Entenda como o óleo de palma está no seu dia a dia e prejudica florestas no mundo

Por Atualizado em 15/02/2013

Conhecido também como dendê, o óleo de palma é um dos óleos vegetais mais consumidos no mundo, com as mais diversas aplicações na indústria, desde frituras industriais, chocolates, massas, margarinas, cremes vegetais, biscoitos, sorvetes e cosméticos até detergentes, sabões e sabonetes.

Ele faz parte da nossa vida mesmo que a gente não saiba, já que frequentemente é colocado nos rótulos como óleo vegetal, tornando difícil a sua identificação nos produtos direcionados ao consumidor final.

Uma de suas principais características é a alta produtividade. Um hectare da palmeira do dendê produz, em média, 5 toneladas de óleo – no caso da soja, esse número é de meia tonelada. Isso explica por que ele tem sido também cada vez mais utilizado na produção de biodiesel. A produtividade do dendezeiro permite a utilização, em igual produção, de seis a nove vezes menos terras do que as outras oleaginosas, segundo o site Biodieselbr.

O problema
O cenário parece promissor. Se o óleo é tão produtivo, onde está o problema?

O plantio da palma é considerado um dos maiores responsáveis por desmatamentos destrutivos dos tempos atuais. O custo, no final das contas, é muito alto. O ônus principal, claro, vai para os países que mais produzem, Indonésia e Malásia, e sacrificam suas florestas primárias e riquezas de biodiversidade em nome da renda adquirida com a exportação do produto para grandes corporações mundiais.

Dados de um artigo do site Ecologist, traduzido pelo site Nosso Futuro Comum, mostram que a demanda por óleo de palma dobrou na última década e deve dobrar novamente até 2020. Hoje, os dois países asiáticos respondem, juntos, por mais da metade do total de óleo no mundo. Tanta produção tende ao esgotamento. Estudos dão conta de que a Indonésia e a Malásia não terão mais terras cultiváveis daqui a dez anos.

Nestes países, as áreas de floresta são os últimos habitats remanescentes de animais ameaçados, como o tigre da Sumatra, o rinoceronte asiático e o orangotango

O vídeo abaixo ilustra bem isso. Em 2010, o Greenpeace iniciou uma campanha mundial para protestar contra grandes corporações que compram óleo de palma de produtores que desmatam. A crítica é aos produtos da linha Dove, da Unilever:

Ele é uma releitura de uma propaganda da Dove:

O chocolate Kit Kat, da Nestlé, também foi satirizado em um vídeo que mostra uma pessoa comendo o dedo de um orangotango no lugar do chocolate.

Após repercussão da campanha, as empresas se compremeteram a excluir da sua lista de fornecedores companhias que possuam ou gerenciem “plantações ou fazendas de alto risco ligadas ao desmatamento”.

Além de todos os problema decorrentes do desmatamento, muitas florestas estão localizadas sobre turfas – sumidouros de carbono natural que contém grandes reservas de gases de efeito estufa. “Os produtores de palma, pela queimada que fazem das copas da floresta e pela drenagem da turfa, inadvertidamente liberam este carbono estocado para a atmosfera”, explica o artigo do Ecologist. “Esquemas de certificação sustentável foram criados, mas os ecologistas cada vez mais questionam se realmente esta alternativa funciona”.

No Brasil
Por aqui, o Governo Federal criou, em 2010, o Programa de Produção Sustentável de Óleo de Palma no Brasil, baseado nas diretrizes de preservação de vegetação nativa, produção integrada à agricultura familiar e com ênfase em áreas degradadas da Amazônia Legal e na reconversão de áreas utilizadas para cana de açúcar.

O Zoneamento Agroecológico da Palma delimitou apenas áreas aptas em regiões que sofreram ação humana. Com a proibição do desmatamento de área de vegetação nativa para plantio em todo território nacional, o total de áreas aptas caiu de 232,8 milhões para 31, 8 milhões de hectares – em 96,3% do território nacional não é permitido plantar palma.

Mesmo com o programa, o plantio sustentável de palma pode gerar desmatamento indireto, como explica o Greenpeace. Isso porque o gradativo aumento da produção pode empurrar setores como gado e alimentos para cima de áreas cobertas com floresta.

(Imagens: Greenpeace)

  • Leandro N

    Não entendi, sinceramente. Se o óleo de palma é mais produtivo que o óleo de soja, isto quer dizer que precisa desmatar menos pra produzir oleo de palma, se compararmos palma com a soja. Então, porque fazer campanha contra a palma e não contra a soja?

  • Dorian

    O problema é a compra sem critérios da Palma de regiões que destroem as florestas, as regiões de preservação ambiental. A compra deve ser feita com critérios, somente de produtores (fornecedores) que respeitam o meio ambiente, (que não avançam em regiões de preservação ambiental).

  • http://grife.khia.com.br Edson Sousa

    Simple, porque o óleo de palma é usado para muitos fins, e até como biocombustível, possível substituto do petróleo. Desta forma quanto maior for a produção maior será a abrsorção da demanda inclusive mundial.

  • Yuri

    O óleo de soja, sebo bovino e óleo de algodão são as matérias-primas mais utilizadas para se produzir biodiesel, mas o teor de óleo extraído das mesmas não é tão alto quanto do óleo de palma. Por que esses três óleos são as principais matérias-primas na produção de biodiesel? Simples, porque todas essas matérias-primas são subprodutos em suas respectivas áreas, ou seja, parte do que é usado nos abatedouros, nas indústrias têxteis e alimentícias é destinado a produção dos biocombustíveis. Agora pense comigo, o que dá mais lucro para essas empresas?

  • Pâmela

    Está dizendo no próprio artigo, palma deixa o solo infértil.

  • Vicente

    Acho isso uma viagem. a palma alem de ser MUITO mais produtiva que culturas sazonais, anuais ou bianuais, necessita de menos preparo do solo em questao de tempo. uma plantação de palma cobre o solo muito melhor que estas culturas, e por muito mais tempo, nao sendo necessario deixar o solo pelado safra após safra. pra mim, esta campanha toda contra o oleo de palma nao passa de interesses económicos e políticos, principalmente por parte dos ruralistas que nao sao fracos nesse país. vale lembrar até que nosso senador, ilustrissimo senhor blairo maggi(estou sendo irônico), e dono do grupo maggi , um dos maiores produtores de soja do brasil, se nao o maior, é hoje tambem, veja que coisa… ministro do meio ambiente! acho que a palma é uma alternativa interessantissima a este grao, porque alem de produzir oleo, tanto para fins alimentares quanto industriais, ainda produz farelo para raçao animal em muito maiores quantidades, e há quem diga até que mais nutritiva. alem disso, por ser uma palmeira, há a possibilidade de se implantar os cultivos em sistemas agroflorestais, minimizando o tempo de exposiçao do solo até que a palmeira atinja um tamanho capaz de cobrir o solo. acho que o foco é outro… desmatamento esta acontecendo nesse momento aqui mesmo no nosso país, e nao é pouco!! os principais causadores disso: soja, gado, cana, milho… precisamos ter censo crítico em relaçao a todo tipo de notícia!! e esse dado da produçao de palma, creio que é ainda maior do que isso…

  • luara

    o duro é vc compartilhar isso e ninguem ajudar, pq todos amam o kit kat, e pra eles esse tal de oleo de palma não existi, por estar sendo camuflado pelo nome oleo vegetal…