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Companhia brasileira ganha o prêmio de pior empresa do mundo

Lydia Cintra 31 de janeiro de 2012

Na última sexta-feira, foi anunciado o vencedor do The Public Eye Awards, prêmio que elege a pior empresa do mundo. No dia 13 de janeiro, o Ideias Verdes apresentou um resumo sobre a indicação de cada uma das 6 finalistas deste ano.

A lista incluiu, pela primeira vez, uma companhia brasileira, a Vale, que, com pouco mais de 25 mil votos, levou o “troféu” de pior do mundo. O resultado foi anunciado durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça.

O segundo lugar ficou com a Tepco, companhia de energia do Japão que opera os reatores da Usina de Fukushima. Depois, vieram Samsung, Barclays, Syngenta e Freeport, classificadas nesta ordem.

A Vale colocou no ar o site Vale Esclarece, no qual se posiciona oficialmente e apresenta argumentos para explicar os motivos listados pelo The Public Eye Awards na sua indicação ao prêmio.


Banner usado durante a votação: “Nós transformamos florestas em minas e barragens. Não importa como”

Sobre as condições desumanas de trabalho, por exemplo, a empresa diz que “assinou acordo coletivo no ano passado com quase todos os sindicatos de trabalhadores que representam seus empregados no Brasil” e citou o lançamento do seu Guia de Direitos Humanos, resultado de uma Política de Direitos Humanos criada internamente em 2009.

No Guia, apresenta diretrizes de conduta em relação a situações como trabalho escravo e infantil, comunidades tradicionais e remoção de famílias devido a implantação de projetos e empreendimentos.

Por outro lado, foi lançado este mês a publicação Como as Corporações Governam (Vale – Liderando o lobby corporativo para facilitar compensações e outras falsas soluções “verdes”), da rede Amigos da Terra Internacional.

O documento diz que “é difícil dizer quando a empresa opera no interesse dos acionistas privados ou no do governo. Da mesma forma, é difícil saber quando os governos decidem em favor da população ou a favor de corporações como a Vale” e cita, dentre outras coisas, a atuação da Vale na exploração de carvão em Moçambique, na África (o projeto, quando estiver em plena operação, deverá produzir cerca de 11 milhões de toneladas do produto por ano):

“Além dos impactos ambientais inerentes a mineração de grande escala de carvão a céu aberto, cerca de 1.300 famílias foram obrigadas a se deslocar para abrir caminho para as minas. (…) As moradias fornecidas para o reassentamento foram construídas com goteiras e sem alicerce. (…) São oferecidos aos trabalhadores locais contratos de curto-prazo com poucos direitos trabalhistas”.

Segundo a Vale, “houve consulta às comunidades e pessoas afetadas, incluindo-as nos processos de tomada de decisão. Criaram-se mecanismos para reclamações, para receber e resolver preocupações específicas relacionadas à compensação e ao deslocamento. (…) o Banco Mundial que, assim como o governo local, acompanhou todo o processo, referendou em seu relatório o reassentamento como um exemplo de boas práticas”.

Como ela chegou lá
A indicação da Vale ao prêmio foi feita pela Articulação Internacional dos Atingidos pela Vale (International Network of People Affected by Vale), que em 2010 lançou o Dossiê dos Impactos e Violações da Vale no Mundo, que contextualiza a atuação da companhia com a apresentação de fatos históricos, dados, depoimentos e estudo de caso, e é considerado “parte fundamental” da articulação entre grupos e pessoas atingidas negativamente pelo trabalho da empresa.

A Articulação é representada pela organização brasileira Rede Justiça nos Trilhos e as ONGs Amazon Watch e International Rivers, parceiras do Movimento Xingu Vivo para Sempre.

Um os argumentos que levou a Vale à lista de finalistas é a sua participação na construção da Usina de Belo Monte. Ao rebater, a empresa afirma que “a aquisição de participação no projeto Belo Monte (9%) é consistente com a estratégia de crescimento da empresa, garantindo o suprimento de parte de suas necessidades futuras no Brasil”.

