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9 comentários absurdos sobre ciência e tecnologia

Redação Super 2 de junho de 2011

Por Tânia Vinhas
Colaboração para a SUPERINTERESSANTE

A maior parte de nós sabe que a Ciência e a Tecnologia evoluem a passos largos todos os dias. A parafernália tecnológica ao seu redor não nos deixa mentir. No entanto, sempre aparece um cético cabeça-dura por aí que cisma que as coisas não vão dar certo e que a próxima invenção tecnológica revolucionária não vai vingar.

Confira a seguir 10 frases memoráveis e até aplaudidas na época que acabaram virando bobagem pérolas para as gerações seguintes.

1. “Pessoas bem informadas sabem que é impossível transmitir a voz através de fios e que, se fosse possível fazer isto, esta coisa não teria valor prático algum” – editorial do Boston Post, em 1865.

Nove anos antes, o italiano Antonio Meucci havia construído um telefone eletromagnético para conectar seu escritório ao seu quarto, localizado no segundo andar da casa, pois sua esposa sofria de reumatismo. Mas a invenção só ficou famosa nas mãos de Alexander Graham Bell, em 1876. Parece que o mundo sempre esteve cheio de desinformados teimosos.

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2. “Raio-X é uma fraude” – Lord Kelvin, físico britânico, em1900.

Kelvin afirmou que não acreditava na descoberta feita em 1875 por Wilhelm Röntgen e aperfeiçoada por Marie Curie nas décadas seguintes. Acusação grave!

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3. “Estas supostas teorias de Einstein são meros delírios de uma mente poluída pelo nonsense liberal-democrático que são totalmente inaceitáveis para os homens alemães da Ciência” – Walter Gross, médico nazista, em 1940.

A física moderna discorda, doutor! Com ou sem pensamento liberal-democrático, o fato é que seu compatriota estava certo. Prêmio Nobel para Einstein.

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4. “Perfurar para pegar petróleo? Você quer dizer perfurar o solo para tentar procurar petróleo? Você está louco!” – homens que se recusaram a trabalhar para o petroleiro Edwin L. Drake em 1859.

Por sorte, outros trabalhadores precisavam do dinheiro e toparam o serviço, transformando Drake no primeiro homem a encontrar petróleo debaixo da terra americana.

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5. “A teoria dos germes criada pelo Louis Pasteur é uma ficção ridícula” – Pierre Pachet, professor de Psicologia de Toulouse, em 1872.

Nem um pouco ficção. Pasteur provou que a fermentação é causada por microorganismos que surgem através de biogênese e que a melhor forma de evitar o surgimento de bactérias maléficas é ferver tudo muito bem. Nossa saúde agradece!

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6. “Não existe razão nenhuma para alguém querer ter um computador dentro de casa” – Ken Olson, empresário, em 1977.

Olson era presidente e fundador da Digital Equipment Corp. (DEC), empresa produtora de computadores de grande porte em 1977. Poucos anos depois, os jovens Bill Gates, Paul Allen, Steve Jobs e Steve Wosniak conseguiram provar o contrário. Graças a eles, você está lendo isso agora.

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7. “Colocar um homem em um foguete e projetá-lo até o campo gravitacional da Lua – talvez pisar lá – e voltar à Terra: tudo isto constitui um sonho maluco digno de Júlio Verne. (…) Este tipo de viagem feita pelo homem nunca vai acontecer, independentemente de todos os avanços no futuro” – Lee DeForest, físico, em 1957.

O cientista americano era pioneiro em estudos sobre radiotransmissão. Sim, para um homem da Ciência, até que DeForest era bem cético. Só que em 1968 os tripulantes da Apollo 8 chegaram ao campo gravitacional da Lua e, em 69, a Apollo 11 de Neil Armstrong pousou com muito sucesso. Pena que DeForest não pode acompanhar o acontecimento – ele faleceu em 1961.

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8. “Como você vai fazer um barco navegar contra o vento e contra a corrente só acendendo uma fogueira embaixo do deck?” – Napoleão Bonaparte, sobre o barco a vapor do engenheiro americano Robert Fulton, em1803.

