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Robôs já escrevem notícias e podem mudar a cara do jornalismo

5 de abril de 2013

Parece ficção científica, mas é só jornalismo: robôs já estão escrevendo notícias em sites como o da  Forbes. Isso acontece pelo menos desde 2010, quando pesquisas da “Northwestern’s Medill School of Journalism” resultaram na empresa Narrative Science que produz programas de computador capazes de redigirem notícias. Grandes marcas internacionais têm usado esse recurso para criar notícias simples como os resultados de jogos de basquete ou um resumo do que aconteceu na bolsa de valores.

Robôs podem fazer notícias?

Bom, isso não soa tão futurista quanto androides sentados em redações, mas algumas das pesquisas na área fazem o filme “Blade Runner” parecer mais próximo de 2013 . Na Universidade do Nebraska, pesquisadores estão testando os Drones (aqueles aviões não tripulados que os EUA usam para ataques militares) como ferramentas de cobertura jornalística útil para furacões, guerras e desastres nucleares como o da Usina de Fukushima.

Outra mudança grande são os sistemas de medição de audiência em tempo real, que sugerem matérias para os editores de portais e sites colocarem em suas homes (a página inicial dos sites) e também em suas redes sociais. Na prática, esses sistemas “decidem” as notícias que você vai ler. Em março de 2013, o Washington Post anunciou o “Truth Tellerum algoritmo que checa os discursos de políticos em tempo real e pode dizer se eles estão mentindo. O “Truth Teller” é conectado a uma grande base de dados que permite que ele confira se as promessas e declarações de senadores, deputados e, até do presidente, são reais. Imagina se essa moda pega no Brasil?  

Mais um exemplo de automatização das notícias: Ken Schwencke, editor digital do Los Angeles Times, também programou um algoritmo que pode escrever notícias sobre terremotos em seu nome.

Robôs escrevendo notícias são uma realidade irreversível dos nossos tempos. Eles também podem revolucionar outras formas de escrita, como toda aquela burocracia atrás de cartórios e repartições públicas – uma vez que grande parte dos documentos são formulários padrões com espaços em branco para serem preenchidos por dados. No entanto ficam algumas dúvidas: um jornal tem que avisar seus leitores de que eles estão lendo notícias criadas por robôs? Os “algoritmos” de notícias vão servir para liberar bons repórteres para escrever matérias mais profundas ou vão provocar mais uma leva de demissões no jornalismo? No futuro, robôs serão capazes de criar textos como os de Truman Capote ou Ruy Castro?  Acompanhemos as notícias (talvez escritas por robôs :-P) nos próximos capítulos!


Jornalista digital brasileiro não tem mais cara de bandido

26 de março de 2013

Quando eu era moleque, gostava de imaginar como seria minha banda de rock perfeita. Ficava pensando qual seria o melhor baixista (Flea, claro), o melhor vocalista, o batera mais virtuose e o guitar hero que comporiam  essa “superbanda” perfeita. (Tudo bem que já fizeram isso na vida real, chamava Beatles :-P). Muitos amigos menos nerds faziam o mesmo com seleções de futebol:  inventavam equipes com Maradona, Pelé e Cruijff  jogando do mesmo lado.

Núcleo Jovem Digital: a equipe que cuida dos sites e das redes sociais da Superinteressante, do Guia do Estudante, da Mundo Estranho e da Recreio

Hoje, formado em jornalismo, eu não brinco mais de montar “superbandas”, mas tento recuperar aquele espírito para formar as equipes que lidero (e liderei) na Editora Abril. E quando recebo notícias de que dois de nossos trabalhos (“Brasil em números” do Guia do Estudante/Almanaque Abril e “República Imigrante do Brasil” da SUPERINTERESSANTE) são finalistas no prestigiado prêmio internacional SPD (Society of Publication Designers) e que outros 6 de nossos projetos estão entre os 16 finalistas do “Prêmio Abril de Jornalismo” nas categorias digitais,  eu gosto de pensar que as 14 pessoas do Núcleo Jovem & Infantil Digital são esse “supertime“.

