Twitter Superinteressante

Blogs

7 livros que ferraram a humanidade (ou quase)

Ana Carolina Prado 25 de agosto de 2010

Teóricos equivocados podem causar grandes prejuízos. Já tivemos livros que incentivavam a matança de mulheres consideradas bruxas, defendiam a inferioridade de certas nacionalidades, diziam que as mulheres eram menos inteligentes que os homens. Com a ajuda de historiadores, listamos 7 livros que, por causa de teorias equivocadas, inspiraram pessoas a cometer atos e sustentar ideias desastrosas.

Os livros não estão em nenhuma ordem particular e, é claro, foi impossível listar todos eles. Comente e diga quais você acha que faltaram.


1- “L’uomo delinqüente” (O homem delinquente), Cesare Lombroso, 1876

O médico e cientista italiano Cesare Lombroso defende, nesse livro, a teoria de que certas pessoas nasceram para ser criminosas e que isso é determinado por características físicas, como nariz adunco e testa fina, traços típicos dos judeus. A obra fez muito sucesso e influenciou o direito penal no mundo todo. Mas o problema maior foi que a obra também reforçou várias teorias racistas – principalmente o anti-semitismo nazista. O detalhe é que o próprio autor era judeu e sua intenção era simplesmente ajudar a ciência penal e jurídica. Atualmente, a teoria caiu no descrédito. Mas, mesmo assim, ainda há quem a defenda (sempre tem, né?).

2- “Mein Kampf” (Minha Luta), Adolf Hitler, 1925
O livro de Hitler tem, na verdade, 2 volumes. O primeiro foi escrito quando ele tinha 35 anos e estava preso por causa de uma tentativa de golpe de estado mal-sucedida. O segundo, inédito no Brasil, foi escrito já fora da prisão. O livro se destacou pelo racismo e anti-semitismo do autor, que via o judaísmo e o comunismo como grandes males e ameaças do mundo – o autor pretendia erradicar ambos da face da terra. A obra revela o desejo de transformar a Alemanha num novo tipo de Estado que abrigasse a raça pura ariana e que o tivesse como um líder de grandes poderes. Era um aviso para o mundo, mas na época ninguém de fora da Alemanha deu muita bola. Mein Kampf ainda hoje influencia os neonazistas.

3- “A inferioridade intelectual da mulher”, Carl Moebius, século 19. Sem tradução para o português.
Psicólogo influente em meados do século 19, Moebius escreveu esse livro seguindo idéias já bastante disseminadas desde a época de Platão e Aristóteles e defendia a inferioridade feminina e a restrição dos seus direitos. Usando pesquisas e tabelas pseudo-científicas, ele comparou o desempenho feminino em determinadas áreas intelectuais quando em disputa com homens (em um teste parecido com o vestibular de hoje). Pensadores antifeministas citavam essa obra para apoiar teses de que as mulheres não deveriam ter uma série de direitos por serem “inferiores intelectualmente”.

4- “O martelo das bruxas” ou “Malleus Maleficarum”, Jacob Sprenger, 1485

Manual de caça às bruxas que levou muita gente à fogueira, o livro foi muito influente entre as igrejas católica e protestante. Jacob Sprenger indicou uma série de procedimentos para a identificação das bruxas: se a mulher tivesse uma convivência maior com gatos, por exemplo, já era suspeita. A obra foi responsável por quase 150 anos de matança indiscriminada de mulheres. A onda só passou depois que o método científico começou a prevalecer sobre a crença religiosa cega, a partir da publicação dos estudos de Isaac Newton. Com o pessoal discutindo assuntos científicos, pegava mal ficar caçando bruxa.

5- “Essai sur l’inégalité des races humaines” (Ensaio sobre a desigualdade das raças humanas), Joseph Gobineau, 1855

O livro do cientista social Gobineau virou referência obrigatória para aqueles que defendem a superioridade de algumas raças sobre as outras. O autor desempenhou por um bom tempo cargo diplomático na corte de D. Pedro II e achava o Brasil “uó” por ter tanta miscigenação. Segundo ele, a miscigenação degenera as sociedades porque piora as supostas limitações das raças inferiores (as não-brancas, para ele). A obra passou a ser usada para sustentar a legitimidade do tráfico negreiro. Sua tese foi tão aceita que até hoje existem alguns cientistas que mantém a crença na superioridade de algumas raças.

