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Brasil apresenta projeto de casa sustentável que concorre a prêmio na Europa

Lydia Cintra 8 de maio de 2012

A EkóHouse é inspirada na tradição dos índios Tupi-Guaranis. Ekó, na língua indígena, significa maneira de viver. A construção, por isso, foi pensada com características que valorizam a harmonia entre homem e natureza e priorizam o sol como fonte de energia e vida. “A relação da Ekó House com a cultura indígena busca destacar a integração entre os ciclos da vida humana e da natureza, reforçando o relacionamento com os ciclos naturais, em oposição à ideia da casa como uma separação entre homem e ambiente natural”, diz o site oficial do projeto.

Toda a energia utilizada para o funcionamento da casa é obtida através de painéis fotovoltaicos, que transformam a luz solar em energia elétrica. A casa é construída em módulos, que garante “flexibilidade de configurações para diferentes famílias”. Um dos módulos abriga os sistemas elétricos e de automação e outros dois são constituídos pelos sistemas hidráulicos e de aquecimento de água e pelos sistemas de climatização. Essa separação modular facilita, inclusive, a execução de serviços de manutenção da casa.

Outra característica importante é o gerenciamento de resíduos, como o mobiliário da cozinha planejado para maximizar a separação do lixo e um vaso sanitário segregador que dispensa o uso de água e facilita o tratamento dos resíduos.

Os efluentes do chuveiro, lavatório e máquina de lavar roupas serão tratados por um sistema natural híbrido de filtros plantados com macrófitas (wetlands), que pode ser produzido em diferentes tamanhos, de acordo com a quantidade de moradores na casa. “Esse sistema, além de ser um jardim por si só, permite a reutilização dos efluentes na agricultura e jardins, fechando os ciclos dos nutrientes na natureza”, diz o projeto.

O ambiente da casa mistura elementos industrializados com outros mais rústicos e procura valorizar o modo de vida brasileiro, “que culturalmente utiliza frequentemente o espaço da cozinha como local de encontro familiar”.  

A competição
A casa é o concorrente brasileiro no Solar Decathlon Europe 2012, competição que reunirá 20 equipes de vários países em setembro, em Madri, na Espanha. Serão avaliados projetos de casas sustentáveis a partir de características como arquitetura, eficiência energética, conforto, inovação e viabilidade de fabricação e venda.

A equipe brasileira no Solar Decathlon é coordenada pela Universidade Federal de Santa Catarina e Universidade de São Paulo, com a participação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Universidade Estadual de Campinas, Universidade Federal do Rio Grande do Norte e Instituto Federal de Santa Catarina.


Rio de Janeiro terá o Green Nation Fest antes da RIO+20. Veja como participar

Lydia Cintra 4 de maio de 2012

Antes de começar a Rio+20, conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, o Rio de Janeiro recebe o maior festival ambiental do Brasil. Com o tema “sustentabilidade para ver, ouvir e sentir”, o evento acontece entre os dias 31 de maio e 7 de junho, na Quinta da Boa Vista.

A proposta é trazer à tona a sensibilidade do público, com o uso do cinema, educação, esporte e moda em atrações sensoriais e interativas. Serão atividades como aula de Yoga, espaço com quiz educativo sobre meio ambiente, mostras de cinema, passeio para observação de pássaros, seminários sobre economia verde e criativa, imersão em ambientes climáticos do planeta como geleiras e lugares interativos como o Gol de Bicicleta, onde os participantes pedalam e geram energia para o seu time.

Segundo a organização, um dos desafios do Green Nation Festival é fazer com que as pessoas saiam da experiência com um mínimo de compromisso para realizar práticas sustentáveis.

Inscreva um trabalho
Até dia 10 de maio, você pode se inscrever para participar da Competição de Cinema e Novas Mídias, uma disputa de obras sobre sustentabilidade. Os trabalhos podem ser em formato de blog, Twitter, foto ou micrometragem.


Crianças participam de olimpíada que promove esporte e sustentabilidade

Lydia Cintra 3 de maio de 2012

Uma das melhores formas de difundir os valores e os conceitos de sustentabilidade é preparar as crianças para serem os agentes de transformação do futuro. E um bom jeito de fazer isso é praticar o espírito de time e competir por uma boa causa, como no caso das Olimpíadas de Reciclagem, promovidas pela Tang.

