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7 palavras estrangeiras (quase) intraduzíveis

4 de julho de 2011

Aposto que você já perdeu tempo tentando explicar para algum gringo que a palavra “saudade” só existe em português. Bom, a primeira notícia ruim do dia é que não, os lusófonos não são os únicos donos da saudade – a palavra também faz parte do vocabulário dos 4 milhões de habitantes da Galícia (que falam, é óbvio, galego).

A segunda notícia – esta não é ruim – é que a maior parte dos idiomas tem suas “saudades”, ou seja, palavras que dão trabalho aos tradutores. Normalmente, é preciso frases inteiras para explicar o sentido dessas palavras. Resolvemos usar parágrafos. Acompanhe:

Тоска (lê-se tós-ca) – Russo

Começamos nossa lista com uma palavra baixo-astral muito popular na Rússia. Para o Google Tradutor, toska significa apenas depressão. Mas, do mesmo jeito que você entende que “sentir saudades” é diferente de “sentir falta”, os russos sabem que não é bem assim. Segundo Vladimir Nabokov, autor de Lolita, toska é uma sensação de angústia espiritual. É aquela agonia sem motivo que esperamos que você nunca tenha sentido. Pode ser leve, como uma sensação parecida com o tédio, ou mais profunda e aguda, como uma “dor na alma”.

Lítost (lê-se li-tóst) – Tcheco

 

Lítost é algo entre o remorso, o pesar e a compaixão. É uma dor profunda que você sente diante de sua própria mediocridade ou falta de habilidade. É quase um tormento da alma. O escritor tcheco Milan Kundera já tentou explicar o significado da expressão em “O livro do riso e do esquecimento”. E disse ainda que não consegue imaginar como outros povos conseguem compreender a alma sem entender o verdadeiro sentido de lítost. Em português, o mais próximo que se chega disso é a famosa “dó”. Também existe um adjetivo derivado da palavra – lítostivý, que significa “pessoa que se emociona muito, não aguenta crítica leve e leva tudo para o lado pessoal”.


L’esprit d’escalier  – Francês

Neste caso, a expressão não é intraduzível. Ao pé da letra, significa “o espírito da escada” ou “presença de espírito”. Mas WTF? o que será que os franceses querem dizer? Na real, l’esprit d’escalier é aquilo que você provavelmente já sentiu depois de sair de uma discussão. Algo como “putz, mas bem que eu podia ter disparado aquele argumento infalível. Agora, já era!”. O nome deste sentimento foi cunhado pelo filósofo Denis Diderot no século 18 e a idéia também aparece nos idiomas iídiche (trepverter) e inglês (que pegam a expressão alemã Treppenwitz emprestada).

Tartle (lê-se tár-dol) – Escocês

Você está numa balada com um amigo. Entre um drinque e outro, uma velha conhecida sua se aproxima e você se sente na obrigação de apresentar os dois. O problema é que você não lembra exatamente se o nome dela é Beatriz ou Gabriela e está sem jeito de perguntar. Você sente um calafrio e fica muito constrangido, agora que vai ter que falar o nome da moça, correndo o risco de errar e passar vexame. Ok, o sentimento pode não ser tão exagerado assim. Mas ele tem nome: tartle.

Hygge (lê-se rí-gue)

Você já foi à Dinamarca ou conhece bem a cultura dinamarquesa? Por lá, hygge é um estilo de vida. Pelo menos é este o nome que eles dão para a alegria de viver, o aconchego da companhia dos amigos, com quem se compartilha bons momentos. Bonito, né? Resumindo: hygge é a completa ausência de preocupação e aborrecimentos e a fartura de coisas alegres, agradáveis e simples. No Brasil, não é difícil imaginar situações parecidas, seja na época do Carnaval, seja no happy hour de sexta-feira. Agora, no frio da Dinamarca? Quem diria.

Ilunga – Banto

Existem pelo menos 200 idiomas diferentes – mas um pouco parecidos – falados por centenas de povos espalhados pela África. São as línguas bantas. No vocabulário desses idiomas, há muitas palavras de tradução complicada. Mas poucas são tão difíceis de explicar quanto esta. Ilunga é uma pessoa que consegue perdoar alguém que lhe fez mal uma vez. Da segunda vez, ele até tolera. Mas, para os ilunga, três vacilos é demais. Simplificando, ser ilunga é ser tolerante até certo ponto.