A primeira embarcação a vapor foi criada em 1787. Fulton construiu a sua versão e mostrou ao imperador francês. Napoleão pode até ter duvidado do homem na hora, mas no ano seguinte, voltou atrás e contratou Fulton para construir o Nautilus, o primeiro submarino funcional da história.

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9. “A televisão não vai ser capaz de se manter em nenhum mercado depois dos primeiros seis meses. As pessoas vão se cansar logo de ficar encarando uma caixa de madeira compensada todas as noites” – Darryl Zanuck, produtor de cinema da Fox, em 1946.

Zanuck não sabia de nada. Para se ter uma ideia, só o lucro mundial das TVs por assinatura subiu para 240 bilhões de dólares em 2010. Quem aí está cansado?

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BÔNUS


O cinema é só um pouco mais que uma moda passageira. É drama enlatado. O que a audiência realmente quer é ver carne e sangue no palco” – por mais incrível que pareça, a citação é de Charlie Chaplin, feita em 1916. Na época, ele mal podia imaginar que em muito pouco tempo a indústria cinematográfica viria a ser tão bilionária e competitiva – em 2009, o lucro mundial do cinema foi de 29,2 bilhões de dólares. Enquanto isto, o teatro foi deixado na categoria “diversão para poucos”.


6 maneiras que o cérebro encontra para nos enganar

Redação Super 1 de junho de 2011

Por Luiza Sahd
COLABORAÇÃO PARA A SUPERINTERESSANTE

A mente é o painel de controle do nosso corpo. Se você dorme e não faz xixi na cama, se não se esquece de respirar enquanto realiza atividades paralelas e se não está fazendo pausas para raciocinar sobre cada uma dessas letras, aparentemente está tudo bem aí em cima. A parte chata é que o sistema pode dar pane de uma hora para outra. Reunimos seis relatos verídicos de “tilt mental” que vão fazer com que você fique desconfiado do seu próprio cérebro.

Síndrome da mão alienígena

Também conhecida como síndrome da mão alheia. As pessoas que sofrem desse mal não têm controle sobre uma das mãos. Mas isso não significa que elas tenham uma “mão morta”. O quadro é mais trágico: um dos membros parece ter “vida própria”. São infinitas as possibilidades de perturbação causadas pela síndrome, que teve o nome inspirado pelo personagem central do filme Dr. Fantástico, de Stanley Kubrick.

A disfunção pode começar por causa de um derrame, infecção ou lesão neurocirúrgica e se manifesta em qualquer membro do corpo. Em todo caso, é sempre bom torcer para que a doença não atinja uma das mãos: houve um caso em que a mão desobediente tentou enforcar o próprio dono enquanto ele dormia.

A Origem Ciladas da memória


Lembra aquela vez, quando você era pequeno, em que sua mãe te reprimiu por derrubar sorvete de chocolate na roupa? Então. Pode ser que isso nunca tenha acontecido. De acordo com pesquisas científicas realizadas em uma Universidade da Califórnia, nossa memória é mais influenciável do que imaginamos.

No meio do papo com alguns voluntários, os pesquisadores sugeriram que eles já haviam se perdido em um shopping na infância. Tiro e queda: um em cada cinco participantes confirmou ter passado pela experiência. Coincidência demais, não?

Antes de discutir com seu irmão sobre quem levou a melhor naquele jogo de videogame nos anos 90, tente pensar que nossa mente inventa memórias que nunca existiram e ele pode estar com a razão.

Otimismo de risco

Você está cansado de procrastinar. Então, organiza todos os compromissos do dia, marcando horários de início e término de cada um. Mesmo assim, não adianta. A culpa é do seu cérebro. A falácia do planejamento é a tendência de subestimar o tempo necessário para completar tarefas. Ela decorre, na verdade, de outro erro: um excesso individual de otimismo.

Se perguntamos a um colega de trabalho quantos minutos ele demora no banho, ele vai considerar o tempo que essa tarefa tomou no passado, e a resposta será razoável. Se a dúvida for quanto tempo ele irá demorar para fazer algo que nunca fez antes, tipo escrever um livro ou escalar o Monte Everest, ele não terá referência temporal.  Nesse momento, o otimismo pode representar um risco: pessoas positivas costumam calcular mal (sempre pra menos) o tempo necessário para as atividades.

