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Google prepara Android TV; veja como deverá ser

7 de abril de 2014

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A informação é do site The Verge, que teve acesso a documentos internos do Google sobre o projeto. O Android TV será uma plataforma de filmes, games e séries de TV, fornecidas pelo Google e por aplicativos como Netflix, YouTube e Hulu. Não fica claro, pelos documentos, se o Google está preparando um set-top box (uma caixinha que você pode conectar à sua TV) ou um televisor que já venha com o sistema integrado. Ambos, talvez.

Não seria a primeira vez que o Google tenta conquistar as TVs. Primeiro, em 2010, veio o Google TV, que era interessante mas não deu certo – porque era caro e complexo demais. Ano passado, o Chromecast: um aparelhinho super simples, de US$ 35, que você pluga numa entrada HDMI da sua televisão. O Android TV parece um meio-termo. Nem tão básico, nem tão complicado.

A televisão parece estar se aproximando de um ponto-chave de transformação. Na semana passada, a Amazon lançou sua plataforma de TV, a Amazon Fire TV. E vazou um e-mail escrito por Steve Jobs em 2010 com comentários sobre o projeto da mítica TV da Apple – que está em desenvolvimento há vários anos e, segundo o e-mail de Jobs, poderá ter um controle remoto do tipo “magic wand”. Como o usado hoje nas TVs da LG – que no começo do ano mostrou um protótipo bem interessante, baseado no sistema operacional webOS, da finada Palm. Tudo indica que, daqui a algum tempo, a experiência de ver TV seja completamente diferente – altamente on-demand, com programação fornecida via apps e mecanismos de recomendação espertos.


Google apresenta relógios de pulso com sistema Android; veja como eles são

18 de março de 2014


O novo software se chama Android Wear, e virá instalado em relógios inteligentes fabricados pela Motorola e pela LG. Usando a tecnologia do serviço Google Now, o relógio “sabe” onde você está e o que está fazendo, e exibe informações relevantes para aquele momento. Se você está num ônibus, ele avisa em qual ponto deve descer. Se quer pegar táxi, mostra um atalho para chamar um. Quando vai à praia, avisa se a água está ou não própria para banho. No aeroporto, avisa de qual terminal o seu voo vai sair – e até armazena digitalmente a passagem. Também há aplicativos como busca e Google Hangouts, tudo controlado via comandos de voz.

Parece bem interessante. E muito mais útil que os relógios inteligentes atualmente no mercado (os principais são o Galaxy Gear, da Samsung, o Sony Smartwatch 2 e o Pebble). Por enquanto, o Android ‘de pulso’ só está disponível para desenvolvedores de software. Mas a data de lançamento dos relógios poderá ser anunciada no evento Google I/O, no dia 25 de junho.


“Fábrica” de bitcoins lucra R$ 18 milhões por mês; veja vídeo

11 de março de 2014


Dave Carlson alugou dois galpões em Seattle, encheu de computadores e os colocou para “minerar” bitcoins – resolver operações matemáticas e receber a moeda virtual como pagamento. Ela tem um mecanismo de proteção anti-inflacionário: quanto mais computadores estiverem minerando, mais trabalho cada um terá de fazer para obter 1 bitcoin. Com a corrida pela moeda, anda cada vez mais difícil minerar com lucro – pois você pode acabar gastando mais em eletricidade, no seu PC, que o valor dos bitcoins que obterá. Mas Dave diz que, usando máquinas ligadas em rede, consegue tirar muitos bitcoins – e lucrar o equivalente a R$ 18 milhões por mês. De fato, é uma operação e tanto (veja no vídeo acima, a partir de 3:10).

Os bitcoins são aceitos em diversos lugares, e também podem ser convertidos em dinheiro. O problema é que sua cotação é extremamente instável. Em dezembro, o bitcoin perdeu 50% do valor em apenas um dia, depois que a China proibiu a troca de yuans por bitcoins (bloqueando a entrada de dinheiro especulativo, que vinha inflando a cotação da moeda virtual). Uma queda brutal, da qual o bitcoin não se recuperou até hoje. É impossível prever o que acontecerá com ele. Pode voltar a subir, ficar estável, ou sofrer um novo tombo – transformando milhões em pó.


Nokia e Microsoft aderem ao sistema Android, mas com um porém; entenda mudança histórica

25 de fevereiro de 2014

Seis meses depois de ser comprada pela Microsoft, a Nokia decidiu dar um passo histórico – e apresentou ontem à noite seus primeiros celulares com o sistema operacional Android. Eles se chamam Nokia X, X+ e XL e são aparelhos relativamente modestos, com telas de 4 a 5 polegadas e câmera de 3 a 5 megapixels. Mas são bem bonitos -usam a mesma linguagem de design criada para a linha Lumia-, e muito baratos: vão custar 89, 99 e 109 euros, já desbloqueados e sem subsídio de operadora (os preços em outros territórios ainda não foram divulgados; mas, se a Nokia decidir fabricá-los no Brasil, seria razoável supor valores abaixo de R$ 400). E todos rodam Android.