Mamihlapinatapai – Yagan

Yagan era um idioma indígena falado por povos de Tierra Del Fuego, um arquipélago isolado que fica ao sul da América do Sul. Com o passar do tempo, o número de falantes nativos do idioma foi reduzindo até chegar à marca atual: um. Cristina Calderón é a única representante viva dos povos da Tierra Del Fuego e, provavelmente, a única que pode explicar com propriedade o mamihlapinatapai. Vamos tentar: é o olhar trocado por duas pessoas quando uma delas deseja que a outra tome iniciativa para fazer algo que ambas querem, mas que estão relutantes em fazer. Você pode não ser um yagan, mas, se já teve paixões adolescentes, sabe muito bem que ‘olhar’ é este.


6 mulheres diabólicas que você (provavelmente) não conhecia

29 de junho de 2011

Por Tânia Vinhas

Stálin, Hitler, Pol Pot, Ivan, o Terrível. Provavelmente, estes são os primeiros nomes que vêm à sua cabeça quando te perguntam sobre “mentes diabólicas”, certo? Então esta lista é para você. Saiba que algumas mulheres podem ser bem malvadas, a ponto de figurarem entre os humanos mais cruéis de todos os tempos. Veja seis mulheres infernais – e meio desconhecidas – que deixam qualquer tirano no chinelo.

Condessa Elizabeth Báthory de Ecsed (1560 – 1614)

Melhor que botox...

Vários nobres de sangue azul derramaram muito sangue vermelho ao longo da história, mas a Condessa Elizabeth foi uma das únicas mulheres da realeza a se tornar serial killer. A húngara foi acusada de torturar e matar 80 garotas, com a ajuda de quatro pessoas. Mas testemunhas afirmaram que 650 cabeças de jovens donzelas rolaram por causa da condessa.

Elizabeth nunca foi sequer julgada. Mas, em 1610, a condessa foi submetida a uma espécie de “prisão domiciliar” em um castelo na Eslováquia. E ficou lá até morrer, quatro anos mais tarde.

Quer saber o pior? Tempos depois, foram encontrados textos que diziam com todas as letras que a condessa matava garotinhas porque – atenção! – gostava de se banhar no sangue de moças virgens para manter a sua juventude. Ai, se algumas celebridades brasileiras descobrirem esse segredo de beleza…

Delphine LaLaurie (1775 -  1842)

Mais conhecida como Madame LaLaurie, Delphine foi uma socialite de Nova Orleans. Em abril de 1834, um incêndio tomou a cozinha da mansão e os bombeiros encontraram mais do que labaredas por lá.

Nos escombros, encontraram dois escravos acorrentados. A dupla – que havia começado o fogo pra chamar atenção – levou os bombeiros para o sótão, onde havia mais ou menos uma dúzia de outros escravos presos nas paredes e no chão.

Aparentemente, LaLaurie havia instalado uma filial do laboratório do Dr. Frankenstein. Suas vítimas estavam amputadas, tinham bocas costuradas e sexos trocados (!). Teve boatos de que ela até executou uma cirurgia bizarra para transformar um dos escravos em caranguejo, realocando os membros de seu corpo. #tenso. Infelizmente, a justiça tardou e falhou – Delphine nunca foi pega pelos seus crimes.

Ilse Koch (1906 – 1967)

Os homens nazistas marcaram a história com muitos casos cruéis, mas Ilse Koch mostrou que a maldade não está só no cromossomo Y. Apelidada de “a maldita de Buchenwald”, Ilse foi casada com Karl Otto Koch, membro da SS, e superou o marido no quesito sadismo.

Ela ficou conhecida por ostentar uma coleção um tanto quanto sinistra – Ilse arrancava a pele de presos com tatuagens para criar revestimentos “exóticos” para as cúpulas das lamparinas de sua casa! Além disso, dizem que a mulher tinha o costume de andar nua pelos campos de concentração armada com um chicote: aquele que ousasse olhar para ela duas vezes apanhava feio. Ilse foi presa no fim da guerra e acabou se enforcando dentro de sua própria cela.

Mary Ann Cotton (1832 – 1873)

Mary Ann Cotton não era mole. Aos vinte anos de idade, ela se casou com William Mowbray e começou uma bela família – teve cinco filhos! Só que quatro deles morreram com “febre gástrica e dores de estômago”. Estranho, mas na época ninguém achou suspeito.

