Ana Carolina Prado 14 de julho de 2011
Esqueça Nostradamus e aquele cara que disse que o mundo ia acabar em maio deste ano. As profecias mais acertadas sobre o futuro vieram dos escritores de ficção. Às vezes a exatidão de detalhes é impressionante, como no caso da ida do homem à Lua, antecipada por Júlio Verne. Alguns dos autores até reconheceram que fariam fortuna se tivessem patenteado algumas de suas invenções visionárias. Quer ver?
Júlio Verne (1828-1905)
Julio Verne foi um dos pioneiros do futurismo e previu a existência de viagens espaciais, submarinos, helicópteros e satélites. Em 1869, o escritor francês imaginou um submarino que utilizava um combustível eficiente e praticamente inesgotável. A ideia se concretizou em 1955, com o primeiro submarino de verdade movido por propulsão nuclear. Ele recebeu o nome de Nautilus em homenagem ao veículo descrito por Verne.
A descrição de uma viagem à Lua também foi quase profética: o livro Da Terra à Lua (1865) é praticamente um rascunho do que ocorreu de fato com o projeto americano Apollo, em 1969. A duração da jornada (97 horas na ficção e 103, na realidade), o número de tripulantes (três), os locais de lançamento (a Flórida) e de pouso (o Mar da Tranqüilidade, na Lua), tudo parece ter sido previsto um século antes. A cápsula de Verne, em forma de bala, media 4,8m de altura e 2,7m de diâmetro. A Apollo media 3,7m de altura e 3,9m de diâmetro. Até mesmo o regresso à Terra, com o pouso no Pacífico e o resgate por um navio, é igual.
HG Wells ( 1866 – 1946)
A lista de invenções e ideias de Wells que se tornaram realidade é impressionante. Em Guerra dos Mundos (1898), ele descreve o laser e, em When the sleeper wakes (1899), fala de portas automáticas. Wells não descreveu especificamente o celular, mas falou de um futuro em que as pessoas usariam meios de comunicação sem fios e correios de voz em alguns de seus romances. Suas “previsões” sobre a guerra também foram impressionantes. Tanques, bombardeamentos aéreos e mesmo bombas nucleares já estavam descritos em seus livros.
Arthur C. Clarke (1917 – 2008)
Ele próprio confessa que teria ficado rico se tivesse patenteado a idéia dos satélites em órbita fixa ao redor da Terra. A sugestão foi apresentada em um artigo de 1945, como um meio de melhorar as telecomunicações. O conto A Sentinela (1951) deu origem a 2001: Uma Odisséia no Espaço, filme de 1968 de Stanley Kubrick sobre o supercomputador HAL 9000, que comanda uma espaçonave, adquire vontade própria e começa a eliminar os tripulantes. O filme prevê os computadores capazes de derrotar o homem no xadrez (coisa que aconteceu em 1997, quando um supercomputador da IBM bateu o campeão de xadrez Gari Kasparov em um tira-teima) e mostra uma cidade orbital quase igual à Estação Espacial Internacional.
Até o iPad já tinha sido “previsto” por Clarke. No livro 2001, escrito em 1968, baseado no script que ele escreveu para o filme de Stanley Kubrick, o protagonista utiliza algo chamado Newspad, um computador usado basicamente para exibir conteúdo como jornais, atualizados automaticamente, durante uma viagem.
Cyrano de Bergerac (1619 – 1655)
O escritor e duelista francês existiu de verdade e, sim, tinha um enorme nariz (mas isso não é relevante). Em pleno século 17, ele descreveu em uma de suas obras algo que se parecia com um gravador: uma caixa que permitia “ler com as orelhas”. E vai mais longe: em Viagem à lua (1650), ele fala de uma nave dividida em várias partes que se queimavam sucessivamente, até situar a cápsula tripulada em órbita. Parece familiar? A ideia foi retomada por Julio Verne em Da Terra à Lua, de 1865.
Aldous Huxley (1894-1963)
A obra mais famosa do escritor inglês, Admirável Mundo Novo (1932), descreve um cenário sombrio em que a casta dirigente recorre à lavagem cerebral e à manipulação genética para manter a população idiota. O livro prevê a liberação sexual dos anos 60, as drogas químicas, a clonagem e até a realidade virtual, que ali aparece com o nome de cinema-sensível. Fora todas as outras associações possíveis entre o “mundo novo” de Huxley e o nosso.
