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O Windows 8 chegou. Veja o que ele traz de bom – e de ruim

29 de fevereiro de 2012

Faz dois anos e meio que o Windows 7 foi lançado. Parece mais, porque muita coisa aconteceu de lá para cá – o iPad surgiu, e os smartphones, graças ao Android, se tornaram um gadget universal. Steve Jobs definiu esse cenário como o “mundo pós-PC”. Estava exagerando, mas não estava errado. O desktop -ou laptop- é cada vez menos o centro da vida digital, o que torna o Windows cada vez menos relevante. Por isso o Windows 8, cuja versão beta (Consumer Preview) acaba de ser liberada para download, tem uma proposta ousada: é o primeiro sistema operacional projetado para rodar tanto em tablets quanto em laptops e PCs.

No lugar da Área de Trabalho e do botão Iniciar, o Windows 8 traz algo bem diferente: uma tela com ícones e painéis bem grandões, claramente feitos para serem tocados com o dedo. E os aplicativos que fazem parte do sistema operacional, como o Internet Explorer e o Media Player, seguem essa mesma linha. Até o Office vai ganhar uma versão “touch-friendly”. É a nova cara do Windows – sua nova interface gráfica, que se chama Metro. E marca a entrada da Microsoft no mundo dos tablets. Os modelos com Windows 8 serão lançados até o final do ano.

E, provavelmente (opinião pessoal minha), não irão a lugar nenhum. É muito difícil que a Microsoft e seus parceiros consigam produzir algo que se compare ao iPad 3 – que será apresentado oficialmente na semana que vem e promete uma tela arrasadora, com 4 vezes mais resolução que a atual. Mesmo porque Samsung, LG & companhia já passaram os últimos anos tentando, e não conseguindo, criar rivais à altura do iPad. O Windows 8 não vai mudar isso. Mas, a longo prazo, ele pode mudar tudo.


Como salvar o Windows – e dar um chapéu na Apple

A Microsoft não tem grandes chances no mundo dos tablets – onde nem o Android, mesmo embalado pela liderança absoluta em smartphones, consegue se estabelecer. O verdadeiro objetivo do Windows 8 não é tomar mercado do iPad. É salvar o que a Microsoft tem hoje:
o monopólio dos sistemas operacionais para desktop/laptop. É reinventar o Windows para que ele sobreviva no “mundo pós-PC”, criar um novo tipo de computador e, de quebra, dar um belo salto à frente da Apple.

Hoje não existe nenhum tablet que seja capaz de substituir totalmente o computador. Como você vai baixar música, fazer uma apresentação, editar um vídeo ou rodar Photoshop? Os tablets até conseguem executar essas tarefas, mas de forma precária. Eles ainda não chegaram lá. Só que daqui a uns 3 anos, quem sabe um pouco antes ou depois, isso vai acontecer. Você não precisará mais ter um desktop ou laptop. Só um tablet. E quando quiser trabalhar de verdade, rodar programas complexos, bastará encaixá-lo num dock – que terá teclado e mouse. E o seu tablet se transformará num PC. Como nesse protótipo da Samsung (que não conta, porque gasta bateria demais e nem chega perto do poder de processamento necessário).

É uma ideia interessante – e que a Apple não está explorando. Se der certo, a Microsoft vira a mesa e o supertablet se torna o gadget mais desejado do mundo. Mas existem dois obstáculos para que isso aconteça. Primeiro: a menor tela que você pode ter, num desktop ou laptop, é 13 polegadas. Com menos do que isso, tudo fica apertado demais e não dá para rodar os programas direito. Mas já pensou segurar na mão um tablet de 13 polegadas, 30% maior (e 30% mais pesado) do que o iPad? Seria bem desconfortável. É possível que daqui a 2 ou 3 anos o hardware seja leve o suficiente para compensar isso e viabilizar o sonho do supertablet. É possível, mas não é garantido. Para aumentar as chances, a Microsoft deveria desenhar e produzir ela mesma o aparelho – como faz com o Xbox 360.

 

Vale a pena? Mais ou menos

O outro grande porém é: hoje, rodando nos computadores atuais, o Windows 8 não é legal. Como o seu desktop ou laptop atual não é touchscreen, você não ganha muito com a nova interface. E quando tenta rodar um programa “antigo”, que não foi adaptado para o Windows 8, algo terrível acontece: o novo sistema desaparece da tela e no lugar dele surge o Windows antigo, com a mesma cara de sempre. Muda a interface inteira, tudo. É como se, cada vez que você quisesse ir da janelinha do Internet Explorer para o BitTorrent, por exemplo, o seu computador pulasse do Windows XP para o Windows 95 – e vice-versa. São dois mundos paralelos. É confuso, perturbador e atrapalha bastante o uso do computador. Veja:

Percebeu? A interface Metro e a interface convencional (Aero) vão se alternando, em telas separadas, conforme o software que você estiver usando. É como mudar de sistema operacional – e, dependendo do que você faz no computador, pode acontecer centenas de vezes por dia. A Microsoft forçou essa ruptura porque quer estimular a migração dos aplicativos para a nova interface. Só que isso pode levar anos, e mesmo assim alguns softwares nunca irão migrar (é difícil imaginar um programa complexo, como o Photoshop, rodando em Metro).

E, nesse ínterim, o Windows 8 vai infernizando os usuários de PC. Como o sistema ainda está em beta, é bem possível que a Microsoft tente dar um jeito. O mais provável é que, na versão final do Windows 8, seja possível desligar/ignorar a interface Metro (até já existe um truque não-oficial para fazer isso). Só que, aí, o sistema fica idêntico ao Windows 7 – sem grandes vantagens, nem estímulo para que usuários e desenvolvedores de software migrem para a nova interface. E a ideia de supertablet vai pelo ralo.

É uma situação complicada. Mas, como está hoje, o Windows 8 é algo a ser evitado – um mico quase tão grande quanto o Windows Vista. Se você realmente quiser experimentá-lo, use uma máquina virtual. É só instalar o programa VirtualBox e rodar o Windows 8 dentro dele. Desse jeito, dá para conhecer o novo Windows sem fazer nenhuma alteração nem formatar o seu computador. E esperar para ver qual coelho a Microsoft irá tirar da cartola até o lançamento da versão final do sistema, no segundo semestre.

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