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6 tipos de fenômenos astronômicos que você poderá ver em 2014

9 de janeiro de 2014

Por Iana Chan

telescopio

Qual é a previsão dos astros para 2014? Se você procura por amor, dinheiro ou sucesso, veio ao blog errado. O que os nossos amigos astrônomos podem prever para esse ano é um espetáculo celeste. “O destaque é o eclipse total da Lua que poderá ser visto em todo Brasil no mês de abril”, aponta o astrofísico da UFSCar Gustavo Rojas, que apresenta a série “Céu da Semana” da Univesp TV.

Desde a antiguidade, o céu fascina os homens. Estrelas, planetas e outros corpos celestes nos ajudaram a acumular conhecimento sobre a origem do universo e seu funcionamento. Foi graças à observação astronômica que conseguimos, por exemplo, entender o ciclo das estações do ano e dominar a agricultura. Milhares de anos depois, continuamos olhando para o céu. Seja para estudá-lo, tirar belas fotos ou simplesmente curtir um momento contemplativo-filosófico diante da imensidão acima de nossas cabeças. Veja o calendário com os principais fenômenos astronômicos observáveis em 2014:

 

1. Eclipses Solares

Os eclipses ocorrem quando quando Sol, Terra e Lua se alinham. Quando a Lua fica entre os dois corpos, temos o eclipse solar. Como o plano da órbita da Lua está inclinado 5,2° em relação ao plano da órbita da Terra, os eclipses não ocorrem em toda Lua Nova, mas apenas naquelas que passam pelo ponto de cruzamento entre as duas órbitas.

Uma parte da superfície da Terra é encoberta pela sombra projetada pela Lua e os observadores dessa área veem nosso satélite bloqueando totalmente ou parcialmente a luz do Sol.

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Um tipo especial de eclipse é o anular,  quando o diâmetro aparente da Lua não é suficiente para cobrir o disco solar e deixa um “anel” visível. Infelizmente, os eclipses solares não podem ser vistos pelo mundo todo e o Brasil não testemunhará nenhum em 2014. “A sombra que a Lua projeta é muito pequena e, por isso, são vistos de poucos lugares”, explica o professor Roberto Costa, chefe do Departamento de Astronomia do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP.

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Como observar: Jamais olhe diretamente para o Sol! Seus olhos podem ser danificados permanentemente! O ideal é ver projeções indiretas, usando um espelho para refletir o fenômeno em uma superfície, por exemplo. Os filtros caseiros, como negativos de filme, radiografias e disquetes (se é que alguém ainda tem isso em casa) devem ser evitados, pois não bloqueiam raios nocivos e dão a falsa impressão de que é seguro fitar o Sol por longos períodos.

Curiosidade: O primeiro registro de um eclipse solar total foi feito na Mesopotâmia, no ano 1375 a.C. Os caldeus e os babilônicos já previam eclipses há 3000 anos, baseados nos dados de observação acumulados durante séculos. “Como hoje sabemos com precisão os movimentos orbitais da Lua em torno da Terra e da Terra em torno do Sol, é possível prever eclipses com milhares de anos de antecedência”, afirma Costa.

29 de abril:
Eclipse solar anular
De onde poderá ser visto: De parte da Antártida e da Austrália.

23 de outubro:
Eclipse solar parcial (apenas uma parte do Sol é escondida pela Lua)
De onde poderá ser visto: Ao norte do Oceano Pacífico e da América do Norte.

Saiba mais:

 

2. Eclipses lunares
Quando é a Terra que fica entre o Sol e Lua, ocorrem os eclipses lunares. Novamente, como o plano da órbita da Lua está inclinado 5,2° em relação ao plano da órbita da Terra, os eclipses não ocorrem em toda Lua Cheia, mas apenas naquelas que passam pelo ponto de cruzamento entre as duas órbitas.

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Wikimedia Commons / Jiyang Chen

A Terra projeta uma sombra na Lua, que pode ficar com uma coloração avermelhada, na área da penumbra, ou mais escura e cinza, quando a Lua entra na umbra. O fenômeno pode ser observado a olho nu, desde que seja noite durante o eclipse, que dura pode durar até cerca de 4 horas, e a Lua esteja acima do horizonte.

Curiosidade: a coloração avermelhada acontece por conta da refração e dispersão da luz do Sol na atmosfera terrestre, que desvia apenas alguns comprimentos de onda. É o mesmo fenômeno que acontece durante o nascer e o pôr do sol.

