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10 grandes momentos do rock

13 de julho de 2011

Por André Barcinski
(Originalmente publicado na edição de outubro de 2004 da SUPERINTERESSANTE. Leia o texto original – e completo – aqui)

Benjamin Franklin “descobre” a eletricidade (junho de 1752)


O velho Ben soltou uma pipa no meio de uma tempestade e mudou o mundo. (Sem ela não ia rolar tocar guitarra elétrica, né?)

Elvis grava um disco para a mãe (4 de janeiro de 1954)

Um caminhoneiro pobre entra nos estúdios da gravadora Sun, em Memphis, e grava um acetato para dar de presente à mãe. Meses depois, quando precisou de um cantor para gravar um compacto, o dono da Sun, Sam Phillips, lembrou-se do rapaz, Elvis. Nascia o rock’n’roll

Morte de Buddy Holly (3 de fevereiro de 1959)


Buddy Holly, Ritchie Valens e Big Bopper morrem num desastre de avião, depois de um show. Foi a primeira grande tragédia do rock, um evento que ficou marcado como “o dia em que a música morreu”

Beatles aparecem no programa de Ed Sullivan (9 de fevereiro de 1964)

Mais de 50 mil fãs brigaram pelos 703 ingressos disponíveis no estúdio da CBS. Os Beatles cantaram cinco músicas e foram vistos por 73 milhões de americanos. Nascia a Beatlemania

Beatles encontram Bob Dylan (28 de agosto de 1964)

Num hotel de Nova York, o quarteto de Liverpool foi apresentado ao maior bardo do rock e, pela primeira vez, fumaram maconha. O encontro motivou o grupo a abandonar as canções adolescentes. Ali começou a fase psicodélica dos Beatles

Woodstock: lama e paz (15 a 17 de agosto de 1969)


O auge do sonho hippie: meio milhão de pessoas se reuniram para celebrar a paz e o amor, sem policiais ou chuveiros para atrapalhar. Foram três dias de lama, drogas e muito rock’n’roll, ao som de The Who, Jimi Hendrix, Santana, Joe Cocker, Creedence Clearwater Revival, Janis Joplin, Grateful Dead e muitos outros

Altamont: violência e morte (6 de dezembro de 1969)

O fim do sonho hippie: concebido pelos Rolling Stones, o festival de Altamont terminou em tragédia quando uma gangue de motoqueiros da facção Hell’s Angels, contratada para fazer a segurança do evento, matou a pauladas um jovem negro. Outras três pessoas morreram na noite: duas atropeladas enquanto dormiam e uma terceira afogada

Sex Pistols xingam a Rainha DA INGLATERRA (maio de 1977)

Em uma esperta jogada de marketing, os Pistols lançaram o compacto “God Save the Queen” a tempo de esculhambar as comemorações do Jubileu da Rainha. O disco foi banido das rádios do país, mas tornou-se o segundo mais vendido

Estréia da MTV (1 de agosto de 1981)


Antes da MTV, o principal meio de divulgação para artistas era o rádio. Logo as gravadoras perceberam o potencial do novo canal e passaram a investir mais em clipes. A imagem de uma banda passou a ser tão importante quanto sua música. Surge a “geração MTV” com estrelas como Madonna, Duran Duran, Prince e Michael Jackson

Michael Jackson compra o catálogo dos Beatles e Elvis Presley (setembro de 1985)

Michael comprou o catálogo com as músicas em 1985 por cerca de 48 milhões de dólares. Em 2008,o seu valor era estimado em mais de US$1 bilhão. Em 1991, ele vendeu metade dele para a Sony por 100 milhões e, mais tarde, deu os outros 50% por causa de enormes dívidas que havia acumulado.