Jornalista digital tinha cara de bandido.

Por mais que a internet seja um fenômeno da segunda metade dos anos 90 (do século XX), quando eu cheguei na Editora Abril, em 2006, ainda se tinha a impressão de que “jornalista digital brasileiro tinha cara de bandido“. Exagero? Bem, entre no meu DeLorean, volte pro passado comigo e imagine o seguinte cenário: suas tias e avós viviam te peguntando se você não ia trabalhar na TV igual o William Bonner, seu pai ficaria feliz se você virasse um respeitável articulista de jornal impresso e nós mesmos, jovens jornalistas, vínhamos para Editora Abril loucos para fazer revista.

Bytes e bits se passaram e, em 2008, eu entrei para a pequena e brava equipe digital do Núcleo Jovem, na época liderada pelo Rafael Kenski, um jornalista visionário que tinha criado os primeiros ARGS do Brasil e estava desenvolvendo um newsgame (jogo jornalístico) pioneiro chamado “CSI: Ciência Contra o Crime“. Naquele ano, a equipe ganhou uma medalha de prata no Malofiej (o Oscar da infografia) e teve uma indicação para o “Prêmio Abril de Jornalismo”. Com o passar  do tempo, conseguimos ampliar nosso espaço e reconhecimento. Mais que isso, começamos a criar uma linguagem digital própria, um jornalismo online que não copiava e colava só matérias do impresso, que não procurava só repetir fórmulas do passado que buscava inventar usa linguagem. E procurávamos fazer isso em sinergia com os times das revistas e não contra eles. Quanto mais integrado e 360º um conteúdo pudesse ser, melhor.

Os prêmios nessa história toda não são um fim, mas um meio de medir a qualidade do seu trabalho – um termômetro.  Num mundo onde a quantidade de cliques de uma matéria (contados em tempo real) indica sua relevância, a gente fica muito refém do que o cara quer ler na hora (o flagra de famosos, o vídeo engraçado, o resultado do futebol) e não do que pode ser inovador, do que pode trazer um benefício a longo prazo ou do que pode ser, simplesmente, uma boa história. (Por isso, amiguinhos, lembrem quando criticarem as “homes/capas” dos portais de notícias cheias de bundas e BBBs que são seus cliques que estão mantendo elas lá).

A equipe digital do Núcleo Jovem era como a pequena e brava aldeia gaulesa de Asterix

E quem são os responsáveis por tudo isso?
Bom, quem rala para entregar o conteúdo digital mais inovador e interessante todos os dias para vocês são os rostinhos que estampam o começo desse post. Essa equipe não cuida só do site e das redes sociais da SUPERINTERESSANTE, mas também dos projetos digitais das marcas Mundo Estranho, Guia do Estudante e Recreio.  A Mariana Nadai, editora-assistente, contribui com seu idealismo e liderança aliada à maquina de fazer posts geniais composta pela dupla geek Otavio Cohen e Carolina Vilaverde – os responsáveis pelo que vocês lêem aqui no site da SUPER. A eles se junta a criativa e antenada Ana Prado – responsável pelo blog “Como as pessoas funcionam” e também pela reportagem do site do Guia do Estudante, onde trabalha com a Carolina Vellei, uma apaixonada pelo poder transformador da educação na vida dos nossos internautas.

Todos nossos jornalistas pensam em redes sociais 24 horas, mas a Lorena Dana é responsável por checar e atender TODAS interações do nosso público no Facebook e, ainda, por traçar estratégias para nossas marcas. Os belos infográficos e os jogos informativos que desenvolvemos passam pelas mãos do nosso time de designers: Alexandre Nacari que acaba de chegar para substituir o talentoso Daniel Apolinario na tarefa de coordenar o belo trabalho da Juliana Moreira (uma ninja do CSS e do acabamento detalhista) e a idealista e pró-ativa Laura Rittmeister. O código dos nossos sites fica nas mãos do Thiago Moura, um programador que vê o mundo além da Matrix. E o time ainda tem a ginga carioca do Felipe Thiroux, responsável pelos desenhos animados da Recreio e animações da capa da versão de iPad da SUPER, a pilhada Ludmilla Balduino que toca o vibrante site da Recreio e nosso estagiário Vinicius Giba que recheou a home do site da Mundo Estranho de gisf animados que contam histórias.