Mary Ann teve outros três filhos que, veja só, também faleceram. Logo em seguida, foi William quem partiu desta para uma melhor, por causa de uma “doença intestinal”, em 1865. A inglesa recebeu um dinheirinho de pensão e seguiu a vida, casando-se com George Ward logo depois. Só que George morreu do mesmo mal que William, assim como os dois últimos filhos da mulher. Sério mesmo.

A imprensa estranhou (já estava na hora, né?). Pesquisaram o passado de Mary Ann e desenterraram um histórico impressionante: ela tinha perdido três maridos, um amante, um amigo, a mãe e os doze filhos – todos de febre gástrica. Resultado? Ela foi enforcada lentamente em 1873 por homicídio causado por envenenamento. Sabe como é. Algumas pessoas não se dão bem com arsênico.

Belle Gunness (1859 – 1908)

Eis a história de Belle Gunness, uma serial killer que era um mulherão – literalmente, ela media 1.83m! Belle impunha respeito e metia medo em Chicago. A norueguesa cometeu crimes parecidos com a amiga ali de cima, mas desta vez não foi loucura. Foi pura ganância.

Ela matou seus dois maridos e todos os filhos que nasceram destas uniões, além de inúmeros namorados e pretendentes. Tudo para pegar o dinheiro dos seguros de vida (ou os trocados em seus bolsos). Dizem que, no total, foram mais de 20 vítimas, mas só conseguiram confirmar meia dúzia de mortes, incluindo a das suas duas filhas, Myrtle e Lucy.

A matadora não foi julgada e muito menos presa. Morreu supostamente em um incêndio criminoso, mas o corpo estava sem a cabeça – que nunca mais foi encontrada. Além disto, o laudo percebeu que o cadáver ali na maca era um pouco menor do que Belle. E aí, conspirólogos?

Katherine Knight (1955 – )

Para terminar, mais uma viúva negra. Katherine foi a primeira mulher australiana a ser sentenciada a prisão perpétua – graças ao seu histórico criminal recheado de violência. Exemplo? Ela basicamente quebrou os dentes de um ex marido, degolou o cachorro filhotinho na frente de outro marido (no maior estilo “o próximo pode ser você”) e perfurou o estômago do terceiro com uma tesoura.

Mas o homem que teve menos sorte (ou mais azar) foi John Charles Thomas Price, um namorado que acabou morrendo com uma faca de açougueiro enterrada no corpo – trinta e sete vezes.  Enquanto dormia.

E como se não bastasse, Katherine pegou o corpo, esfolou a pele ensanguentada dele e pendurou-a na porta da frente. Cortou a cabeça e colocou-a na panela de fazer sopa e, para finalizar, assou as nádegas do homem! Ela ainda fez um molhinho e uma salada para acompanhar e estava preparando a mesa do banquete para os filhos dele quando a polícia chegou. Cruzes!


5 frases de filósofos que nunca foram ditas

15 de junho de 2011

Colaboraram: Otavio Cohen e Tânia Vinhas

A arte de citar filósofos famosos para parecer mais inteligente dar peso e seriedade ao discurso é antiga e não se restringe a políticos ou apresentadores de TV. Afinal, como dizia Platão, “A coisa mais indispensável a um homem é reconhecer o uso que deve fazer do seu próprio conhecimento”. O problema é que algumas frases que ficaram famosas nas bocas e nos tweets das multidões, na verdade, nunca foram ditas.

E não adianta se gabar que a aquela citação que você publicou no Facebook está certa. “Tentar expressar as idéias de um filósofo através de uma única frase sua já é um erro em si, mesmo estando correta a citação. Elas muitas vezes são tiradas de contexto e induzem ao erro”, aponta o professor de filosofia do curso Anglo Gianpaolo Dorigo.

Os Filosofighters também não escapam dessas homenagens tortas. Veja agora como os nossos pensadores já se envolveram em polêmicas envolvendo as perigosas aspas.

1- “Só os mortos conhecem o fim da guerra”, atribuída a Platão

O culpado: o comandante militar norte-americano Douglas MacArthur, filho de um dos grandes heróis da Guerra da Secessão.

