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Posts tagueados com ‘alimentação’


Supermercado de alimentos vencidos será inaugurado em 2014 nos EUA

11 de outubro de 2013

Nota 20 ok

Pode parecer absurdo, mas o idealizador da ideia, Doug Rauch, tem bons argumentos. Nos EUA, 40% da comida vai para o lixo – no campo, nos supermercados e nas casas – e 90% da população joga fora os alimentos antes que a data de validade expire.

Os números são de uma pesquisa da Universidade de Harvard e estimularam Rauch a criar o projeto “The Daily Table”, cujo objetivo é redirecionar produtos perfeitamente comestíveis pouco após a data de validade vencer. A ideia é abrir uma loja em 2014 que irá preparar e embalar comida a preços muito baixos, especialmente frutas e verduras “feias”, que a maior parte das pessoas rejeita.

Segundo ele, o The Daily Table é uma mistura de supermercado com restaurante, que oferecerá produtos mais saudáveis para competir (em preço) com os fast-food. As mercadorias comercializadas nas gôndolas serão indicadas para consumo rápido ou imediato.

Em entrevista à rádio NPR, Rauch diz que esta é uma forma de “trazer nutrição acessível para a população que precisa pagar mais barato para se alimentar”. A pergunta que todos devem estar se fazendo: é seguro comer alimentos “teoricamente” vencidos? Ele responde: “Absolutamente. Se um produto mostra a validade 1 de outubro e estamos em 2 de outubro, a maioria das pessoas não percebe que se pode comer”. E como evitar que os clientes tenham nojo ou receio? “A questão é realmente como você vai falar e educar. Estamos falando de tomar e recuperar alimentos. A maior parte do que vamos oferecer são frutas e legumes que têm um prazo de validade que pode ser estendido por vários dias”.

De acordo com Rauch, trata-se de tentar resolver um grande desafio social com uma abordagem inovadora. O que você acha da ideia?


Quantos morangos tem um iogurte de morango?

30 de julho de 2013

Se você fizer seu próprio iogurte, é (bem) mais fácil saber o que tem dentro…

MORANGOS ok

Caro leitor, se você busca uma resposta exata, desculpe desapontá-lo. A melhor forma de saber quais ingredientes existem em um alimento é aderir ao lema do “faça você mesmo”. Caso contrário, muitas informações podem fica nebulosas.

Algumas marcas se valem do argumento de que suas fórmulas de fabricação são “segredo industrial” para não divulgar detalhes básicos como este – quanto morango tem no iogurte que eu estou comendo?

A jornalista Francine Lima, especializada em alimentação e idealizadora do projeto Do campo à mesa (no Facebook e no Youtube), fez um vídeo em que questiona a necessidade de se colocar corantes em iogurtes de morango. Para deixar mais rosa? Ela fez o teste: colocou um iogurte natural branco e três morangos. O resultado foi muito parecido com os iogurtes industrializados.

Portanto, a dúvida: por que é necessário colocar corante se com uma quantidade tão pequena de morangos o resultado é tão similar?

O que são os corantes?
São substâncias que dão ou realçam a cor do alimento e, por isso, criam uma aparência mais “bonita”. Bonita, assim, entre aspas, pois cor vistosa nem sempre significa alimento saudável. É como uma maquiagem: muitos alimentos seriam melhores se não tivessem tanta cor. Bons exemplos são os produtos os multicolores, como gelatinas e balas de goma, e os de aparência rosada, como presuntos e os iogurtes de morango.

O que as marcas dizem?
O Ideias Verdes entrou em contato com a assessoria de imprensa de três marcas, Vigor, Nestlé e Batavo, para saber com quantos morangos são fabricados alguns de seus iogurtes. As respostas não foram muito diferentes daquelas dadas pelo SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor) das marcas testadas no vídeo.

Vigor

Iogurte Líquido Morango. Contém o corante natural carmim de cochonilha.

Resposta: “A VIGOR não se pronunciará por questões de segredo industrial”.

Batavo

Iogurte Grego Morango Líquido. Contém o corante natural carmim de cochonilha.

