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6 falhas mais comuns do pensamento

Ana Carolina Prado 22 de setembro de 2010

Que a mente humana é capaz de processar uma quantidade incrível de estímulos, todo mundo sabe. Mas o fato é que a nossa cognição (o processo responsável por processar e armazenar informações) não é perfeita, o que resulta em várias distorções no raciocínio. Essas falhas do pensamento acontecem com todo mundo – o que vai fazer a diferença é o modo como cada um lida com elas. Listamos aqui 6 das mais comuns (e interessantes). Dê uma olhada e depois diga se já não aconteceram com você.

1- Pareidolia
Sabe quando alguém cisma que está vendo a imagem de um santo em uma mancha na janela ou quando você distingue o formato de animais em nuvens? Esse fenômeno se chama pareidolia e acontece quando interpretamos um estímulo totalmente vago (uma imagem, som ou outros tipos de sinais) como algo cheio de significado. Tudo por causa da mania do cérebro em procurar padrões em tudo. O teste de Rorschach – aquele das pranchas com manchas de tinta em que você tem de dizer o que está vendo – foi criado para explorar a pareidolia e sua possibilidade de revelar o que há na mente das pessoas.


Relaxa que não é ET, não. Você consegue ver esse rosto na superfície de Marte por causa da pareidolia.

2- Falácia do jogador

A falácia do jogador ou de Gambler é a tendência a achar que eventos relacionados a probabilidades podem ser influenciados por eventos aleatórios anteriores. Para entender: você joga uma moeda 3 vezes e em todas elas dá coroa. Em que apostaria na quarta vez? A tendência é acharmos que, se já saiu coroa 3 vezes, a próxima deverá ser cara. Mas a probabilidade, é claro, continua sendo a mesma: há 50% de chance de sair cara e 50% de sair coroa, não importa quantas vezes tenha saído cada um dos lados. Pode parecer óbvio, mas esse erro de pensamento é responsável por fazer com que muita gente perca dinheiro em jogos de azar.

3- Efeito Halo

Imagine que você é o gerente de uma firma e um dos seus empregados chegou atrasado ao trabalho nos últimos 3 dias. Quando fica sabendo disso, você conclui que o cara é um preguiçoso que não dá valor ao emprego. Pode haver inúmeras razões justas e possíveis para os atrasos e o empregado pode ter muitas qualidades. Mas, por causa dessa falha cognitiva chamada Efeito Halo, você passa a julgar a pessoa como um todo com base nesse único aspecto. Outro exemplo disso é o pensamento “se o cara é famoso, então ele também é confiável”. Ou “se é loira, não é muito esperta”. ¬¬

4- Desconto hiperbólico ou gratificação instantânea

O que você prefere: ganhar R$20 hoje ou R$100 daqui a um ano? A maioria das pessoas dá uma de criança nessa hora e preferiria garantir os R$20 na hora a esperar um ano, mesmo que seja para receber uma quantia 5 vezes maior. O viés do desconto hiperbólico ou gratificação instantânea faz com que sempre prefiramos benefícios imediatos a gratificações posteriores, mesmo que isso envolva perdas. É o que ocorre com quem prefere comprar algo a prazo em vez de guardar dinheiro e esperar um pouco mais para pagar à vista, ainda que os juros a serem pagos quase dobrem o valor da mercadoria.

5- Efeito placebo

Esse é famoso. O efeito placebo ocorre quando uma substância sem nenhuma propriedade medicinal é dada a um doente com a promessa de que irá curá-lo e acaba realmente melhorando os seus sintomas. Esse fenômeno é tão forte que chegam a ocorrer alterações fisiológicas na pessoa – mas, diferente de um tratamento de verdade, esses efeitos são passageiros. Por isso, o efeito placebo é usado em testes para determinar se determinados medicamentos funcionam ou não.

6- Ilusão do controle

Você sabe por que as pessoas que estão jogando dados em um cassino costumam soprá-los ou agitá-los bem antes de lançá-los à mesa? Tudo culpa da chamada ilusão do controle. Trata-se da tendência de acreditar que podemos controlar ou, pelo menos, influenciar acontecimentos sobre os quais não temos nenhum controle. Quando acertam o resultado do lançamento de um dado, por exemplo, a pessoa interpreta isso como a confirmação de que tem algum controle sobre o evento, sem considerar que havia, de fato, 1/6 de chance de acertar. Essa falha cognitiva está ligada à superstição e é responsável por fazer as pessoas repetirem certos rituais, como soprar os dados, usar um “anel da sorte” ou coisa do tipo, achando que isso poderá influenciar acontecimentos futuros.

