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New York Times transforma notícias em “poesia”

1 de maio de 2013

Frases são um conteúdo viral que se espalha facilmente pelas redes sociais. As grandes marcas já perceberam isso, Clarice Lispector virou “web celebrity” por causa disso e, agora, o jornal americano New York Times lançou um tumblr que transforma frases de suas reportagens em haicais – haicais ou  haikus (para quem não lembra) são poemas de origem japonesa compostos de três linhas; a primeira e a terceira tem 5 sílabas poéticas e a segunda 7.

A ideia do New York Times era homenagear o National Poetry Month (mês da poesia nacional), que os americanos comemoram em abril.  Para isso, o arquiteto de software Jacob Harris criou um algoritmo que busca nas notícias do Times frases com potencial para se tornarem haicais. Essas frases são posteriormente selecionadas por jornalistas para serem publicadas no tumblr Times Haiku. Cada haicai traz um link para a matéria de onde ele foi tirado e diversos botões que facilitam o compartilhamento nas redes sociais.

É legal ver um jornal de 150 anos criando conteúdo de vanguarda que mistura jornalismo criado por robôs com uma forma de poesia centenária do Japão.

-Robôs criam já escrevem notícias

- 5 tendências do jornalismo mundial


5 tendências do jornalismo digital mundial

29 de abril de 2013

Acabei de voltar do 14º ISOJ ( International Symposium on Online Journalism), um dos maiores encontros sobre jornalismo digital do mundo, realizado todo ano em Austin, no Texas. Lá grandes nomes do jornalismo mundial debateram a crise do jornalismo, as adversidades do meio impresso e as tendências do mundo digital. Abaixo um pequeno resumo do que foi debatido e das ideias mais inovadoras que eu ouvi por lá.

1) “Mobile First”: conteúdo para celular e “MoJo”
Estamos vivendo uma revolução turbinada pela explosão da venda de smartphones - e o jornalismo não está preparado para isso. Pelo menos não aqui no Brasil. Agora o leitor carrega seu aparelho (seja o celular, seja o tablet) junto com ele e não espera mais pra chegar em casa e conferir as notícias do dia no computador. O “MoJo” (do inglês “Mobile Journalism” ou jornalismo móvel) já é uma realidade nos Estados Unidos, está sendo ensinado por alguns professores E tem mudado a vida de comunidades pobres. Sim, professores como Alissa Richardson ensinam comunidades de mulheres no Marrocos ou aborígenes na Austrália a produzirem notícias e denúncias usando apenas um smartphone.

2) Adapte-se: design responsivo
Está de saco cheio de não conseguir navegar no seu site favorito via celular? Bom, o design responsivo pretende resolver seus problemas.  Design responsivo (do inglês responsive design) engloba “sites” cujo design e informação se adaptam ao formato que o usuário está usando, seja ele um celular, um computador ou sua nova televisão digital. Pelo que pessoas (como Joey Marbuger do Washington Post) falaram no ISOJ essa é uma tendência mundial na qual ainda estamos muito atrasados no Brasil.

3) Dados e interação: data visualization e especiais multimídia

Data visualization (visualização de dados) e especiais multimídia são a grande reportagem do jornalismo digital.  Esse tipo de narrativa é uma excelente maneira de contar histórias de forma interativa e de explicar avalanches de dados de maneira digerível pelos leitores. As falas de Hannah Fairfield e Jill Abramson do New York Times foram muito inspiradoras. Ambas deram detalhes sobre a aclamada reportagem multimídia em HTML 5 “Snow Fall“. Jill (que é a editora executiva do NYTimes) disse nem querer saber quanto a produção de “Snow Fall” custou, mas que o “lucro” do projeto foi “to snow fall” ter ser tornado um verbo no jornalismo americano.

Clark Gilbert. Foto: Erika Rich/ For The Knight Center.