Com um porém. O Nokia X e seus irmãos têm uma nova interface gráfica, que é bem diferente do Android como o conhecemos – lembra mais o Windows Phone. Ou seja: o Android da Microsoft tem a cara do Windows. Além disso, ele não acessa a loja de aplicativos Google Play. Ele acessa uma loja própria, onde supostamente haverá “centenas de milhares” de apps Android. Parece plausível, porque os aplicativos não terão de ser alterados, ou seja, bastará copiá-los para a nova loja. Em suma: a Microsoft, e sua subsidiária Nokia, estão aderindo com cautela ao Android.

Mas por que? Por que não abraçar de vez o Android, que já ocupa incríveis 81% do mercado mundialPor dois motivos. Primeiro: não ficar nas mãos do Google. Usar a loja Google Play seria muito arriscado para a Microsoft. De um dia para o outro, o Google poderia simplesmente barrar o acesso delas – algo possível e, considerando o histórico de estranhamentos entre as empresas, até provável. Não dá pra correr esse risco.

Segundo: a Microsoft ainda não está pronta para abandonar o Windows Phone. Ele está há três anos no mercado e, mesmo tendo suas qualidades, não consegue decolar, principalmente porque faltam aplicativos (de Tinder a Candy Crush, o WP fica devendo quase todos os hits recentes). Mesmo assim, não irão matá-lo agora. Ainda vão insistir mais um pouco. Por isso o Android da Microsoft vem disfarçado, camuflado de Windows Phone.

Por enquanto, a linha Nokia X é apenas uma experiência (e que já estava pronta quando a Microsoft comprou a empresa finlandesa). Mas se começar a vender bem, a Microsoft poderá ir lançando mais aparelhos Android, com configurações mais potentes, até substituir totalmente o Windows Phone. Não é garantido que isso vá acontecer, ou dar certo. Manter uma loja de aplicativos paralela sempre é complicado. E não será fácil enfrentar a Samsung, atual senhora do mundo Android. Mas, se alguém tem competência para isso, é a Nokia.

A adesão ao Android é uma medida ousada, que recoloca os finlandeses no jogo. E mostra que a Microsoft, mesmo atolada em confusões internas, ainda é capaz de pensar no futuro.

Update 26/2: Nos comentários, abaixo, alguns leitores articulam uma tese interessante: para eles, a medida é um ato de rebeldia ou insubordinação da Nokia ante a Microsoft (e não uma ação coordenada da MS, como defendo acima). É uma teoria intrigante, mas difícil de aceitar. Porque desde 2010 a Nokia é comandada por Stephen Elop: executivo que veio da Microsoft, e fez uma gestão inegavelmente Microsoftiana. Ele convenceu a Nokia a adotar o Windows Phone, abandonando as próprias pretensões, e depois vendeu a empresa para a MS por US$ 7,2 bilhões, um valor considerado muito baixo (é menos do que a Microsoft pagara pelo Skype). Ou seja, Elop é Microsoft desde criancinha. É altamente improvável, para dizer o mínimo, que tome qualquer medida à revelia da empresa de Bill Gates. Ele não só aceitou os Nokias com Android como subiu ao palco, anteontem, para apresentá-los pessoalmente à imprensa.


“Ela” mostra o lado triste das redes sociais

14 de fevereiro de 2014

Theodore (Joaquim Phoenix) é um ex-jornalista que trabalha escrevendo cartas sentimentais para outras pessoas. Ele se separou da esposa e vive dolorosamente só, até que compra e instala um software de inteligência artificial, que assume a personalidade de uma mulher, Samantha (narrada por Scarlett Johansson) e se manifesta através do smartphone de Theo. Eles começam a conversar, se conhecem, se apaixonam, vivem encontros e desencontros. Esse é o mote de “Ela”, quarto filme do diretor Spike Jonze – de “Quero ser John Malkovitch” e “Adaptação”-, que estreia hoje nos cinemas brasileiros.

É um baita filme. Pelas atuações, pela cenografia (que constrói um futuro familiar e ao mesmo tempo estranho), pelo roteiro. Mas principalmente, e por isso quis comentá-lo aqui, pelo que diz sobre nossa relação com a tecnologia. A vida preenchida por um fluxo constante de emails – muitos deles com newsletters e propagandas inúteis-, o noticiário picotado e às vezes frívolo da internet, todo mundo grudado no smartphone e obcecado pelas redes sociais. Sair com alguém, num encontro, e descobrir quase tudo sobre aquela pessoa na internet – antes mesmo de conhecê-la. Os games online, habitados por criancinhas que falam palavrão. A pornografia online e sua crueza. A tecnologia presente em todas as situações de forma discreta, mas decisiva. “Ela” se passa no futuro, mas retrata um mundo muito parecido ao nosso. Está na cara.

