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Pessoa normal tenta usar o Windows 8. Veja o que acontece

Bruno Garattoni 13 de março de 2012

O Windows 8, cuja versão beta (Consumer Preview) foi lançada há uma semana, teve uma recepção quase unânime. Para cada artigo que apontava a falha central do sistema -sua nova e insólita interface gráfica-, houve centenas de textos elogiosos. Talvez no mundo pós-PC os jornalistas de tecnologia tendam ao acrítico. Mas isso não vem ao caso. O que vem ao caso é que agora, sem o hype do lançamento, fica mais fácil enxergar o problema.

E que problema. Veja o vídeo acima, que mostra um sujeito comum tentando usar o Windows 8. É um leigo, mas não bobo – perceba que ele até conhece alguns macetes de Windows. Mesmo assim, simplesmente não consegue usar o novo sistema: quando a interface passa de Metro para Aero, ele cai num buraco negro do qual não consegue sair. Se com esse cara é assim, imagine como será com o leigo total: aquela pessoa que não sabe nem o que é browser, e representa a maior parte dos usuários de computador. Um desastre.

A Microsoft diz que a interface Metro será obrigatória para todo mundo, inclusive empresas. Continuo duvidando disso, mas imagine só. Seria o suficiente para provocar um êxodo em massa, fazendo o Windows perder centenas de milhões de usuários em poucos anos – na hora de trocar de computador, as pessoas migrariam para sistemas Apple ou baseados em Ubuntu (cuja interface é muito mais familiar, para o usuário médio, que a do Windows 8).

PS: entre as várias soluções não-oficiais que surgiram para acabar com o Metro, a mais elegante parece ser esta alteração no Registro. Vou testá-la mais tarde.


Amazon está comprando iPads usados – e pagando um preço incrível. Qual é o truque?

Bruno Garattoni 12 de março de 2012


Se você tem o iPad ou o iPad 2, já deve estar pensando em como se livrar dele para comprar o novo iPad. Dá para tentar vendê-lo para algum amigo ou colocar em sites como o MercadoLivre. Em ambos os casos, você conseguirá pouco dinheiro – na melhor das hipóteses, a metade do que pagou. Mas nos EUA, é diferente: a Amazon está oferecendo US$ 320 por um iPad 2 usado. É um valor incrível, só 19,8% a menos do que custa um iPad 2 zero-quilômetro (que continua a ser vendido pela Apple, por US$ 399). Como é possível? Qual é o truque?

O truque, por assim dizer, é que a Amazon não paga em dinheiro: apenas em crédito, que só pode ser usado no próprio site dela. Na prática, a quantia nem chega a sair do caixa da Amazon. E se você usar seu crédito para comprar o novo iPad, há uma desvantagem: em alguns casos (como o do próprio iPad), a Amazon cobra preços significativamente mais altos pelos produtos Apple. A ideia é induzir o consumidor a optar pelo tablet da própria Amazon, o Kindle Fire, que custa apenas US$ 199. Bem esperto.


Resolução do novo iPad cria um dilema para as revistas

Bruno Garattoni 7 de março de 2012


O Apple TV até ganhou uma modernizada, com interface nova e o recurso Photo Stream (quando você tira uma foto no iPhone, ela vai automaticamente para a TV), mas não foi desta vez que a Apple lançou seu televisor. A grande novidade é mesmo o novo iPad – que não se chama iPad 3, nem iPad HD. Só “iPad”. Como se previa, a tela é do tipo Retina Display, com 4 vezes mais resolução do que o iPad antigo. Os caras realmente tiraram um coelho da cartola nisso aí. Nem tanto pela tela em si, mas pelo chip que a alimenta, o A5X. Não é nada fácil, num processador para uso móvel (com óbvias limitações de consumo de energia e emissão de calor), conseguir gerar 2048×1536 pixels em tempo real – uma resolução muito alta, que até então só existia em monitores de 24 polegadas. O novo iPad também tem internet 4G (padrão LTE). Quem sabe agora as operadoras brasileiras começam a oferecer esse serviço. A câmera traseira melhorou um pouco e agora grava vídeos em 1080p.