Os 50 discos que fizeram o rock ‘n’ roll

13 de julho de 2011

Por André Barcinski
(Originalmente publicado na edição de outubro de 2004 da SUPERINTERESSANTE. Leia o texto original – e completo – aqui)

1. The King of Rock and Roll – The Complete 50s Masters – Elvis Presley, 1992


Elvis em sua melhor fase, antes de entrar para o Exército e voltar mansinho

2. Chuck Berry – Anthology – Chuck Berry, 2000

O verdadeiro criador do rock’n’roll e melhor compositor entre os pioneiros do gênero

3. The Essential Little Richard – Little Richard, 1985

O intérprete mais explosivo do início do rock revolucionou a música com seus gritos e sua vibração

4. The Classic Years – Motown, 2000

Uma das gravadoras mais influentes dos anos 60, meca da soul music norte-americana

5. Please Please Me – Beatles, 1963

Eles chegaram como um sopro renovador e fizeram a trilha sonora perfeita para o otimismo do início dos anos 60

6. The Freewheelin’ Bob Dylan – Bob Dylan, 1963

O rock amadurece: pela primeira vez, as letras valem tanto quanto a música

7. Live at the Apollo – James Brown, 1963

O grito primal do funk, por seu maior intérprete

8. The Who Sings My Generation – The Who, 1965

Até então, ninguém havia feito um rock tão radical e barulhento; para muitos, o nascimento do punk

9. Blonde on Blonde – Bob Dylan, 1966

O atestado de maioridade de Dylan; depois disso, o rock não tinha mais desculpa para a ingenuidade

10. Pet Sounds – Beach Boys, 1966


Um sonho adolescente, embalado pelo pop mais perfeito e cristalino. “O maior disco da história”, segundo Paul McCartney

11. Sargent Pepper’s Lonely Hearts Club Band – Beatles, 1967

Auge do experimentalismo do rock. Definiu sua geração e criou novos horizontes para o pop

12. Between the Buttons – Rolling Stones, 1967

Os rebeldes mostram que também têm coração

13. Are You Experienced? – Jimi Hendrix, 1967

Hendrix desfila todo seu arsenal: microfonia, psicodelia, distorção e um pé fincado na tradição do blues

14. The Velvet Underground and Nico – Velvet Underground, 1967

Inaugurou a melancolia no pop. Fez contraponto ao otimismo hippie

15. The Doors – The Doors, 1967

Pessimista e dark, embalado pela angústia existencial de Jim Morrison, na contramão do sonho hippie

16. We’re Only In It For the Money – Frank Zappa and the Mothers of Invention, 1968

Satiriza o hippismo e antecipa o fim do sonho

17. The Village Green Preservation Society – The Kinks, 1969

Os Kinks enxergam além de guitarras barulhentas e fazem o seu Sargent Pepper’s

18. Kick out the Jams – MC5, 1969

Que paz e amor nada! Neste explosivo disco ao vivo, o MC5 pregava revolução, guitarras e amor livre

19. Live Dead – Grateful Dead, 1970

Longas explorações psicodélicas, no melhor momento de uma verdadeira instituição californiana

20. Black Sabbath – Black Sabbath, 1970

Para muitos, uma brincadeira de mau gosto. Para os fãs, um disco que sepultou a inocência dos anos 60 e inaugurou o heavy metal

21. Funhouse – Iggy Pop and the Stooges, 1970

Blues, John Coltrane e punk: a fórmula de Iggy Pop neste verdadeiro clássico do niilismo

22. Greatest Hits – Sly and the Family Stone, 1970

A música negra como arma de guerra: segundo Sly Stone, a revolução só se daria com o povo dançando nas ruas

23. Led ZepPelin IV – Led Zeppelin, 1971

Jimmy Page e sua gangue se escondem por trás do ocultismo e fazem um clássico do hard rock

24. Exile on Main Street – Rolling Stones, 1972

Os Stones esquecem a pose de maus e concentram-se no que sabem fazer melhor: música sublime

25. Ziggy Stardust – David Bowie, 1972

Uma ópera-rock sobre androginia e extraterrestres. Bowie cria um mundo de fantasia e sonho, que inspirou o punk e a new wave

26. Harvest – Neil Young, 1972

Obra-prima do country rock em uma época de cantores “sensíveis”, como James Taylor e Carole King

