. O gosto da cenoura ficou menos acentuado. A alface, sem gosto. O sabor do milho é aquele da latinha. Está certo que seja desta forma? Falta um “apreço pelo sabor e pela qualidade do alimento”, enfatizaram Cláudia e Tatiana.
Ao entender que a qualidade do que vai diretamente para dentro do corpo de cada um de nós foi profundamente afetada por uma indústria que objetiva a produtividade acima da saúde da população, o primeiro passo foi dado. Os próximos abrem um caminho longo de busca por mais saúde no prato, no planeta e na sociedade, com espaço para tentativas e aprendizados. “Na agricultura urbana é possível errar, em um mundo em que sempre é preciso acertar”, conclui Tatiana.
Mais um importante passo foi dado para uma convivência mais pacífica e segura entre automóveis e bicicletas em São Paulo.
A partir de hoje, os motoristas que desrespeitarem o Código de Trânsito Brasileiro no que se refere à segurança de quem se locomove de bicicleta poderão receber multas que variam entre R$ 53,20 a R$ 127,69, com até 5 pontos na carteira, aplicadas pelos 2.400 agentes da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego). Os artigos são:
Artigo 169. Multa de R$53,20 para quem dirigir sem atenção ou sem os cuidados indispensáveis à segurança. Por exemplo, se aproximando muito do ciclista. Infração leve, com 3 pontos.
Artigo 197. Multa de R$ 85,13 para quem fizer uma conversão sem esperar o ciclista que vai seguir em frente. Infração média, 4 pontos.
Artigo 220. Multa de R$ 127,69 para quem deixar de reduzir a velocidade do veículo ao passar por um ciclista. Infração grave, com 5 pontos.
Além disso, a CET espalhou centenas de faixas pela cidade com informações sobre regras de trânsito para ciclistas e motoristas. Agentes foram treinados para fiscalizar de bicicleta a ciclovia de Moema, bairro da zona Sul, e motoristas de ônibus também passarão por treinamento.
O nome é hub, que significa ponto de conexão. Ele serve para criar novas entradas em computadores e aumentar os números de conexões para dispositivos como pen drives. A palavra também pode designar diversas outras coisas, como aeroportos que servem de ponto de conexão para cidades que não têm voos diretos entre si.
Essa é uma boa forma de entender o Hub (agora, com inicial maiúscula), local que propõe uma nova forma de trabalhar, fazer negócios e compartilhar conhecimento. O principal objetivo é ser um espaço propício para catalisar negócios inovadores com impacto sustentável. Ou seja, é ponto de conexão entre pessoas que querem “cultivar uma ideia, lançar um projeto, organizar um evento e gerenciar um negócio”.
(Foto: Ricardo Lisboa)
Se você tem vontade de desenvolver um trabalho de impacto, o Hub pode ser o lugar para fazer a coisa acontecer. “Nossa missão é inspirar os inovadores sociais que são hoje os agentes de mudanças no país e apoiá-los na realização de suas ideias empreendedoras para um mundo radicalmente melhor”.
Se não tem um espaço físico para trabalhar, por exemplo, pode alugar horas para usar o escritório do Hub. Conforme o plano, é possível transformá-lo no seu endereço oficial de trabalho, com o recebimento de correspondências e uso das salas de reunião para receber clientes e reunir equipes.
O local concentra profissionais “focados em sustentabilidade, negócios verdes, investimento de impacto, educação, energias limpas e outros temas de relevância para nossa sociedade”. De quebra, você conhece outras pessoas que podem somar às suas ideias.
(Foto: Divulgação)
O ambiente é colorido e bem diferente de um escritório de trabalho convencional. É aconchegante para a criatividade, com intervenções artísticas, mesas individuais e coletivas de trabalho, internet, impressora, armários com cadeados, café, espaços abertos e fechados para reuniões, aulas e eventos, e até uma cozinha descontraída, que lembra uma casa, com regrinhas básicas do tipo “sujou, lavou”.
Em São Paulo, o Hub tem escritório na região da Paulista e outro em construção na Vila Madalena, que deve começar a funcionar no segundo semestre. Rio de Janeiro, Curitiba e Belo Horizonte também já contam com a iniciativa, que começou em 2005 em Londres e hoje está espalhada em diversas cidades do mundo. São mais de 4 mil membros e uma rede global de pessoas pensando e trabalhando por mudanças de impacto no mundo.
(Foto: Ricardo Lisboa)
Além do espaço e da rede de conexões, o Hub também trabalha com projetos de formação de pessoas. São eventos como a 4ª edição daHub Escola de Outono, que ofereceu mais de 50 atividades entre 9 e 26 de abril.
Segundo Ivan Boscariol, que coordenou o evento e trabalha com fortalecimento de comunidades no Hub São Paulo, o evento possibilita que participantes e anfitriões de atividades passem por grandes transformações em pouco tempo. “Nossa proposta é compartilhar conhecimento em temas que permeiam a rede do Hub São Paulo de forma colaborativa e acessível, fazendo aprendizagem em rede na prática. Fazemos isso acontecer por meio de um festival de aprendizagem em que dezenas de atividades ocorrem em poucas semanas”.
Mais de 600 pessoas se inscreveram nas oficinas, que foram pensadas dentro de três grandes temas: Inovação, Empreendedorismo e Consciência. “O feedback do público foi muito positivo e muitos voltavam para se inscrever em outras atividades após participarem de uma oficina”, comenta.
(Foto: Divulgação)
Segundo ele, as atividades do tema Inovação foram as mais procuradas. “Encontramos muitas pessoas na busca por ferramentas e processos que levem a novas ideias”.
Uma das novidades da última edição foram as vagas sociais, abertas com o objetivo de privilegiar pessoas de comunidades economicamente vulneráveis e proporcionar experiências de aprendizagens e conexões a quem não têm condições de pagar. (Veja post sobre o assunto).
Boscariol diz que a experiência foi interessante e que a organização do evento pretende abrir vagas sociais em próximas edições. “Conseguimos chegar a públicos que nunca tínhamos atingido antes. Vamos trabalhar mais nessa proposta para ampliar nosso raio de ação e conseguir incluir ainda mais agentes de transformação da sociedade que possam se beneficiar das atividades que oferecemos”.
Se você não participou da Hub Escola de Outono, fique de olho no site e nas redes sociais do Hub para saber sobre as próximas edições.
No vídeo abaixo, feito para o TEDxSão Paulo, Henrique Bussacos, um dos fundadores do Hub São Paulo, fala sobre a iniciativa:
Na próxima semana, fique de olho no Ideias Verdes e saiba como foi a oficina “No campo, no quintal, no prato: a revolução dos alimentos para um mundo melhor”, que aconteceu na Hub Escola de Outono.
Quem adora café, vai gostar da novidade: o designer espanhol Raúl Laurí criou uma lâmpada em formato de caneca. Até aí, legal. Mas a melhor parte vem agora: ela é feita de pó de café usado. A invenção foi batizada de Decafé e ganhou prêmio na Semana de Design de Milão.
A borra é utilizada após passar por um tratamento especial, e por meio de calor e pressão adquire a forma de uma caneca, objeto cotidiano fabricado com um material simples.
Segundo o artista, a Decafé é uma reflexão sobre o ciclo de materiais naturais que passam pelas nossas mãos diariamente. Além de propor uma segunda vida aos restos de café, aproveita o aspecto emocional do produto, importante no dia-a-dia das pessoas e na cultura de muitos povos.