A proposta da ação é que crianças de escolas públicas participem da coleta seletiva de material para reciclagem e participem de jogos que valem pontos. Entre os prêmios, está a reforma de uma quadra pública para a comunidade vencedora.

E o mais legal: ela será construída com o mesmo tipo de material recolhido pelas crianças durante as Olimpíadas, com piso produzido a partir de papel reciclado, assento para arquibancada a partir de embalagens laminadas, painéis a partir de garrafa PET e tabelas de basquete a partir de plásticos.

As competições acontecerão em três cidades, até agosto: Bragança Paulista (SP), Votorantim (SP) e São José dos Pinhais (PR). Cada uma delas terá um “padrinho” especial: o tenista Fernando Meligeni, a ex-jogadora de basquete Hortência e o maratonista Wanderlei Cordeiro de Lima, respectivamente.

Em cada uma das cidades, estudantes de quatro escolas públicas vão comandar a coleta seletiva. Na competição final, elas se enfrentarão em quadra, em modalidades como vôlei, basquete e futebol, de onde sairá a vencedora. A instituição com maior pontuação receberá 20 mil reais para melhorias internas e todas ganharão livros novos.

Crianças de outras cidades podem apoiar as escolas participantes pelo site Esquadrão Verde Tang, com as atividades do Circuito Olímpico virtual, que apresenta jogos que pontuam para a instituição escolhida e ajudam na conquista de itens como bancos, mesas recreativas e bicicletário.

Para Relembrar
No ano passado, o programa Brigada Tang de Reciclagem quebrou um recorde mundial  com a Maior Estrutura de Material Reciclado do Mundo: um robô com mais de 14 metros de altura, montado com mais de um milhão de embalagens de suco em pó recolhidas por crianças que participam da iniciativa no site Esquadrão Verde Tang. Leia o post sobre o assunto.

(Imagem: Divulgação)


Burger King altera fornecimento de ovos e carne de porco. Por que esta é uma boa notícia?

Lydia Cintra 2 de maio de 2012

Uma das gigantes de comida fast-food dos EUA anunciou mudanças em sua cadeia de fornecimento de ovos e carne de porco. Em um prazo de cinco anos, a empresa não comprará carne de fornecedores que mantêm as porcas reprodutoras nas chamadas “celas de gestação” e as galinhas poedeiras (que têm por finalidade colocar ovos) em “gaiolas de bateria”.

A nova política da empresa prevê que 100% dos ovos utilizados nas lojas norte-americanas serão provenientes de galinhas criadas fora de gaiolas e a carne suína virá de fornecedores que tenham planos concretos de eliminar o uso das celas. Há algumas semanas, o McDonald’s também adotou medidas de pressão aos fornecedores de carne de porco.

Para entender um pouco melhor…

O que são as celas de gestação?
São baias individuais de metal de 60 centímetros de largura por 2 metros de comprimento em que as porcas grávidas são mantidas durante os quatro meses de gestação. Segundo a Humane Society Internacional (HSI), uma das maiores organizações de proteção animal do mundo, “as celas são tão pequenas que as porcas não conseguem sequer se virar dentro delas”. No Brasil, cerca de 1,5 milhões de animais são mantidos nestas condições.

(Foto: Gerson Sobreira)

O relatório O Bem-estar de Animais Confinados Intensivamente em Gaiolas em Bateria, Celas de Gestação e Gaiolas para Vitelo explica que porcas criadas neste sistema sofrem inúmeros problemas relacionados ao bem-estar, como elevado risco de infecção do trato urinário, ossos enfraquecidos, restrições comportamentais e estereotipias (ou “comportamentos estereotipados”: movimentos anormais, repetitivos e que aparentemente não têm qualquer função. Pesquisadores atribuem esses comportamentos ao tédio e frustração resultantes de um ambiente empobrecido, de confinamento, de imobilização e de necessidades não satisfeitas).

Além disso, normalmente as porcas urinam e defecam no mesmo lugar onde estão deitadas, devido ao tamanho da cela. “O piso de concreto é muitas vezes parcial ou totalmente ripado, concebido para permitir que os resíduos caiam através dele. Viver diretamente acima do poço de excremento pode expor as porcas a níveis aversivamente elevados de amônia e tem sido observado que as doenças respiratórias são um importante problema de saúde para os suínos mantidos em confinamento”, explica o relatório.