Durante o período de votação, o Movimento Xingu Vivo criou o site Vote Vale e agora apresenta um vídeo de agradecimento a quem votou na empresa:

O que você achou do resultado da votação?


Refúgio ecológico do Pantanal coloca Brasil em lista de destinos turísticos sustentáveis

Lydia Cintra 27 de janeiro de 2012

O Brasil entrou em uma lista de 9 lugares no mundo considerados Long Run Destinations. A certificação (chamada Global Ecosphere Retreat) é dada pela Zeitz Foundation a partir de critérios que devem respeitar o conceito de sustentabilidade dos 4 “Cs”: conservação, comunidade, cultura e comércio. O título foi conquistado pelo Refúgio Ecológico Caiman, no Mato Grosso do Sul.

A fundação alemã, que tem sede no Quênia, diz que o Long Run “é uma abordagem sensível, honesta e positiva da vida. É como ver, pensar e agir pensando além do dia de hoje. É a sustentabilidade em ação”.

Os locais escolhidos devem gerir ou ter influência direta na gestão do turismo em áreas de conservação natural, com limites geográficos definidos. É importante que os negócios proporcionem experiências com a natureza e com as comunidades locais. Assim, os visitantes têm a oportunidade de entender o modo de vida das populações, por meio da culinária e atividades de integração com o local visitado.

Os 4 “Cs”
Todos os locais escolhidos devem trabalhar de forma plena e integrada os quatro conceitos. Para a Zeitz Foundation, a conservação significa que os locais respeitam a vida e “guardam” a biodiversidade e a integridade do ecossistema. Além disso, os empreendimentos devem considerar que o bem-estar das comunidades locais é uma obrigação de todos. Por isso, devem trabalhar para que todas as pessoas envolvidas tenham seus direitos básicos atendidos.

É importante também considerar a individualidade e singularidade de cada cultura, uma vez que são elas que “enriquecem o mundo” e contribuem para um “bem maior comum”. Para a certificação, é básico considerar que o respeito às diferenças é essencial para o futuro.

Já em relação ao comércio, a premissa do acúmulo de riqueza, que tem sido o centro de desenvolvimento de muitas civilizações, deve ser conduzida a um caminho sustentável, no qual a comunidade é envolvida com a produção de bens de consumo e atividades turísticas que geram renda.

No Brasil
O Refúgio Ecológico Caiman existe desde 1985 e tem aproximadamente 53 mil hectares. O local reúne três atividades: a Estância Caiman, uma fazenda de criação extensiva de gado de corte, a Pousada Caiman, voltada para o ecoturismo, e o Programa de Conservação da Natureza, que mantém uma Reserva Particular de Patrimônio Natural de 5, 6 mil hectares, além de desenvolver intercâmbio com universidades e pesquisas científicas como os projetos Arara-Azul e Papagaio-Verdadeiro.

As Long Run Destination no mundo. (Imagem: Zeitz Foundation)

No mundo
Outros 8 lugares no mundo já receberam a certificação e são considerados Long Run Destinations:

Lapa Rios e Monte Azul, na Costa Rica;
Wolwedans, na Namíbia;
Chumbe, na Tanzânia;
Segera, no Quênia;
Nihiwatu Resort, na Indonésia;
Tahi, na Nova Zelândia;
Wanas, na Suécia.

(Imagens: Divulgação)


Entenda como funciona um supermercado colaborativo, que não visa ao “lucro pelo lucro”

Lydia Cintra 24 de janeiro de 2012

Ideias inovadoras são aquelas que desafiam a lógica do que está estabelecido entre as pessoas. E por serem inovadoras, quebram o conforto do que é conhecido e propõem uma forma diferente (e melhor, muitas vezes) de pensar e agir.

Quando o assunto é supermercado, as coisas funcionam mais ou menos assim: existe um dono. Este dono paga funcionários que mantêm os processos em funcionamento (limpeza, estoque, logística, caixa…). O espaço fica aberto para receber clientes, que escolhem os produtos dispostos em prateleiras, pagam por eles e vão embora.