Para não cair nessa armadilha, lembre-se da lei Hofstadter: “Tudo sempre leva mais tempo do que o esperado, mesmo quando se leva em conta a Lei de Hofstadter”.

Cegueira histérica

Um olho que vê mas não enxerga. Confuso? Pois tente imaginar como os médicos ficaram sem entender nada, em pleno século 19, quando o distúrbio foi catalogado. Um dos casos mais famosos foi o do paciente que estava cego de um olho há mais de dez anos e sentia dores. Após inúmeros testes clínicos, o olho parecia completamente saudável do ponto de vista fisiológico, mas não funcionava. O paciente estava se preparando para arrancar o olho “inútil” quando o médico decidiu fazer o último teste: sem avisar o paciente, tapou o campo de visão do olho bom, de modo que o paciente pudesse enxergar apenas com o olho ruim. Para surpresa geral, o paciente continuava enxergando normalmente.

A cegueira histérica é uma das disfunções que os médicos entendem como transtornos de conversão – distúrbios de somatização em que o orgânico está saudável e a moléstia surge de fatores psicológicos. Há casos de pacientes mudos e até paralíticos por causa disso. Haja terapia!

Apertem os cintos: o pênis sumiu

A síndrome da redução genital, também conhecida como síndrome de Koro, é um medo obsessivo da retração natural do pênis (no caso dos homens) ou da vulva e dos mamilos (no caso das mulheres). Casos assim foram registrados na Ásia. Na África, foram relatadas situações em que certos homens temiam que seus pênis fossem simplesmente furtados.

O nome “Koro” significa “cabeça de tartaruga” na língua Malaia, uma clara referência à retração que o animal é capaz de fazer em direção ao casco, desaparecendo por completo, exatamente como os pacientes perturbados pela síndrome acreditam que aconteça com a sua genitália.

Não existe nenhuma evidência biomédica da doença, então o problema ficou conhecido como uma histeria de origem cultural. As vítimas da síndrome têm o hábito de ficar checando frequentemente os “documentos” e chegam até a pedir a parentes e amigos uma forcinha pra garantir que está tudo em ordem. O distúrbio não poderia ser pior, certo? Errado: por ser uma histeria coletiva, ele é contagioso.

Gravidez psicológica

Aparentemente, o distúrbio existe desde que as mulheres pisaram na face da terra. Hipócrates descreveu senhoras com sintomas de gravidez psicológica em 300 a.C. Os sintomas são parecidos com os da gravidez de verdade: náuseas, enjôos, ganho de peso, escurecimento dos mamilos, suspensão de menstruação, mamas cheias de leite e até crescimento abdominal.

Os médicos descobriram que as mulheres com gravidez psicológica “estufam” o abdômem enquanto estão em estado de vigília e relatam que sentem o bebê chutando. Algumas delas chegam ao extremo de procurarem maternidades dizendo que estão em trabalho de parto.

Se gravidez psicológica já é uma barra para as mulheres, ruim mesmo deve ser o caso dos homens que sofrem da doença quando suas companheiras engravidam: eles sentem cãibras pela manhã e ficam com inchaço abdominal por tempo indeterminado – ou até quando a lucidez voltar.


Oito atores que foram substituídos em suas próprias séries

Redação Super 24 de maio de 2011

Por Tânia Vinhas

COLABORAÇÃO PARA A SUPERINTERESSANTE

Espírito badboy, intrigas, exigências absurdas, quebras de contrato, novos planos… Desde sempre, o mundo do entretenimento sofreu com uma praga chamada estrelismo. Quando um ator se destaca demais (ou de menos), o ego vai se inflando e não demora muito até explodir. E, às vezes, não há conversa que resolva. Há quem peça para sair, há quem seja convidado a se retirar do estúdio. O fato é que muitas séries precisaram se virar para contornar o problema e “tapar o buraco”. Afinal, ninguém é insubstituível, né?

1- Two and a Half men – Sai Charlie Sheen, entra Ashton Kutcher


Se você acessou a internet nos últimos três meses, a polêmica envolvendo Charlie Sheen e Chuck Lorre, o criador de Two and a Half Men, não é novidade. A vida desregrada do ator, que serviu de mote para a criação da série, acabou fazendo o feitiço virar contra o feiticeiro e a situação ficou insustentável.