Ufa! É muita gente, mas o talento deles merece ser destacado. Porque é essa “superbanda” de jornalismo online que tem me ajudado a acreditar que hoje em dia,  jornalista digital brasileiro já não tem cara de bandido. Tem cara de jornalista mesmo :-)

 


Videogames ajudam vovôs a ficarem menos deprimidos

22 de março de 2013

Uma pesquisa da North Carolina State University, financiada pela National Science Foundation, aponta que idosos que jogam videogame com frequência são mais felizes que os idosos que não jogam ou jogam pouco.

A pesquisa dividiu as pessoas (que tinham idades variando entre 63 e 77 anos) em três grupos: jogadores regulares, jogadores ocasionais e pessoas que não jogam. Os jogadores regulares apresentaram alto grau de bem-estar, enquanto quem não jogava tinha níveis de depressão mais agudos.

É claro que o estudo tem uma proporção pequena e os dados precisam ser melhor apurados. Os idosos que jogam poderiam já ser mais socialmente ativos ou, então, o bem-estar poderia vir do fato de eles jogarem com a família ou amigos. No entanto, é mais um indício dos benefícios que os games podem trazer, não só para crianças e jovens, mas também para os vovôs geeks.

Leia também:
-Videogames podem melhorar leitura de crianças com dislexia
- Desmistificando as maiores mentiras sobre games da história 


O conteúdo grátis está transformando o jornalismo num grande anúncio de refrigerantes?

18 de março de 2013

Haverá futuro para o jornalismo num mundo onde as pessoas estão acostumadas a receberem informação grátis?

Calma, esse não é um artigo em defesa do paywall (modelo de cobrança adotado por alguns jornais online, em que o leitor pode ler apenas um número determinado de matérias sem pagar) ou do conteúdo pago na internet. É uma reflexão sobre como o nosso hábito de acessar apenas conteúdo gratuito na internet (sejam filmes, discos ou notícias) está matando a fonte de receita destas indústrias e tornando a publicidade sua única alternativa. Acontece que as marcas que anunciavam nos jornais ou revistas agora querem produzir seu próprio conteúdo, falando diretamente com o leitor e sem precisar de  ~intermediários~. Então, em breve, você pode ter que escolher entre as notícias do marca X ou Y e não entre seu portal favorito ou o aquela revista mensal de bordas vermelhas que você tanto ama. E a marca X ou Y não vai ter obrigação nenhuma de produzir conteúdo isento ou objetivo. Lembre, a marca X ou Y não ganha dinheiro com jornalismo, ela ganha conteúdo vendendo tênis, picolé, batata frita ou batom. No final do mês, o que vai contar não é a quantidade de notícias lidas, mas a quantidade de produtos vendidos. E a coisa fica mais feia se você imaginar que na época da eleição estará lendo notícias patrocinadas pelo Partido A ou o Partido B. Neste cenário, qual a chance de um escândalo como o do  “Mensalão” ou dos “Vampiros da Saúde”  voltar a estourar?

E agora, Clark Kent?

