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Brilhante e assustador, “Sob a Pele” é impossível de esquecer (Filmes de Sexta)

16 de maio de 2014

(Quando não estou trabalhando, gosto de ir ao cinema. Vejo um monte de filmes – e pensei em comentar um a cada semana. Sempre às sextas-feiras, sempre com um filme que estiver estreando. Com vocês, Filmes de Sexta) 

Você conhece alguém num bar, na balada, numa festa, na livraria, na praia, no aplicativo. Pode ser em qualquer lugar. Parece uma pessoa legal… e bem atraente. Falam, rola um beijo, combinam de se ver uns dias depois. Você dá uma xeretada básica na internet, mas a verdade é que ainda sabe muito pouco sobre aquela pessoa. Quase nada. Mesmo assim, topa encontrá-la de novo. Entrar no carro dela, na casa dela, na vida dela. Mas o seu inconsciente soa um alerta quando a porta se abre. Como essa pessoa realmente é? Que defeitos e qualidades ela tem? O que ela quer? Será que vai dar certo? Ou vou perder meu tempo, acabar só e triste? O que vou encontrar aqui, meu deus? Se a anfitriã fosse Scarlett Johansson, e sua vida fosse “Sob a Pele”, filme que está estreando nos cinemas brasileiros, você iria encontrar a morte. Scarlett é uma alienígena com a missão de encontrar, seduzir e consumir (mais sobre isso daqui a pouco) seres humanos.

No caso, homens. Ela dirige uma van pela cidade de Glasgow, na Escócia, procurando suas vítimas. As cenas estão cheias de pessoas reais, que andavam na rua sem saber que estavam sendo filmadas pelo diretor Jonathan Glazer – que, escondido na parte de trás da van, controlava um sistema de câmeras ocultas. Isso dá ao filme uma atmosfera muito real, faz com que você se sinta dirigindo por Glasgow. Mas dirigindo como se fosse um alien. A fotografia e a edição, estranhas e lindas, o uso inteligente do som (em alguns momentos, cadenciado para mexer com a sua respiração, truque que Glazer empresta do franco-argentino Gaspar Noé) e a ausência de diálogos nos primeiros 20 minutos vão formando um clima ominoso, sinistro, intimidante – e irresistível também. É impossível ver as cenas da cidade, com as pessoas andando alheias de um lado pro outro, e não se colocar no lugar do alien. Se você fosse ele/a, qual vítima escolheria?

Essa identificação quase instantânea, e com o vilão, é algo que pouquíssimos filmes conseguem. Mérito do diretor Glazer, que começou a carreira dirigindo clipes do Radiohead e do Blur, fez dois filmes (o bom “Sexy Beast”, em 2000, e “Birth”, em 2004), e de lá pra cá só produziu comerciais – para Stella Artois, Sony e Guinness, todos autorais e legais.  E também mérito de Scarlett, que parece ter nascido para este papel: seu olhar vazio e ao mesmo tempo profundo, que fez a força de “Encontros e Desencontros”, é simplesmente perfeito aqui. O filme tem pouquíssimas falas, mas elas não fazem falta. Cenas sem diálogos são como livros, você mesmo imagina as coisas. E para um filme de suspense, isso é ótimo. Porque você fica mais envolvido – e mais tenso.

O silêncio só é quebrado quando ela escolhe uma vítima, estaciona a van e começa a jogar um papo furado. Sempre dá certo, claro. A maioria dos homens, ou pelo menos grande parte, toparia subir no carro de uma desconhecida e ir à casa dela, se ela fosse Scarlett Johansson. Qualquer um vira uma criança, atrapalhada e boba, na frente de uma mulher estonteante. Quando chegam na casa, as vítimas do filme são seduzidas e, sem entrar em detalhes-spoiler, assimiladas. É um processo visualmente muito bonito, que de início nem parece violento. Mas na medida em que o filme se desenvolve, e você vai descobrindo o que acontece, percebe que está vendo atos de ultraviolência. Uma ultraviolência alienígena, construída com uma lógica na qual o corpo, e o sangue, têm significado totalmente diferente do nosso. Há cenas muito fortes, icônicas, daquelas que ficam na memória por muito tempo – e serão comentadas durante décadas pelos críticos e fãs de cinema. Mas “Sob a Pele” não é apenas graficamente aterrador; também tem momentos em que a personagem se comporta com uma crueldade quase insuportável. Não é um filme que se veja à toa. Nem é para todo mundo.

Conforme a alien vai pegando e matando pessoas, começa a se interessar pelas coisas humanas. Tenta comer comida, vai à balada (cujas luzes piscando parecem extraterrestres para ela – e, às vezes, para muita gente também), é perseguida por uma gangue, assiste a TV, tem um ato de compaixão. Começa a desenvolver emoções. Sente confiança num humano. Se arrisca por ele. É sintomático que, quando isso acontece, as coisas virem e a predadora acabe se tornando a caça. Parece absurdo que o amor, uma necessidade tão básica quanto a comida, envolva tanto risco. Mas, se você parar pra pensar, faz todo o sentido. Não há amor sem confiança. Mas não há confiança sem exposição ao risco. Logo, não há amor sem risco. ♦

VEJA SE Você gosta mesmo de cinema – e de ser surpreendido, ou desafiado, por ele de vez em quando. Tem paciência e estômago para cenas fortes. Quer ver algo inovador.