Charlie, famoso por escândalos com drogas, prostitutas e casamentos arruinados, havia sossegado o facho no começo da série. Chuck Lorre foi pego de surpresa quando os maus hábitos voltaram a ser rotina durante a 7ª temporada. Quando Charlie começou a aparecer na mídia defendendo o “uso social” da cocaína, o produtor achou melhor colocar Two and a Half Man em hiato.

Muitas declarações, entrevistas e birrinhas depois, Lorre bateu o martelo: Charlie estava fora do programa e era hora de procurar outra pessoa. Entre os cotadíssimos Rob Lowe, John Stamos e Hugh Grant, o escolhido foi… Ashton Kutcher.

Os fãs estão ressabiados e apostam que não tem mais jeito – sem Charlie, sem graça e sem futuro. A produção ainda não divulgou qual será o papel de Kutcher, mas a sua personalidade deve seguir a de Charlie Harper mesmo. Além disto, o marido de Demi Moore tem um bom histórico de comédias no currículo (ele foi um dos destaques da série That ‘70s Show), então só o tempo dirá se a mudança vai dar certo.

2- Beverly Hills – Sai Shannen Doherty, entram Jennie Garth e Tiffani-Amber Thiessen


Nos últimos 15 anos, pipocaram ‘bad girls’ no mundo do entretenimento. Teve Britney Spears raspando o cabelo e agredindo fotógrafos, Lindsay Lohan abusando das drogas e Paris Hilton envolvida em escândalos sexuais. Mas a primeira a encarnar o papel de garota problema nos anos 90 foi Shannen Doherty. A atriz vivia Brenda Walsh, a doce e meiga protagonista de Beverly Hills 90210 (que, no Brasil, passou com o título Barrados no Baile). Mas nem a importância de sua personagem conseguiu segurar seu lugar na série. Atrasos, bebedeiras, reclamações e até uma rixa com Tori Spelling (ninguém menos que a filha do produtor da série) renderam o afastamento de Shannen na quarta temporada. O programa seguiu muito bem por mais seis temporadas sem ela.

Com a saída da mocinha Brenda, Jennie Garth, que já interpretava a patricinha Kelly Taylor, subiu ao posto de heroína romântica redimida. E quem ficaria com o seu lugar, o da “bitch” de plantão? O jeito foi contratar a musa teen Tiffani-Amber Thiessen, que fez de Valerie Malone uma das personagens mais legais de se odiar na série. Depois da dança das cadeiras, o outro protagonista, Jason Priestley, também deixou o elenco. Jennie Garth subiu mais uma posição na escala de importância dos personagens. #winning.

3- Grey’s Anatomy – Sai Isaiah Washington, entra Kevin McKid


Dr. Burke não era um McDreamy e nem um McSteamy, mas o personagem de Isaiah Washington era importante na trama de Grey’s Anatomy, a série médica preferida das mulheres. Cardiologista respeitado, ele conquistou o coração da durona Cristina Yang (Sandra Oh) e quase levou a competitiva residente ao altar. No entanto, fora dos sets, Isaiah não mereceu o respeito de ninguém quando saiu fazendo comentários ofensivos aos gays – e olha que seu colega de elenco T.R. Knight, que interpretava George O’Malley, é homossexual assumido.

Constrangimento geral. A solução? Demissão, claro. Para preencher o espaço, escalaram Kevin McKidd para Grey’s. Ele chegou ao Hospital Seattle Grace na 5ª temporada como Owen Hunt, o cirurgião militar especialista em traumatologia que conquistaria o coração desiludido de Cristina. E, de quebra, o doutor ainda entrou para o time dos bonitões – até passou a ser chamado de McArmy.

4- Criminal Minds – Sai Mandy Patinkin, entra Joe Mantegna


Ao longo de seis temporadas, Criminal Minds já teve muito entra-e-sai. O mais famoso caso de substituição na série é o de Mandy Patinkin. Seu personagem, Jason Gideon, era adorado pelo público e essencial para a série – ele era o membro sênior da Unidade de Análise Comportamental de Quântico, cenário da trama. No entanto, Gideon decidiu se aposentar no começo da terceira temporada. Tudo porque Mandy pediu para sair, alegando “diferenças criativas” com o restante do elenco e com os roteiristas, que insistiam em cenas fortes demais para o seu gosto.

