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O que pode melhorar no seu bairro? Conheça o projeto que discute mudanças entre moradores

26 de agosto de 2011



Você já andou pelo seu bairro observando detalhes que poderiam mudar o ambiente e deixá-lo mais agradável? O Instituto Mobilidade Verde lançou o projeto Cidade que Queremos, cuja ideia é aproximar as pessoas dos próprios bairros onde vivem e mostrar como os cidadãos podem ser agentes de mudanças (mesmo que pequenas) para tornar a cidade mais humana, com foco em pequenos espaços. “Nos últimos anos temos assistido à degradação dos bairros, transformando comunidades locais em passagens de veículos, dilacerando as atividades pessoais, reduzindo os espaços verdes e o contato entre as pessoas”, diz Lincoln Paiva, presidente do IMV e idealizador do projeto.

Inspiração
O Cidade que Queremos foi inspirado em Jane Jacobs, escritora e pensadora da temática urbana que dizia que “ninguém pode achar que irá planejar nossas cidades olhando dados, manipulando maquetes ou inventando cidades de sonho. Você tem que sair e andar.”

Assim, foi criado o Jane’s Walk, projeto canadense de incentivo a passeios ao ar  livre, que colocam as pessoas em contato umas com as outras para discutir melhorias para a cidade. “Passeios comunitários são incentivados para que a população local possa re-discutir os bairros e também para que o turista possa compartilhar o bairro com moradores locais. As caminhadas estão concentradas na discussão para melhoria local. Muitas ideias poderiam ser implantadas facilmente com ajuda da iniciativa privada ou do governo e bons projetos saem dos moradores e não de planejadores urbanos”, afirma Lincoln.

Um exemplo são os chamados Pocket Parques, pequenos espaços que podem ser aproveitados para criação de mini-parques ou “ilhas verdes” no lugar de sinalizações no asfalto, por exemplo. “Geralmente são projetos para acalmar o tráfego. Podem virar espaço uma horta, um herbário que a comunidade cuida e também reduzem a impermeabilidade do bairro”.

O objetivo é fazer com que o cidadão se enxergue como figura ativa no processo de mudança. Um exemplo citado pelo projeto é o do High Line Park, nos EUA, uma linha férrea abandonada que foi totalmente revitalizada, tornando-se espaço de convivência com o trabalho de moradores. “Você está satisfeito com o local onde você mora? Se você der uma volta no quarteirão vai verificar uma série e problemas que poderiam melhorar a vida das pessoas e a sua e que poderiam ser resolvidas com ideias simples… o fato é que se você só anda de carro o seu olhar é desinteressado sobre o local onde você vive, é preciso criar espaços mais humanos.”

Como Participar?
Os passeios são realizados de forma gratuita e qualquer pessoa pode montar um grupo e liderar uma caminhada pelo seu bairro (por enquanto, o projeto só acontece em São Paulo). O importante é definir um tema, que vai desde mobilidade urbana até iluminação, segurança, calçadas e cultura.

“O Instituto Mobilidade Verde ajuda as pessoas a concentrarem seu foco em melhorias do bairro e incentiva a mobilização e a discussão no site para que outras pessoas possam compartilhar ideias, experiências e inovações. Estas ideias ficam disponíveis para o governo e para empresas que queiram contribuir com os projetos.”

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