Resposta: “Infelizmente a companhia não pode abrir e compartilhar a formulação sobre os produtos, já que isto é segredo industrial”

Nestlé

Iogurte Grego com Morango. A calda (separada) contém corantes (urucum e carmim cochonilla).

Resposta: “Neste caso o iogurte é o tradicional, não é sabor morango, que está apenas na calda e é o ingrediente que se encontra em maior quantidade”.

De onde vem o corante carmim de cochonilla?
O corante natural carmim de cochonilla é fabricado a partir de um inseto, o Dactylopius coccus. O extrato do corante é obtido a partir do processamento do corpo seco de fêmeas desta espécie. O termo cochonilla é empregado para descrever tanto os insetos desidratados como o corante derivado deles. Cerca de 300 toneladas de cochonilla na forma dessecada é produzida anualmente.

De acordo com informações do site Vista-se, são necessários cerca de 70 mil insetos esmagados e fervidos para produzir apenas 450 gramas deste corante, usado em alimentos como biscoitos, sorvetes, iogurtes, e também em tintas, roupas e cosméticos.

Por ser extraído de um animal, o corante carmim de cochonilla é classificado como natural.

cochonilla ok(Imagem editada. Fonte: Vista-se)

O que fazer?
Apesar de difícil, é possível encontrar iogurtes sem corantes. Para escolher melhor, não deixe de ler os ingredientes no rótulo. Além disso, o vídeo sugere e nós reforçamos: sempre que possível, procure bater um iogurte natural (branco) com a fruta que deseja. Pode ser morango, mamão… Assim você evita tantos aditivos químicos na alimentação e come de forma mais saudável.

Leia mais:
Saiba o que são estabilizantes, aromatizantes, conservantes e corantes
Três dicas para entender melhor os rótulos dos alimentos

Fontes:
Dossiê Corantes – Revista Food Ingredients Brasil Nº 9.
FAO/ONU

Imagens:
SXC.HU
Divulgação


Você sabe como é fabricada a margarina?

10 de maio de 2013

Nas prateleiras dos supermercados, a grande dúvida: o que passar no pão, manteiga ou margarina? A diferença básica entre as duas poderia ser resumida no fato de que a primeira é de origem animal e a segunda de origem vegetal. Mas todo resumo pode esconder detalhes importantes…

Origem vegetal ou industrial?
Tudo começa com um processo químico chamado hidrogenação. De forma simplificada, é  o acréscimo de hidrogênio ao óleo vegetal, matéria-prima usada na fabricação da margarina. De óleo, ele passa a ser gordura, com ponto de fusão em temperatura mais alta e com maior estabilidade no processo de oxidação.

Em resumo, a partir da hidrogenação os óleos se solidificam, dando origem à gordura hidrogenada, base da margarina. O problema é que o processo de hidrogenação dos óleos forma isômeros trans dos ácidos insaturados. A famosa gordura trans, conhecida por reduzir o bom colesterol (HDL) e elevar o mau colesterol (LDL).

A gordura trans também é encontrada em quantidades pequenas em animais como bois, cabras, ovelhas e búfalos (de 2 a 5% da gordura total desses animais). Mas, no caso dos óleos vegetais parcialmente hidrogenados, representam de 50 a 60% da gordura total.

E qual a diferença?
Um detalhe importante é que o tipo de gordura trans predominante nos animais (carne, leite e derivados) é diferente daquele predominante em margarinas, gorduras vegetais hidrogenadas e óleos comerciais parcialmente hidrogenados.

A preocupação dos especialistas com relação às gorduras trans está concentrada especialmente nos produtos industrializados e não na gordura presente na carne e no leite naturais e integrais.

Além disso, o organismo reconhece a gordura da manteiga como natural e consegue metabolizá-la, o que não acontece com a margarina, que é recebida pelo organismo como uma gordura “estranha”.

Mas… e as margarinas sem gordura trans?
A partir da década de 50, estudos demonstraram efeitos adversos relacionados a esse tipo de gordura, como ataques cardíacos, alguns tipos de câncer, diabetes, disfunção imunológica e obesidade.