Em um discurso nos anos 60, o militar atribuiu a frase a Platão. No entanto, as palavras foram escritas pelo filósofo, poeta e ensaísta espanhol George Santayana no livro “Solilóquios na Inglaterra”, de 1922. Pouco após o fim da Primeira Guerra Mundial, Santayana escreveu: “E os pobres coitados acham que estão a salvo! Eles acham que a guerra acabou! Apenas os mortos viram o fim da guerra”. Nada a ver com o nosso filosofighter grego. “A frase não me parece nem vagamente adequada à expressão das principais ideias do discípulo de Sócrates”, diz Gianpaolo Dorigo.

2- “Creio porque é absurdo”, atribuída a Santo Agostinho

O culpado: a mania de tentar resumir o pensamento dos filósofos em uma frase.

Antes de ser colocada na boca de Agostinho de Hipona, a frase havia sido atribuída a Tertuliano, autor romano das primeiras fases do Cristianismo. Esse caso curioso de reatribuição de citação tem a ver com a valorização da fé expressa pelos dois pensadores cristãos, que declaravam crer em coisas que parecem incríveis, como a ressurreição de Cristo. O problema é que tentaram resumir as ideias de ambos através de uma sentença curta que não aparece explicitamente nas obras de nenhum deles. O mais próximo que Tertuliano chegou disso foi quando disse “E o Filho de Deus morreu, o que é crível justamente por ser inepto; e ressuscitou do sepulcro, o que é certo porque é impossível”.

3- “Deus está morto”, atribuída a Nietzsche

O culpado: a descontextualização.

Aqui, o problema não é a frase, mas o conceito atribuído a Nietzsche. O mal-humorado filosofighter de fato diz isso: a frase apareceu pela primeira vez em “A gaia ciência” e está também em sua famosa obra “Assim falou Zaratustra”. Mas as palavras têm sido muito mal interpretadas. Nietzsche não se referia à morte literal de Deus nem à morte de Jesus Cristo, e essa não era uma simples declaração de ateísmo. Logo em seguida, o filósofo completa: “Deus permanece morto! E quem o matou fomos nós!”. Ele queria dizer que a humanidade havia deixado de ter Deus como força ordenadora do mundo e fonte de valores. Com a morte de Deus, ele metaforiza a morte dos valores sagrados para os homens. Assim, eles deixariam de crer em quaisquer valores impostos.

Esse tipo de mal entendido é comum quando se fala em Nietzsche. “O seu hábito de efetivamente utilizar máximas e aforismos agressivos em seus livros acabou por transformá-lo em um pensador muito citado e pouco compreendido”, explica Gianpaolo. “E suas máximas, mesmo quando citadas corretamente, muitas vezes se perdem: o que para o pensador alemão era sobretudo uma provocação, para muitos se torna uma verdade incontestável e guia para a vida, no mais puro e estilo autoajuda”, completa.

4- “Os fins justificam os meios”, atribuída a Maquiavel

O culpado: a tentativa de simplificar a ideia de “O Príncipe”.

A mais famosa frase atribuída a Nicolau Maquiavel nunca foi dita por ele. Segundo o professor Gianpaolo, trata-se de uma tentativa de condensar a ideia de sua obra “O Príncipe”, em especial do capítulo 18, em que aparecem os trechos: “…um príncipe  (…) não pode observar todas as coisas pelas quais os homens são chamados de bons, precisando muitas vezes, para preservar o Estado, operar contra a caridade, a fé, a humanidade, a religião. Aqui, “preservar o Estado” refere-se aos fins e “operar contra a caridade etc…” é interpretado como utilizar quaisquer meios. No mesmo capítulo, Maquiavel ainda diz: “nas ações de todos os homens, especialmente nas dos príncipes, quando não há juiz a quem apelar, o que vale é o resultado final”. É uma simplificação bem empobrecedora.

5- “Se Deus não existe, tudo é permitido”, atribuída a Dostoiévski

O culpado: Jean-Paul Sartre.

Desta vez, um de nossos Filosofighters foi o culpado, e não a vítima, de uma atribuição incorreta. No texto “O existencialismo é um humanismo”, Sartre diz: “Dostoiévski escreveu: ‘Se Deus não existisse, tudo seria permitido’. Eis o ponto de partida do existencialismo”. O escritor russo de fato inspirou os existencialistas, mas ele nunca disse isso. O mais próximo disso, que está em Os Irmãos Karamazov, é: “[...] é permitido a todo indivíduo que tenha consciência da verdade regularizar sua vida como bem entender, de acordo com os novos princípios. Neste sentido, tudo é permitido [...] Como Deus e a imortalidade não existem, é permitido ao homem novo tornar-se um homem-deus, seja ele o único no mundo a viver assim”.