Saiba mais nesta animação da NASA:

15 de abril
Eclipse lunar total (quando a Lua entra totalmente na sombra da Terra)
De onde poderá ser visto: do leste da Ásia, leste da Austrália, Oceano Pacífico, América do Norte, América do Sul e Oceano Atlântico. A partir das 2h58, como a Lua estará bem acima do horizonte, poderá ser visto de todo o Brasil!

8 de outubro
Eclipse lunar total
De onde poderá ser visto: Do leste da Ásia, Austrália, Oceano Pacífico e da América do Norte.

 

3. Chuvas de Meteoros
O meteoro, conhecido popularmente como “estrela cadente”, é um fenômeno luminoso que acontece devido à entrada de um fragmento de rocha (meteoroide), geralmente deixados para trás por cometas, na atmosfera da Terra. Devido a alta velocidade, esses meteoroides entram em combustão ao entrar em contato com oxigênio, e produzem um rastro de luz que dura poucos segundos no céu – é aqui que passam a ser chamados de meteoros.

chuva-meteorosos
Juan Carlos Casado (TWANEarth and Stars)

Podemos ver meteoros a olho nu, com frequência, no céu noturno.  Mas quando a Terra passa por um local onde há acúmulo de meteoroides, eles são atraídos pela gravidade e há uma incidência acima do normal, que parece vir de um mesmo ponto do céu, que é chamado radiante.

A chuva é nomeada de acordo com a constelação na direção de onde os meteoros parecem vir, o chamado radiante. A Taxa Horária Zenital (THZ) corresponde ao número de meteoros que um observador poderá ver no período de uma hora, se o radiante estiver situado no zênite (o ponto mais alto do céu).

Curiosidade: a cor de um meteoro pode revelar a sua composição! A cor amarela provém do ferro; azul ou verde é do cobre; cor alaranjada é resultado do sódio presente na rocha; o vermelho provém do silicato e a cor roxa é do potássio.

21 e 22 de abril
Lirídeas
Radiante: na direção da constelação de Lira.
THZ: 20 meteoros

5 e 6 de maio
Eta Aquarídea
Radiante: na direção da constelação de Aquário
THZ: 30 meteoros

27 e 29 de julho
Delta-Aquarideas
THZ : 10 meteoros
Radiante:  na direção da constelação de Aquários

12 de agosto
Perseidas, conhecidas popularmente como “lágrimas de San Lorenzo”
Radiante: na direção da constelação de Perseu
THZ: 15 meteoros

22 de outubro
Orionídeas
Radiante: na direção da Constelação de Órion, onde ficam as chamadas “Três Marias”.
THZ: 25 meteoros.

13 de dezembro
Geminideas
Radiante: Constelação de Gêmeos
THZ: 75 meteoros.

 

4. Passagem de cometas
Cometa é um corpo pequeno do Sistema Solar, composto basicamente por gases e poeira congelados, que gira ao redor do Sol. Quando ele se aproxima do Sol, o gás e a poeira do núcleo sólido evaporam, formando uma nuvem extensa, chamada coma. O vento solar “varre” o material para a direção oposta, formando a famosa cauda. Nem todo cometa tem cauda e alguns podem apresentar mais de uma.

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Cometa McNaught/NASA

Se um cometa for pequeno demais, dificilmente “sobrevive” à passagem pelo Sol antes mesmo de completar uma órbita. Praticamente todo seu material evapora e ele se desintegra ou pode colidir com o Sol. É um momento de grande expectativa para os astrônomos!

Para que possamos ver um cometa a olho nu, ele precisa ser brilhante o suficiente e estar próximo da Terra. Os astrônomos usam a unidade magnitude para classificar o brilho aparente do astro. Curiosamente, quanto maior o brilho, menor é a magnitude. Vega é a estrela utilizada para comparação e tem magnitude 0. A magnitude aparente da Lua cheia é -12,6, enquanto a magnitude da estrela Sirius, a mais brilhante do céu, é -1,45. “Em uma noite sem nuvens, longe das luzes e da poluição, conseguimos observar a olho nu astros com magnitudes entre 6 e 7. Para cometas com maiores magnitudes, é necessário utilizar algum instrumento – como binóculos, luneta ou telescópio”, explica Diana Gama, doutoranda em Astrofísica no IAG/USP que faz o atendimento ao público da instituição.

Os cometas mais brilhantes de 2014 (com informações do Rede de Astronomia Observacional):

serão:

C/2012 K1 Pan-STARRS
Quando: de março a dezembro
Magnitude: 6
Como observar: O melhor mês para observação é a partir de setembro, ao amanhecer. Ele estará próximo à constelação de Câncer. No início de novembro, ele já será visível após a meia-noite na constelação do Pintor, ainda com magnitude 6. Dezembro será o mês em que o cometa atinge magnitude 8, encerrando seu período de visibilidade no primeiro mês de 2015.