Sem pegar o novo iPad nas mãos, é difícil precisar o impacto visual da Retina Display. Mas parece bem impressionante. A única incógnita é o que será feito dela, ou seja, como os aplicativos irão tirar proveito dessa resolução toda. Apps em geral, tipo Twitter, e games não terão dificuldade em aproveitá-la. O problema está nas revistas: que na resolução atual já são pesadas, com centenas de megabytes, e poderão ficar ainda maiores. Os publishers poderão continuar oferecendo suas revistas na resolução atual, claro. Mas isso faz com que ler revistas no iPad se torne uma coisa menos atraente – se hoje elas já têm de disputar a atenção do usuário com os demais apps, imagine se estiverem em resolução “SD” enquanto todo o resto está em “HD”. É isso ou entuchar downloads de até 1 GB nos usuários. E agora?


O Windows 8 chegou. Veja o que ele traz de bom – e de ruim

Bruno Garattoni 29 de fevereiro de 2012

Faz dois anos e meio que o Windows 7 foi lançado. Parece mais, porque muita coisa aconteceu de lá para cá – o iPad surgiu, e os smartphones, graças ao Android, se tornaram um gadget universal. Steve Jobs definiu esse cenário como o “mundo pós-PC”. Estava exagerando, mas não estava errado. O desktop -ou laptop- é cada vez menos o centro da vida digital, o que torna o Windows cada vez menos relevante. Por isso o Windows 8, cuja versão beta (Consumer Preview) acaba de ser liberada para download, tem uma proposta ousada: é o primeiro sistema operacional projetado para rodar tanto em tablets quanto em laptops e PCs.

No lugar da Área de Trabalho e do botão Iniciar, o Windows 8 traz algo bem diferente: uma tela com ícones e painéis bem grandões, claramente feitos para serem tocados com o dedo. E os aplicativos que fazem parte do sistema operacional, como o Internet Explorer e o Media Player, seguem essa mesma linha. Até o Office vai ganhar uma versão “touch-friendly”. É a nova cara do Windows – sua nova interface gráfica, que se chama Metro. E marca a entrada da Microsoft no mundo dos tablets. Os modelos com Windows 8 serão lançados até o final do ano.

E, provavelmente (opinião pessoal minha), não irão a lugar nenhum. É muito difícil que a Microsoft e seus parceiros consigam produzir algo que se compare ao iPad 3 – que será apresentado oficialmente na semana que vem e promete uma tela arrasadora, com 4 vezes mais resolução que a atual. Mesmo porque Samsung, LG & companhia já passaram os últimos anos tentando, e não conseguindo, criar rivais à altura do iPad. O Windows 8 não vai mudar isso. Mas, a longo prazo, ele pode mudar tudo.


Como salvar o Windows – e dar um chapéu na Apple

A Microsoft não tem grandes chances no mundo dos tablets – onde nem o Android, mesmo embalado pela liderança absoluta em smartphones, consegue se estabelecer. O verdadeiro objetivo do Windows 8 não é tomar mercado do iPad. É salvar o que a Microsoft tem hoje:
o monopólio dos sistemas operacionais para desktop/laptop. É reinventar o Windows para que ele sobreviva no “mundo pós-PC”, criar um novo tipo de computador e, de quebra, dar um belo salto à frente da Apple.

Hoje não existe nenhum tablet que seja capaz de substituir totalmente o computador. Como você vai baixar música, fazer uma apresentação, editar um vídeo ou rodar Photoshop? Os tablets até conseguem executar essas tarefas, mas de forma precária. Eles ainda não chegaram lá. Só que daqui a uns 3 anos, quem sabe um pouco antes ou depois, isso vai acontecer. Você não precisará mais ter um desktop ou laptop. Só um tablet. E quando quiser trabalhar de verdade, rodar programas complexos, bastará encaixá-lo num dock – que terá teclado e mouse. E o seu tablet se transformará num PC. Como nesse protótipo da Samsung (que não conta, porque gasta bateria demais e nem chega perto do poder de processamento necessário).

