Você sabe como é fabricada a margarina?

Por Atualizado em 10/05/2013

Nas prateleiras dos supermercados, a grande dúvida: o que passar no pão, manteiga ou margarina? A diferença básica entre as duas poderia ser resumida no fato de que a primeira é de origem animal e a segunda de origem vegetal. Mas todo resumo pode esconder detalhes importantes…

Origem vegetal ou industrial?
Tudo começa com um processo químico chamado hidrogenação. De forma simplificada, é  o acréscimo de hidrogênio ao óleo vegetal, matéria-prima usada na fabricação da margarina. De óleo, ele passa a ser gordura, com ponto de fusão em temperatura mais alta e com maior estabilidade no processo de oxidação.

Em resumo, a partir da hidrogenação os óleos se solidificam, dando origem à gordura hidrogenada, base da margarina. O problema é que o processo de hidrogenação dos óleos forma isômeros trans dos ácidos insaturados. A famosa gordura trans, conhecida por reduzir o bom colesterol (HDL) e elevar o mau colesterol (LDL).

A gordura trans também é encontrada em quantidades pequenas em animais como bois, cabras, ovelhas e búfalos (de 2 a 5% da gordura total desses animais). Mas, no caso dos óleos vegetais parcialmente hidrogenados, representam de 50 a 60% da gordura total.

E qual a diferença?
Um detalhe importante é que o tipo de gordura trans predominante nos animais (carne, leite e derivados) é diferente daquele predominante em margarinas, gorduras vegetais hidrogenadas e óleos comerciais parcialmente hidrogenados.

A preocupação dos especialistas com relação às gorduras trans está concentrada especialmente nos produtos industrializados e não na gordura presente na carne e no leite naturais e integrais.

Além disso, o organismo reconhece a gordura da manteiga como natural e consegue metabolizá-la, o que não acontece com a margarina, que é recebida pelo organismo como uma gordura “estranha”.

Mas… e as margarinas sem gordura trans?
A partir da década de 50, estudos demonstraram efeitos adversos relacionados a esse tipo de gordura, como ataques cardíacos, alguns tipos de câncer, diabetes, disfunção imunológica e obesidade.

Com a descoberta de tantos malefícios, muitas indústrias passaram a lançar no mercado margarinas livres do “problema”. O que não quer dizer que elas tenham se tornado mais saudáveis.

Uma das saídas encontradas pelos fabricantes foi acrescentar à fabricação o processo de interesterificação, que não gera gordura trans e mantém a textura cremosa do produto. Todas as margarinas com zero trans têm gordura interesterificada, que nada mais é que um óleo vegetal modificado quimicamente.

Há também a margarina light, que contém alto teor de água e por isso é reduzida em gorduras e calorias quando comparada em um mesmo volume com as margarinas tradicionais.

Mesmo com as novas alternativas industriais, a qualidade do produto alimentício não mudou. Vale lembrar que a margarina é artificial, cuja base, um óleo vegetal produzido sob alta pressão e temperatura, é totalmente modificado pela hidrogenação química.

Após a hidrogenação, branqueadores modificam a cor acinzentada e retiram o odor desagradável que fica na gordura. Ao produto são adicionados pelo menos sete aditivos químicos sintéticos entre corantes, aromatizantes, espessantes e vitaminas A sintéticas. A margarina vai então para os mercados com o rótulo de “alimento saudável”.

Ah, o marketing…
A conhecida propaganda de margarina, que relaciona o consumo do produto a ambientes saudáveis e alegres, é em geral estrelada por atores bonitos que formam a clássica “família feliz”. Uma forma bastante convincente para arrebanhar um número crescente de consumidores ao longo dos anos. Entre 1910 a 1970, o consumo de gordura animal entre os norte-americanos baixou de 83% para 62% e o consumo de óleos vegetais e margarina aumentou 400%.

A história do seu surgimento está relacionada a uma grave crise econômica na França, no final do século XIX, quando produtos como a manteiga aumentavam de preço e o país necessitava de gêneros alimentícios que tivessem fácil conservação e um preço razoável.

Após vários experimentos, o químico Mége Mouriés conseguiu produzir uma nova gordura que seria a base da margarina. A palavra vem do “margaron”, que significa “pérola”, devido à aparência perolada que conhecemos.

Até hoje, o apelo financeiro é determinante. Muitos produtos industrializados têm como base a gordura hidrogenada por seu baixo custo industrial – e um alto custo para a saúde.