27. Transformer – Lou Reed , 1972

O subterrâneo nova-iorquino, com prostitutas, traficantes e bêbados, pela imaginação mórbida de Lou Reed

28. New York Dolls – New York Dolls, 1973

Guitarras altas, batom e roupas de mulher: os New York Dolls confrontavam com bom humor a macheza do rock da época

29. The Dark Side of The Moon – Pink Floyd, 1973

Questionamentos sobre loucura e solidão, embalados pela música mais triste a chegar ao topo das paradas

30. Ramones – Ramones, 1976

Em contraponto ao rock “sério”, quatro desajustados cometem este pecado sonoro, sem solos nem pretensão. Nascia o punk

31. Never Mind the Bollocks – Sex Pistols, 1977

O conflito de gerações em forma de disco: “Somos feios, sujos e não gostamos do que está acontecendo”

32. Talking Heads: 77 – Talking Heads, 1977

O punk cresce e amadurece; o funk de branco do Talking Heads prova que há cabeças pensantes na geração 77

33. Parallel Lines – Blondie, 1978

O dia em que o punk e a new wave fizeram as pazes com o pop. Som comercial sem abdicar de seus ideais

34. Unknown Pleasures – Joy Division, 1979

Velvet Underground para as novas gerações: sombrio e mórbido, vê um mundo mais sem futuro que o do Sex Pistols

35. The Specials – The Specials, 1979

O punk inglês se mistura ao ska jamaicano, que havia anos habitava os bairros mais pobres da Inglaterra

36. Double Fantasy – John Lennon e Yoko Ono, 1980

Depois de passar anos fazendo discos políticos, Lennon e Yoko assumem a maturidade e gravam pelo simples prazer de criar

37. London Calling – The Clash, 1980

Está tudo aqui: rockabilly, reggae, ska, jazz. O grande disco que define o fim da adolescência no punk

38. Heaven Up Here – Echo and the Bunnymen, 1981

Grandioso demais para se encaixar em algum movimento musical, marca o amadurecimento do pós-punk

39. Power, Corruption and Lies – New Order, 1983

O rock abraça a música eletrônica e prova que música “de computador” também pode ter coração

40. The Head on the Door – The Cure, 1985

O Cure embala a morbidez no pop mais acessível e leva a melancolia às massas

41. The Queen is Dead – The Smiths, 1986

O rock esquece os vencedores, celebrando os desajustados, tímidos e fracassados

42. Licensed to Ill – Beastie Boys, 1986

Três espertalhões juntam rap e heavy metal e criam música negra para jovens brancos

43. The Joshua Tree – U2, 1987

O U2 ressuscita o rock político – e os fãs, apolíticos, compram sem perceber a intenção

44. Daydream Nation – Sonic Youth, 1988

Os intelectuais da guitarra fazem uma perfeita radiografia de uma geração sonada pela MTV e pelo rock comercial

45. It Takes a Nation of Millions to Hold Us Back – Public Enemy, 1988

Um libelo contra a manipulação da mídia, o “embranquecimento” da América de Reagan e o racismo

46. Out of Time – R.E.M., 1991

Rock de gente grande, com ambição e propósito, apesar do lustro pop e do imenso sucesso comercial

47. Metallica – Metallica, 1991

Representou, para a geração MTV, o que Black Sabbath foi para os jovens em 1970: a celebração da negação

48. Nevermind – Nirvana, 1991

O dia em que o punk encontrou a MTV: um disco que destruiu barreiras e que tornou obsoleto todo o rock vagabundo do fim dos anos 80

49. BloodSugarSexMagik – Red Hot Chili Peppers, 1991

Fãs de Korn e Limp Bizkit vão chiar, mas a verdade é que todo o funk metal e o nu metal começaram aqui

50. OK Computer – Radiohead, 1997

Um disco gélido, cerebral e triste, sobre a dificuldade de comunicação no fim do século. Paradoxalmente, foi um sucesso


10 fobias muito estranhas

7 de julho de 2011

Do grego “fobos”, que significa medo, a fobia é um tipo de transtorno de ansiedade que acontece em situações bem específicas, tipo ver um certo animal ou objeto, ou passar por uma situação particular. É um medo tão desproporcional à situação (ou ao objeto) que muitas vezes é considerado irracional. Sem contar que a fobia pode atrapalhar as atividades cotidianas dos fóbicos, né?