Geoffrey Hoyle (1942)
O escritor britânico nascido em 1942 escreveu o livro 2010: Living in the Future em 1972 e antecipou boa parte da tecnologia do século 21. Webcams, compras pela internet, ensino à distância, bibliotecas digitais, estava tudo lá. Olha a descrição de uma sala com acervo digital em uma biblioteca do futuro: “Os livros, filmes e jornais estão todos armazenados no computador da biblioteca. Primeiro você acessa o índice de biblioteca. Este arquivo contém todos os livros que já foram escritos. Não importa se eles foram primeiro escritos em chinês ou francês. Eles vão estar aqui, traduzidos para o Inglês. Há também um índice de filmes e jornais.”
Na descrição de Hoyle, você pode até virar as páginas usando botões e acessar qualquer livro em sua própria casa. Ele previu até o déficit de atenção das pessoas do futuro: “Enquanto você está na biblioteca, você pode querer ver alguns filmes de viagem para lhe ajudar a decidir para onde irá nas próximas férias. (…) Até mesmo se você estiver sozinho em sua casa, você pode conversar com seus amigos durante a aula. É so digitar o número de um amigo e o seu rosto aparece no canto da tela”. Gente!
Dá para ler o livro nesse tumblr (em inglês): http://2010book.tumblr.com/
George Orwell (1903 – 1950)
A expressão Big Brother surgiu no romance 1984 (1948), em que o autor britânico antevê as paranoias que se tornariam realidade com as câmeras de vigilância espalhadas hoje por todo lado. O adjetivo “orwelliano” cabe a todo regime totalitário que altera fatos históricos a seu favor e só acredita na paz por meio da guerra. Fora que o autor inspirou um dos reality shows mais famosos do mundo.
Ray Bradbury (1920)
No livro Fahrenheit 451 (de 1953), Bradbury imagina os EUA dos anos 90 como uma sociedade hedonista e anti-intelectual, onde é proibido ler livros. Nesse mundo, todo trabalhador sonha em comprar sua “televisão de parede”, uma sala com projeções 3D e um sistema de som multicanal, onde as pessoas se sentem imersas na transmissão de espetáculos musicais ou competições que testam seu conhecimento sobre cultura popular, e onde os atores de suas séries preferidas são chamados de família. Detalhe: quando Fahrenheit foi lançado, em 1953, a televisão colorida havia sido lançada nos EUA fazia apenas 3 anos e ainda era extremamente cara. Tecnologias como o laserdisc e sistemas de som multicanal, que iriam tornar possível os home theaters, só surgiram na década de 1980. E o melhor: Bradbury ainda está bem vivo e já viu suas previsões acontecerem.
Johann Wolfgang von Goethe (1749 – 1832)
Além da literatura, Goethe se interessava muito por ciência e deixou trabalhos importantes em campos como botânica, física, química e até meteorologia. E ele previu um retrato acertado sobre o mundo atual também. Em Fausto, Goethe antecipou a questão ambiental que o homem enfrenta hoje, destruindo a natureza em prol de um suposto desenvolvimento da civilização. No romance Os anos de peregrinação de Wilhelm Meister, ele cunhou o termo ‘velocífero’, mistura das palavras “velocidade” e “Lúcifer”, para se referir a um mundo frenético de velocidade demoníaca.
Cultura pop, ciência e tecnologia? Tudo isso pode acabar em lista.
Otávio Cohen
Jornalismo, literatura, quadrinhos, música, TV, cinema e os anos 90: todos os clichês reunidos, modificados e traduzidos em pixels
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Carol Vilaverde
Jornalista viciada em séries, podcasts e cultura inútil. Apaixonada por livros e filmes, acredita no bom humor pra resolver qualquer problema.
Redação Super
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Talvez não tenham previsto o futuro e sim inspirado o futuro…
faltou o Douglas Adans, que no guia dos mochileiros da galaxias previu o IPAD e o Wikipedia.
“Estando eu, digo, ainda falando na oração, o homem Gabriel, que eu tinha visto na minha visão ao princípio, veio, voando rapidamente, e tocou-me, à hora do sacrifício da tarde.
Ele me instruiu, e falou comigo, dizendo: Daniel, agora saí para fazer-te entender o sentido.
No princípio das tuas súplicas, saiu a ordem, e eu vim, para to declarar, porque és mui amado; considera, pois, a palavra, e entende a visão.
Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para cessar a transgressão, e para dar fim aos pecados, e para expiar a iniqüidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e para ungir o Santíssimo.
Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar, e para edificar a Jerusalém, até ao Messias, o Príncipe, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas; as ruas e o muro se reedificarão, mas em tempos angustiosos.
E depois das sessenta e duas semanas será cortado o Messias, mas não para si mesmo; e o povo do príncipe, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá guerra; estão determinadas as assolações.
