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O conteúdo grátis está transformando o jornalismo num grande anúncio de refrigerantes?

18 de março de 2013

Haverá futuro para o jornalismo num mundo onde as pessoas estão acostumadas a receberem informação grátis?

Calma, esse não é um artigo em defesa do paywall (modelo de cobrança adotado por alguns jornais online, em que o leitor pode ler apenas um número determinado de matérias sem pagar) ou do conteúdo pago na internet. É uma reflexão sobre como o nosso hábito de acessar apenas conteúdo gratuito na internet (sejam filmes, discos ou notícias) está matando a fonte de receita destas indústrias e tornando a publicidade sua única alternativa. Acontece que as marcas que anunciavam nos jornais ou revistas agora querem produzir seu próprio conteúdo, falando diretamente com o leitor e sem precisar de  ~intermediários~. Então, em breve, você pode ter que escolher entre as notícias do marca X ou Y e não entre seu portal favorito ou o aquela revista mensal de bordas vermelhas que você tanto ama. E a marca X ou Y não vai ter obrigação nenhuma de produzir conteúdo isento ou objetivo. Lembre, a marca X ou Y não ganha dinheiro com jornalismo, ela ganha conteúdo vendendo tênis, picolé, batata frita ou batom. No final do mês, o que vai contar não é a quantidade de notícias lidas, mas a quantidade de produtos vendidos. E a coisa fica mais feia se você imaginar que na época da eleição estará lendo notícias patrocinadas pelo Partido A ou o Partido B. Neste cenário, qual a chance de um escândalo como o do  “Mensalão” ou dos “Vampiros da Saúde”  voltar a estourar?

E agora, Clark Kent?

Sim, eu sou jornalista e trabalho no mercado há sete anos – especialmente com internet que é a mídia que mais sofre com isso, mas essa não é uma mera impressão pessoal do que eu vi ou vivi. O site americano Mashable publicou nesta segunda (18), os resultados da pesquisa anual do Pew Research Center’s sobre o estado da mídia. Este estudo mostra que as redações dos Estados Unidos cortaram 30% de suas equipes desde 2000 e quem está pagando a conta é a qualidade do jornalismo.  Hoje,  nos EUA, existem 40 mil pessoas empregadas trabalhando com jornalismo, o menor número desde 1978.  Enquanto isso a cobertura de notícias caiu 30%, dando lugar a conteúdos mais frios – como entrevistas. Tem até uma startup chamada Narrative Science experimentando um algoritmo que cria notícias. Sim, algumas empresas – incluindo a Forbes – já pensam em deixar as reportagens nas mãos de robôs. E isso tem feito com que menos leitores acompanhem jornais, revistas e portais. Paralelo a isso, anunciantes têm migrado para empresas como Google e Facebook, que além de terem substituído muito do papel dos produtores de notícias tradicionais na web, estão anos luz à frente das empresas de jornalismo na plataforma mobile.

Dentro deste cenário, quem está se saindo melhor é o New York Times com seu modelo de paywall em que os leitores têm que pagar se quiserem acessar mais de 10 matérias por mês. Dez matérias são grátis, o restante é pago. Hoje 20% dos jornais americanos (e alguns brasileiros como a Folha de S. Paulo e o Estadão) usam paywall. Em 2012, a receita com essas assinaturas digitais já superou o que o New York Times tem ganho com publicidade. A pergunta é: quanto vale uma notícia de qualidade para você?

Se ficar o bicha pega, se correr...

 

Existem alternativas? Bom,  alguns projetos podem conseguir financiamento através de crowdfunding (sistema de financiamento coletivo de projetos), mas é difícil imaginar o salário dos 40 mil jornalistas empregados nos EUA saindo de doações espontâneas na internet. Funciona para projetos específicos, mas não sustenta a estrutura.  Seria o fim do conteúdo grátis na internet? Claro, que não. Blogueiros, fãs e entusiastas das mídias livres continuarão produzindo conteúdo que não precisará, necessariamente, estar atrelado a uma empresa ou fonte de renda. Agora o movimento contrário é arriscado. Transformar todos jornalistas em fãs que escrevem por hobby é transformar a informação em algo que dependerá da boa vontade de um ou outro  bom samaritano.  Acho difícil imaginar que um médico ou engenheiro topasse trocar seu salário por uma série de curtidas no Facebook.

Fred Di Giacomo é jornalista e editor digital do Núcleo Jovem & Infantil (Superinteressante, Mundo Estranho, Guia do Estudante, Recreio, Vida Simples e Aventuras na História). Ele também é autor do livro “Canções para ninar adultos“. (Editora Patuá). 