Em seu lugar, veio o experiente Joe Mantegna, que assumiu o cargo como David Rossi, o novo supervisor com mente de policial mais tradicional e de personalidade bem diferente à de Gideon. Aprovado!

5- CSI – Sai William Petersen, entra Laurence Fishburne


Quem pensa em CSI, logo pensa em Gil Grissom, o chefe do laboratório criminal de Las Vegas que sempre tinha uma frase na ponta da língua para tornar a cena do crime mais cult e poética. É por isto que muita gente apostou que a série chegaria ao fim quando William Petersen decidiu sair de CSI na nona temporada.

De acordo com o ator, a decisão veio porque ele estava se sentindo acomodado e que sentia vontade de fazer coisas novas. O jeito foi procurar um substituto de peso e com estilo parecido. O escolhido foi Laurence Fishburne. A princípio, fãs da série estranharam o Morpheus de Matrix mexendo no bisturi das autópsias e recolhendo impressões digitais, mas o Dr. Ray Langston acabou agradando e a série voltou a dar audiência.

6 – As Panteras – Sai Farrah Fawcett, entra Cheryl Ladd


Não é de hoje que a rotatividade no elenco ataca as séries de sucesso. Desde os anos 70, Farrah Fawcett é o símbolo d’As Panteras e todos se lembram da atriz (falecida em 2009) quando o assunto é “girl power”. No entanto, muita gente se espanta quando descobre que Farrah só ficou um ano no seriado da TV. A bela temia que o trabalho atrapalhasse seu casamento com Lee Majors. A série tomava muito tempo e ela preferia focar no cinema.

Com a quebra de contrato, o jeito foi contornar o vazio deixado por Farrah e a solução foi criar a personagem Kris Munroe, interpretada por Cheryl Ladd. Kris era a irmã mais nova de Jill, então loira por loira, bonitona por bonitona, jeitinho por jeitinho, o público acabou aprovando a mudança.

7- Ilha da Fantasia – Sai Hervé Jean-Pierre Villechaize, entra Christopher Hewett


Essa veio do fundo do baú e é possível que você não conheça bem o caso. Entre 1978 e 1983, a série Ilha da Fantasia foi um sucesso de crítica e de público. O personagem favorito era Tattoo, vivido por Hervé Jean-Pierre Villechaize. Tattoo era o assistente anão do Sr. Roarke, o administrador da ilha.

Até que a produção decidiu demitir Hervé. Ele estava abusando da bebida e corre o boato de que seus comentários constrangiam as moças que faziam figuração no programa. Em seu lugar entrou o mordomo Lawrence (Christopher Hewett), mas a troca não agradou. Sua personalidade era oposta à de Tattoo e o público não perdoou – com a audiência despencando, a série só durou mais um ano no ar.

8. The Fresh Prince of Bel-Air – Sai Janet Hubert-Whitten, entra Daphne Reid


Por fim, temos uma história que desafia a inteligência do público: o caso Fresh Prince.  Janet Hubert-Whitten interpretou Vivian Banks entre 1990 e 1993, mas, de uma hora para a outra, a Tia Vivian pareceu ter repaginado o visual – era Daphne Reid quem chegava para viver a mesma personagem! Sim, a mesma! A mudança até virou piadinha na série no episódio em que a nova tia Vivian apareceu pela primeira vez.

Will Smith afirmou que era muito difícil trabalhar com Janet e que havia muitas discussões. Já Janet afirmou que a sua gravidez na vida real (e que foi colocada como parte da história) foi considerada quebra de contrato e que Smith abusava de seu poder dentro da série. Estrelismo de um ou de outro?

Complicado. Mas o fato é que o público teve de engolir a idéia de que a Tia Viv estava diferente e pronto. Simples assim.