6- ” The Man Versus the State ” (O Indivíduo Contra o Estado), Herbert Spencer, 1884
Embora alguns digam que essa é uma leitura injusta do livro, ele foi utilizado para a defesa do capitalismo selvagem no século 19, principalmente nos EUA. Spencer defende que, assim como ocorre na natureza, nas sociedades humanas também prevalecem os mais aptos. Isso quer dizer que os ricos e poderosos são assim porque estão mais preparados que os pobres. O livro passou a ser usado, então, para justificar a falta de ética nas relações comerciais, com a destruição implacável da concorrência, a busca incessante por riquezas e o pouco caso com os pobres.

7- The Seduction of the Innocent (“A sedução dos inocentes”), Frederic Wertham, 1954

Ok que o livro não gerou nenhuma atrocidade, mas ajudou a disseminar ideias equivocadas a respeito de uma coisa que a gente gosta: quadrinhos. No livro, o psiquiatra alemão-americano Werthan forjou argumentos para atribuir às HQs o papel de culpadas por casos de delinquência, abandono dos estudos e homossexualidade entre crianças e adolescentes. O livro foi lançado numa época em que as HQs eram um dos gêneros de leitura mais consumidos nos EUA e até o governo pensou em proibi-los (naquele tempo, rolava uma preocupação imensa nos EUA de que os jovens estivessem sendo corrompidos por idéias comunistas). Para evitar isso, as editoras lançaram o Comics Code Authority – um código de autocensura que ainda existe e que seria um indicativo de que o material publicado não iria degenerar os jovens.

* Não incluímos livros mal interpretados, “tsá”?
Não incluímos nessa lista os livros que foram simplesmente mal interpretados. A Bíblia é um exemplo disso. O professor de filosofia da UNESP Jézio Gutierre acha que o caso com “O Capital”, de Karl Marx, também tem a ver com interpretações equivocadas. “Esse livro é um grito ético humanista e tem todas as características para ser um livro anti-atrocidade”, explica. Para ele, portanto, não se pode atribuir a essa obra os massacres que governantes socialistas promoveram.

** Fontes: Lincoln Ferreira Secco (USP), Jézio Hernani Bomfim Gutierre (UNESP), Márcio dos Santos Rodrigues ( UFMG), Adriana Romeiro (UFMG)

Compartilhe

Comentários

Kursch disse:

Faltou “Os protocolos dos sábios de sião”

Angelo Noel disse:

É, não dá pra culpar Karl Marx pelo holocausto ocorrido na história da URSS, mas ainda assim “O Capital” continua pregando violação de propriedade e agigantamento estatal. Sem contar q EU entendo mais de economia do q ele…

MR disse:

Faltou o Catecismo do Revolucionário, de Bakunin.
E, Maicon, não sei se você observou, mas a maior parte dos livros supracitados aí estão por defenderem a inferioridade de um indivíduo (seja pela raça, sexo , etc). Além disso, no tópico que fala sobre o livro Malleus Maleficarum a Super! deixa claro que o livro serviu de referências tanto ao catolicismo quanto ao protestantismo. Concluindo, acredito que não seje apropriado postar comentários sobre esta reportagem que degrina uma religião em prol de outra, afinal, não foi esse o tipo de pensamento que colocou esses livros nessa reportagem e através desse se cometeram várias injustiças. Não acretido que exista qualquer tipo de superioridade religiosa.

Mari disse:

Gostei da matéria, bem interessante.
Obs:A biblia é uma quetão de religião, se você ”quem fez o comentário” não é acredita,é um problema seu,não é nada descente da sua parte criticar a religiao de cada um.

marcelo disse:

Esqueceram da grande manipuladora de mentes fracos e que ainda ganham ou ganharam muito dinheiro com ela através das igrejas: A BÍBLIA! é uma pena!

Nossa, que grande besteirol. É uma grande cara de pau de quem fez essa lista incluir “O indivíduo contra o Estado”, justificar a ausência de “O Capital” justamente sob o argumento que incluiu a obra de Spencer, e ainda fazer vista grossa ao “Manifesto Comunista”: aquele livrinho que ajudou a dizimar 100 milhões de vidas. O esquerdismo tomou conta da Superinteressante. Triste de ver.