Bônus:Se não têm pão, que comam brioches”, atribuída a Maria Antonieta

O culpado: a autobiografia de Rousseau.

A famosa frase foi usada como argumento contra Maria Antonieta durante a Revolução Francesa. A rainha a teria dito durante sua coroação, em 1774, quando soube que o povo das províncias francesas não tinha pão para comer. Só que não. A história veio de uma passagem na autobiografia “Confissões”, de Jean-Jacques Rousseau, que diz: “Recordo-me de uma grande princesa a quem se dizia que os camponeses não tinham pão, e que respondeu: ‘Pois que comam brioche’”. Os registros históricos disponíveis, entretanto, mostram que, na época de sua coroação, Maria Antonieta se preocupava com a situação dos pobres. Numa de suas cartas à mãe, ela chega até a criticar o alto preço do pão. Especula-se que Rousseau na verdade se referia a Maria Teresa de Espanha.

Se você quer homenagear seu pensador preferido, pense bem. Em tempos de internet, essas frases podem acabar se disseminando sem controle, espalhando também uma imagem errada do seu “homenageado”.

E fique atento: o game Filosofighters estreia nesta sexta-feira! Para ir se preparando, siga o nosso Tumblr e os filósofos no Twitter:

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9 comentários absurdos sobre ciência e tecnologia

2 de junho de 2011

Por Tânia Vinhas
Colaboração para a SUPERINTERESSANTE

A maior parte de nós sabe que a Ciência e a Tecnologia evoluem a passos largos todos os dias. A parafernália tecnológica ao seu redor não nos deixa mentir. No entanto, sempre aparece um cético cabeça-dura por aí que cisma que as coisas não vão dar certo e que a próxima invenção tecnológica revolucionária não vai vingar.

Confira a seguir 10 frases memoráveis e até aplaudidas na época que acabaram virando bobagem pérolas para as gerações seguintes.

1. “Pessoas bem informadas sabem que é impossível transmitir a voz através de fios e que, se fosse possível fazer isto, esta coisa não teria valor prático algum” – editorial do Boston Post, em 1865.

Nove anos antes, o italiano Antonio Meucci havia construído um telefone eletromagnético para conectar seu escritório ao seu quarto, localizado no segundo andar da casa, pois sua esposa sofria de reumatismo. Mas a invenção só ficou famosa nas mãos de Alexander Graham Bell, em 1876. Parece que o mundo sempre esteve cheio de desinformados teimosos.

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2. “Raio-X é uma fraude” – Lord Kelvin, físico britânico, em1900.

Kelvin afirmou que não acreditava na descoberta feita em 1875 por Wilhelm Röntgen e aperfeiçoada por Marie Curie nas décadas seguintes. Acusação grave!

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3. “Estas supostas teorias de Einstein são meros delírios de uma mente poluída pelo nonsense liberal-democrático que são totalmente inaceitáveis para os homens alemães da Ciência” – Walter Gross, médico nazista, em 1940.

A física moderna discorda, doutor! Com ou sem pensamento liberal-democrático, o fato é que seu compatriota estava certo. Prêmio Nobel para Einstein.

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4. “Perfurar para pegar petróleo? Você quer dizer perfurar o solo para tentar procurar petróleo? Você está louco!” – homens que se recusaram a trabalhar para o petroleiro Edwin L. Drake em 1859.

Por sorte, outros trabalhadores precisavam do dinheiro e toparam o serviço, transformando Drake no primeiro homem a encontrar petróleo debaixo da terra americana.

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5. “A teoria dos germes criada pelo Louis Pasteur é uma ficção ridícula” – Pierre Pachet, professor de Psicologia de Toulouse, em 1872.

Nem um pouco ficção. Pasteur provou que a fermentação é causada por microorganismos que surgem através de biogênese e que a melhor forma de evitar o surgimento de bactérias maléficas é ferver tudo muito bem. Nossa saúde agradece!

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6. “Não existe razão nenhuma para alguém querer ter um computador dentro de casa” – Ken Olson, empresário, em 1977.

