É sério. Já existe um aplicativo, o Frash, que concretiza o maior pesadelo de Steve Jobs: permite rodar Flash em qualquer iPad ou iPhone (que tenha o sistema operacional iOS 4). O procedimento de instalação poderia ser mais simples, mas também não é nenhum absurdo. Presume-se que você saiba mais ou menos o que está fazendo – não venha reclamar comigo se o seu iPhone der pau, ficar doido ou causar um acidente nuclear em Angra I, ok?
1. Faça o jailbreak (desbloqueio) do iPhone ou iPad. É só acessar jailbreakme.com.
2. No seu computador ou notebook, baixe o arquivo de instalação do Frash.
3. Transfira o Frash para a memória do iPad ou iPhone. É a etapa mais chatinha, pois requer um software específico (que você irá instalar no seu PC). Clique aqui pra ver como.
4. Reinicie o iPad ou iPhone. Voilá.
O Frash ainda é bem primitivo – trava com frequência, e por enquanto não roda vídeos (só os demais tipos de conteúdo em Flash, como sites e games). Mas prova que é possível, e desejável, executar Flash no iPhone e no iPad. Daqui a uns seis meses, quando ele estiver aperfeiçoado e mais fácil de instalar, as coisas poderão ficar chatas para a Apple…
Segundo uma reportagem publicada na imprensa alemã, o Google comprou e já está testando um Microdrone md4-1000 – veículo voador de controle remoto com câmera acoplada, que chega a até 1 km de altitude e tem autonomia de 70 minutos. Supostamente, a ideia é usar essa máquina para capturar imagens para o Google Street View – aquele recurso que permite ver as cidades ao rés do chão (e hoje depende de uma frota de carros). Em princípio, não tem nada demais – não seria uma invasão de privacidade maior do que a atual. Mas o Google já é tão poderoso, e agora vai operar a própria esquadrilha de drones… dá um certo receio.
A canadense Research in Motion anunciou um novo modelo: o Blackberry Torch, que traz uma grande novidade – é o primeiro Blackberry do tipo slider, ou seja, em que o teclado desliza para baixo da tela quando não está em uso (exatamente como no saudoso Palm Pre). O Torch estreia o sistema operacional BlackBerry OS 6, que é a primeira grande atualização da RIM em vários anos e está bem mais moderno (veja no vídeo). Em suma: um lançamento bem legal, e um sopro de vida na plataforma BlackBerry – que, apesar do avanço do iPhone e dos celulares Android, continua liderando com folga o mercado de smartphones.
Lidera tanto que está até incomodando: a partir de sexta-feira, o governo dos Emirados Árabes pretende bloquear o uso de Blackberry no país. Tudo porque a RIM se recusa a cooperar com as autoridades, que querem abrir seu sistema de criptografia para espionar as mensagens dos usuários. Já o governo do Kuwait quer filtrar a internet no BlackBerry (supostamente para bloquear sites pornô), e a Arábia Saudita quer cortar o aplicativo BlackBerry Messenger.
Guerra do Islã contra o BlackBerry? Mais ou menos. Tudo isso acontece porque, ao contrário das outras fabricantes de celular, a RIM também atua como uma espécie de operadora – controla parte do tráfego de dados entre o aparelho e a internet. E, por isso, os governos têm que passar por ela se quiserem censurar ou grampear a internet do BlackBerry.
O governo dos EUA decidiu que o procedimento de jailbreak (que burla certas restrições impostas pela Apple) não viola a lei de direitos autorais do país. A Apple alegava que esse procedimento era ilegal, porque infringe o contrato de licenciamento que o usuário aceita quando compra um iPad ou iPhone, e que é muito claro: você só pode executar os aplicativos autorizados pela empresa, e não pode hackear o aparelho.
Um absurdo, claro. Se o hardware é seu, você tem todo o direito de fazer o que bem entender com ele. Além disso, a Apple vinha utilizando seu controle sobre o iPad e o iPhone para bloquear certos concorrentes – como o Google, cujo aplicativo Google Voice foi banido do iPhone. A legalização do jailbreak é uma medida justa, e boa até mesmo para a própria Apple (que com isso afasta a possibilidade de processo antitruste). E nunca foi tão fácil fazer o jailbreak: basta visitar o site jailbreakme.com, que agora também é compatível com o iOS 4. Fazendo isso, você ganha o direito de rodar qualquer aplicativo, inclusive os disponíveis em app stores alternativas como Cydia e Get Jar. (Fazer o jailbreak não é o mesmo que desbloquear a operadora do telefone – coisa que requer um aplicativo específico.)
Se você destravar seu iPhone, tenha discernimento. Veja o que aconteceu com a plataforma Google Android, que é 100% aberta. Um aplicativo malicioso, que fingia ser um papel de parede mas era um trojan, acaba de roubar as senhas de milhões de usuários. E o mais incrível é que o programa estava disponível na própria lojinha de aplicativos do Google, a Android Market. Ou seja: a era da inocência acabou. Agora os celulares podem, sim, pegar vírus. Oba.
O novo Kindle terá apenas conexão Wi-Fi, e vai custar US$ 139; quarenta dólares a menos do que o modelo com 3G. O design também é um pouco diferente – o aparelho, que vem na cor preta e será lançado dia 27 de agosto, é 20% menor e 15% mais leve que o atual. E a Amazon diz que a tela tem 50% mais contraste (não que isso fosse um problema). A grande deficiência do Kindle, que é “piscar” a tela quando você vira a página do livro, aparentemente não foi corrigida. Mesmo assim, pode ser um bom negócio. Não vejo nenhum problema em só poder baixar livros onde haja conexão Wi-Fi, e o preço é atraente – principalmente agora que a Justiça brasileira parece inclinada a anular os impostos de importação do Kindle.
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Bruno Garattoni
É editor da Super. Roda o mundo atrás das últimas novidades, mas não dispensa um passeio na Santa Ifigênia, rua preferida dos geeks em São Paulo. bruno.garattoni@abril.com.br