Muitos são os medos que a mente humana pode produzir. Quais itens você adicionaria à lista?

Papafobia – medo do Papa

A gente entende que Sua Santidade Papa Bento XVI pode ser um pouco assustadora às vezes, mas… não é para tanto, minha gente! Imagine a cena: você está indo visitar a sua avó no interior e, ao entrar na sala de estar, na parede da porta você se depara com… a foto do – oh, não! – papa! E sai correndo desesperado como se fosse a Marca Negra de Voldemort.

Metrofobia – medo de poesia

Não estamos falando aqui de “não gostar” de poesia. Isso é normal, as pessoas têm preferências literárias e tal. Estamos falando de medo. A não ser que a fobia tenha sido causada por um festival de poesia Vogon, não conseguimos pensar em muitos traumas que poderiam desencadear essa reação. Mas, com certeza, a metrofobia seria um problema nas aulas de literatura (e nos estudos pro vestibular).

Araquibutirofobia – medo de que alguma comida pastosa (como manteiga de amendoim) ou casca (de pipoca, amendoim, entre outras peles fininhas) grude no céu da boca e na gengiva

É isso mesmo que você leu! Um araquibutirófobo é aterrorizado pelo medo de comer pipoca e ficar com uma casquinha de pipoca enfiada no dente. Ou doce de leite grudado no ceu da boca. O bom dessa fobia é que é fácil evitá-la: basta nunca, jamais, comer qualquer um desses alimentos.

Barofobia – medo da gravidade

Como alguém consegue combater este medo? Câmaras anti-gravidade da Nasa? Ficar na cama de olhos fechados para sempre? Felizmente, é impossível evitar os efeitos da gravidade, mas para os barofóbicos, deve ser aterrorizante assistir a chuva, a queda de folhas de árvores no outono ou um jogo de basquete pela televisão.

Lacanofobia – medo de vegetais

Está aí uma fobia ótima para serem usadas como desculpa por crianças que não curtem um verdinho no prato. Basta praticar um ataque de pânico toda vez que a mãe se aproximar com a travessa de salada ou o chuchu refogadinho. Mas pare de rir por um minuto e pense nos lacanofóbicos reais e tente se lembrar se já viu alguém se estrebuchando de medo perto do hortifruti do supermercado.

Alliumfobia – medo de alho

Se aquele seu amigo meio pálido, que nunca sai no sol e que está sempre acordado de madrugada recusar uma pizza de alho, fique tranquilo: ele é só um alliumfobo muito estranho. Ou não, sei lá.

Pteronofobia – medo de que te façam cosquinhas com uma pena

Imagine só o pânico que um pteronófobo deve passar quando vai visitar a ala das aves no zoológico. Ou quando assiste um daqueles filmes antigos, em que as pessoas ainda usavam penas para escrever? E no carnaval? Ele deve passar longe dos desfiles e ficar em casa, protegido, onde nenhuma pena roçará seu nariz – ou pé, cotovelo, barriga…

Fagofobia – medo de engolir

Pode não ser anorexia, pode ser fagofobia. Vale levar a um médico e ver se é o caso de fazer alimentação por sonda, né? Mas deve ser horrível ter medo de engolir. Tanta comida deliciosa por aí… sem falar nas bebidas, nos remédios administrados por via oral, na saliva que se acumula na boca enquanto penso na salada de frutas acima…

Um itifalofóbico deve morrer de medo dessas pedras

Itifalofobia – medo de ereções

Para as mulheres itilafóbicas deve ser mais fácil conviver com este medo irracional. Se for lésbica, pronto, está resolvido. Se não, basta… virar freira, viver no celibato, ficar longe dos filmes pornô e da G Magazine, entre outras medidas drásticas. Mas para o homem essa situação se complica. O segundo maior medo de um itilafóbico? O viagra (brinks).