Olson era presidente e fundador da Digital Equipment Corp. (DEC), empresa produtora de computadores de grande porte em 1977. Poucos anos depois, os jovens Bill Gates, Paul Allen, Steve Jobs e Steve Wosniak conseguiram provar o contrário. Graças a eles, você está lendo isso agora.

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7. “Colocar um homem em um foguete e projetá-lo até o campo gravitacional da Lua – talvez pisar lá – e voltar à Terra: tudo isto constitui um sonho maluco digno de Júlio Verne. (…) Este tipo de viagem feita pelo homem nunca vai acontecer, independentemente de todos os avanços no futuro” – Lee DeForest, físico, em 1957.

O cientista americano era pioneiro em estudos sobre radiotransmissão. Sim, para um homem da Ciência, até que DeForest era bem cético. Só que em 1968 os tripulantes da Apollo 8 chegaram ao campo gravitacional da Lua e, em 69, a Apollo 11 de Neil Armstrong pousou com muito sucesso. Pena que DeForest não pode acompanhar o acontecimento – ele faleceu em 1961.

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8. “Como você vai fazer um barco navegar contra o vento e contra a corrente só acendendo uma fogueira embaixo do deck?” – Napoleão Bonaparte, sobre o barco a vapor do engenheiro americano Robert Fulton, em1803.

A primeira embarcação a vapor foi criada em 1787. Fulton construiu a sua versão e mostrou ao imperador francês. Napoleão pode até ter duvidado do homem na hora, mas no ano seguinte, voltou atrás e contratou Fulton para construir o Nautilus, o primeiro submarino funcional da história.

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9. “A televisão não vai ser capaz de se manter em nenhum mercado depois dos primeiros seis meses. As pessoas vão se cansar logo de ficar encarando uma caixa de madeira compensada todas as noites” – Darryl Zanuck, produtor de cinema da Fox, em 1946.

Zanuck não sabia de nada. Para se ter uma ideia, só o lucro mundial das TVs por assinatura subiu para 240 bilhões de dólares em 2010. Quem aí está cansado?

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BÔNUS


O cinema é só um pouco mais que uma moda passageira. É drama enlatado. O que a audiência realmente quer é ver carne e sangue no palco” – por mais incrível que pareça, a citação é de Charlie Chaplin, feita em 1916. Na época, ele mal podia imaginar que em muito pouco tempo a indústria cinematográfica viria a ser tão bilionária e competitiva – em 2009, o lucro mundial do cinema foi de 29,2 bilhões de dólares. Enquanto isto, o teatro foi deixado na categoria “diversão para poucos”.


6 maneiras que o cérebro encontra para nos enganar

1 de junho de 2011

Por Luiza Sahd
COLABORAÇÃO PARA A SUPERINTERESSANTE

A mente é o painel de controle do nosso corpo. Se você dorme e não faz xixi na cama, se não se esquece de respirar enquanto realiza atividades paralelas e se não está fazendo pausas para raciocinar sobre cada uma dessas letras, aparentemente está tudo bem aí em cima. A parte chata é que o sistema pode dar pane de uma hora para outra. Reunimos seis relatos verídicos de “tilt mental” que vão fazer com que você fique desconfiado do seu próprio cérebro.

Síndrome da mão alienígena

Também conhecida como síndrome da mão alheia. As pessoas que sofrem desse mal não têm controle sobre uma das mãos. Mas isso não significa que elas tenham uma “mão morta”. O quadro é mais trágico: um dos membros parece ter “vida própria”. São infinitas as possibilidades de perturbação causadas pela síndrome, que teve o nome inspirado pelo personagem central do filme Dr. Fantástico, de Stanley Kubrick.

A disfunção pode começar por causa de um derrame, infecção ou lesão neurocirúrgica e se manifesta em qualquer membro do corpo. Em todo caso, é sempre bom torcer para que a doença não atinja uma das mãos: houve um caso em que a mão desobediente tentou enforcar o próprio dono enquanto ele dormia.

A Origem Ciladas da memória


Lembra aquela vez, quando você era pequeno, em que sua mãe te reprimiu por derrubar sorvete de chocolate na roupa? Então. Pode ser que isso nunca tenha acontecido. De acordo com pesquisas científicas realizadas em uma Universidade da Califórnia, nossa memória é mais influenciável do que imaginamos.