 

4) Dividir para conquistar: empresas devem diversificar sua atuação
Segundo a teoria de Clark G. Gilbert (da Harvard Business School e CEO da Deseret News) empresas que atuam em áreas envolvidas em grandes mudanças – como o jornalismo impresso – devem dividir suas ações em negócios tradicionais e negócios “disruptivos”. Os dois devem ter chefias diferentes e, também,  metas e  recursos independentes. Jim Moroney ( editor e CEO do “Dallas Morning News“) assina embaixo e diz que a integração entre redações do impresso e do online só são uma forma de economizar direito. O “Dallas Morning News” criou diversas startups para oferecerem serviços, criarem conteúdo publicitário e manterem o negócio das notícias rodando.

5) Jornalismo de startups: seu emprego não será num grande jornal
Tanto no ISOJ quanto no “VI Colóquio Iberoamericano de Periodismo”, a tendência do empreendedorismo no jornalismo parece ter vindo pra chegar. O emprego para o estudante de jornalismo não estará, necessariamente, nas redações das grandes empresas mas no seu próprio blog, seu projeto financiado por fundos ou crowfunding ou em startups que fundirão tecnologia e jornalismo.

Eu no "IV Colóquio IberoAmericano de Periodismo". Foto: Gabriel Pérez for the Knight Center for Journalism in the Americas.

 Leia também:

- O conteúdo grátis está transformando o jornalismo num grande anúncio de refrigerantes

-Jornalista digital brasileiro não tem mais cara de bandido


Quem sou eu? Pra onde vou? E o que espero encontrar no 14º ISOJ ?

16 de abril de 2013

Recentemente fiz uma série de questionamentos sobre o futuro do jornalismo (e do jornalismo online) aqui neste blog. Um post sobre como viabilizar o  jornalismo hoje gerou um debate maior e algumas reclamações de que eu estaria criticando a liberdade da internet ou defendendo as “grandes corporações”. Na verdade, quando o assunto se trata do futuro do jornalismo, eu tenho muito mais dúvidas a oferecer do que posições  e certezas para defender. É difícil acreditar em pessoas cheias de certezas sobre o futuro numa fase de transição como a que vivemos hoje.  Sim, o mundo todo passa por uma grande mudança e as rupturas no processo de criar notícias são só a pequena parte que me afeta diariamente.

Jornalistas continuarão a ser pagos para produzir notícias? Qual o papel do conteúdo para celular no nosso mundo? Quais são as melhores maneiras de se viabilizar o jornalismo digital? Quais são as possibilidades do jornalismo com base de dados e da data visualization? O “faça você mesmo” e as ferramentas de crowdfunding podem ser as respostas para a produção de conteúdo em larga escala?

Apesar de não ter muitas respostas, acho que minhas perguntas me ajudaram a ser convidado para o “14º Simpósio Internacional de Jornalismo Online” (ISOJ). Embarco nesta quarta-feira (17)  rumo a Austin (EUA) para poder ouvir ideias e novidades de grandes meios de comunicação como New York Times, Boston Globe, Washington Post e de pesquisadores do mundo todo, além de me encontrar com jornalistas latino-americanos de veículos independentes e tradicionais que estarão presentes no Coloquio Iberoamericano.

Austin parece um bom cenário para procurar ideias novas: ela é cheia de startups,  de música ao vivo,  de incentivo ao comércio local e carrega orgulhosa o slogan “Keep Austin Weird” (ou “Mantenha Austin esquisita”, numa tradução apressada). Bem diferente da imagem que temos do resto do Texas – mais “caubói”.

Volto terça (23) que vem e espero poder compartilhar novidades e inspirações com os leitores deste bloguinho. Hasta luego!

 

 


Robôs já escrevem notícias e podem mudar a cara do jornalismo

5 de abril de 2013

Parece ficção científica, mas é só jornalismo: robôs já estão escrevendo notícias em sites como o da  Forbes. Isso acontece pelo menos desde 2010, quando pesquisas da “Northwestern’s Medill School of Journalism” resultaram na empresa Narrative Science que produz programas de computador capazes de redigirem notícias. Grandes marcas internacionais têm usado esse recurso para criar notícias simples como os resultados de jogos de basquete ou um resumo do que aconteceu na bolsa de valores.