C/2013 A1 Siding Spring
Quando: de julho a dezembro
Magnitude: 7,5
Como observar: Em setembro esse cometa estará favorável para ser observado a partir do hemisfério sul, com a ajuda de um telescópio modesto. Na segunda semana de setembro, o cometa atinge seu brilho máximo enquanto passa pela constelação do Pavão. O interessante é que esse cometa passará pertinho do planeta Marte ao anoitecer dos dias 19 e 20 de outubro.

C/2013 V5 Oukaimeden
Quando: de agosto a outubro
Magnitude: 6
Como observar: Esse cometa poderá ser visto de madrugada, a partir da segunda quinzena de agosto entre as constelações de Órion e Unicórnio, com magnitude 10. Alcançará seu brilho máximo entre os dias 16 e 18 de setembro, passando a ser visível no período vespertino com magnitude 6. No início de outubro o cometa fica menos brilhante, sendo visível após o pôr do Sol na direção da constelação de Libra.

209P/LINEAR
Quando: De maio a junho
Magnitude: 10,5
Como observar: Cálculos sugerem que a passagem desse cometa em 2014 será bastante favorável para observadores do hemisfério sul. No dia 19 de maio, inicia-se o período de visibilidade ao anoitecer, na direção da constelação de Ursa Maior, com magnitude 12. A maior aproximação do astro ocorrerá no dia 28 de maio, onde o cometa pode ser visto nas proximidades da constelação de Hidra Fêmea. No mês de junho o astro volta a ter magnitude 11, visível na constelação de Cruzeiro do Sul.

Curiosidade: Halley, o mais famoso dos cometas, nos visita a cada 76 anos e atualmente continua se afastando de nós. Atingirá seu ponto mais distante do Sol, o chamado afélio, em 2023 e só então começará a retornar. Ele deve aparecer por aqui novamente em 2061, quando atinge o ponto mais próximo do Sol – o periélio. O Cometa Halley é um dos objetos mais escuros do Sistema Solar, seu núcleo é mais escuro do que o carvão, porém como vemos a luz do Sol refletida na superfície de poeira e gelo, ele parece brilhante para nós.

 

5. Superlua
É a ocasião na qual o nosso satélite natural se encontra mais próximo da Terra. Em geral ocorre três vezes por ano, na sua fase nova ou cheia. Por estar mais próxima da Terra, vemos Lua mais brilhante que o normal e ela pode parecer até 14% maior em tamanho.

superlua
Soniadcm / Wikimedia Commons

Em média, a Lua encontra-se a uma distância de 384.400 km da Terra. Quando está mais longe, a Lua fica a até 405.696 km do nosso planeta. Porém, em um evento como a Superlua, essa distância pode chegar a 363.104 km. No dia 10 de agosto, às 17:44, a distância da Lua a Terra será de 356.896 km.

Quando: 12 de Julho, 10 de agosto e 9 de setembro.

 

6. Planetas
Vale a pena olhar para o céu e saber que aqueles pontinhos brilhantes não são estrelas, mas planetas!

Oposição de Marte
Quando: 8 de abril
Marte estará a 93 milhões de quilômetros da Terra, a menor distância desde 2007. É uma ótima oportunidade para observação.
O planeta vermelho estará na direção da na Constelação Virgem, terá 1/124 do diâmetro aparente da Lua Cheia, e magnitude de -1.48, brilho comparável ao de Sirius (a estrela mais brilhante do céu).

Conjução Vênus e Júpiter
Quando: 18 de agosto
Vênus e Júpiter estarão muito próximos um do outro no céu uma hora antes de amanhecer nesse dia – mas não se engane: não é uma proximidade física, apenas aparente! Será a conjunção mais próxima de dois planetas visíveis a olho nu em 2014, com apenas 15’ (15 minutos) de distância entre eles. Para se ter uma ideia, estenda o braço em direção ao céu. A área encoberta pelo dedo mindinho equivale a 1 grau (1°), ou 60’ (minutos do arco). “Logo, Vênus e Júpiter estarão aparentemente a uma distância 4 vezes menor do que a largura do seu dedo mindinho!”, explica Diana Gama.

 

Agradecimentos: Antonio Rosa Campos, do Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais.

Com informações de Alexandre Amorim, Secção de Cometas/REA

Para mais informações, consulte o Almanaque  Astronômico Brasileiro

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