Com a descoberta de tantos malefícios, muitas indústrias passaram a lançar no mercado margarinas livres do “problema”. O que não quer dizer que elas tenham se tornado mais saudáveis.

Uma das saídas encontradas pelos fabricantes foi acrescentar à fabricação o processo de interesterificação, que não gera gordura trans e mantém a textura cremosa do produto. Todas as margarinas com zero trans têm gordura interesterificada, que nada mais é que um óleo vegetal modificado quimicamente.

Há também a margarina light, que contém alto teor de água e por isso é reduzida em gorduras e calorias quando comparada em um mesmo volume com as margarinas tradicionais.

Mesmo com as novas alternativas industriais, a qualidade do produto alimentício não mudou. Vale lembrar que a margarina é artificial, cuja base, um óleo vegetal produzido sob alta pressão e temperatura, é totalmente modificado pela hidrogenação química.

Após a hidrogenação, branqueadores modificam a cor acinzentada e retiram o odor desagradável que fica na gordura. Ao produto são adicionados pelo menos sete aditivos químicos sintéticos entre corantes, aromatizantes, espessantes e vitaminas A sintéticas. A margarina vai então para os mercados com o rótulo de “alimento saudável”.

Ah, o marketing…
A conhecida propaganda de margarina, que relaciona o consumo do produto a ambientes saudáveis e alegres, é em geral estrelada por atores bonitos que formam a clássica “família feliz”. Uma forma bastante convincente para arrebanhar um número crescente de consumidores ao longo dos anos. Entre 1910 a 1970, o consumo de gordura animal entre os norte-americanos baixou de 83% para 62% e o consumo de óleos vegetais e margarina aumentou 400%.

A história do seu surgimento está relacionada a uma grave crise econômica na França, no final do século XIX, quando produtos como a manteiga aumentavam de preço e o país necessitava de gêneros alimentícios que tivessem fácil conservação e um preço razoável.

Após vários experimentos, o químico Mége Mouriés conseguiu produzir uma nova gordura que seria a base da margarina. A palavra vem do “margaron”, que significa “pérola”, devido à aparência perolada que conhecemos.

Até hoje, o apelo financeiro é determinante. Muitos produtos industrializados têm como base a gordura hidrogenada por seu baixo custo industrial – e um alto custo para a saúde.

Fontes:
- Livro “Alimentos Orgânicos – Ampliando os conceitos de saúde humana, ambiental e social”
, de Elaine de Azevedo. Ed. Senac, 2012.
Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio Grande do Sul
O Globo
Brasil Escola
- Vídeo: 
Série Conhecimento Manteiga ou Margarina, da TV Universitária Lavras 

Imagens:
Wikimedia Commons/BMK
Caríssimas Catrevagens 


Designer cria estufa para plantar vegetais e frutas nas cidades

20 de março de 2013

Contêineres marítimos transformados em… estufas para plantar vegetais e frutas nas cidades. O projeto, chamado Urban Farm Units (unidades de fazendas urbanas), foi criado pelo designer Damien Chivialle com o intuito de “repensar as cidades, a produção e o consumo de comida”.

A ideia é promover a produção de alimentos em âmbito local e reduzir as distâncias que os produtos percorrem entre o produtor e o consumidor. As estufas podem ser deslocadas com facilidade e possuem uma estrutura adequada para a entrada de luz solar.

Para as plantas se desenvolverem, as estufas contam com recipientes de dois metros cúbicos de água em que as bactérias transformam resíduos de peixe em minerais para agir como um fertilizante natural.

As unidades estão instaladas em Zurique (Suíça), Bruxelas (Bélgica) e Berlim (Alemanha).

Por aqui…
Em São Paulo, o Coletivo de Agricultores Urbanos criou um abaixo-assinado para pressionar o prefeito Fernando Haddad a incluir hortas comunitárias e compostagem no Plano de Metas da cidade.

A proposta é criar pelo menos uma horta comunitária em cada bairro de São Paulo além de hortas e composteiras em parques, escolas municipais e Unidades Básicas de Saúde.