Fonte consultada: Danielle Rossini, psicóloga do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

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Comentários

daniel disse:

é legal entender as coisas e também é legal perceber que apenas uma parte de cada coisa pode ser explicada intelectualmente e nem por isso elas deixam de nos influenciar e nos trazer benefícios

Andreesa disse:

Amauri, concordo com voce… falta esse defeito do ser humano na materia, achar que pode ser melhor que o outro sempre.

Craseado disse:

Nunca li os comentários, mas fiquei impressionado com o nivel de ignorancia da pessoas. O a teoria das cordas foi campeao.

Amauri disse:

O mais interessante são sempre os comentários das pessoas que acham que conhecem muito mais do que aqueles que ficaram anos estudando o comportamento humano e confundem uma matéria como se fosse a opinião do reporter e não uma compilação de dados.

Realmente, interessante essa sua abordagem, Ana Carolina Prado. Porém, há algum tempo, a mecânica quântica, uma categoria da física, vem mudando esses conceitos em relação a todas essas certezas. Já ouviu falar na teoria das cordas? É como se fosse tudo possível. Aprofunde-se no tema e colherá bons frutos!

Roberta Y. disse:

Muito legal essa matéria sobre as falhas do nosso cérebro

Deia disse:

Eu concordo com o Guga em relação a “gratificação instantânea”. Não acho uma falha vc ter pressa e/ou necessidade de consumir algo hoje e não querer e/ou poder esperar para consumir daqui meses.

Caio Torno disse:

Concordo com o Gabriel Zamorra. Você deu uma conotação muito negativa para nossos pequenos defeitos cerebrais.

Chinaski disse:

Retificando: o do Gabriel , lá embaixo.

Chinaski disse:

São de dar pena esses comentários (como aliás quase sempre) , principalmente esse último…

Fabiane disse:

Rá, isso é o que eles querem que você pense. Que você é passivo diante da famosa probabilidade, e não construtor ativo dessa ilusãozona que chamamos de realidade… =PPP

Em nossa linha de pesquisa, Teoria Geral dos Processos, aprofundamos ao processo de pensamento:

http://www.padilla.adv.br/ufrgs/tgp

Em outras páginas do site ou do blog, disponibilizamos alguns constatações, como em

http://www.padilla.adv.br/evoluir/perceber

Joel Lopes disse:

Matéria interessantíssima e com crivo negativo completamente realístico. Não há porquê de se falar positivamente de algo se não há pontos positivos pra citar. Não acho que seja lucro imaginarmos uma imagem em algo superficial, ou rotular uma pessoa de forma abrupta por um simples erro. Então se algum leitor achou que a revista opinou errado, creio que se equivocou.

Essa tal “Falácia do jogador” acontece com muita gente. Basta estudar probabilidade pra entender como os eventos são independentes e não influenciam um ao outro.

Renata disse:

Tirando o 1º, o 5º e talvez o 2º.. os outros 3 podem muito bem fazer parte de costumes culturalmente construídos e não falhas do cérebro..

Le Wass disse:

Super interessante como sempre. Comigo vive acontecendo os 3 primeiros. Que coisa non? http://www.twitter.com/le_wass

Guga disse:

Sobre “gratificação instantânea”: tempo é dinheiro! Se você prefere comprar algo hoje, e irá pagar por essa tal coisa um valor maior agora do que daqui a 6 meses, por exemplo, é porque você quer aproveitar esta compra desde já. Por exemplo, se você for comprar hoje uma TV com recursos que daqui a 6 meses irá baratear uns 30%. que ninguém tem, você estará pagando para ser um early adopter. É a sensação de que você tem algo que a maioria das pessoas não tem, e isso dá uma boa sensação para o nosso ego. Se não for afetar muito o nosso bolso, que mal tem pela nossa psique? É algo questionável achar que vale mais a pena economizar para ter algo à vista. Você esperaria 2 anos para comprar o carro que você quer hoje? Acho que não. Então, não concordo que seja totalmente um erro se precipitar em compras. Só se os juros forem realmente muito abusivos, aí só compra quem é louco. Pagar acima de 50% de juros é irracional.

Sanderson disse:

Caraca! Essa da pareidolia é a mais antiga que me recordo agora. Já aconteceu comigo. E foi por isso que o Raul Seixas disse que nao estamos sozinhos no banheiro, rsrsrs

Amanda Cunha disse:

As matérias da super são as mais interessantes!

Gabriel Zamora disse:

Ou seja, não acredite em nada que você pensa, pare de ter esperança, afinal vivemos em um mundo lógico e vc não pode alterar nada. Vocês puseram todas essas informações como se fosse algo negativo, algo que não deviamos fazer… Todas estas “Distorções” são importantes para a gente. Da próxima vez que escrever uma matéria como esta, pense no lado positivo de tais coisas. Sim eles são importantes!

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