Como está na cara, também, a crítica que faz a isso. Porque no filme as pessoas, essencialmente, são incapazes de ter emoções. Todo mundo é tão neutro, no mau sentido, que ter e articular sentimentos vira até um serviço – daí existir a empresa onde Theo trabalha, redigindo emoções para quem não as têm ou não consegue manifestá-las. Em “Ela”, as pessoas sofrem de paralisia emocional. Querem mas não conseguem expressar sentimentos espontâneos. Só conseguem manifestar um, e ruim: a ultraexigência. Em certo ponto do filme, Theo sai com uma mulher de carne e osso – e ela, sem entrar em spoilers, age de modo grosseiro. Não porque seja má, mas porque está sendo ultrafranca, ultraexigente. Essas duas características, paralisia e ultraexigência, dominam as relações humanas. Fazem tudo ser triste, solitário, melancólico. “Ela” é um filme angustiante.

E inteligente. Porque mostra que ambos os problemas têm a mesma raiz: a mediação -e deformação- das relações humanas pela tecnologia. Claro, esse tipo de crítica sempre existiu. Quando os romances impressos começaram a se popularizar, por exemplo, houve quem dissesse que sua leitura afastava e alienava as pessoas. Dizer que a tecnologia X está piorando o mundo geralmente é papo de ludita ou de gente que perdeu o bonde da História. Mas há indícios, sim, de que a conectividade ininterrupta e a interação via redes sociais estejam mexendo conosco – e não necessariamente para melhor. Há estudos que comprovam isso, mas nem é preciso recorrer a eles. Basta olhar para o dia-a-dia.

Cada vez mais, tudo o que a gente faz, come, vê ou pensa vai parar nas redes sociais. Em si, isso não é ruim. O problema é que essa interação é assimétrica, ou seja: primeiro você posta e depois as pessoas respondem àquilo. Não é algo imediato, como conversar pessoalmente com um amigo falando o que der na telha. É premeditado, porque você pensa antes de postar. Você pensa em como as pessoas vão reagir. Como elas vão interpretar sua fotinho, post ou comentário, quantos likes aquilo vai ter. Você pensa nisso, e modela o que diz. É fato. E é normal. Porque ninguém quer dar um fora – ainda mais em público e na internet, onde eventuais mancadas são muito difíceis, ou impossíveis, de apagar.

Mas conforme as relações humanas vão sendo dominadas por essa premeditação digital, as pessoas ficam cada vez menos espontâneas. Se expõem menos. E quando se expõem, é da maneira mais previsível possível: de forma insossa, contida, cuidadosamente calculada para evitar qualquer possibilidade de discordância ou crítica, ou aderindo a uma facção ideológica na polêmica da semana (aliás, a necessidade de se abrigar num clã de ideias ajuda um bocado a explicar a radicalização e a trivialização do discurso na internet, mas isso é assunto pra outro dia). Fica cada vez mais difícil articular ideias e emoções realmente originais. Porque as redes sociais são promotoras naturais de consenso -você não segue as pessoas que pensam diferente de você. E porque, na internet, dizer algo destoante se torna mais arriscado -pois a rede tem memória eterna (você até pode tentar apagar algo, mas é provável que aquilo reapareça). Fato. Tanto que até Eric Schmidt, ex-presidente do Google, disse que a internet deveria ter um botão delete, para que as pessoas pudessem apagar eventuais erros. Como ele não existe, tentamos nos resguardar o máximo possível. “Ela” argumenta que essa postura, ao longo do tempo, leva à desarticulação e à paralisia emocional.

A dinâmica das redes sociais também explica nosso segundo problema. Na internet, todo mundo apresenta uma versão editada de si próprio – mais bonita, mais feliz, mais esperta, mais viajada, mais legal, mais tudo. O problema é que, com o tempo, você começa a achar que as outras pessoas realmente são daquele jeito. E isso cria expectativas irreais, com relação a você mesmo (que passa a achar a própria vida insatisfatória) e com relação aos outros. Você tenta ser e espera que todo mundo seja tão bacana, na vida real, quanto aparenta na internet. Com o tempo, isso se torna uma exigência. A ultraexigência.

“Ela” mostra o que acontece quando esses dois processos são levados ao limite. No filme, o único indivíduo capaz de emoções espontâneas é justamente Samantha, o robô – que se arrisca, se expõe, comete erros. Nesse aspecto, repete o insight do clássico “2001″, em que o robô HAL 9000, mesmo falhando (ou justamente por causa disso) é mais humano do que os personagens humanos. Mas, ao contrário de “2001″, “Ela” mostra um futuro plausível. Tirando a inteligência artificial, que deve levar décadas para chegar a um nível realmente inteligente (se é que vai chegar), o mundo mostrado pelo filme vai acontecer. Já está acontecendo.

Não precisa ser assim, claro. Sempre é possível fazer as coisas de outro jeito. Talvez alguém consiga inventar o botão delete idealizado pelo Google, e isso faça com que as pessoas se desinibam e desradicalizem ao mesmo tempo. Talvez as redes evoluam de outra forma, e o futuro siga por outro caminho.  Tomara que sim.