Em Londres, um grupo de pessoas decidiu fazer diferente e romper com este roteiro pré-determinado. A primeira explicação está no nome: The People’s Supermarket, ou, O Supermercado das Pessoas. A ideia foi desenvolvida no começo de 2009 por Arthur Potts-Dawson, Kate Bull e David Barrie, inspirado no exemplo do Park Slope Food Co-operative, da cidade de Nova York, EUA.

Neste novo modelo, as pessoas tornam-se membros do negócio (e cada membro é também dono) e oferecem horas de trabalho voluntário. Assim, ganham, entre outras coisas, o direito a descontos nas compras. Além do preço menor para os membros, os produtos já têm o valor reduzido, uma vez que o quadro de funcionários fixos é bem pequeno em relação a um supermercado comum.

Segundo os criadores do “Supermercado das Pessoas”, o objetivo “é criar um comércio sustentável, uma empresa social que alcança o crescimento e as metas de rentabilidade enquanto opera dentro de valores baseados no desenvolvimento da comunidade”.

Conheça 15 características do The People’s Supermarket e entenda como funciona essa nova forma de comprar:

1. Não há bônus para chefes. Ou seja, não há a concentração da renda e dos lucros. Você pode se perguntar: como viver sem lucro? A ideia é justamente pensar fora da caixa e muitas vezes de forma antagônica ao que é considerado “natural”. Uma margem de lucro menor muitas vezes simplifica as coisas. Dinheiro nem sempre é a forma mais interessante de lucro;

2. A lógica é o alimento PARA as pessoas e PELAS pessoas. Não existe consumidor final. Existem pessoam que consomem e fazem a coisa acontecer. Segundo o Manual dos Membros, a ideia é a criação de um supermercado “que destaca as possibilidades do poder do consumidor e desafia o ‘status quo’.”

3. Quem é membro também é dono do negócio e tem poder de decisão. “Quando você se torna um membro, começa a dividir a propriedade do negócio. Quando você anda em um supermercado tradicional, anda na loja de alguém. Quando é um membro, anda dentro da sua própria loja”, diz o Manual.

4. Qualquer pessoa pode comprar no supermercado. Porém, quem se torna um membro tem alguns benefícios, direitos e responsabilidades a cumprir, como: pagar uma taxa anual de 25 libras, trabalhar voluntariamente em um turno de 4 horas a cada 4 semanas, comprar regularmente no (seu) supermercado, fazer “marketing boca-a-boca” (ou seja, falar do The People’s Supermarket para amigos, colegas, conhecidos, família…) e manter-se informado sobre o que está acontecendo na empresa.

5. Dedicação, energia e engajamento são as características esperadas para quem quer ser (ou já é) um membro;

6. Uma das intenções é conectar a população urbana com a comunidade rural local, provedora dos alimentos que abastecem as cidades;

7. É importante considerar que as pessoas estão prontas para as mudanças. Por isso, novos modelos de consumo devem ser colocados em prática e naturalmente serão bem aceitos pela população (ou pelo menos por parte dela);

8. Um dos propósitos do negócio é um supermercado que atenda as necessidades dos membros da comunidade oferecendo alimentos saudáveis e de alta qualidade, por preços razoáveis;

9. As compras são feitas de fornecedores confiáveis, com os quais o supermercado cria boas relações;

10. A produção de alimentos local, nas proximidades de Londres, tem preferência. Uma das regras é comprar produtos britânicos sempre que possível;


People’s Kitchen, a cozinha criada para evitar desperdícios

11. Um dos principais objetivos é reduzir ao máximo o desperdício de alimentos. Uma das formas encontradas para isso foi a criação de uma “cozinha-restaurante” que prepara pratos com alimentos que estão com a data de vencimento próxima. As refeições devem ser nutritivas e saudáveis, sem conservantes e açúcar em excesso, para os clientes levarem prontas para casa.