7 reis com apelidos bizarros

Ana Carolina Prado 19 de maio de 2011

Os sobrenomes só começaram a ser usados da maneira como fazemos hoje a partir do século 15. Antes, só se diferenciava uma pessoa de outra do mesmo nome por meio de apelidos, que muitas vezes faziam referência à profissão ou a características físicas (e morais). Na França, por exemplo, eram comuns apelidos como Bienboire (“bom de copo”) e Fritier (“vendedor de peixe frito”). Para os monarcas, cujo nome passava de geração para geração, os apelidos eram ainda mais importantes e mais atrelados a particularidades (algumas vezes, bizarras) do seu dono. Listamos aqui sete dessas alcunhas. Inspire-se nelas para criar seu nickname na próxima rede social.

Carlos II, o Enfeitiçado

Rei da Espanha de 1665 a 1700

O último rei da família dos Habsburgos a reinar sobre a Espanha e parte da Itália era tão repulsivo que todo mundo – inclusive ele próprio – achava que era culpa de algum feitiço ou maldição. Ele chegou até a ser exorcizado.  Além de ter nascido com raquitismo e epilespsia, ele tinha problemas mentais, babava e só foi aprender a falar com quatro anos de idade. Só aos oito começou a andar. Com medo de sobrecarregar o doente, sua família lhe tratava com tanta indulgência que ninguém nem exigia que ele andasse limpo. Carlos também tinha várias superstições e dormia com amuletos debaixo do travesseiro, como fios de cabelo e unhas cortadas. Mas o problema não tinha a ver com poderes malignos. Em sua família, eram muito comuns casamentos entre parentes. Para se ter uma ideia, a mãe de Carlos era sobrinha do pai dele e filha da Imperatriz Maria Ana de Espanha. Assim, a Imperatriz era simultaneamente sua tia e sua avó. A combinação pode ter favorecido doenças genéticas. Está vendo o queixo esquisito do rei na pintura acima? Essa característica era comum em sua família e é causada por uma desordem genética chamada prognatismo mandibular. Como consequência, Carlos não conseguia mastigar direito e mal dava para entender o que ele falava. A loucura também acometeu vários de seus familiares.

Luís V, o Preguiçoso

Rei da França de 986 a 987


Por causa de sua falta de iniciativa, o último rei da Dinastia Carolíngia da França recebeu o desagradável apelido de “Indolente” ou “Preguiçoso” ou “o Não-Faz-Nada”. Mas justiça seja feita: ele reinou por apenas um ano. Subiu ao trono quando tinha 19 anos e morreu no ano seguinte.  Além disso, o poder nessa época ficava quase sempre nas mãos dos nobres. Então, sobrou pouca coisa para ele fazer.

Selim II, O Bêbado

Imperador Otomano de 1566 a 1574

Selim II ganhou o nome graças ao seu desinteresse pelo governo, especialmente no quesito militar. Ele foi o primeiro sultão a ter tanto, digamos, desprendimento, deixando o poder nas mãos de seus ministros para ficar livre para ir atrás do que realmente importava: orgias, vinho, farras. Sua morte deu ainda mais força ao apelido. O imperador levou um tombo enquanto tomava banho bêbado. Em seguida, foi acometido por uma forte febre e acabou batendo as botas.

Pepino III, o Breve

Rei dos Francos, de 752-768


Pepino, o Breve

Embora as biografias não apontem suas medidas, ele era considerado baixo. Daí o apelido “Breve”. Já Pepino era seu nome de verdade –  e era bastante comum em sua família. Seu avô e tataravô também se chamavam assim e ele teve um neto, filho de seu filho Carlos Magno, que era conhecido como Pepino, o Corcunda.  Este, apesar do problema na coluna, era descrito como um homem atraente e muito amável. Pepino, o Corcunda não chegou a virar rei (foi preterido por um irmão mais novo, batizado com o mesmo nome) e , depois de uma tentativa frustrada de golpe para chegar ao poder, teve de passar o resto da vida como um monge.


Pepino, o Corcunda

Luís XI, o Rei Aranha

Rei da França de 1461 a 1483

O reinado de 22 anos de Luís XI foi tão cheio de maquinações políticas e redes (ou teias) de intrigas e conspirações que ele ganhou o apelido de Rei Aranha. Sutil, né? Entre os vários inimigos que conquistou estão Carlos VII (seu próprio pai), seu irmão, seu cunhado e o rei Eduardo IV da Inglaterra. Luís XI tirou o poder dos nobrezas e fortaleceu a monarquia, sendo considerado um dos principais responsáveis pela reunificação do reino e pela sua modernização.