Fontes:
– Livro “Alimentos Orgânicos – Ampliando os conceitos de saúde humana, ambiental e social”
, de Elaine de Azevedo. Ed. Senac, 2012.
– Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio Grande do Sul
– O Globo
– Brasil Escola
– Vídeo: 
Série Conhecimento Manteiga ou Margarina, da TV Universitária Lavras 

Imagens:
Wikimedia Commons/BMK
Caríssimas Catrevagens 

  • cético

    O texto coloca “artificial” em negrito como se as coisas artificiais fossem necessariamente ruins. É pura ilusão achar que natural é bom, e artificial é ruim. A fonte também parece ser pró alimentos “orgânicos”, que são uma tremenda engabelação. As pessoas acham que são “livres de agrotóxicos” e etc, e que isso faz deles mais saudáveis, mas não só não são mesmo livres de agrotóxicos e fertilizantes, como isso não faria deles mais saudáveis. Depende da legislação do país e o que é permitido rotular como orgânico. Acaba em alguns casos sendo uma brecha para usar apenas outros tipos de agrotóxicos e fertilizantes menos testados e regulamentados. Ou menos deles, aumentando os riscos de contaminação, sem qualquer benefício adicional.

    Já fizeram testes do tipo “pegadinhas” onde pediam para as pessoas experimentarem frutas produzidas tradicionalmente (não-“orgânicas” ), mas dizendo que uma era orgânica, ou que a metade da mesma fruta era orgânica, e as pessoas, feito bobas, achavam que era mais gostosa a que diziam que era orgânica, davam mil elogios, diziam que a metade “não-orgânica” era insossa e nem parecia fruta de verdade, etc. Tudo na imaginação. E no bolso, porque é bem mais caro, só rico pode comprar, ainda que no caso desses testes tenha sido amostra grátis.

  • Anti-ceticismo

    Então vai lá cético, se entope de margarina e veja o resultado daqui a alguns anos. Já que você não acredita em naturais e orgânicos. Boa sorte!

  • Nutricionista Luana

    Respondendo a dúvida do Geferson, logicamente que a manteiga é mais saudável! Ela é de boa procedência, possui menos produtos químicos em sua fabricação e baixíssima quantidade de gorduras trans, quantidade que o corpo consegue processar, não causando mal à saúde, claro, quando consumida em quantidades pequenas.
    Uma dica: não coma mais que uma colher de sobremesa por dia, tente dividir as quantidades durante as refeições, pois assim poderá ter certeza que ela não prejudicará sua saúde!

  • Árleton Cunha

    A manteiga não prejudica a saúde do ser humano, mas quanto a saúde dos animais poucos estão se lixando se depois da vida “útil” de uma vaca ela será descartada como lixo.

  • mariane

    muito importante continuem publicando coisas interessantes como essa pois ultimamente as pessoas levam uma vida muito agitada e não tem tempo fazer coisas saúdaveis.

  • Calixto

    Céticos, não céticos, veganos e vegetarianos, não importa eu acho que o bom senso que manda, tudo ao extremo, á radicalidade, na verdade não presta, o momento que diz se você vai comer coisa animal ou vegetal, afinal alguém vai sacrificar a vida para você se alimentar, então vamos deixar de frescura e comer manteiga que é mais saudável não vai matar a vaca para isso, e lembre-se a gordura dentro da veia que entope tudo LDL ou triglicerídeos chame do que quiser só sai com uma rapagem e gordurinha localizada sai com exercícios fisicos.

  • http://luis_carlos_ferreira@yahoo.com.br Luis Carlos Ferreira

    Mesmo sabendo que é um mal á saúde são feitas propagandas do produto para que o povo consuma cada vez mais e se tornem futuros doentes com o que aumentarão os gastos com tratamentos. Porque não informam as pessoas, quando das propagandas, sobre os benefícios e malefícios que causa os produtos ao serem consumidos? Aí se alguém quiser consumir seria problema da pessoa, garanto que sobrariam verbas para investir na saúde precária brasileira, mas como os governantes só pensam neles mesmos e só importam com a arrecadação de impostos e não nos investimentos necessários para uma vida saudável, em todos os sentidos, da população brasileira, continuará do mesmo jeito. Até quando? A eleição está chegando, então ao votarem digitem 00 e confirma, se tiver 51% dos votos nulos teremos outra eleição e todos os candidatos serão substituídos por outros candidatos. Aproveitando a deixa: precisa-se que acabe com as vantagens (mordomias, verbas) desses políticos e que os tornem trabalhadores iguais a todos, cumprindo a CLT, e que utilizem de seus salários, como qualquer trabalhador, para se custearem.

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