Entenda o que está acontecendo entre a Petrobras e o governo

Por Atualizado em 03/09/2010

Por Alexandre Versignassi
Editor da SUPERINTERESSANTE

O dono de todo o petróleo encontrado no Brasil é o governo. Se você achasse petróleo no seu quintal, ele não seria seu.
Mas e se você quisesse explorar a coisa? Teria que participar de uma licitação pública. Geólogos estudam o terreno e dão uma estimativa de quanto petróleo tem ali. 1 milhão de barris, por exemplo. O governo, então, anuncia que vai vender o direito de exploração dessa barrilzada. Outras empresas, além da sua, vão se candidatar. E quem pagar mais leva.
Mas não vai ficar nisso. Entre 5% e 10% do que a companhia vencedora lucrar com o óleo lá na frente vão direto para o governo (a maior parte para a cidade onde está a bacia – e, se o petróleo estiver no mar, para o estado dono dessa faixa de mar). São os royalties.

Eles são o tributo petroleiro mais conhecido. Mas tem um bem mais grosso: a Participação Especial, que come 40% dos lucros que sobram depois dos royalties. Vai tudo para a União. Nada é mais taxado e sobretaxado que petróleo. É disso que a Petrobras se livrou agora.  Bom para ela. Mas e para nós?
Primeiro, uma revisão rápida da história: o governo quer injetar dinheiro na empresa para que ela tenha como bancar a exploração do pré-sal – coisa orçada em US$ 220 bilhões para os próximos 4 anos.
Então o estado e a Petrobras começaram uma operação. O país está cedendo para ela o direito de explorar reservas equivalentes a 5 bilhões de barris de petróleo (que a própria Petrobras achou, mas lembre-se: achado não é possuído).

De cara, abriu uma baita exceção: acertou direto com a Petrobras quanto ela vai pagar pelo direito, sem licitação, sem abrir concorrência. Só isso já garante uma economia bilionária para a petroleira. E uma perda do mesmo calibre para o estado.
E tem outra: a Petrobras não vai pagar por esse direito com dinheiro. Mas com ações. Ações de quem? De ninguém. Ela vai imprimir papéis novos. Do nada.
Ao fechar o valor dos 5 bilhões de barris em US$ 8,51 cada, o estado fixou seu preço: 5 bi vezes US$ 8,51 = US$ 42,5. Em reais, 74 bi. Isso o governo vai receber em ações novas, não em dinheiro. Guarde isso.

E faça as contas: hoje a Petrobras tem 8 bilhões de ações no mercado. Cada uma está valendo por volta de R$ 30. R$ 30 vezes 8 bi = R$ 240 bilhões. Esse é o valor de mercado da Petro.

Agora, se a empresa vai criar ações novas do nada, o que acontece? O valor de cada ação cai, claro.

Para dar os R$ 74 bilhões acertados com o governo, a empresa vai fazer mais de 2 bilhões de ações novas. E quem fica no prejuízo são os acionistas comuns. Cada ação de R$ 30 passa a valer R$ 24 (nota: o processo não é tão simples; as ações hoje valem por volta de R$ 30 porque o mercado já fez o preço dela cair quase um terço neste ano, justamente por medo da desvalorização que viria depois do lançamento de ações novas; mas ok: o exemplo é só para deixar as coisas mais claras).

O governo é o maior acionista da empresa. Mas não perde nada agora: está pagando pelas ações vendendo à Petro bilhões de litros de petróleo enterrados a quilômetros de profundidade. É quase como vender vento.

Bom para o governo e ruim para a empresa? Parece que sim, certo? Mas não. É o contrário.

A Petrobras está recebendo um presente de mãe do governo: não vai pagar os 40% da tal Participação Especial sobre os 5 bilhões de barris. Sinta o drama: se cada barril estiver lá pelos US$ 100 nos próximos anos, a Petro faturaria US$ 500 bilhões e deixaria de pagar mais de US$ 200 bilhões em impostos que, de outra forma, ela teria de pagar. Eis a capitalização da Petrobras para valer. É aí que ela vai fazer dinheiro, não nessa troca de petróleo enterrado por ações que não existem que está acontecendo agora.
Essa isenção camarada pode ser vista como um investimento governamental. Com a grana, ela vai ter como explorar o resto do pré-sal. Pode haver dezenas de bilhões de barris ali. Com esse “resto” devidamente taxado, podem entrar trilhões de dólares a mais para o país nas próximas décadas. Baita jogada.

O problema é que é só uma jogada mesmo. Uma aposta, cheia de riscos: o petróleo pode cair demais no futuro (não adianta gastar US$ 50 para tirar cada barril e depois vender por menos que isso), o pré-sal pode não ter tantos barris assim, o petróleo pode ficar obsoleto… A chance de a roleta do estado cair no Perde Tudo é real.
Vale a pena o governo agir como especulador?  Às vezes vale, sim. O governo americano fez mais ou menos isso para salvar seu sistema bancário. O brasileiro está fazendo para viabilizar a exploração de seu petróleo. Tanto um caso como o outro pode ser entendido como essencial para o futuro de cada país.
Esse seria o final do texto de alguém que defende a ideia. Alguém que é contra escreveria o seguinte: que ninguém perguntou aos contribuintes se eles queriam ver o dinheiro deles apostado numa roleta.

