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Água engarrafada custa até 2 mil vezes mais que água da torneira

Lydia Cintra 20 de julho de 2011

Nada mais simples que comprar uma garrafinha de água em um supermercado, loja de conveniência, bar ou restaurante. Para a maior parte das pessoas, fazer isso é absolutamente inofensivo. Todos nós fomos acostumados a consumir água engarrafada (e sem culpa). Mas, vários movimentos que defendem o consumo de água da torneira mostram que os impactos do produto engarrafado no meio ambiente são grandes (e complexos).

Em 2010, Annie Leonnard (que fez vídeo A História das Coisas e A História dos Cosméticos, sobre os quais falamos aqui e aqui), lançou uma explicação para o problema das garrafinhas de água – o filme A História da Água Engarrafada. A ativista conta como o processo de produção desse tipo de água impacta os recursos do planeta e porque a consumimos dessa forma. As empresas fabricantes, segundo ela, argumentam que apenas atendem a uma demanda do mercado. “Mas quem demandaria uma água menos sustentável, menos saborosa, um produto muito mais caro, especialmente aquela água que você pode pegar quase de graça na sua cozinha?”, indaga.

A impressão do consumidor
O consumo excessivo de água engarrafada começou quando os consumidores passaram a considerar a qualidade superior desse produto como uma verdade absoluta. “Uma das primeiras táticas de marketing foi assustar as pessoas sobre a água da torneira. Você faz com que elas se sintam apavoradas e inseguras caso não tenham o seu produto. É isso que a indústria de água engarrafada fez”, diz Annie.

Essa dinâmica do mercado resultou em números estrondosos: dados da Inside the Bottle mostram que 1/5 da população do Canadá e EUA bebe somente água em garrafa. Só os norte-americanos consomem meio milhão de unidades por semana – o suficiente para dar cinco voltas ao mundo. Consegue imaginar?

Custos
Quando bebemos água na garrafinha, pagamos cerca de 2 mil vezes mais do que se consumíssemos pela torneira. Segundo a Bottled Water Blues, 90% do custo dessa água está na fabricação do rótulo, tampa e garrafa, que usam recursos como petróleo. “A cada ano, a fabricação das garrafas plásticas utilizadas para água engarrafada nos EUA requer uma quantidade de petróleo e energia suficiente para abastecer um milhão de carros”, mostra Annie.

Depois das etapas de produção, há o transporte do produto. Muita energia é gasta para fabricar embalagens resistentes para que a água possa “andar” por todo o planeta. Assim, uma garrafinha de água da França pode ser consumida aqui no Brasil. Depois do consumo, vem o descarte: 80% das garrafas acabam em aterros sanitários ou são incineradas. Mais lixo…

No Brasil
Por aqui, o movimento Água na Jarra, da organização Igtiba, incentiva o consumo de água filtrada no lugar das garrafinhas em restaurantes, empresas, hotéis e eventos. Para participar, o estabelecimento se compromete a servir água em jarras e deve seguir algumas regras: usar água tratada fornecida pela concessionária pública da cidade, usar filtro purificador certificado pelo Inmetro, limpar periodicamente a caixa d´água e servir a água em recipientes reutilizáveis. O site mantém um guia de restaurantes que aderiram à iniciativa.

O foco do investimento
Em muitas cidades do mundo não é possível consumir água da torneira. Mesmo quando é, muita gente têm medo. É importante questionar o que está por trás dessa indústria e como o dinheiro é investido. Annie Leonard mostra o contraponto: “no mundo, bilhões de pessoas não tem acesso à água limpa e as cidades gastam milhões de dólares para lidar com todas as garrafas plásticas que descartamos. Como seria se nós gastássemos esse dinheiro melhorando nosso sistema de água ou prevenindo a poluição?”

E você, já pensou em mudar o hábito de beber água engarrafada?

Para saber mais:
Água na jarra – Repórter Eco
Think outside the bottle


6 dicas para promover um evento sustentável

Lydia Cintra 19 de julho de 2011

Qualquer evento, seja um congresso, feira, show ou festival, começa bem antes do dia marcado no folder de divulgação. A organização demanda tempo e muito trabalho – e planejar formas de economizar com transporte, água e energia ou destinar resíduos é cada vez mais importante.

“A busca da sustentabilidade já na etapa de concepção e planejamento do evento permite encontrar soluções que minimizem os custos”, diz Daniel de Freitas, presidente da Comissão de Certificação e Normatização do Ibev (Instituto Brasileiro de Eventos). “As ações de sustentabilidade de um evento precisam ser divulgadas não somente pelo ponto de vista do marketing, mas principalmente como disseminador e multiplicador de atitudes sustentáveis. E inevitavelmente, mais cedo ou mais tarde, o público entende e reconhece quais ações são realmente efetivas e sustentáveis.”

Alimentação
O óleo gerado no preparo de alimentos na praça de alimentação de um evento pode ser reaproveitado. “Uma alternativa é fazer a coleta e reserva desse óleo e destiná-lo para empresas ou entidades que transformam esses resíduos em sabão.” Eventos com buffets devem priorizar os produtos locais – sem excessos de produtos importados, produzidos em locais distantes de onde acontece o evento. Assim, a emissão de gases e os custos com transporte diminuem, e a economia local é valorizada.

Transporte
O deslocamento de pessoas e cargas podem chegar a representar 90% da emissão de CO2 de eventos de grande porte, em especial no caso do Brasil, que utiliza transporte rodoviário e aéreo. Um cálculo do Ibev exemplifica: 120 pessoas que viajam entre Rio e São Paulo para um evento, de avião (ida e volta), eliminam 19 toneladas de gases poluentes.