Quer participar da campanha? Acesse e assine o abaixo-assinado até dia 31 de março.

(Com informações do Ecodesenvolvimento)

(Imagem: Divulgação)


Veja três filmes brasileiros sobre alimentação disponíveis na internet

8 de fevereiro de 2013

Filmes sobre sustentabilidade e animações para ver na internet já foram temas de posts aqui no Ideias Verdes (veja aqui e aqui). Hoje, a proposta é mostrar três vídeos sobre temas relacionados a alimentação que estão a um click de você. Fácil de ver, mas não de digerir.

Eles trazem abordagens distintas sobre assuntos que fazem parte da mesma roda-viva que vivemos quando o assunto é alimentação. Obesidade infantil, doenças crônicas, lobby de indústrias, aditivos químicos, publicidade, falta de informação, desmatamento, uso abusivo de agrotóxicos, perda de fertilidade do solo, transgênicos…

Prepare-se: tem muita coisa por trás de um prato de comida.

1. MUITO ALÉM DO PESO

O filme esclarece algumas verdades sobre a obesidade infantil que vão além do pacote de biscoito recheado e do refrigerante. Um conjunto complexo de atores da sociedade faz a roda de comida processada+lucro+publicidade+falta de informação+doenças girar e crescer. Entram aqui a indústria, a publicidade, o governo, as escolas, os pais e a mídia.

No Brasil, 33% das crianças são obesas ou têm sobrepeso. E não estamos falando apenas de “crianças gordinhas”. É uma geração inteira com menor expectativa de vida, mais doente e mais sedentária, que está acostumada a comer de acordo com um padrão insustentável que muitas vezes começa no colo: 56% dos bebês brasileiros com menos de um ano bebem refrigerante. Coca-cola ao invés de leite materno. Já imaginou?

É claro que o papel dos pais é preponderante, mas não pode ser levado em conta de forma isolada. “Você não pode competir com as empresas que têm campanhas multimilionárias e com esta publicidade está na televisão, estão na rua, na internet, está por todos os lados. Se você sai com seu filho pequeno e passa por um lugar de fast-food, a criança não vê um lugar onde comer, ela vê um lugar de brincadeiras”, diz um dos entrevistados do filme.

O apelo é ainda mais forte quando a comida está vinculada a brinquedos, ursos de pelúcia e pequenos objetos para colecionar que vêm dentro de lanches, chocolates e outras guloseimas. As crianças com sobrepeso aumentam o consumo de alimentos junk-food em 134% quando expostas a sua publicidade. Isso mesmo: 134%.

Além da uma alimentação excessivamente ultraprocessada, as crianças hoje se movimentam pouco ao brincar. “Uma das maiores tragédias de se permitir que publicitários tenham acesso irrestrito às crianças é que a publicidade, na verdade, enfraquece o brincar criativo”, mostra o filme. Dados apresentados revelam que as crianças brasileiras passam em média 3 horas na escola e 5 horas em frente à TV. Correr, brincar na rua e subir em árvore está cada vez mais difícil…

Transformar seres humanos na fase mais plena de sua formação emocional e física em público-alvo de agências publicitárias e vislumbrá-los como potenciais consumidores é, na verdade, tirar desses futuros adultos a real possibilidade de escolher, uma vez que boas escolhas são resultado de informação e discernimento que não se pode, obviamente, esperar de uma criança.

A obesidade está relacionada com as maiores pandemias modernas, como diabetes, doenças cardiovasculares, depressão, estresse e alguns tipos de câncer. Só de açúcar, o brasileiro consome cerca de 51 kg por ano. São mais de 4kg por pessoa por mês. E essa “doçura” toda é uma das grandes vilãs da saúde. Muito Além do Peso ilustra bem isso quando mostra, lado a lado, embalagens de alimentos processados e embalagens do mesmo tamanho com a quantidade de açúcar presente ali dentro.

O filme é dirigido por Estela Renner e pode ser visto em melhor resolução no site oficial. Duração: 1h23.