Você decide seu final.

  • RENE

    Deixa ver se eu entendi: tudo o que é contra o governo PT é tendencioso, tudo o que é favorável ao governo PT é isento e imparcial. ahhhh ….

  • mijon

    vleu leão descascou

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  • Leão

    Considerei a matéria totalmente parcial. Todo governo que se preze só faz um investimento após uma análise realizada por seus técnicos. Quando enfrentamos a última crise econômica, o governo brasileiro decidiu realizar investimentos ao invés de fazer contenções de gastos, como outros países fizeram. Pois bem, o que foi dito por vários economistas (inclusive por opositores governamentais)? Foi dito que o Brasil iria sofrer conseqüências caóticas porque o governo estava sendo irresponsável etc. Mas, NÃO foi o que ocorreu. Aliás, muito pelo contrário, o Brasil atravessou a crise muito bem e sua economia permaneceu crescendo. Imprudentes foram as análises tendenciosas e meramente especulativas que os economistas e opositores do governo fizeram. Esta notícia de Alexandre Versignassi tem as mesmas características: é tendenciosa e especulativa. O leigo em economia que lê isto, provavelmente, ficará impressionado e se sentirá explorado ou traído pelo governo brasileiro (e esta é a intenção de Alexandre Versignassi, não adianta negar). Mas basta entender um pouco de economia para perceber que a estratégia governamental tem por metas:
    1. Não permitir que empresas ESTRANGEIRAS façam a exploração do pré-sal (veja o começo do texto de Alexandre Versignassi). Não há motivo para licitação, afinal, a Petrobrás é a ÚNICA empresa BRASILEIRA que tem condições de explorar o Pré-Sal. Se houver licitação, quem iria concorrer com a Petrobrás? Petrolíferas estrangeiras com certeza, ou o senhor Versignassi duvida disto?
    2 FORTALECER a Petrobrás (coisa que até o candidato Serra dizia que pretendia fazer). O próprio texto diz que só o fato de não haver licitação já garantirá uma “economia bilionária” para a Petrobrás.
    E quanto ao Estado, Versignassi está equivocado: Ações de Bolsa de Valores têm tanto valor quanto o dinheiro brasileiro, com a única diferença de que o valor é variável de acordo com a situação do mercado. E, quando o senhor Versignassi diz que as ações surgirão “do nada” (ex nihilo), está certo! Afinal, quando QUALQUER empresa faz captação em bolsa de valores, cria ação do nada também! Ou seja, Versignassi apenas OMITIU a informação (valiosa para os leitores leigos) que Bolsa de Valores funciona assim mesmo: uma empresa que precisa de dinheiro faz a chamada CAPTAÇÃO: cria papéis “do nada” e os vende na bolsa de valores a fim de obter o dinheiro com o qual manterá suas atividades. Toda empresa que capta dinheiro na Bolsa de Valores faz isso, eu disse: TODA. Por que? Porque a Bolsa de Valores funciona exatamente para isso… Agora, não é porque elas surgem “do nada” que elas não tenham valor: o valor de cada ação representa uma parcela do patrimônio da empresa. E quanto mais a empresa cresce, a tendência é que o valor da ação aumente.
    Ademais, há coisas curiosas em seu texto, como a seguinte: se o senhor aponta dúvidas a respeito da valiosidade do investimento no pré-sal, dizendo que “o petróleo pode cair demais no futuro”, “o pré-sal pode não ter tantos barris assim” etc., que interesse teriam as Petrolíferas (Petrobrás e estrangeiras) em participar de uma eventual licitação? Em outras palavras: se o investimento for uma “aposta, cheia de riscos” (quase que ameaçadora), como o senhor diz, por que haveria tanto interesse e alarde assim sobre a camada do Pré-Sal?
    Por tudo isto, sinto muito, mas tenho que dizer: seu texto peca pela tendenciosidade, o senhor esconde os pontos favoráveis e faz questão de tentar apontar pontos desfavoráveis. Rubens Ricúpero disse certa vez que “não tinha escrúpulos” porque o que era bom ele mostrava, o que era ruim ele escondia. Mas Ricúpero dizia isso porque pertencia ao governo. Se Ricúpero fosse da oposição, agiria inversamente: mostraria o que fosse ruim; esconderia o que fosse bom. Mas continuaria sem ter escrúpulos. Portanto, senhor, para brincar com uma música de Cazuza, digo: Versignassi, mostra sua cara! Quero ver quem paga pra você escrever assim! Versignassi, qual o seu negócio? O nome do teu sócio? Confia em mim…

  • http://www.clubedeautores.com.br/book/33111--A_PRIMEIRA_PUTA_PRESIDENTE SIMÃO

    Acho tudo uma piada.

  • Juliano

    Muito boa a materia.

    Minha pergunta: Ainda querem dizer que a petrobras é do POVO!???

    eu particulamente nao acho.