O que são as gaiolas em bateria?
São estruturas de arame onde são mantidas as galinhas poedeiras, que produzem ovos. As gaiolas, superlotadas (cada uma comporta de 5 a 10 galinhas), não permitem movimentos básicos aos animais, como andar, ciscar, empoleirar, saltar ou esticar as asas. “Cada galinha tem um espaço minúsculo, menor do que a superfície de uma folha de papel ofício, no qual é obrigada a permanecer durante sua vida inteira”, compara o relatório. No Brasil, mais de 70 milhões de galinhas são confinadas em gaiolas em bateria como esta:

(Foto: Ana M. A. Mitidiero)

Segundo a HSI, o problema central das gaiolas é “a severa restrição do movimento e a privação da oportunidade de exibir comportamentos naturais importantes”.

Por exemplo: esse tipo de sistema impede a nidificação, ato de buscar uma área isolada em que o animal possa cuidadosamente limpar uma superfície de solo para preparar seu ninho. Este é um dos comportamentos mais naturais e importantes para as galinhas e sua restrição é uma das que mais causa sofrimentos.

Além disso, galinhas engaioladas sofrem com a perda de resistência óssea e fadiga de gaiola – distúrbio em que o sistema esquelético se enfraquece e pode levar a fraturas, paralisia e morte.

Padrões mínimos de bem-estar animal: sistema de criação de galinhas sem gaiolas. Granja da Korin, em SP. (Foto: Elissa Lane/HSI)

Por que a ação do Burger King é uma boa notícia?
A mudança promovida pela empresa chama a atenção para uma nova forma de pensar a produção de alimentos e o bem-estar animal no mundo. Dentro do sistema moderno, que abastece a grande maioria dos nossos supermercados, a produção em série e o demasiado crescimento dos animais em um tempo curto é visto como algo positivo, mesmo que isso seja feito em detrimento do bem-estar dos animais e da saúde das pessoas que vão consumir as carnes e ovos.

O relatório da HSI, no entanto, é enfático: “produtividade não é sinônimo de bem-estar. Igualar um ao outro não tem respaldo científico. A produtividade é muitas vezes medida em nível de grupo, o que não reflete com exatidão o bem-estar individual”.

Para o professor de Bem-Estar Animal da Cambridge University, Donald Broom, citado no relatório, “os esforços para obter um crescimento mais rápido e precoce, uma maior produção por indivíduo, reprodução, conversão alimentar eficientes e prolificidade elevada são as causas de alguns dos piores problemas de bem-estar animal”.

O bom é que não para nas redes de fast-food: a União Européia deve proibir a utilização das celas de gestação para porcas até 2013 e a medida já é adotada em alguns Estados e grandes produtores dos EUA. Embora localizada, a medida pode ser vista como o avanço de uma mentalidade diferente – mais humana, saudável e conectada com os ciclos naturais da Terra e com o respeito à vida.

Falando nisso…
O assunto não está relacionado apenas à produção de alimentos. Na última semana, o Daily Mail publicou uma reportagem que impressiona: uma mulher se propôs a participar de procedimentos iguais aos que são feitos em cobaias usadas para a fabricação de cosméticos.

(Foto: Reprodução/Daily Mail)

A ação foi feita frente a uma vitrine, em Londres, para que as pessoas pudessem presenciar momentos de sofrimento - como quando cosméticos em teste são pingados nos olhos de animais. Você pode acessar a matéria em português, divulgada no site da ANDA (Agências de Notícias de Direitos Animais), e em inglês, no MailOnline, que mostra outras fotos e um vídeo.

E você,  o que pensa sobre o assunto? Decisões como a do Burger King influenciam os seus hábitos de consumo?

(1ª imagem: Commons Wikimedia)


Aniversário de 1 ano: relembre os 12 posts mais lidos do blog Ideias Verdes

Lydia Cintra 27 de abril de 2012

Neste final de semana, o blog Ideias Verdes completa um ano no ar! E pra comemorar, a gente relembra os 12 posts mais acessados nos últimos 12 meses. Confira:

1. Com 6 finalistas, está aberta a votação para escolher a pior empresa do mundo

O Greenpeace e a ONG Declaração de Berna realizam, desde 2000, uma premiação que escolhe a pior empresa do mundo a partir de casos de violações de direitos humanos e crimes contra o meio ambiente. Chamado “The Public Eye Awards” (algo como “olhos do público”), o prêmio teve na sua lista de finalistas, pela primeira vez, uma empresa brasileira, a Vale.

