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Veja, filme, mude

Redação Planeta Sustentável 9 de novembro de 2007


"Eu nasci em 6 de maio de 1953, mas ainda não vi paz em minha vida". Na cena seguinte à fala da professora Naw Paw Paw - uma das milhares de pessoas desalojadas pelo exército da Birmânia, por fazer parte de uma minoria étnica -, aparecem vilarejos em chamas, pessoas assassinadas, crianças brincando com as cinzas daquilo que antes era a sua casa. À trilha sonora do vídeo, se misturam os gritos e o choro dos desalojados.

As imagens que você vê aqui são de setembro de 2005 – dois anos antes do exército birmanês repreender com tortura e violência as manifestações pacíficas de monges e civis pelo fim da ditaduta. Impossível não imaginar quantas mortes poderiam ter sido evitadas se tivéssemos prestado atenção nesse recado antes…

O recém-lançado The Hub é uma plataforma global para a publicação e a divulgação de vídeo, áudio e imagens relacionadas à violação de direitos humanos – sejam esses direitos políticos, civis, sociais, econômicos ou culturais. O "YouTube dos Direitos Humanos", como foi apelidado, é ainda uma rede social, que permite a criação de comunidades, grupos de discussão, eventos e causas. Qualquer pessoa pode se cadastrar, e participar de qualquer uma das atividades propostas pela rede: see it, share it e take action (ver, comentar ou publicar vídeos, dividir conhecimento nos grupos que tenham a ver com seu interesse ou sua expertise, e agir em prol dos direitos humanos, organziando campanhas e ações baseadas no conteúdo do site).

O The Hub é uma iniciativa da WITNESS, uma organização criada em 1992 pelo cantor e ativista Peter Gabriel. Em uma turnê mundial pelos Direitos Humanos, ele conheceu tantas histórias de violência e sofrimento, que resolveu que precisava fazer a sua parte pela mudança.

O vídeo foi escolhido como ferramenta pouco depois de quatro policiais norte-americanos terem sido flagrados por câmeras de segurança enquanto espancavam um homem negro. No princípio, a organização achava que seu foco principal estaria na distribuição de tecnologia para a produção dos vídeos. Mas hoje, o maior esforço está em conseguir organizações parceiras que realizem um sério trabalho pelos direitos humanos em todo o mundo, e em atuar juntamente com elas para mostrar, nas comunidades, o potencial de mudança das novas mídias (por meio do treinamento e da conscientização).

A WITNESS usa o vídeo digital para dar poder às pessoas, e transformar suas histórias tristes de abuso em ferramentas poderosas para promover a justiça, o engajamento público e a transformação política. E o The Hub abre a oportunidade para que qualquer um de nós participe desse movimento – e perceba que ver e filmar podem ser ações decisivas para mudar o mundo.

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Comentários

Ana Vitória - BH - SP disse:

Outro dia filmei uma criança sendo espancada. O vídeo vai servir como prova pra tirra uma criança de um grande sofrimento. É isso, de celular na mão a gente pode fazer umas coisas assim e fazer circular depois. Não dá pra ver e ficar quieto e nem é preciso ficar. Põe na net e deixa andar.

Isa Vieira disse:

Ver e filmar: cidadãos comuns com poder para mudar histórias. A web tem disso, esse poder de chegar onde se precisa chegar em segundos! Pena o site não ser em português.

Rui Castro disse:

Concordo com a Ana – excelente post.

Rui Castro - Macaé disse:

“A comunicação é essencialmente livre sobre a web”, combinado a uma arquitetura de participação gerida pelo efeito de rede, certamente torna as plataformas de mídias sociais a mais poderosa forma de mídia até hoje criada: em segundos, um post num blog, um filme no you tube geram milhões de acessos que podem fazer ruir impérios. Bom apostar nisso. Os tiranos não terão mais como se esconder. Excelente post.

Ana Luiza disse:

O uso de novas tecnologias e o conhecimento carescentado por ela em nossas vidas vai além do que pode supor a nossa filosofia, na maioria das vezes vã filosofia mesmo! Há pessoas que como eu sabem pouco do que se pode fazer diante do computador. Ele pode ser um instrumento de conscientização, de libertação pra todas essas pessoas que sofrem.O site da Witness está em inglês e isso dificulta o acesso de muitas pessoas. Seria bom se pudéssemos participar de sites assim feitos em português. Perfeito terem colocado esse post!

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