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Posts da categoria ‘sustentabilidade’


Protetor solar e outros cosméticos poluem a água?

21 de fevereiro de 2014

Protetor solar ou outros cosméticos poluem o mar? Obrigado.
Thiago Queirog

 

BANHINHO BOM

lama

Em tese, qualquer coisa que seja estranha ao ambiente pode gerar poluição. Então, tanto os protetores solares quanto cremes hidratantes e outros cosméticos poluem. “Eles ficam na superfície da água, seja do mar, seja das piscinas. No caso do mar, essas substâncias são arrastadas para os recifes de corais e podem, sim, provocar um desequilíbrio”, explica Maria Lucilia dos Santos, professora do Instituto de Química da UnB.

Segundo um estudo divulgado na revista científica Environmental Health Perspectives, os componentes dos bloqueadores solares provocam uma infecção viral nos corais, que geram o branqueamento e a morte dos organismos. A pesquisa analisou diferentes marcas e composições de protetor solar – todas causaram o dano. De acordo com o artigo, cerca de 10% das reservas de coral no mundo estão ameaçadas pelo branqueamento. “Quanto menos biodegradável for o produto, mais tempo ele fica acumulado no ecossistema”, diz Maria Lucilia. Quanto maior for a quantidade, maior o risco ao ambiente marinho. Segundo pesquisadores do Conselho Superior de Pesquisa da Espanha, o fitoplâncton, crustáceos, algas e peixes também são vulneráveis aos efeitos desses produtos.

Uma solução para diminuir o problema pode ser a produção de protetores solares e cosméticos ecologicamente corretos. A ideia é utilizar materiais que sejam de origem vegetal. “Eles se degradam mais rápido do que os produtos de origem petroquímica”, esclarece a professora. Lugares como o parque Xcaret, em Cancún, México, permitem apenas o uso de protetores biodegradáveis. Cancún, terra da esbórnia e da vidaloka dos rolezeiros de apartamento, quem diria, é nota 9,5 no quesito alegoria e adereços sustentáveis.


Se as geleiras derreterem, como o nível do mar pode subir se elas já estão no oceano?

17 de fevereiro de 2014

Senhor do conhecimento, responda esta: por que o nível das águas dos oceanos irão aumentar com o derretimento das calotas polares se as elas já estão dentro dos oceanos ?
Rafael Moraes, Uberlândia, MG

gelo

Porque nem todas as calotas polares estão dentro dos oceanos, não são pedras gigantes de gelo boiando. Alice Grimm,  professora do Departamento de Física da elegantérrima UFPR, nos lembra que há calotas que estão boiando, claro (como no oceano Ártico) e outras que estão sobre a terra (como na Antártica).

Se o gelo flutuante derreter, não vai mesmo fazer muita diferença para o nível das águas. “Quando o gelo derrete, o volume de água resultante desse derretimento é igual ao volume de água que o cubo de gelo deslocava. Portanto, o nível de água não aumenta com o derretimento de gelo flutuante”, lembra a professora.

Mas há muitas geleiras que estão cobrindo a terra. Se elas derreterem ou se desprenderem e forem para o oceano, aí, meu amigo…

A PARADA FICA SÉRIA

madruga

 

 

O nível do mar vai subir, se essas geleiras derreterem. “Pode ser gelo da Antártica, ou de outras geleiras, como na Groelândia, ou ainda que estão em montanhas, como nos Andes e nos Alpes”, diz Alice. E tem mais. Outro fator que deve fazer o nível dos oceanos subir com o aquecimento global é o aumento da temperatura da água, que leva à expansão térmica.

(foto: Guillermo Avalos)


Que tipo de lâmpada é mais econômica e sustentável?

6 de junho de 2013

As chamadas lâmpadas econômicas são ecologicamente mais corretas que as lâmpadas incandescentes?Afinal, elas utilizam mercúrio, chumbo, estanho na solda dos componentes eletrônicos – que por sua vez também consomem mais recursos naturais para ser produzidos. É mais difícil de descartar e mais caro para ser reciclado…
Antonio Biscola, Campinas, SP

E mesmo assim, as lâmpadas econômicas são, sim, consideradas mais sustentáveis. O mundo agradece quando você compra uma fluorescente compacta em vez de uma incandescente.

Dono d’um sobrenome famoso e respeitadíssimo, Jayme Buarque de Hollanda também é diretor geral do Instituto Nacional de Eficiência Energética, o enérgico INEE. Ele explica que não existe uma energia completamente limpa. PÉÉÉÉÉÉ!