Pantofobia – Medo de todas as coisas. Todas. As. Coisas.

Todas as fobias acima e MAIS! O pantófobo tem medo de tudo, inclusive de sentir medo. A pantofobia hardcore, em seu estado máximo, domina tanto a mente da pessoa que ela o mata, sem causas físicas reais. O corpo “se suicida”. Cataploft. Felizmente, este é um grau de fobia muito raro, em uma fobia já muito rara.


7 palavras estrangeiras (quase) intraduzíveis

4 de julho de 2011

Aposto que você já perdeu tempo tentando explicar para algum gringo que a palavra “saudade” só existe em português. Bom, a primeira notícia ruim do dia é que não, os lusófonos não são os únicos donos da saudade – a palavra também faz parte do vocabulário dos 4 milhões de habitantes da Galícia (que falam, é óbvio, galego).

A segunda notícia – esta não é ruim – é que a maior parte dos idiomas tem suas “saudades”, ou seja, palavras que dão trabalho aos tradutores. Normalmente, é preciso frases inteiras para explicar o sentido dessas palavras. Resolvemos usar parágrafos. Acompanhe:

Тоска (lê-se tós-ca) – Russo

Começamos nossa lista com uma palavra baixo-astral muito popular na Rússia. Para o Google Tradutor, toska significa apenas depressão. Mas, do mesmo jeito que você entende que “sentir saudades” é diferente de “sentir falta”, os russos sabem que não é bem assim. Segundo Vladimir Nabokov, autor de Lolita, toska é uma sensação de angústia espiritual. É aquela agonia sem motivo que esperamos que você nunca tenha sentido. Pode ser leve, como uma sensação parecida com o tédio, ou mais profunda e aguda, como uma “dor na alma”.

Lítost (lê-se li-tóst) – Tcheco

 

Lítost é algo entre o remorso, o pesar e a compaixão. É uma dor profunda que você sente diante de sua própria mediocridade ou falta de habilidade. É quase um tormento da alma. O escritor tcheco Milan Kundera já tentou explicar o significado da expressão em “O livro do riso e do esquecimento”. E disse ainda que não consegue imaginar como outros povos conseguem compreender a alma sem entender o verdadeiro sentido de lítost. Em português, o mais próximo que se chega disso é a famosa “dó”. Também existe um adjetivo derivado da palavra – lítostivý, que significa “pessoa que se emociona muito, não aguenta crítica leve e leva tudo para o lado pessoal”.


L’esprit d’escalier  – Francês

Neste caso, a expressão não é intraduzível. Ao pé da letra, significa “o espírito da escada” ou “presença de espírito”. Mas WTF? o que será que os franceses querem dizer? Na real, l’esprit d’escalier é aquilo que você provavelmente já sentiu depois de sair de uma discussão. Algo como “putz, mas bem que eu podia ter disparado aquele argumento infalível. Agora, já era!”. O nome deste sentimento foi cunhado pelo filósofo Denis Diderot no século 18 e a idéia também aparece nos idiomas iídiche (trepverter) e inglês (que pegam a expressão alemã Treppenwitz emprestada).

Tartle (lê-se tár-dol) – Escocês

Você está numa balada com um amigo. Entre um drinque e outro, uma velha conhecida sua se aproxima e você se sente na obrigação de apresentar os dois. O problema é que você não lembra exatamente se o nome dela é Beatriz ou Gabriela e está sem jeito de perguntar. Você sente um calafrio e fica muito constrangido, agora que vai ter que falar o nome da moça, correndo o risco de errar e passar vexame. Ok, o sentimento pode não ser tão exagerado assim. Mas ele tem nome: tartle.

Hygge (lê-se rí-gue)

Você já foi à Dinamarca ou conhece bem a cultura dinamarquesa? Por lá, hygge é um estilo de vida. Pelo menos é este o nome que eles dão para a alegria de viver, o aconchego da companhia dos amigos, com quem se compartilha bons momentos. Bonito, né? Resumindo: hygge é a completa ausência de preocupação e aborrecimentos e a fartura de coisas alegres, agradáveis e simples. No Brasil, não é difícil imaginar situações parecidas, seja na época do Carnaval, seja no happy hour de sexta-feira. Agora, no frio da Dinamarca? Quem diria.