Sim, eu sou jornalista e trabalho no mercado há sete anos – especialmente com internet que é a mídia que mais sofre com isso, mas essa não é uma mera impressão pessoal do que eu vi ou vivi. O site americano Mashable publicou nesta segunda (18), os resultados da pesquisa anual do Pew Research Center’s sobre o estado da mídia. Este estudo mostra que as redações dos Estados Unidos cortaram 30% de suas equipes desde 2000 e quem está pagando a conta é a qualidade do jornalismo.  Hoje,  nos EUA, existem 40 mil pessoas empregadas trabalhando com jornalismo, o menor número desde 1978.  Enquanto isso a cobertura de notícias caiu 30%, dando lugar a conteúdos mais frios – como entrevistas. Tem até uma startup chamada Narrative Science experimentando um algoritmo que cria notícias. Sim, algumas empresas – incluindo a Forbes – já pensam em deixar as reportagens nas mãos de robôs. E isso tem feito com que menos leitores acompanhem jornais, revistas e portais. Paralelo a isso, anunciantes têm migrado para empresas como Google e Facebook, que além de terem substituído muito do papel dos produtores de notícias tradicionais na web, estão anos luz à frente das empresas de jornalismo na plataforma mobile.

Dentro deste cenário, quem está se saindo melhor é o New York Times com seu modelo de paywall em que os leitores têm que pagar se quiserem acessar mais de 10 matérias por mês. Dez matérias são grátis, o restante é pago. Hoje 20% dos jornais americanos (e alguns brasileiros como a Folha de S. Paulo e o Estadão) usam paywall. Em 2012, a receita com essas assinaturas digitais já superou o que o New York Times tem ganho com publicidade. A pergunta é: quanto vale uma notícia de qualidade para você?

Se ficar o bicha pega, se correr...

 

Existem alternativas? Bom,  alguns projetos podem conseguir financiamento através de crowdfunding (sistema de financiamento coletivo de projetos), mas é difícil imaginar o salário dos 40 mil jornalistas empregados nos EUA saindo de doações espontâneas na internet. Funciona para projetos específicos, mas não sustenta a estrutura.  Seria o fim do conteúdo grátis na internet? Claro, que não. Blogueiros, fãs e entusiastas das mídias livres continuarão produzindo conteúdo que não precisará, necessariamente, estar atrelado a uma empresa ou fonte de renda. Agora o movimento contrário é arriscado. Transformar todos jornalistas em fãs que escrevem por hobby é transformar a informação em algo que dependerá da boa vontade de um ou outro  bom samaritano.  Acho difícil imaginar que um médico ou engenheiro topasse trocar seu salário por uma série de curtidas no Facebook.

Fred Di Giacomo é jornalista e editor digital do Núcleo Jovem & Infantil (Superinteressante, Mundo Estranho, Guia do Estudante, Recreio, Vida Simples e Aventuras na História). Ele também é autor do livro “Canções para ninar adultos“. (Editora Patuá). 


Videogames podem melhorar a capacidade de leitura em crianças com dislexia

6 de março de 2013

Um dos posts mais acessados do NEWSGAMES foi o que desmistificamos as maiores mentiras sobre games. Claro que tudo na vida deve ser feito com moderação (inclusive jogar), mas nesse post mostrávamos que videogames podem trazer muitos benefícios para as pessoas.  Agora uma pesquisa publicada pela Universidade de Pádua e divulgada pelo Huffington Post e pela BBC  mostra que jogos de ação podem melhorar a capacidade de leitura de crianças com dislexia. 

Os coelhos alucinados que ajudaram as crianças a lerem melhor

Os cientistas italianos selecionaram crianças disléxicas com idades entre 7 e 13 anos e as dividiram entre dois grupos: um dos grupos jogou sessões de 80 minutos do game de ação “Rayman Raving Rabbids” e o outro grupo jogou outro game mais relax. O resultado? Quem jogou o primeiro jogo estava apto a ler de forma mais rápida e acurada e, consequentemente, foi melhor nos testes de medição de atenção. A pesquisa também demonstrou que crianças disléxicas que jogavam 12 horas de videogame  melhoravam mais suas capacidades de leitura do que se passassem um ano lendo apenas de forma “tradicional”. Segundo os pesquisadores italianos os videogames tem a capacidade de melhorar a atenção e a percepção de movimento.

Achou ousado? Então confira as ideias da Jane McGonigal que defende que games podem salvar o mundo!

 


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