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A nova linha de produção do jornalismo

njovem 10 de agosto de 2010

Por Rafael Kenski

Enquanto jornais e revistas tradicionais não descobrem como ganhar dinheiro na internet, outras empresas estão crescendo fazendo algo bem parecido com jornalismo. Elas receberam o apelido pejorativo de content farm (fazendas de conteúdo) pelo modo como industrializam a produção de notícias, tiram qualquer glamour da profissão e pagam salários baixíssimos aos seus profissionais. Com isso, geram tanta polêmica quanto lucro. A Demand Media , o maior exemplo do gênero, planeja para breve um IPO que deve gerar 1,5 bilhão de dólares, gerados produzindo notícias e vídeos para em uma rede de sites que inclui Cracked e eHow.com. O diretor de parcerias do Youtube chamou a empresa de “O Henry Ford da produção de vídeo”. Mas o ex-colunista do Wall Street Journal Jason Fry tem outra opinião sobre o processo: “Se você quiser saber como o jornalismo vai acabar, olhe para a Demand Media”.

Existe, no entanto, um bocado de empresas nesse mesmo caminho. Em resumo, elas praticam uma mistura de análise de tendências na internet com crowdsourcing (a prática de terceirizar funções de uma empresa para uma multidão de colaboradores online). Para conhecer melhor esse novo modo de produzir conteúdo para a internet, olhe para os dois pilares que sustentam as content farms:

1) Fazer conteúdo MUITO barato

Até os grandes jornais já perceberam que, para ganhar dinheiro na internet, é preciso produzir muitos textos, fotos e vídeos. A revista Forbes divulgou nessa semana que todos os seus jornalistas são obrigados a manterem um blog na internet. Não é tão diferente de grande parte das revistas brasileiras, que mesmo sem uma regra dessas, abre blogs para quase toda a redação como algo que eles precisam se preocupar entre uma matéria e outra.

A Demand Media, no entanto, tem um modelo ainda mais agressivo: elas simplesmente colocam assuntos e pautas online e fazem pequenos pagamentos – muito abaixo da tabela dos jornalistas – para quem trouxer aquele conteúdo. O resultado, produzido com pressa por um exército de 10,000 freelancers avaliados por um questionário, costuma ter bem menos qualidade do que o tradicional do jornalismo, mas isso importa pouco para a empresa. O objetivo é que esses vídeos e textos sejam apenas “bons o suficiente” para gerar cliques e vender anúncios.

Outro modelo é investir em blogueiros. A Examiner.com tem 42.000 escritores em mais de 400 cidades nos Estados Unidos, produzindo principalmente notícias locais. Já na Associated Content (comprada recentemente pelo Yahoo), não é preciso passar por qualquer avaliação para se tornar um colaboradores. O resultado: 380.000 produzindo 50.000 textos ou vídeos por mês.

2) Escrever sobre o que as pessoas estão buscando

Em uma redação tradicional, editores definem o que é notícia a partir do que acham importante ou do que imaginam que o leitor queira ler. Em fazendas de conteúdo, quem define as pautas é o software. Na Demand Media, um programa analisa os assuntos mais comentados em buscas na internet, por anunciantes e pela concorrência e gera com isso um rascunho de título para a matéria. Dois editores ganham, cada um, oito centavos de dólar para editar essas pautas e enviar para um site onde outros colaboradores vão se candidatar para produzi-los. O Yahoo/Associated content tem um sistema quase idêntico, com a diferença de que os editores são contratados, e não free-lancers.

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Comentários

Phyllis disse:

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Thiago disse:

Vivemos na era dos 140 caracteres; as pessoas querem informações de forma rápida.
Porém, se esqueçem de que, nem sempre, essa informação é confiável!

Thiago disse:

Estamos vivendo na “era dos 140 caracteres”!
As pessoas querem informações de forma rápida, mas se esqueçem de que, nem sempre, esse tipo de informação é confiável.

Sérgio Alcântara disse:

“Antes de começar saiba que não estou generalisando e que essa mensagem é só uma pequena expressão por minha parte”

O jornalismo acredito eu que deixou de ser uma ferramenta de informação para uma ferramenta de informar o que as pessoas querem e isso não importando o conteudo mas sim a capacidade de atração de leitores. Vejos programas especializados em crimes, mortes e trucidades em geral , o porque disso? A resposta é clara o povo gosta.

Acho que se um decisão nossa pode mudar a vida de outros porque não tentar mudar a cultura das pessoas, talvez assim quando estivessemos parados no ponto de onibus e olharmos para os grupos de pessoas conversando escultasemos noticias educativas, noticias produtivas.

Muito interessante a matéria, parabéns Rafael Kenski. O ponto é, estamos tendo uma sociedade mais inteligente, com abundancia de informação. Isso é ótimo, o avanço da inclusão digital é fundamental para que mais pessoas em todo o Brasil e o mundo tenham acesso a informações em larga escala, isso forma opinião, gera caráter, defini culturas, força a leitura e a escrita, mão dupla, cria padrões e fortalece qualquer população. Não vejo o desmerecimento do profissional em Jornalismo, para os bons sempre terá novidades, oportunidades, trabalhos e maneiras para o lucro, veja só, no Brasil somos 170 milhões de Brasileiros, o numero de usuários em 2009 chegou a 60 milhões de usuários, ou seja é um mercado enorme a conquistar e a explorar em constante evolução, em poucos anos mais da metade da população do Brasil terá acesso a internet, em vários tipos de aplicativos (mobile e desktop) o que isso significa, mais pessoas inteligentes e informadas, com mercado necessitando informar, empresas necessitando informar, produtos precisando ser claros e transparentes por que o consumidor saberá toda a cadeia produtiva, custos , benefícios e tudo mais, mais qualidade, mais valor agregado, em fim, com informação tudo melhora. Vejo que cada empresa necessitará de uma boa assessoria de imprensa, mesmos as pequenas e iniciantes, será fundamental. Isso vale para pessoas físicas autônomas também o registro de uma rotina é importantíssimo para o esclarecimento de qualquer atividade. O velho diário agora na versão web, muito mais dinâmico e funcional, com muito mais probabilidades de exibições e visualizações. Privacidade, tudo é uma questão de bom senso na hora da publicação e nos meios em que são publicados. Valorização na íntegra da Liberdade de Expressão.

Anônimo disse:

“Pois me formei na área e tenho visto a profissão de degradar com o passar do tempo”. Realmente. Jornalistas como esse que escrevem “insessante” de fato degradam o conteúdo nas notícias, não só na internet mas em qualquer mídia.

José Ramon disse:

Informação em massa, em poucos caracteres e com o mínimo de informações necessárias. É nisso que o jornalismo tem se tornado nos últimos anos e digo isso com autoridade, pois me formei na área e tenho visto a profissão de degradar com o passar do tempo. Mas é como slogan da Tostines exemplifica tão bem: “Tostines vende mais por que é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais?”.
O jornalismo é o que é hoje por culpa de quem?! Da mídia que “enxugou” seu conteúdo, ou da população que não tem tempo mais para digerir as informações.
Temo que as consequências desse desejo insessante das mídias informativas por alcançar um público cada vez maior, só resultem em menos qualidade de informação num futuro apocalíptico para a profissão.

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