2. Entenda a polêmica da proibição das sacolas plásticas
O Ideias Verdes entrevistou quem entende do assunto a partir de dois ângulos opostos: o Secretário do Verde e Meio Ambiente de São Paulo, Eduardo Jorge, a favor da proibição, e Miguel Bahiense, presidente da Plastivida (Instituto Sócio Ambiental dos Plásticos), que argumenta contra a lei.

3. Companhia brasileira ganha o prêmio de pior empresa do mundo
Com pouco mais de 25 mil votos, a Vale levou o “troféu” de pior empresa do mundo. O resultado foi anunciado durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça. Entenda como a empresa chegou lá.

4. Edifício é construído com asas que geram energia eólica nos EUA
Engenheiros da UC Davis College of Engineering, dos EUA, projetaram um prédio que tem “asas” para aproveitar os ventos da cidade de São Francisco e gerar energia. O edifício tem uma construção externa vertical, que lembra uma asa, com turbinas eólicas que vão até o topo do prédio. Elas irão produzir pelo menos 7% da energia usada no local.

5. Dez filmes para você entender mais sobre meio ambiente

Cinema é mais do que entretenimento, é também conhecimento. Uma boa forma de comemorar o Dia Mundial do Meio Ambiente (e fazer a sua parte) é conhecer mais sobre o planeta em que você vive.

6. Os sete pecados da propaganda “verde” enganosa
Começaram a valer as novas regras do Conar para apelos relacionados à sustentabilidade nas propagandas. A ideia é evitar o greenwashing (ou “maquiagem verde”) e alertar o consumidor para possíveis enganos na hora de escolher o que comprar. O Ideias Verdes mostra algumas formas para reconhecer o que é verdade e o que é mentira nos produtos “verdes”.

7. Aprenda a usar produtos como limão e vinagre na limpeza doméstica

Para deixar a cozinha brilhando e as janelas um “brinco”, nem sempre é preciso apelar para os limpadores químicos milagrosos que estão na dispensa da maioria das casas brasileiras. Com soluções simples (e que usam produtos fáceis, que fazem parte do dia-a-dia), é possível limpar fogão, piso, panelas, banheiro e até grelha de churrasco.

8. 9 formas de ser mais sustentável em casa e cortar gastos
Ter atitudes sustentáveis é uma questão de hábito. Mas o melhor é que dá pra fazer muita coisa para reduzir a sua pegada ecológica, causar menos impacto ao meio ambiente e, ainda, economizar dinheiro.

9. Como fazer adubo com o lixo orgânico que você produz em casa


O nome desse processo é compostagem. Quando você transforma seu lixo em adubo, pode oferecer ao solo um material rico em nutrientes (no caso de uma horta ou mesmo para as plantas do seu jardim) e, principalmente, ajuda a reduzir a quantidade de lixo que vai diariamente para os aterros e lixões do Brasil. Aprenda a fazer a compostagem doméstica e mãos à obra!

10. 4 dicas para usar seu computador com consciência e economizar energia
Que o computador, nosso amigo de (quase?) todos os dias, consome energia, todo mundo sabe. Até aí, tudo bem. O problema é quando a forma como ele é usado vira desperdício. Algumas atitudes simples ajudam a economizar energia, dinheiro e aumentam a vida útil do seu micro. Afinal, a gente já não vive mais sem ele.

11. Entenda como funciona um supermercado colaborativo, que não visa ao “lucro pelo lucro”


Quando o assunto é supermercado, as coisas funcionam mais ou menos assim: existe um dono. Este dono paga funcionários que mantêm os processos em funcionamento (limpeza, estoque, logística, caixa…). O espaço fica aberto para receber clientes, que escolhem os produtos dispostos em prateleiras, pagam por eles e vão embora. Em Londres, um grupo de pessoas decidiu fazer diferente e romper com este roteiro pré-determinado.

12. 6 curiosidades sobre o isopor
O isopor é um bom aliado em muitos produtos. Hoje em dia, no entanto, é usado em muitas situações em que é possível evitá-lo. Para fazer a sua parte, prefira embalagens de supermercados para produtos como ovos e carne que não sejam de isopor. O mesmo vale para bandejas de frios e legumes.


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