E ele firmará aliança com muitos por uma semana; e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oblação; e sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até à consumação; e o que está determinado será derramado sobre o assolador.” Daniel 9: 21-27. Essa é uma profecia encontrada no livro do profeta Daniel que leva o seu nome, que antecipou com precisão quando o Senhor Jesus seria batizado, e ungido como Messias, e, exatamente, três anos e meio depois, morto como Salvador. A profecia também previu 2.300 anos antes o início do julgamento dos mortos no santuário celestial, ou seja, “até 2.300 tardes e manhãs e o santuário será purificado”, 2.300 tardes e manhãs em profecia é igual a 2.300 anos literais. Iniciando da ordem de Artaxerxes em 457 a. C. à reconstrução de Jerusalém chegamos exatamente ao ano 27 d. C. quando Cristo foi ungido no batismo. Após isso no meio da semana “será cortado o Messias”, ou seja morto, uma semana tem sete dias, ou antes, sete anos em profecia, cumprindo três anos e meio após o início do Seu ministério na Terra Sua crucifixão. As profecias bíblicas são precisas. Ao final dos 2.300 anos começaria o julgamento no Céu, iniciando pelos mortos e terminando com o caso dos vivos, “e vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante de Deus, e abriram-se os livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida. E os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras.” Apocalipse 20:12. Essas profecias não se referem às façanhas dos homens mas aos acontecimentos ligados ao interesse presente e eterno de cada alma vivente, ISSO SIM É DIGNO DE ATENÇÃO!
Fico de queixo caído em pensar que estes homens estavam há séculos de distância de suas criações e agora vemos cada uma delas acontecerem. O que antes era apenas invenção fantasiosa hoje é parte de nossas rotinas. Quem iria imaginar que hoje teríamos robôs trabalhando para nós? Talvez as criações de Asimov estejam mais próximas do que pensamos. =)
Em 2130 vão falar que os irmao Andy Wachowski
Larry Wachowski previram o domínio das máquinas em 1999 com o filme Matrix kkkkkkkkkkk E o legal que eu estou fazendo a previsão da previsão !!!!
Muito bom.
Acredito que a pessoa que mais previu o futuro não foi um escritor. Leonardo da Vinci previu séculos a sua frente.
Ainda tem gente que não acredita na viagem a Lua. Quanta ignorância…
NÃO ACHO QUE TENHA SIDO UMA PREVISÃO, NA VERDADE ERA O ÓBVIO DE ACORDO COM OS INVENTOS DE ACONTECERAM NAS RESPETIVAS ÉPOCAS E MAIS QUEM ANTES DE SABER QUE ERA POSSÍVEL IR A LUA NÃO SONHAR COM UMA MÁQUINA QUE FOSSE ATÉ LÁ…OU COM OS DESAFIOS DE UM ABISMO ENFIM, E MESMO QUE NÍNGUEM TIVESSE TIDO A IDÉIA ELES PODEM TER IMPLANTANDO NA MENTE DOS QUE LIAM SUA HISTÓRIAS, OU SEJA, NEM PODEMOS FALAR EM PREVISÃO E SIM EM INSPIRAÇÃO.
bela materia! faltou nosso Monteiro Lobato.
No caso da viagem a lua, além da viagem em si não ter acontecido de verdade, ainda usou uma obra de ficção para criar o falso senso de ser real… mais triste ainda saber disso
Muito bom este post… Parabéns!
Dá vontade de ler todos os livros só pra ver tudo isto…. E reler os que já foram lidos!
quanta pobreza dizer que o homem foi a lua.
Vale lembrar que 2001: odisseia no espaço foi escrito por Clark e Kubrick ao mesmo tempo, ou seja, nenhum se baseia na outra, mas na troca de ideias entre o escritor e o cineasta. Até por isso, 2001, o filme, foi nomeado ao oscar por roteiro ORIGINAL. Quem ler e ver o filme notam similaridades como também enormes diferenças. E enquanto o livro tem continuação, o filme acaba por ali mesmo, sem espaço para isso. A diferenças de qualidades também é grande. Abraço.
que medo desses caras!
Faltou o Isaac Asimov. Ele previu uma rede de computadores na qual todos os humanos estariam conectados (A Última Pergunta) e também escreveu sobre a era dos robôs que está por vir.
Muito bom, mas dizer que a única profecia de Orwell foi o “Big Brother” é simplificar demais a obra, né?
Isaac Aisimov ????????????
Que interessante esses caras terem tido essas visões tão futuristas! Claro que eles estavam limitados pela tecnologia de suas épocas, mas se tivessem patenteado suas ideias teriam sido beem ricos.
Eu tenho uma tese que o Kid Abelha previu os televisores de alta definição, olhem só:
Seu rosto na TV
Parece um milagre
Uma perfeição.
Nos mínimos detalhes
tem um erro:
“Cyrano de Bergerac (1619 – 1655) – (…)E vai mais longe: em Viagem à lua (1950) …”