Ivan, o Terrível

Czar da Rússia de 1533 a 1584

Os habitantes de Moscou sofreram muito durante o governo de Ivan, o Terrível. Com medo de suas reações sanguinárias e explosivas (o primeiro czar da Rússia tinha surtos episódicos de loucura), um monte de gente preferiu abandonar a cidade a viver sob o domínio do tirano. Ele arrasou cidades e matou milhares de pessoas. Por medo de conspiração, assassinou o filho com as próprias mãos. Por outro lado, Ivan fez da Rússia uma nação moderna e lançou as bases para que ela se tornasse um grande império mundial mais tarde. Você vai julgá-lo?

Maria, a Sanguinária (ou Bloody Mary)

Rainha de Inglaterra e da Irlanda entre 1553 e 1558

O reinado de Maria I, filha de Henrique VIII e Catarina de Aragão, durou apenas cinco anos. Mas foi um dos que mais renderam fofocas na história da Inglaterra. A rainha tentou, em vão, restaurar o catolicismo inglês e perseguiu a igreja que seu próprio pai havia fundado, mandando queimar 300 anglicanos vivos. Até sua meia-irmã, que se tornaria a célebre rainha Elizabeth I (aquela dos filmes), ficou dois meses presa na Torre de Londres. Hoje, Bloody Mary virou nome de uma bebida feita com vodca e suco de tomate.

Para ler mais:

Grandes personagens tinham apelidos

Traições afligem a família real inglesa há mais de 500 anos

Ivan IV: Senhor terror

“A loucura dos reis – Histórias de poder e destruição de Calígula a Saddam Hussein”, de Vivian Green


5 acontecimentos inspirados pelo álcool

Ana Carolina Prado 13 de maio de 2011


Foto: Getty Images

Nos seus primórdios, a bebida alcoólica era sagrada. “Diversas narrativas contam as origens míticas do vinho como uma gota de sangue dos deuses que choveu sobre a terra de onde brotou uma videira”, escreve o historiador Henrique Carneiro no livro “Bebida, Abstinência e Temperança – Na História Antiga e Moderna”. O álcool desenvolveu um papel importante e influenciou vários atos de grandes personalidades ao longo da história – bem mais mundanos, porém, do que sua origem sugere. Com a ajuda de Henrique, selecionamos cinco deles para contar para vocês.

1- Fez Alexandre, o Grande matar o melhor amigo e queimar palácios

Na Antiguidade, os macedônios, assim como os gregos, cultuavam Dionísio, o deus do vinho. Para homenageá-lo, como era de se esperar, bebiam. O conquistador Alexandre Magno (ou Alexandre, o Grande) não escapava à regra e também enchia a cara. Depois de ter entornado muitas taças em um banquete, Alexandre discutiu com Cleitus, um de seus generais mais conhecidos, e, puxando uma adaga de um de seus guarda-costas, acabou assassinando o amigo. Quando percebeu que havia assassinado alguém que tantas vezes o havia defendido da morte, Alexandre se arrependeu e tentou se matar, mas foi contido pelos seus guardas. Mas a estupidez não parou por aí. O incêndio de Persépolis, antiga e opulenta capital persa, é atribuído a outra bebedeira de Alexandre. Numa noite em que os macedônios estavam ocupando a cidade, o conquistador ordenou que os palácios do lugar fossem incendiados.

- Para saber mais: Alexandre, o Maior, em Aventuras na História

2- Ajudou Anthony Burgess a escrever Laranja Mecânica


O escritor inglês Anthony Burgess se baseava muito em experiências pessoais para escrever seus romances. A cena de estupro em Laranja Mecânica, por exemplo, foi inspirada em um incidente envolvendo sua esposa, que foi assaltada durante a Segunda Guerra Mundial e acabou perdendo o bebê que estava esperando. Para conseguir lidar com esses temas sombrios, que o envolviam e perturbavam tanto, Burgess frequentemente encontrava refúgio no fundo dos copos.