“Até as hidrelétricas, que não emitem gases poluentes ao gerar eletricidade, modificam fortemente o meio ambiente na proximidade da usina”, exemplifica. Segundo Jayme, existem dois motivos que fazem a lâmpada fluorescente melhor do ponto de vista ecológico:

1 – Consumir um quarto da energia da lâmpada convencional (incandescente) para produzir a mesma iluminação.
2 – Ter vida útil até dez vezes maior, o que reduz a quantidade de lâmpadas necessárias para abastecer o mercado (causando menor poluição).

Quanto à dificuldade de descarte da lâmpada econômica, Jayme explica que isso já está sendo reduzido pelas políticas de reciclagem em curso, como a descontaminação, separação e armazenamento de todos os componentes para reutilização. E é importante lembrar que as fluorescentes estão começando a ser substituídas pelas lâmpadas LED, Tonhão. As LED são consideradas ainda mais eficientes, com menores efeitos ambientais diretos e uma vida útil mais longa.

Tão longo quanto este solo de bateria:

 

(crédito da imagem: Jason A. Samfield)


Cadáver pode virar adubo?

16 de abril de 2013

Querido Oráculo,

Estava discutindo com minha família e a faxineira se cadáveres humanos servem como adubo, ou seja, frutos e hortas caso fossem cultivados em um cemitério poderiam ser rentáveis no caso de um novo projeto “ecoagrônomo”? Ou saudáveis para o consumo?

Rafael Tavares, Recife, PE


Aduboman. 

PQ FAS ISO RAFAEL!?!?

Defuntos não servem como adubo nem são rentáveis ou saudáveis para consumo. Criar hortas de cadáveres humanos é uma péssima ideia.

Na Idade Média, era costume triturar os cadáveres do pessoal mais pobre e misturar com palha e esterco para servir como adubo. Bacana, né? Mas o “fertilizante natural” acabou disseminando uma das piores epidemias mundiais: a peste negra. Parabéns, humanidade.

Portanto, não é higiênico, nem saudável, legal ou ético fazer adubo humano. Mesmo em uma situação hipotética em que os cadáveres estariam completamente esterilizados, a decomposição deles não traria nenhuma propriedade extra para a terra, além daquela produzida por qualquer matéria decomposta.

Quem explica é o geólogo Leziro Silva, que pesquisa a poluição gerada pelos cemitérios desde os anos 70 e foi o responsável pela criação do neologismo “necrochorume”, nome dado ao líquido mal cheiroso que resulta da decomposição dos defuntos. Não sei o que vou almoçar, mas certamente pensarei nisso agora.

Segundo o pesquisador, o problema nem é a contaminação das frutas, verduras ou legumes da horta, mas o perigo de a pessoa que vai triturar ou manipular o adubo se infectar. E se o cadáver é de alguém que morreu de uma doença contagiosa, por exemplo? Outro problema lembrado pelo geólogo são as aerobacter, bactérias de veiculação aérea, que podem ser facilmente transmitidas pelo vento e estão presentes no cadáver de humanos.

Fica a dica do Leziro: nada de projeto ecoagrônomo alternativo. “Não se usa, não é recomendável e nem admissível perante as leis e normas”, alerta. E pague tudo direitinho para a faxineira, heim! Se até o Oráculo tem carteira assinada (e firma reconhecida no cartório de Delfos), as domésticas têm que ter, uai.

(crédito da imagem: Sick Sad M!kE)


Amassar papel antes de jogar no lixo impede a reciclagem?

20 de setembro de 2012

Oh, grande Oráculo que tudo sabe! Tenho um colega ecochato no serviço que pega no pé de todo mundo que amassa papel antes de jogar no lixo, dizendo que quebra as fibras do papel e impedem a reciclagem do material. Afinal, a afirmação dele é correta ou é apenas excesso de chatice mesmo?
Obrigado e um grande abraço a todos da redação da SUPER!
Diogo dos Santos Falcão, Diadema, SP


Vai tomar jornal na fuça, malandro.

Pode estufar o peito e dizer para o seu colega ecochato que ele está ERRADO. Segundo a Associação Brasileira de Celulose e Papel, a Bracelpa, amassar as folhas antes de jogá-las no lixo não quebra as fibras do papel. Até porque, ao ser enviado para a reciclagem, o material será comprimido e, portanto, amassado de qualquer maneira.

A reciclagem amassa o papel, ora pois.

No entanto, é verdade que as fibras perdem a resistência ao longo do tempo. Segundo a Bracelpa, é por causa disso que o papel não pode ser reciclado infinitas vezes. Será sempre necessário o uso de fibras virgens para reciclar o material. Mas não se preocupe: uma das vantagens é que o papel produzido no Brasil tem origem na celulose de florestas de pinus e eucalipto, que são consideradas renováveis.

Obrigado pelo cordial abraço. Nossos mensageiros levarão o recado à recatada redação de maçãs do rosto tão rubras quanto a vermelha borda de sua capa.


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