12. Ainda para evitar o desperdício, o supermercado faz compostagem, processo de produção de adubo feito com resíduos orgânicos;

13. Como valores do negócio, o supermercado proporciona treinamentos de habilidades para seus funcionários e voluntários que podem ser aplicados tanto no trabalho quando fora dele. A empresa, a partir deste prisma, deve ser um recurso de desenvolvimento para a comunidade como um todo;

14. O ambiente de trabalho é feito para que todos dêem sua contribuição. Todos são bem-vindos e livres de julgamento. E qualquer um pode ser membro. Não há razões sociais, políticas ou religiosas que impeçam uma pessoa de fazer parte;

15. O local não vende cigarro.

Uma nova forma de estabelecer relações de compras passa pelo envolvimento de pessoas da comunidade no funcionamento do estabelecimento. Dessa forma, as pessoas se “apropriam” daquilo que faz parte do dia-a-dia (no caso, um supermercado) e fazem com que ele seja mais do que prateleiras que oferecem opções de (quase) tudo.

O modelo do The People’s Supermarket é interessante do ponto de vista da cocriação: pessoas, juntas, criam um espaço saudável de trabalho que substitui de forma bastante eficiente o modelo de consumo passivo que conhecemos hoje – que é, também, mais agressivo ao meio ambiente a às relações sociais estabelecidas dentro desse sistema.

Este espaço saudável inclui o sorriso que você dá para aquele vizinho que agora é colega de trabalho voluntário e organiza frutas nas gôndolas com você, inclui o cuidado maior que as pessoas aplicam naquilo que fazem quando o resultado está diretamente ligado a elas mesmas e a pessoas próximas e inclui, por fim, a sensação (agradável) de que o que está sendo feito gera um bem comum e não apenas o lucro pelo lucro.

Ou seja, um ambiente participativo é menos impessoal, mais caloroso e mais sustentável nas relações entre pessoas e meio ambiente.

(Imagens: Facebook/ The People’s Supermarket)


Arquitetos projetam árvore gigante para resgatar biodiversidade em cidades

Lydia Cintra 23 de janeiro de 2012

Para resgatar a biodiversidade em grandes cidades, o escritório holandês de arquitetura WaterStudio criou o projeto de uma estrutura de cerca de 30 metros, que imita uma árvore e pode abrigar diversos animais.

A Sea Tree poder ser construída em rios, oceanos e lagos e  tem a intenção de atrair pássaros, abelhas, morcegos e outros animais pequenos.

Segundo a empresa que idealizou o projeto, a tecnologia para a construção de uma árvore é semelhante a de uma plataforma de petróleo – as petrolíferas poderiam, inclusive, “doar” uma Sea Tree aos locais onde trabalham, para aproveitar o conhecimento técnico da atividade.

Segundo os arquitetos, a inspiração para a Sea Tree veio de um desafio proposto por ecologistas para a criação de espaços para animais e plantas que as pessoas não pudessem atrapalhar. “A água é o jeito perfeito de manter as pessoas distantes”.

O custo da invenção é estimado em 4,5 milhões de dólares.


Empresa apresenta carrinho para bebês que gera energia e carrega celular

Lydia Cintra 19 de janeiro de 2012

É só apertar um botão e… ele se dobra e desdobra inteiro. Não poderia ter outro nome: Origami. A invenção foi apresentada este mês na feira de tecnologia CES 2012 (International Consumer Electronics Show), nos EUA.  O carrinho abre e fecha usando a energia que produz com o movimento das rodinhas.

As baterias do produto também podem ser usadas para recarregar eletrônicos durante o próprio percurso com a criança. Segundo a fabricante 4Moms, “um pequeno passeio é o suficiente para encher a bateria (do carrinho) e até mesmo carregar um celular”.

O produto é fabricado com alumínio reciclado e outras partes podem ser reaproveitadas. A fabricante também se compromete a descartá-lo quando não tiver mais utilidade.

O Origami tem ainda uma telinha de LCD que mostra a velocidade em que o carrinho está e os quilômetros que já foram percorridos, além de possuir luz de segurança.

O preço é que não é nada fofo: custa US$ 850 e pode ser comprado pela internet. O vídeo abaixo mostra os detalhes do carrinho e como ele funciona:


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