Ilunga – Banto

Existem pelo menos 200 idiomas diferentes – mas um pouco parecidos – falados por centenas de povos espalhados pela África. São as línguas bantas. No vocabulário desses idiomas, há muitas palavras de tradução complicada. Mas poucas são tão difíceis de explicar quanto esta. Ilunga é uma pessoa que consegue perdoar alguém que lhe fez mal uma vez. Da segunda vez, ele até tolera. Mas, para os ilunga, três vacilos é demais. Simplificando, ser ilunga é ser tolerante até certo ponto.

Mamihlapinatapai – Yagan

Yagan era um idioma indígena falado por povos de Tierra Del Fuego, um arquipélago isolado que fica ao sul da América do Sul. Com o passar do tempo, o número de falantes nativos do idioma foi reduzindo até chegar à marca atual: um. Cristina Calderón é a única representante viva dos povos da Tierra Del Fuego e, provavelmente, a única que pode explicar com propriedade o mamihlapinatapai. Vamos tentar: é o olhar trocado por duas pessoas quando uma delas deseja que a outra tome iniciativa para fazer algo que ambas querem, mas que estão relutantes em fazer. Você pode não ser um yagan, mas, se já teve paixões adolescentes, sabe muito bem que ‘olhar’ é este.


6 mulheres diabólicas que você (provavelmente) não conhecia

29 de junho de 2011

Por Tânia Vinhas

Stálin, Hitler, Pol Pot, Ivan, o Terrível. Provavelmente, estes são os primeiros nomes que vêm à sua cabeça quando te perguntam sobre “mentes diabólicas”, certo? Então esta lista é para você. Saiba que algumas mulheres podem ser bem malvadas, a ponto de figurarem entre os humanos mais cruéis de todos os tempos. Veja seis mulheres infernais – e meio desconhecidas – que deixam qualquer tirano no chinelo.

Condessa Elizabeth Báthory de Ecsed (1560 – 1614)

Melhor que botox...

Vários nobres de sangue azul derramaram muito sangue vermelho ao longo da história, mas a Condessa Elizabeth foi uma das únicas mulheres da realeza a se tornar serial killer. A húngara foi acusada de torturar e matar 80 garotas, com a ajuda de quatro pessoas. Mas testemunhas afirmaram que 650 cabeças de jovens donzelas rolaram por causa da condessa.

Elizabeth nunca foi sequer julgada. Mas, em 1610, a condessa foi submetida a uma espécie de “prisão domiciliar” em um castelo na Eslováquia. E ficou lá até morrer, quatro anos mais tarde.

Quer saber o pior? Tempos depois, foram encontrados textos que diziam com todas as letras que a condessa matava garotinhas porque – atenção! – gostava de se banhar no sangue de moças virgens para manter a sua juventude. Ai, se algumas celebridades brasileiras descobrirem esse segredo de beleza…

Delphine LaLaurie (1775 -  1842)

Mais conhecida como Madame LaLaurie, Delphine foi uma socialite de Nova Orleans. Em abril de 1834, um incêndio tomou a cozinha da mansão e os bombeiros encontraram mais do que labaredas por lá.

Nos escombros, encontraram dois escravos acorrentados. A dupla – que havia começado o fogo pra chamar atenção – levou os bombeiros para o sótão, onde havia mais ou menos uma dúzia de outros escravos presos nas paredes e no chão.

Aparentemente, LaLaurie havia instalado uma filial do laboratório do Dr. Frankenstein. Suas vítimas estavam amputadas, tinham bocas costuradas e sexos trocados (!). Teve boatos de que ela até executou uma cirurgia bizarra para transformar um dos escravos em caranguejo, realocando os membros de seu corpo. #tenso. Infelizmente, a justiça tardou e falhou – Delphine nunca foi pega pelos seus crimes.