3- Atrapalhou golpes políticos e deu fama a um governante russo

Não eram só os governantes antigos que sofriam com a bebedeira. Os russos, conhecidos pela paixão por uma boa vodca, também tiveram seus momentos. Em 1991, a linha radical do partido comunista russo tentou um golpe final contra a abertura política da então União Soviética, visando tomar o poder. Mas a resistência liderada por Boris Ieltsin, presidente da república russa, foi forte e o golpe deu errado. Mas esse talvez não tenha sido o único fator responsável pela derrota. O elevado consumo de álcool por parte dos conspiradores contribuiu para que não tivessem agido mais decisivamente. “O Livro das Listas” conta que o ex-vice-pesidente soviético Gennady Yanayev, líder do golpe, bebeu horrores durante todo o incidente e foi encontrado num ”esturpor alcoólico” em seu escritório quando o golpe fracassou.  E o ex-primeiro-ministro Valentin Pavlov, outro conspirador, admitiu ter bebido desde a primeira noite do golpe.

Mas a influência do álcool no governo russo não parou por aí. Após a fragmentação da União Soviética, Boris Ieltsin subiu ao poder e ficou mais famoso por seus atos bizarros sob o efeito do álcool do que por ter sido o primeiro presidente eleito democraticamente na história da Rússia. Ele tropeçou várias vezes em palanques e escadarias, dançou em público, frequentemente tinha de ser amparado por seguranças porque aparecia cambaleando por aí, fez pronunciamentos falando enrolado, dava cutucões em mulheres em eventos oficiais e até apertou o traseiro de outra durante uma festa beneficente. Dá para ver algumas dessas situações aqui:

4- Fez Walt Disney perder o controle do trenzinho e quase matar as filhas


Se você baseia a imagem que tem de Walt Disney nos fofos desenhos dos seus estúdios, é hora de rever o conceito. Ele, na verdade, bebia feito uma esponja e  só tomava tranquilizantes com um copo enorme de uísque. Um dia, bêbado como um gambá, ele inventou de bancar o maquinista da ferrovia em miniatura que havia construído no quintal de sua casa. Você sabe, histórias como essa não podem acabar bem. E foi o que aconteceu: Disney perdeu o controle do trenzinho, arrebentou o muro da casa e acabou indo parar dentro de sua sala, quase matando as pessoas que estavam lá – incluindo suas filhas. Mas vamos combinar que, mesmo correndo risco de vida às vezes, devia ser o máximoter Walt Disney como pai. O cara construiu uma mini ferrovia no próprio quintal!

5- Criou o maior incidente diplomático do Segundo Reinado

O mais grave acidente diplomático do Segundo Reinado no Brasil também foi provocado pelo álcool. Em 1862, três oficiais da marinha inglesa, à paisana e bêbados, provocaram um rebuliço nas ruas do Rio de Janeiro (à época, capital do Brasil) ao se envolver em uma luta corporal com marinheiros brasileiros. Por causa de mulheres, vale lembrar. A polícia portuária levou os ingleses para a prisão, mas os soltou no dia seguinte quando percebeu que eles eram militares. O problema é que o embaixador inglês no Brasil, William Christie, transformou esse simples episódio em um conflito diplomático alegando que a marinha britânica havia sido gravemente ofendida e exigindo punição para os policiais responsáveis pelo incidente. Ele não foi atendido, o que o fez ameaçar tomar medidas extremas. E adicionou à lista de exigências o pagamento das 6.500 libras de indenização por um incidente ocorrido no ano anterior, quando havia desaparecido a carga de um navio inglês naufragado na costa brasileira.

Como D. Pedro II se recusou a atender a tais exigências, Christie apelou para a violência e ordenou ao vice-almirante Warren que bloqueasse o porto do Rio de Janeiro e aprisionasse cinco navios mercantes brasileiros. Então o rei da Bélgica, Leopoldo I, foi chamado para resolver o impasse. Mas, para surpresa geral (ele era tio e conselheiro da rainha Vitória da Inglaterra), a sua decisão foi favorável ao Brasil, determinando que a Inglaterra pedisse desculpas oficialmente e devolvesse os navios aprisionados. Como a Inglaterra não fez nada disso, o Império brasileiro rompeu as relações diplomáticas entre os dois países. Isso é que é ressaca.


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