Duilia de Mello é astrônoma e pesquisadora do Goddard Space Flight Center da Nasa, em Maryland (EUA). Em Mulher das Estrelas ela fala sobre os bastidores da agência espacial norte-americana e sobre como é trabalhar com alguns dos mais importantes cientistas do mundo
Os leitores que acompanham o blog há mais de um ano devem lembrar que nesta época do ano tiro umas feriazinhas em um lugar bem pouco conhecido, Oshkosh, Wisconsin. É lá que acontece o maior show aéreo do mundo e é o verdadeiro paraíso para quem gosta de aviação e aeronáutica. Este ano vamos repetir a proeza do ano passado e voaremos de avião monomotor de Baltimore até Fond du Lac, uma cidadezinha próxima e mais tranquila para pousar. Tommy e Martin vão pilotando e eu vou atrás curtindo a paisagem, tirando fotos e ajudando como navegadora. Devemos parar no caminho para abastecer e se tudo der certo em menos de 6 horas estaremos em Wisconsin. A previsão do tempo ainda está incerta, pode ser que tenhamos que interromper a viagem perto de Chicago e esperar as tempestades de verão passarem. Eu vou tentar blogar de lá, mas para os curiosos, a página da EAA (Experimental Aircraft Association) que é a patrocinadora do evento já está cheia de informações. Até o administrador da Nasa, Michael Griffins, estará lá, além de personalidades como Harrison Ford, John Travolta e vários pioneiros da aviação como Chuck Yeager. Serão 700 mil pessoas, 10 mil aviões e a Mulher das Estrelas, claro :-) Ano passado nós visitamos o stand badalado da Embraer e fizemos até um filminho dentro do Phenom. Vamos ver o que aprontaremos desta vez com a super-nikon do Tommy equipada com uma lente nova que só falta falar. O próximo post será provavelmente de Fond du Lac na segunda-feira. Aguardem!
Quem se lembra da terceira manchinha de Júpiter que mostrei há alguns meses atrás? Pois é, tiraram mais uma foto de Júpiter com o Hubble e descobriram que a manchinha está sendo engolida pela mancha vermelha. A autora destas imagens belíssimas tiradas com o Hubble é a Dra. Amy Simon-Miller do Goddard Space Flight Center. Ela foi a autora da primeira imagem que mostrava a manchinha Júnior e agora repetiu o feito. Valeu, Amy!!! vou passar lá na sua sala te dar os parabéns pessoalmente. A mancha vermelha de Júpiter é um furacão em movimento constante e que mede 3 vezes o diâmetro da Terra. No site do Hubble tem mais fotos e até filminho.
Não é porque foi meu amigo Don Lindler que fez este filminho não, se pararmos para pensar, o que estamos presenciando é demais!!! Nunca vimos a Lua passar em frente da Terra em tanto detalhe!! O Don é um dos maiores especialistas em tratamento de imagens do mundo e pioneiro em vários métodos que hoje utilizamos para fazer as imagens do Hubble tão bonitas e valiosas. O que ele fez desta vez foi colocar em sequência as imagens tiradas pela Sonda Impacto Profundo (Deep Impact) que estava apontada para a Terra nos dias 28 e 29 de maio. O filme foi feito em intervalos de 15 em 15 minutos. E para os que não conseguem entender a beleza do filme porque estão acostumados com as animações do vídeo games e dos filmes, lembrem-se que a Sonda estava a quase 50 milhões de km de distância quando filmou a sequência. A importância científica deste filme é também valiosa porque mostra como o sistema Terra-Lua é visto de outros pontos do sistema solar. Como estamos sempre procurando por planetas em outros sistemas solares precisamos ter certeza de que entendemos bem a dinâmica dos corpos celestes. Não esqueçam de dar um tchauzinho quando o Brasil estiver visível :-)
Há 39 anos atrás 2 astronautas, Neil Armstrong e Buzz Aldrin, pousaram pela primeira vez na Lua mudando o rumo da nossa história. Foi durante a guerra fria quando os americanos decidiram investir em tecnologia e ciência e ganhar a corrida espacial. Seis missões Apollo de 1969 a 1972 pousaram na Lua com sucesso, Apollo 11, 12, 14, 15, 16, 17. As missões 8, 10 e 13 chegaram próximo mas não pousaram.
Além da conquista espacial, o projeto Apollo também contribuiu para o desenvolvimento científico e tecnológico da humanidade. As seis missões Apollo trouxeram 381,7 kg de pedras lunares e hoje sabemos que a Lua é composta de silicatos e deficiente em ferro, níquel e materiais voláteis como água e chumbo (elementos que evaporam a temperatura baixa). Tudo indica que a Lua se formou a partir do impacto entre a Terra e um objeto do tamanho de Marte. Esta é a teoria favorita porque consegue explicar melhor as semelhanças e as diferenças entre a Lua e a Terra. A deficiência em ferro seria semelhante a da Terra na ocasião. Já a falta de materias voláteis é explicada pelo impacto quando os materiais teriam sido ejetados.
Hoje, 39 anos depois, nenhum país possui veículos/foguetes para ir até a Lua. Mas a volta à Lua parece mais próxima desde que os Estados Unidos anunciaram que pousarão na Lua em 2020. Pode ser que antes disto, a China, que vem também testando tecnologia para ir à Lua, chegue lá também. Enquanto isto vários times estão trabalhando para ganhar os prêmios oferecidos pelo Google e pela fundação Prêmio-X para os primeiros robozinhos que chegarem lá e fotografarem os locais de pouso das Apollos. Enquanto a foto não chega, vamos continuar admirando a Lua daqui da Terra e sonhando com a exploração futura do nosso satélite.
A foto acima mostra os locais de pouso das Apollos.
Oi galera, hoje é o último post da série sobre Órion. Conforme prometido aqui vai a imagem que selecionei mostrando o desenho da constelação. Coloquei a imagem de pé, para poder mostrar como o caçador é visto do hemisfério norte. Vejam como constelação é puro fruto da imaginação do desenhista. Qualquer um poderia ter imaginado uma figura completamente diferente e desenhado uma outra versão. Eu já vi, por exemplo, em vários lugares o caçador ser desenhado de costas... Enfim, espero que esta série tenha ajudado a visualizar, pensar em escalas, além de motivá-los a olhar mais para o céu. Anotem no calendário que Órion é visível durante as noites de verão. Nesta época do ano não dá para ver direito, pois nasce muito tarde. A seta azul está apontando para a nebulosa de Órion e a amarela para o cinturão, mais conhecida como as 3 Marias (lembrem que do Brasil é de cabeça para baixo).