Robôs podem fazer notícias?

Bom, isso não soa tão futurista quanto androides sentados em redações, mas algumas das pesquisas na área fazem o filme “Blade Runner” parecer mais próximo de 2013 . Na Universidade do Nebraska, pesquisadores estão testando os Drones (aqueles aviões não tripulados que os EUA usam para ataques militares) como ferramentas de cobertura jornalística útil para furacões, guerras e desastres nucleares como o da Usina de Fukushima.

Outra mudança grande são os sistemas de medição de audiência em tempo real, que sugerem matérias para os editores de portais e sites colocarem em suas homes (a página inicial dos sites) e também em suas redes sociais. Na prática, esses sistemas “decidem” as notícias que você vai ler. Em março de 2013, o Washington Post anunciou o “Truth Tellerum algoritmo que checa os discursos de políticos em tempo real e pode dizer se eles estão mentindo. O “Truth Teller” é conectado a uma grande base de dados que permite que ele confira se as promessas e declarações de senadores, deputados e, até do presidente, são reais. Imagina se essa moda pega no Brasil?  

Mais um exemplo de automatização das notícias: Ken Schwencke, editor digital do Los Angeles Times, também programou um algoritmo que pode escrever notícias sobre terremotos em seu nome.

Robôs escrevendo notícias são uma realidade irreversível dos nossos tempos. Eles também podem revolucionar outras formas de escrita, como toda aquela burocracia atrás de cartórios e repartições públicas – uma vez que grande parte dos documentos são formulários padrões com espaços em branco para serem preenchidos por dados. No entanto ficam algumas dúvidas: um jornal tem que avisar seus leitores de que eles estão lendo notícias criadas por robôs? Os “algoritmos” de notícias vão servir para liberar bons repórteres para escrever matérias mais profundas ou vão provocar mais uma leva de demissões no jornalismo? No futuro, robôs serão capazes de criar textos como os de Truman Capote ou Ruy Castro?  Acompanhemos as notícias (talvez escritas por robôs :-P) nos próximos capítulos!


Jornalista digital brasileiro não tem mais cara de bandido

26 de março de 2013

Quando eu era moleque, gostava de imaginar como seria minha banda de rock perfeita. Ficava pensando qual seria o melhor baixista (Flea, claro), o melhor vocalista, o batera mais virtuose e o guitar hero que comporiam  essa “superbanda” perfeita. (Tudo bem que já fizeram isso na vida real, chamava Beatles :-P). Muitos amigos menos nerds faziam o mesmo com seleções de futebol:  inventavam equipes com Maradona, Pelé e Cruijff  jogando do mesmo lado.

Núcleo Jovem Digital: a equipe que cuida dos sites e das redes sociais da Superinteressante, do Guia do Estudante, da Mundo Estranho e da Recreio

Hoje, formado em jornalismo, eu não brinco mais de montar “superbandas”, mas tento recuperar aquele espírito para formar as equipes que lidero (e liderei) na Editora Abril. E quando recebo notícias de que dois de nossos trabalhos (“Brasil em números” do Guia do Estudante/Almanaque Abril e “República Imigrante do Brasil” da SUPERINTERESSANTE) são finalistas no prestigiado prêmio internacional SPD (Society of Publication Designers) e que outros 6 de nossos projetos estão entre os 16 finalistas do “Prêmio Abril de Jornalismo” nas categorias digitais,  eu gosto de pensar que as 14 pessoas do Núcleo Jovem & Infantil Digital são esse “supertime“.

Jornalista digital tinha cara de bandido.

Por mais que a internet seja um fenômeno da segunda metade dos anos 90 (do século XX), quando eu cheguei na Editora Abril, em 2006, ainda se tinha a impressão de que “jornalista digital brasileiro tinha cara de bandido“. Exagero? Bem, entre no meu DeLorean, volte pro passado comigo e imagine o seguinte cenário: suas tias e avós viviam te peguntando se você não ia trabalhar na TV igual o William Bonner, seu pai ficaria feliz se você virasse um respeitável articulista de jornal impresso e nós mesmos, jovens jornalistas, vínhamos para Editora Abril loucos para fazer revista.

