Bruno Garattoni 26 de junho de 2008

Tenho pensado bastante sobre o futuro dos celulares, pois a galera anda polarizada na redação da SUPER. De um lado, os donos de iPhone (são vários). Do outro, a galera que aposta no Android, sistema operacional que o Google tá preparando para revolucionar a telefonia móvel. E agora? Vamos lá:
1. O Android está patinando. O sistema operacional do Google é grátis e aberto, ou seja, todos os fabricantes de celular vão poder usá-lo em seus aparelhos. Só que, por enquanto, ele não pegou: apenas HTC e Motorola toparam adotar o software, que vai atrasar.
2. É impossível copiar o iPhone. Mesmo que o Android dê muito certo e consiga reproduzir os principais recursos do rival, há um problema: o telefone da Apple está cercado por mais de 150 patentes, ou seja, suas principais tecnologias não podem ser copiadas. Tela multitouch? Design superfino? Sensor de proximidade? Sorry, mas os celulares Android não vão ter. É a estratégia clássica da Apple: por que você acha que, até hoje, nenhum toca-MP3 tem a "rodinha" igual a do iPod? Porque Steve Jobs patenteou o bagulho.
3. O código aberto não vai ajudar. O Android é como o Linux: qualquer pessoa pode desenvolver novos recursos para melhorá-lo. O iPhone não é assim. Só que Steve Jobs abriu uma brecha – pagando US$ 100, você pode fazer softwares para o telefone da Apple. E, como mostra a SUPER deste mês, o iPhone já tem um monte de programas independentes. Isso anula a suposta vantagem do Android. Na prática, ele está largando atrás (além disso, vai ter de vencer a resistência das operadoras, que detestam softwares abertos).
4. E os aparelhos são um obstáculo. Tem gente achando que, graças ao Android, todos os celulares ficarão legais. Não é assim. Para aproveitar o sistema do Google, os telefones vão precisar de tela grande e sensível ao toque. Só que, dos 300 milhões de aparelhos vendidos este ano, apenas 32 milhões são assim. A maioria das pessoas compra aparelhos simples, com telinhas minúsculas. Sem espaço pra respirar, o Android não conseguirá brilhar.
* * *
Conclusões: o iPhone continuará sendo um produto de nicho, a BMW dos celulares. E com ou sem Android, as demais marcas vão evoluir. Mas, na prática, seus novos aparelhos serão no máximo imitações do iPhone. O que não chega a ser um problema, pois todo mundo vai ganhar dinheiro vendendo celulares simples – que permanecerão na liderança do mercado. E aí? Viagem? Guardem na cabeça este post e no futuro a gente vê se acertei, ok?
O lugar para saber de todas as febres do mundo tech.
Bruno Garattoni
É editor da Super. Roda o mundo atrás das últimas novidades, mas não dispensa um passeio na Santa Ifigênia, rua preferida dos geeks em São Paulo.
bruno.garattoni@abril.com.br
E agora ainda acredita que o a Apple é melhor que o Android?
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