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Insetos podem salvar o mundo da fome e do aquecimento global?

Thays Prado 16 de agosto de 2010

Larvas de formigas, comercializadas em Isaan, na Tailândia

Atualmente, vacas, porcos e ovelhas ocupam dois terços das terras agrícolas do mundo e emitem 20% dos gases de efeito estufa que lançamos na atmosfera. E o consumo de carne só aumenta: há 20 anos, a média global de consumo era de 20 Kg por ano, hoje, consome-se 50 kg, e, em vinte anos, a perspectiva é de que cada pessoa coma 80kg de carne por ano.

Não há planeta que aguente produzir tanta carne e, muito menos, suportar um aumento tão drástico nas emissões de carbono. Por esse motivo, uma das recomendações da ONU para controlar as mudanças climáticas é que todas as pessoas passem, pelo menos, um dia por semana sem consumir carne e diminuam o consumo ainda mais ao longo do tempo.

Há pesquisadores no mundo todo pensando em alternativas que ajudem a conter o aquecimento global e a alimentar os possíveis 9 bilhões de habitantes que seremos em 2050.

Desde 2008, a FAO – Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação discute a possibilidade de se incluírem insetos na dieta humana. Na realidade, mais de mil tipos de insetos já fazem parte do cardápio de 80% dos países, especialmente na porção oriental do globo, e são mais populares nas regiões tropicais, onde ficam maiores e são mais fáceis de serem capturados.

A ideia tem o aval do entomologista (estudioso de insetos) Arnold van Huis, da Universidade de Wageningen, na Holanda. Ele diz que essa classe de animais possui um alto nível de proteínas, vitaminas e minerais.

Além disso, de acordo com suas pesquisas, as fazendas de insetos produzem uma quantidade muito menor de gases de efeito estufa se comparadas à pecuária: uma criação de gafanhotos, grilos ou minhocas emite 10 vezes menos metano. Os insetos ainda produzem 300 vezes menos óxido nitroso, que também tem efeito estufa, e muito menos amônia, comum nas criações de porcos e aves.

As fazendas de insetos ainda poderiam gerar renda para comunidades carentes e proteger as florestas, pois além de elas serem o habitat natural de várias espécies, não precisariam ser destruídas pelo avanço das pastagens.

O objetivo da FAO é incentivar, inicialmente, o aumento do consumo de insetos em locais em que a prática já é aceita, mas caiu em desuso por conta das influências culturais do ocidente.

Desde abril, o órgão das Nações Unidas vem desenvolvendo um projeto de criação de insetos no Laos, aproveitado os conhecimentos de 15 mil agricultores familiares que cultivam gafanhotos na Tailândia, país vizinho.

No Laos, a população sofre com deficiência de cálcio – havia, inclusive, uma proposta de se construir uma grande indústria leiteira no país. No entanto, a maior parte dos asiáticos tem intolerância à lactose. Considerando que grilos e gafanhotos são ricos em cálcio e 90% da população do Laos já comeu insetos em algum momento, pode estar aí uma boa solução para a saúde desse povo.

Você acredita que essa ideia seria aceita no Brasil?

*Foto: CC Bertrand Man

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Comentários

sigarcia disse:

Acredito que trata-se de uma questão de conscientização da população para que o consumo possa diminuir significavelmente, já que ocorre o contrário, ou seja cada vez mais as redes de lanchonete estimulam o consumo desenfreado.

Paulo Roberto Santos de Castro disse:

Não sejo como essa idéia dar certo no ocidente.É mais necessário o controle de natalidade,para que possamos continuar viver sem esgotar os recursos naturais do planeta.Nos países de primeiro mundo o crescimento populacional está controlado,mas a população continua sendo um problema nos países subdesenvolvidos.

allison fukumoto disse:

existe um grande disperdício na alimentação não só brasileira, como estrangeira também.Na maior parte em restaurantes, churrascarias, supermercados, entre outros.A data de validade e o exagero da população comprar muito por estar em promoção, mesmo sabendo que não se vai consumir tudo é normal em vários países e consecutivamente vem a saúde na má alimentação.Cada vez mais aumentam variedades de produtos para consumo, o que leva as pessoas a se dividirem em uma coisa que já está acostumada a comprar e outra que vai querer colocar no meio da compra.Enfim não vou aumentar a conversa.As pessoas não conseguem medir sua auto-necessidade.

mariana disse:

Fabian… não sei se alguém já te contou mas…leite vem de vaca ou da sua mãe, como acho que sua mãe não tem mais leite, vc teria que tomar de vaca mesmo e….os gases que as vacas leiteiras emitem, são os mesmo que o gado para o abate emitem. logo, o melhor “comer menos carne”… não comer durante a semana e fazer um churrasno fds.!!!
bjunda

Vanessa disse:

Concerteza será uma grande dificuldade incluir insetos na dieta do brasileiro, que é uma nação carnivora por natureza, porém é uma questão de adaptação, concordo com @OHabermann, incluindo no cardapio das crianças, será muito mais facil para as gerações futuras. Não nascemos sabendo comer carne, aprendemos pq nossos pais ensinam.

@OHabermann disse:

Acho essa uma excelente idéia, mas teriamos que colocar isso em prática e acostumar as crianças desde cedo a comer insetos, para que se torne uma prática natural, acredito que não seja tão fácil de iserir essa alimentação em nossa cultura

Marcos disse:

Engraçado, as pessoas comem camarão, que é um animal que se alimenta de restos, animais mortos e praticamente qualquer material em decomposição, seja vegetal ou animal, que encontre (resumindo: um lixeiro) e têm nojo de comer gafanhotos (que só comem folhas). Enfim….eqto ao Fabian que disse que se falta cálcio, tome leite, acredito que ele não entendeu o texto, pois se tivesse entendido…enfim…sem comentários maiores.

Pedro disse:

Quanto mais tempo passar até que encontrem uma solução que atenda a todos, mais dificil a situação irá ficar.
O problema é que as pessoas pensam somente no hoje e esquecem do amanhã, a ganância é demais!

Sandro Dantas disse:

Muito interessante. Porém o entrave, como o de muitos benefícios, é a cultura. Fazer com que o povo, como o Fábian aí, parem de comer carne não vai ser fácil. Bom, quem sabe daqui alguns anos quando nossos filhos estiverem sofrendo bem mais com os problemas sociais do que sofremos hoje eles não repensem nesta possível solução.

Henrique disse:

Eu aceitaria numa boa. Isso é sustentabilidade. Qualidade de vida para mim e para o coletivo.

Fabián disse:

Estão sugerindo que deixemos de comer churrasco para comer gafanhotos? Se falta cálcio vai tomar leite!

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