NÃO VEJA SE Você se irrita com filmes de poucos diálogos. Gosta de roteiros elaborados, que sejam ricos em detalhes e deixem todas as coisas bem explicadas. Quer entretenimento.

NOTA 9/10 Um filme polarizador, que alguns irão amar – e outros odiar. Mas do qual é impossível não se lembrar. Tomara que Jonathan Glazer não leve mais uma década para fazer outro.

LEIA TAMBÉM: “Ela” mostra o lado triste das redes sociais


Microsoft abaixa preço do novo Xbox – e não vai mais ‘empurrar’ o sensor Kinect

13 de maio de 2014


A empresa anunciou que, a partir de agora, o Xbox One será vendido também sem o Kinect, a preço mais baixo: US$ 399, mesmo valor do PlayStation 4. Até então, quem quisesse comprar o console era obrigado a levar junto o sensor Kinect, pagando US$ 500 pelo conjunto (no Brasil, o preço do kit varia de R$ 1.700 a R$ 2.300). Agora, pelo menos nos EUA, será possível comprar apenas o Xbox – e adquirir separadamente o Kinect, caso desejado.

Ao incluir o acessório ‘à força’  no Xbox One, a Microsoft queria estimular os desenvolvedores de jogos a explorarem os recursos dele. Mas isso não aconteceu, pelo menos não ainda (na primeira leva de jogos, não há nenhum que use o Kinect de forma particularmente atraente), e encareceu o Xbox. O que, somado a uma desvantagem de performance, acabou pesando contra o console da Microsoft, que ficou um pouco para trás no mercado: até agora, foram vendidos 7 milhões de PS4 no mundo, contra 5 milhões de Xbox One.

 


Firefox tem maior mudança em 3 anos – e tenta superar crise envolvendo CEO homofóbico

29 de abril de 2014

firefox29
A nova versão do navegador Firefox, que pode ser baixada neste link (se você já tem a antiga, basta clicar em Ajuda/Sobre para atualizar), vem com visual mais moderno – muito parecido ao do Chrome – e um sistema que torna mais fácil sincronizar o histórico, as senhas e a lista de sites favoritos em mais de um computador (em casa e no trabalho, por exemplo). Não é nada que o Chrome não tenha, mas é a maior atualização do programa desde 2011. Um sinal de vida da Fundação Mozilla, que desenvolve o Firefox – e passa por um momento difícil.

Nos últimos anos, o navegador foi perdendo mercado para o concorrente do Google, e no começo deste mês Brendan Eich, CEO da Mozilla, foi forçado a pedir demissão depois que a imprensa descobriu um caso explosivo: ele doou dinheiro para apoiar a “Proposição 8″, uma medida que tentava proibir o casamento gay na Califórnia (a proibição passou, mas depois foi considerada inconstitucional pela Justiça). O caso gerou revolta na internet, e alguns sites tentaram liderar uma campanha de boicote ao Firefox. Eich pediu demissão, e ainda não foi substituído.


Apple, Google e Microsoft fazem acordo para combater roubo de celular

16 de abril de 2014


O roubo de celular é extremamente comum. Só em São Paulo, acontece a cada 3 minutos – já são mais de 40 mil aparelhos roubados neste ano. E isso só contando as pessoas que registram o fato em Boletim de Ocorrência (coisa que nem todo mundo faz). Para tentar combater o roubo de smartphones, Apple, Google e Microsoft fizeram um acordo com as operadoras de celular nos EUA. A partir de julho de 2015, todo celular deverá ter um recurso do tipo “kill switch”, que permite inutilizar um telefone em caso de roubo ou furto. Hoje, essa função está presente apenas no iOS 7, que permite enviar um comando que trava permanentemente o iPhone (o ladrão não consegue usá-lo, mesmo se reinstalar o sistema operacional). O Android possui uma proteção similar, mas ela não é tão confiável – pode ser burlada.


Megafalha de segurança afeta a maior parte da internet; veja em quais sites você NÃO deve entrar

8 de abril de 2014

heartbleed
Foi descoberta uma falha de segurança no protocolo OpenSSL – um método de codificação de dados usado em 66% da internet. Isso significa que, se você entrar em algum desses sites, os seus dados (como a senha e os dados do serviço em questão, como e-mails, fotos, posts, etc) poderão ser roubados. Até que a falha seja corrigida, o que deve acontecer nos próximos dias, o ideal é não entrar nos sites afetados – a lista principal, que você pode consultar clicando aqui, inclui endereços importantes, como Yahoo e Flickr, mas poupa gigantes como Google e Facebook. (Se você quiser checar um site que não consta da lista, use esta ferramenta). 

ps: a falha também afeta o navegador anônimo TOR, que costuma ser usado para driblar espionagem governamental – e deve ser evitado até que o problema esteja corrigido.