2. O VENENO ESTÁ NA MESA

O cineasta Silvio Tendler aprofunda a questão do uso abusivo de agrotóxicos no Brasil, o país que mais se alimenta com veneno no mundo.

Entrevistas com agricultores, especialistas em saúde, representantes da Anvisa e ambientalistas mostram a realidade vivida no camp0 – fruto de questões políticas e um lobby poderoso das indústrias. Produtos banidos há anos em diversos países ainda encontram mercado por aqui e os agricultores perdem cada vez mais autonomia para grandes corporações, que controlam as sementes geneticamente modificadas e os agrotóxicos.

“Os governos aceitam os agrotóxicos como se fosse uma necessidade inevitável sem perceber que tem aí uma certa traição aos princípios ligados à saúde humana e da natureza”, diz Eduardo Galeano, escritor uruguaio entrevistado no documentário. “Em nome de uma produtividade, em nome de um critério economicista do progresso humano, o que acontece com a terra, o que acontece com a gente? A terra e a gente são muito mais importantes do que os numerinhos da produtividade”.

O uso dos agrotóxicos foi fortemente intensificado a partir da década de 60 e historicamente faz parte do desenvolvimento da indústria química e da tecnologia do pós-guerra. A Revolução Verde, termo cunhado para caracterizar as novas práticas agrícolas adotadas nos anos 60 e 70, impôs o monocultivo em áreas extensas e vendeu a ideia do aumento exponencial da produção agrícola como “desenvolvimento” e “futuro”, sem levar em conta as consequências que já sentimos na pele hoje.

“O que a Revolução Verde fez foi destruir, apagar, esquecer toda a herança, todo o acúmulo de conhecimento da agricultura tradicional ao longo dos seus 10 mil anos e criou-se um negócio totalmente novo”, diz o agricultor Fernando Ataliba em um dos depoimentos. “Essa novidade, depois de 50 anos existindo, está mostrando que ela não dá certo. O que ela está produzindo? Perda da fertilidade do solo, perda dos mananciais, perda da biodiversidade, contaminação do solo, das águas e das pessoas, contaminação do ar”.

É muita coisa para se indignar. A duração do filme é de 52 minutos.

3. A ENGRENAGEM

O vído de 16 minutos é inspirado na série de filmes da norte-americana Annie Leonard, que começou com “A História das Coisas”.

Produzido pelo Instituto Nina Rosa, mostra os processos que estão por trás da indústria de carnes e defende que mudar o padrão alimentar da sociedade está nas mãos dos consumidores.

O desmatamento da Amazônia e outros biomas para originar pastos, o consumo de água e grãos usados na produção de carne, o poder da indústria agropecuária e a saúde dos consumidores são alguns dos temas abordados.

“É mito dizer que esses animais são criados pra alimentar a população do planeta”, explica o vídeo, já que metade dos grãos e hortaliças que são usados para alimentar os animais seria o suficiente para acabar com a fome no mundo. “Pode parecer uma conta simplista e ingênua, mas ela é real. (…) Na verdade, essa engrenagem não deixa acabar com a fome”.

Para não assustar os consumidores, o que acontece dentro de um frigorífico é fechado a sete chaves. “E isso é interessante para a indústria. Quanto menos você percebe, mais você consome (…) A gente está falando de uma linha de produção. Os animais, sozinhos, nunca se reproduziriam nessa escala. Esses modelos foram baseados nos modelos das fábricas e só se tornaram viáveis depois que surgiram as vitaminas, os antibióticos e as vacinas para reduzir as doenças provocadas por essas condições de vida”.

Um exemplo citado no filme é a produção de gado leiteiro. “Os bezerros machos de raças leiteiras não têm valor comercial. Então, a maioria é vendida ao salsicheiro ou criado para a produção de vitela. Nessa engrenagem, o lucro está acima de qualquer compaixão. As vacas recebem hormônios de crescimento, hormônios para sincronizar o cio, para produzir muito mais leite do que o normal. Suas tetas ficam enormes e inflamadas. Aí, precisam tomar antibióticos. E todas essas substâncias podem passar para nós, através do leite e seus derivados”.

O filme tem 16 minutos.

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