Joao Paulo disse:

Olha, sem sombra de dúvidas, esqueceram da BIBLIA! haha. Não me chinguem aqui nos comentários!

Caio disse:

Não acho que a qualidade da Super esteja caindo com estava num comentário acima, mas com certeza a pretensão dos leitores.

Não acredito nos próprios livros terem sido responsáveis por ferrar a humanidade; Lógico, a lista dos sete apresenta ideias que hoje sabemos que são demasiado errôneas, mas foram produto de homens de seu tempo que desejavam propagar, ainda mais, ideologias já muito populares em suas épocas. Ou seja, acredito que mesmo se não tivesse sido escrito um “Mein Kampf”, por exemplo, apareceria outra obra, ou outras obras sobre o mesmo contexto.

He. Essas obras podem nos servir ao menos como registro histórico, para nos ajudar a entender como pensavam as pessoas dessas épocas. Porque querendo ou não, fazem parte da história da ciência.

Fabi disse:

Não entendo que que esses evangélicos vem pregar numa revista de ciência. A matéria não pretende ser exauriente, claro que outros livros influenciaram muitas coisas, como “O apanhador no campo de centeio”, por exemplo. Eles listaram apenas 7 livros e um bando de pseudo-intelectual fica xingando por causa d’ ” O capital”. Perda de tempo..

Suellen Gonçales disse:

Muito boa a matéria.
Ideias toscas foram difundidas através de livros (discursos, palavras, amigos…) e, infelizmente, viraram grandes movimentos de crueldade. Vergonha de nosso passado, e de muito do presente.

apolonio disse:

Fala serio, dizer q a “origem das especies”, “Assim Falou Zaratustra” “o capital de Karl Max” é livro de q ferram a humanidade,logo vejo q vcs não leram. È pq são livros de grandes mudanças pessoais e não ideias equivocadas. Antes deizer alguma coisa é melhor ler. Estas pessoas q falar mal de grandes livros q mudaram o pensamento de um sistema, na verdade para mim é pessoas q acreditar na pequena historia da biblia q cheias de ideias anti-racial, preconceito, morte, sofrimento.

[...] 7 livros que ferraram a humanidade (ou quase) [...]

Diom disse:

É totalmente arbitrário afirmar que a Bíblia só “ferrou” a humanidade devido a interpretações equivocadas. A Bíblia possui, sim, conteúdos que inegavelmente e objetivamente pregam o preconceito, a violência e a intolerância. É claro que a revista não quis polemizar nem comprar brigas com religiosos e, por isso, não incluiu a Bíblia na lista.

P Neto disse:

Creio que o livro “O Homem contra o Estado” não mereceria fazer parte dessa lista.
Já aos senhores e senhoras que criticam “O Capital”, que na verdade se trata de um conjunto de livros, creio que lhos falta o mínimo entendimento sobre o mesmo. Ao contrário do que se pensa, o melhor trabalho de Karl Marx é, a bem da verdade, um verdadeiro manual de Economia Clássica.

Kenny disse:

bom pelos menos n falaram mal do livro “Assim Falou Zaratustra” de nietzche

Pedro Almeida disse:

legal este tópico mais faltou o livro de darwin, “A ORIGEM DAS ESPÉCIES”, ele so atacou a crença no geneses da biblia!!!!!!!!

Mario Junior disse:

Pode-se acrescentar “O Príncipe”, do Nicolau. O manual maquiavélico de como governar sem correr riscos de insubordinação, rebeliões ou invasões. Esse livro fez a cabeça de muitos governantes, e ainda hoje é citado – e seguido – por estadistas (inclusive democráticos e populistas).

Kenny disse:

Para quem critica “O capital” de Karl Marx é pq sabe oq significa filosofia
OBS: Marx era ateu

Nikolas disse:

Parabéns, conseguiram perder um leitor. Colocar ” The Man Versus the State ” nessa lista foi a gota da água.

Luan disse:

Para as pessoas que estão falando mal de O capital: algum de vcs já pararam para lê-lo? Abraços.

Page 7 of 8« First...«45678»

Deixe um comentário