A dica é trabalhar com fornecedores da região, oferecer alternativas de transporte para o público, estimular o uso de transporte coletivo, escolher um local de acesso fácil e incentivar as caronas.

Resíduos e Água
O primeiro passo é projetar que tipos de resíduos serão gerados no evento e buscar soluções para diminuir a quantidade produzida. Depois, é essencial pensar o que vai ser feito com o que foi gerado. “Deve ser coletado de forma seletiva, possibilitando a posterior reutilização, reciclagem ou descarte inteligente”, comenta Daniel. Já a água é usada em todos os processos, seja para consumo individual, higiene, limpeza ou preparo de alimentos. Algumas dicas são: planejar a utilização para otimizar o recurso, utilizar água de reuso e evitar produtos químicos que possam poluir rios, mares e lençóis freáticos – a boa pedida é optar por produtos de limpeza biodegradáveis.


Centro de convenções chinês, com painéis solares

Iluminação
O ideal é optar por modelos mais econômicos. “Atualmente existem alternativas de iluminação cênicas ou decorativas consideradas mais sustentáveis que outras. Em geral as lâmpadas frias são mais sustentáveis do que as quentes”, explica Daniel.

Segundo o Ibev, a economia pode chegar a 80%. As lâmpadas LED são mais caras, mais a vida útil chega a ser 30 vezes maior que as incandescentes. É possível, ainda, adotar sensores de presença (que evitam o consumo desnecessário em ambientes que frequentemente ficam vazios, como banheiros).

Materiais de Divulgação
Eventos como feiras e congressos sempre têm uma porção de papeis, folhetos, banners, placas, folders… planejar a compra e o uso do material que será usado é importante para avaliar quantidade e formas de descarte. O que puder ser feito para que o consumo desses materiais seja reduzido, melhor. Reaproveitar e reciclar o que não for usado e escolher matéria-prima com procedência conhecida e certificada também é um bom caminho.

Acessibilidade
“Pensando no âmbito social da sustentabilidade, a acessibilidade e a inclusão são questões a serem consideradas. Diversos eventos já disponibilizam recursos para pessoas com deficiência motora, visual ou aditiva”, explica Daniel. Dentre as soluções, estão tradutores de LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais), totens multimídia com sensores de presença que disparam mensagens audiovisuais e espaços com rampas de acesso e piso tátil. “Essa é uma forma de agir inclusivamente.”

Para saber mais:
eventosustentavel.org


Aprenda a fazer suporte de jornal para colocar lixo doméstico

Lydia Cintra 15 de julho de 2011

Muita gente ainda tem dúvida sobre como acondicionar o lixo doméstico sem usar as sacolinhas plásticas de supermercado. Uma boa dica é fazer um suporte de jornal para colocar nos lixinhos da pia, do banheiro… O vídeo abaixo, do site Mundo para Morar, produzido pela agência Update or Die, ensina de forma simples e rápida como jornais antigos podem ser super úteis em casa.

Leia mais sobre o assunto:
Entenda a polêmica da proibição das sacolas plásticas
Sacolinhas de supermercado são feitas com plástico “virgem”saco de jornal


Designer cria celular que pode ser recarregado com vento e sol

Lydia Cintra 14 de julho de 2011

Cyrene Quiamco é criadora do Aeolus, celular todo diferente que usa energia solar e eólica para recarregar sua bateria. A estudante de design dos EUA projetou um “mini” ventilador no equipamento, que produz energia com o vento. Ele pode, inclusive, ser recarregado enquanto o usuário anda de bicicleta ou carro – uma “mão na roda” para acabar com a dependência que temos dos carregadores. Na parte de trás, tem pequenas placas solares. O aparelho é feito de materiais renováveis, além de ter uma tela LCD eficiente, que consome pouca energia.

Gostou da invenção?

Leia também:
Conheça o primeiro carregador público de celular movido a energia solar


Saiba como um passeio no shopping pode ser mais sustentável

Lydia Cintra 13 de julho de 2011

Carteira limpa
Se os canhotos de compras com cartão se proliferam na sua carteira e de lá vão direto para o lixo, não há porque pegá-los toda vez que a maquininha aprovar o pagamento. É só dizer que não precisa da sua via. Assim, você poupa papel, tinta e reduz a quantidade de lixo produzido.

Muitas sacolas
Já reparou que muitas lojas oferecem sacolas enormes para produtos que não ocupam nem metade do espaço? Se você fizer compras em mais de uma loja, recuse sacolas e embalagens desnecessárias. Coloque tudo em uma só.

Sapatos na mão
A não ser que você esteja precisando, peça para a loja colocar seus sapatos em um saquinho ao invés da caixa. Se já estiver com outra sacola na mão, coloque o par que você acabou de comprar dentro. A ideia é: evite fazer com que embalagens que você não vai reaproveitar em casa virem lixo em algumas poucas horas.

Lixinho
Se durante o passeio você comer um chocolate ou comprar uma água e o local não oferecer lixeiras com coleta seletiva, guarde as embalagens que conseguir com você – dentro da bolsa, em uma sacola – e descarte em outro local que separe o lixo (em casa você já não faz isso? Então, sim, leve o lixo pra casa).

Planejamento e controle
Sair comprando tudo por impulso não é a melhor forma de resolver problemas, ficar menos ansioso ou mais feliz (existem formas melhores, não!?). Por isso, pense no que você vai comprar, quando e onde vai usar ou que espaço aquele objeto terá na sua vida e na sua casa. Afinal, tudo o que consumimos gera algum impacto para o meio ambiente e a sociedade, desde a extração da matéria-prima até o descarte.

Você procura ser um consumidor consciente quando vai às compras?


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