Videogames podem melhorar a capacidade de leitura em crianças com dislexia

6 de março de 2013

Um dos posts mais acessados do NEWSGAMES foi o que desmistificamos as maiores mentiras sobre games. Claro que tudo na vida deve ser feito com moderação (inclusive jogar), mas nesse post mostrávamos que videogames podem trazer muitos benefícios para as pessoas.  Agora uma pesquisa publicada pela Universidade de Pádua e divulgada pelo Huffington Post e pela BBC  mostra que jogos de ação podem melhorar a capacidade de leitura de crianças com dislexia. 

Os coelhos alucinados que ajudaram as crianças a lerem melhor

Os cientistas italianos selecionaram crianças disléxicas com idades entre 7 e 13 anos e as dividiram entre dois grupos: um dos grupos jogou sessões de 80 minutos do game de ação “Rayman Raving Rabbids” e o outro grupo jogou outro game mais relax. O resultado? Quem jogou o primeiro jogo estava apto a ler de forma mais rápida e acurada e, consequentemente, foi melhor nos testes de medição de atenção. A pesquisa também demonstrou que crianças disléxicas que jogavam 12 horas de videogame  melhoravam mais suas capacidades de leitura do que se passassem um ano lendo apenas de forma “tradicional”. Segundo os pesquisadores italianos os videogames tem a capacidade de melhorar a atenção e a percepção de movimento.

Achou ousado? Então confira as ideias da Jane McGonigal que defende que games podem salvar o mundo!

 


Infografia na era digital: palestra de Fred Di Giacomo e Daniel Apolinario na Campus Party

26 de fevereiro de 2013

Em janeiro deste ano, eu e o designer Daniel Apolinario (um dos responsáveis por vários projetos legais da SUPER como Filosofighters e República Imigrante do Brasil) fomos convidados para ministrar uma palestra sobre infografia digital na Campus Party. No vídeo, que você assiste abaixo, damos uma breve explicação sobre o que é infografia,  introduzimos quais são as características da infografia digital, mostramos trabalhos de referência (muita coisa legal do Luiz Iria) e explicamos como foi o processo de criação de projetos como o “Trem do Samba” e o “Teste do Bêbado“.

Espero que gostem :-)


(Eu já sabia) Games são arte e estarão expostos no MoMA a partir de março

20 de fevereiro de 2013

Seria Pac-Man a Monalisa do século XX?

Você já leu, leu de novo e cansou de ler aqui no NEWSGAMES que muitos game designers e entusiastas de jogos consideram essa mídia eletrônica uma forma de  arte, né? Bom,  para colocar um ponto final nessa discussão (ou jogar mais lenha na fogueira), a partir de março você poderá jogar/ver 14  jogos clássicos numa exposição permanente do renomado MoMA – o Museu de Arte Moderna de Nova York.

A notícia você já deve ter lido por aí, mas o resumo é o seguinte: no final de 2012, o MoMA  anunciou a aquisição de 14 games (entre eles SimCity, Pac-Man, Portal e Tetris) para o seu acervo e a pretensão de chegar a 40 jogos adquiridos (estão nessa lista futura Street Fighter 2 e Super Mario Bros).

Apesar dos curadores do museu consideraram os jogos como uma forma de arte, eles avisam que o foco da exposição lá é o design e as soluções dos games para interatividade com os usuários.

Quem diria que SimCity acabaria no museu, hein?

Como  bem apontou o site Games Foda nesse artigo aqui, os jogos estão na sua adolescência – onde a maior parte das temáticas consiste em “matar-pilhar-destruir” e uma pequena parcela busca criar novas linguagens e contar histórias que não sejam só “Hulk esmaga” feelings. Mas isso não é exclusividade dos jogos eletrônicos, isso acontece também formas de arte mais antigas como os filmes (pra cada “Cidadão Kane” existem 300 Chuck Norris) e com a milenar literatura (digamos que “50 tons de cinza” não é exatamente uma nova “Odisséia”, né?). A tendência é que com a maturidade do formato (e com o envelhecimento dos seus jogadores) a demanda por games cults/adultos/indies/artísticos só cresça.

De qualquer forma, para o MoMA os games já garantiram seu lugar nos museus e isso é legal pra caramba.

Veja também:
- Videogames são arte?
- Leitura recomendada: “A Theory of fun for Game Design”


Infografia e visualização de dados – Palestra de Emiliano Urbim, Gabriel Gianordoli e Guilhermes Damian

5 de fevereiro de 2013

Na última terça (29/01) eu e o Daniel Apolinario demos uma palestra na sexta Campus Party sobre infografia digital. Na CPBR4 esse assunto foi explorado pelo Gabriel Gianordoli (ex-designer da SUPER, expert em data visualization e atualmente no Itaú), pelo Emiliano Urbim (ex-editor da SUPER, premiado por vários infográficos e hoje na Alfa) e o Guilhermes Damian (editor de infografia do Ig). A palestra é bem legal, vale a pena assistir pra aprender.


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