É uma ideia interessante – e que a Apple não está explorando. Se der certo, a Microsoft vira a mesa e o supertablet se torna o gadget mais desejado do mundo. Mas existem dois obstáculos para que isso aconteça. Primeiro: a menor tela que você pode ter, num desktop ou laptop, é 13 polegadas. Com menos do que isso, tudo fica apertado demais e não dá para rodar os programas direito. Mas já pensou segurar na mão um tablet de 13 polegadas, 30% maior (e 30% mais pesado) do que o iPad? Seria bem desconfortável. É possível que daqui a 2 ou 3 anos o hardware seja leve o suficiente para compensar isso e viabilizar o sonho do supertablet. É possível, mas não é garantido. Para aumentar as chances, a Microsoft deveria desenhar e produzir ela mesma o aparelho – como faz com o Xbox 360.

 

Vale a pena? Mais ou menos

O outro grande porém é: hoje, rodando nos computadores atuais, o Windows 8 não é legal. Como o seu desktop ou laptop atual não é touchscreen, você não ganha muito com a nova interface. E quando tenta rodar um programa “antigo”, que não foi adaptado para o Windows 8, algo terrível acontece: o novo sistema desaparece da tela e no lugar dele surge o Windows antigo, com a mesma cara de sempre. Muda a interface inteira, tudo. É como se, cada vez que você quisesse ir da janelinha do Internet Explorer para o BitTorrent, por exemplo, o seu computador pulasse do Windows XP para o Windows 95 – e vice-versa. São dois mundos paralelos. É confuso, perturbador e atrapalha bastante o uso do computador. Veja:

Percebeu? A interface Metro e a interface convencional (Aero) vão se alternando, em telas separadas, conforme o software que você estiver usando. É como mudar de sistema operacional – e, dependendo do que você faz no computador, pode acontecer centenas de vezes por dia. A Microsoft forçou essa ruptura porque quer estimular a migração dos aplicativos para a nova interface. Só que isso pode levar anos, e mesmo assim alguns softwares nunca irão migrar (é difícil imaginar um programa complexo, como o Photoshop, rodando em Metro).

E, nesse ínterim, o Windows 8 vai infernizando os usuários de PC. Como o sistema ainda está em beta, é bem possível que a Microsoft tente dar um jeito. O mais provável é que, na versão final do Windows 8, seja possível desligar/ignorar a interface Metro (até já existe um truque não-oficial para fazer isso). Só que, aí, o sistema fica idêntico ao Windows 7 – sem grandes vantagens, nem estímulo para que usuários e desenvolvedores de software migrem para a nova interface. E a ideia de supertablet vai pelo ralo.

É uma situação complicada. Mas, como está hoje, o Windows 8 é algo a ser evitado – um mico quase tão grande quanto o Windows Vista. Se você realmente quiser experimentá-lo, use uma máquina virtual. É só instalar o programa VirtualBox e rodar o Windows 8 dentro dele. Desse jeito, dá para conhecer o novo Windows sem fazer nenhuma alteração nem formatar o seu computador. E esperar para ver qual coelho a Microsoft irá tirar da cartola até o lançamento da versão final do sistema, no segundo semestre.


Nokia mostra celular com câmera de 41 (!) megapixels. Mas com um porém

Bruno Garattoni 27 de fevereiro de 2012


O aparelho, que se chama Nokia 808 Pureview, é a novidade mais interessante (até agora) do Mobile World Congress, que é a maior feira mundial de celulares e está rolando em Barcelona.  O gadget mais esperado era o Galaxy S III, novo top da Samsung, mas a empresa disse que não irá levá-lo ao evento – cujo ponto alto deverá ser o lançamento do Windows 8, na quarta-feira. Mas voltando ao Nokia 808. A resolução é realmente incrível e, mesmo que seja um baita exagero para a maioria das pessoas (a maioria dos fotógrafos de estúdio usa câmeras Hasselblad com ‘apenas’ 30 MP), sinaliza o começo de uma nova era: em que os celulares matam definitivamente as filmadoras e câmeras fotográficas. O único porém do smartphone, cujo preço não foi divulgado, é seu sistema operacional… o Symbian (eca). Poxa vida.