No meio do papo com alguns voluntários, os pesquisadores sugeriram que eles já haviam se perdido em um shopping na infância. Tiro e queda: um em cada cinco participantes confirmou ter passado pela experiência. Coincidência demais, não?

Antes de discutir com seu irmão sobre quem levou a melhor naquele jogo de videogame nos anos 90, tente pensar que nossa mente inventa memórias que nunca existiram e ele pode estar com a razão.

Otimismo de risco

Você está cansado de procrastinar. Então, organiza todos os compromissos do dia, marcando horários de início e término de cada um. Mesmo assim, não adianta. A culpa é do seu cérebro. A falácia do planejamento é a tendência de subestimar o tempo necessário para completar tarefas. Ela decorre, na verdade, de outro erro: um excesso individual de otimismo.

Se perguntamos a um colega de trabalho quantos minutos ele demora no banho, ele vai considerar o tempo que essa tarefa tomou no passado, e a resposta será razoável. Se a dúvida for quanto tempo ele irá demorar para fazer algo que nunca fez antes, tipo escrever um livro ou escalar o Monte Everest, ele não terá referência temporal.  Nesse momento, o otimismo pode representar um risco: pessoas positivas costumam calcular mal (sempre pra menos) o tempo necessário para as atividades.

Para não cair nessa armadilha, lembre-se da lei Hofstadter: “Tudo sempre leva mais tempo do que o esperado, mesmo quando se leva em conta a Lei de Hofstadter”.

Cegueira histérica

Um olho que vê mas não enxerga. Confuso? Pois tente imaginar como os médicos ficaram sem entender nada, em pleno século 19, quando o distúrbio foi catalogado. Um dos casos mais famosos foi o do paciente que estava cego de um olho há mais de dez anos e sentia dores. Após inúmeros testes clínicos, o olho parecia completamente saudável do ponto de vista fisiológico, mas não funcionava. O paciente estava se preparando para arrancar o olho “inútil” quando o médico decidiu fazer o último teste: sem avisar o paciente, tapou o campo de visão do olho bom, de modo que o paciente pudesse enxergar apenas com o olho ruim. Para surpresa geral, o paciente continuava enxergando normalmente.

A cegueira histérica é uma das disfunções que os médicos entendem como transtornos de conversão – distúrbios de somatização em que o orgânico está saudável e a moléstia surge de fatores psicológicos. Há casos de pacientes mudos e até paralíticos por causa disso. Haja terapia!

Apertem os cintos: o pênis sumiu

A síndrome da redução genital, também conhecida como síndrome de Koro, é um medo obsessivo da retração natural do pênis (no caso dos homens) ou da vulva e dos mamilos (no caso das mulheres). Casos assim foram registrados na Ásia. Na África, foram relatadas situações em que certos homens temiam que seus pênis fossem simplesmente furtados.

O nome “Koro” significa “cabeça de tartaruga” na língua Malaia, uma clara referência à retração que o animal é capaz de fazer em direção ao casco, desaparecendo por completo, exatamente como os pacientes perturbados pela síndrome acreditam que aconteça com a sua genitália.

Não existe nenhuma evidência biomédica da doença, então o problema ficou conhecido como uma histeria de origem cultural. As vítimas da síndrome têm o hábito de ficar checando frequentemente os “documentos” e chegam até a pedir a parentes e amigos uma forcinha pra garantir que está tudo em ordem. O distúrbio não poderia ser pior, certo? Errado: por ser uma histeria coletiva, ele é contagioso.

Gravidez psicológica

Aparentemente, o distúrbio existe desde que as mulheres pisaram na face da terra. Hipócrates descreveu senhoras com sintomas de gravidez psicológica em 300 a.C. Os sintomas são parecidos com os da gravidez de verdade: náuseas, enjôos, ganho de peso, escurecimento dos mamilos, suspensão de menstruação, mamas cheias de leite e até crescimento abdominal.

Os médicos descobriram que as mulheres com gravidez psicológica “estufam” o abdômem enquanto estão em estado de vigília e relatam que sentem o bebê chutando. Algumas delas chegam ao extremo de procurarem maternidades dizendo que estão em trabalho de parto.

Se gravidez psicológica já é uma barra para as mulheres, ruim mesmo deve ser o caso dos homens que sofrem da doença quando suas companheiras engravidam: eles sentem cãibras pela manhã e ficam com inchaço abdominal por tempo indeterminado – ou até quando a lucidez voltar.


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