Bytes e bits se passaram e, em 2008, eu entrei para a pequena e brava equipe digital do Núcleo Jovem, na época liderada pelo Rafael Kenski, um jornalista visionário que tinha criado os primeiros ARGS do Brasil e estava desenvolvendo um newsgame (jogo jornalístico) pioneiro chamado “CSI: Ciência Contra o Crime“. Naquele ano, a equipe ganhou uma medalha de prata no Malofiej (o Oscar da infografia) e teve uma indicação para o “Prêmio Abril de Jornalismo”. Com o passar  do tempo, conseguimos ampliar nosso espaço e reconhecimento. Mais que isso, começamos a criar uma linguagem digital própria, um jornalismo online que não copiava e colava só matérias do impresso, que não procurava só repetir fórmulas do passado que buscava inventar usa linguagem. E procurávamos fazer isso em sinergia com os times das revistas e não contra eles. Quanto mais integrado e 360º um conteúdo pudesse ser, melhor.

Os prêmios nessa história toda não são um fim, mas um meio de medir a qualidade do seu trabalho – um termômetro.  Num mundo onde a quantidade de cliques de uma matéria (contados em tempo real) indica sua relevância, a gente fica muito refém do que o cara quer ler na hora (o flagra de famosos, o vídeo engraçado, o resultado do futebol) e não do que pode ser inovador, do que pode trazer um benefício a longo prazo ou do que pode ser, simplesmente, uma boa história. (Por isso, amiguinhos, lembrem quando criticarem as “homes/capas” dos portais de notícias cheias de bundas e BBBs que são seus cliques que estão mantendo elas lá).

A equipe digital do Núcleo Jovem era como a pequena e brava aldeia gaulesa de Asterix

E quem são os responsáveis por tudo isso?
Bom, quem rala para entregar o conteúdo digital mais inovador e interessante todos os dias para vocês são os rostinhos que estampam o começo desse post. Essa equipe não cuida só do site e das redes sociais da SUPERINTERESSANTE, mas também dos projetos digitais das marcas Mundo Estranho, Guia do Estudante e Recreio.  A Mariana Nadai, editora-assistente, contribui com seu idealismo e liderança aliada à maquina de fazer posts geniais composta pela dupla geek Otavio Cohen e Carolina Vilaverde – os responsáveis pelo que vocês lêem aqui no site da SUPER. A eles se junta a criativa e antenada Ana Prado – responsável pelo blog “Como as pessoas funcionam” e também pela reportagem do site do Guia do Estudante, onde trabalha com a Carolina Vellei, uma apaixonada pelo poder transformador da educação na vida dos nossos internautas.

Todos nossos jornalistas pensam em redes sociais 24 horas, mas a Lorena Dana é responsável por checar e atender TODAS interações do nosso público no Facebook e, ainda, por traçar estratégias para nossas marcas. Os belos infográficos e os jogos informativos que desenvolvemos passam pelas mãos do nosso time de designers: Alexandre Nacari que acaba de chegar para substituir o talentoso Daniel Apolinario na tarefa de coordenar o belo trabalho da Juliana Moreira (uma ninja do CSS e do acabamento detalhista) e a idealista e pró-ativa Laura Rittmeister. O código dos nossos sites fica nas mãos do Thiago Moura, um programador que vê o mundo além da Matrix. E o time ainda tem a ginga carioca do Felipe Thiroux, responsável pelos desenhos animados da Recreio e animações da capa da versão de iPad da SUPER, a pilhada Ludmilla Balduino que toca o vibrante site da Recreio e nosso estagiário Vinicius Giba que recheou a home do site da Mundo Estranho de gisf animados que contam histórias.

Ufa! É muita gente, mas o talento deles merece ser destacado. Porque é essa “superbanda” de jornalismo online que tem me ajudado a acreditar que hoje em dia,  jornalista digital brasileiro já não tem cara de bandido. Tem cara de jornalista mesmo :-)

 


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