Ilse Koch (1906 – 1967)

Os homens nazistas marcaram a história com muitos casos cruéis, mas Ilse Koch mostrou que a maldade não está só no cromossomo Y. Apelidada de “a maldita de Buchenwald”, Ilse foi casada com Karl Otto Koch, membro da SS, e superou o marido no quesito sadismo.

Ela ficou conhecida por ostentar uma coleção um tanto quanto sinistra – Ilse arrancava a pele de presos com tatuagens para criar revestimentos “exóticos” para as cúpulas das lamparinas de sua casa! Além disso, dizem que a mulher tinha o costume de andar nua pelos campos de concentração armada com um chicote: aquele que ousasse olhar para ela duas vezes apanhava feio. Ilse foi presa no fim da guerra e acabou se enforcando dentro de sua própria cela.

Mary Ann Cotton (1832 – 1873)

Mary Ann Cotton não era mole. Aos vinte anos de idade, ela se casou com William Mowbray e começou uma bela família – teve cinco filhos! Só que quatro deles morreram com “febre gástrica e dores de estômago”. Estranho, mas na época ninguém achou suspeito.

Mary Ann teve outros três filhos que, veja só, também faleceram. Logo em seguida, foi William quem partiu desta para uma melhor, por causa de uma “doença intestinal”, em 1865. A inglesa recebeu um dinheirinho de pensão e seguiu a vida, casando-se com George Ward logo depois. Só que George morreu do mesmo mal que William, assim como os dois últimos filhos da mulher. Sério mesmo.

A imprensa estranhou (já estava na hora, né?). Pesquisaram o passado de Mary Ann e desenterraram um histórico impressionante: ela tinha perdido três maridos, um amante, um amigo, a mãe e os doze filhos – todos de febre gástrica. Resultado? Ela foi enforcada lentamente em 1873 por homicídio causado por envenenamento. Sabe como é. Algumas pessoas não se dão bem com arsênico.

Belle Gunness (1859 – 1908)

Eis a história de Belle Gunness, uma serial killer que era um mulherão – literalmente, ela media 1.83m! Belle impunha respeito e metia medo em Chicago. A norueguesa cometeu crimes parecidos com a amiga ali de cima, mas desta vez não foi loucura. Foi pura ganância.

Ela matou seus dois maridos e todos os filhos que nasceram destas uniões, além de inúmeros namorados e pretendentes. Tudo para pegar o dinheiro dos seguros de vida (ou os trocados em seus bolsos). Dizem que, no total, foram mais de 20 vítimas, mas só conseguiram confirmar meia dúzia de mortes, incluindo a das suas duas filhas, Myrtle e Lucy.

A matadora não foi julgada e muito menos presa. Morreu supostamente em um incêndio criminoso, mas o corpo estava sem a cabeça – que nunca mais foi encontrada. Além disto, o laudo percebeu que o cadáver ali na maca era um pouco menor do que Belle. E aí, conspirólogos?

Katherine Knight (1955 – )

Para terminar, mais uma viúva negra. Katherine foi a primeira mulher australiana a ser sentenciada a prisão perpétua – graças ao seu histórico criminal recheado de violência. Exemplo? Ela basicamente quebrou os dentes de um ex marido, degolou o cachorro filhotinho na frente de outro marido (no maior estilo “o próximo pode ser você”) e perfurou o estômago do terceiro com uma tesoura.

Mas o homem que teve menos sorte (ou mais azar) foi John Charles Thomas Price, um namorado que acabou morrendo com uma faca de açougueiro enterrada no corpo – trinta e sete vezes.  Enquanto dormia.

E como se não bastasse, Katherine pegou o corpo, esfolou a pele ensanguentada dele e pendurou-a na porta da frente. Cortou a cabeça e colocou-a na panela de fazer sopa e, para finalizar, assou as nádegas do homem! Ela ainda fez um molhinho e uma salada para acompanhar e estava preparando a mesa do banquete para os filhos dele quando a polícia chegou. Cruzes!


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