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Os blogs ainda têm futuro?

16 de julho de 2010

Por Rafael Kenski

Oito anos atrás, eles eram tidos como o futuro do jornalismo e da internet. Agora, com tanto barulho em torno de redes sociais e internet para celulares, blogs parecem um meio de comunicação prestes a ser superado. Eles ainda servem para alguma coisa? Para responder a pergunta, vamos ver abaixo alguns argumentos:

- Estão surgindo desertos de blogs
Uma matéria recente da revista The Economist citou pesquisas que detectam a existência de centenas de milhares de blogs sem qualquer atualização no último ano. Em muitos lugares – como Indonésia e Irã – essas páginas viraram fantasmas com a popularização do Facebook. Notícias e histórias passaram a ser contadas de forma mais rápida nas redes sociais. Para a revista, o futuro dos blogs parece ser publicação de interesse específico, para assuntos como política, economia, culinária e artesanato.

- Eles ainda dão origem a impérios
Uma rede milionária de sites surgiu nos últimos três anos, totalmente baseada em blogs. É a Cheezburger Network, dona de algumas das páginas mais ridículas (e divertidas) da internet. Começou com um blog sobre LOLcats (um tipo de, hmm, mídia que consiste em fotos de gatos em poses engraçadas com uma legenda abaixo) e depois se expandiu para diversos blogs com uma estrutura parecida. Um deles mostra acidentes, outro conversas constrangedoras no youtube, outro é sobre placas escritas em inglês errado, outro sobre jornalistas pagando mico, ou sobre gráficos engraçados e por aí vai. Todo o conteúdo é sugerido (e feito) pelos próprios leitores, que enviam as fotos, escrevem as legendas – são mais de 18 mil sugestões de por dia. Vendendo anúncios, camisetas e livros baseados nas imagens, a empresa foi lucrativa desde o primeiro dia e deverá ter um faturamento acima dos sete dígitos nesse ano, segundo uma matéria do New York Times.

- Existem novos tipos de blog, mas as ferramentas tradicionais ainda dominam
Blogs negociam espaço com ferramentas bem parecidas, como fotologs, Tumblr e Posterous. Eles são uma evolução do meio: procuram, cada um ao seu jeito, aumentar ao máximo a facilidade de uso, estimular posts rápidos (muitas vezes com só uma foto ou vídeo), ser atualizados por celular ou se interligar a outras redes sociais. Uma pesquisa feita pelo serviço de análise de dados Postrank esse ano, no entanto, concluiu que os serviços que oferecem mais engajamento – mais comentários, links e publicações em redes sociais – ainda são as ferramentas tradicionais de blog como Blogger e WordPress. Isso indica que a primeira onda de blogs gerou publicações que já se estabeleceram como parte importante da mídia.

- Eles parecem estar em desuso pelos jovens
É uma questão meio polêmica ainda. Uma pesquisa feita pelos site BlogHer e iVillage (leve em conta que são serviços de blog) mostrou que jovens entre 18 e 25 são os maiores usuários de blogs: cerca de 40% escrevem neles e 30% costumam lê-los. Outro estudo do Pew Research Center mostrou que uma geração ainda mais nova – abaixo de 18 anos – já trocou blogs pelas redes sociais: em 2006, 28% dos jovens entre 12 e 17 eram bloggers, enquanto hoje são só 14%. Ambos os estudos, no entanto, têm problemas de metodologia suficientes para deixar a questão ainda em aberto. Mais sobre a questão aqui.

Veredito
As redes sociais estão tomando grande parte da popularidade dos blogs. Em especial, o velho uso de blogs para contar notícias sobre a vida, conversar com amigos e mostrar fotos e vídeos parece estar agora nas mãos das redes sociais. Entretanto, eles ainda têm sua utilidade. Ao contrário do Facebook, permitem textos longos e detalhados, acessíveis por ferramentas de buscas e capazes de serem comentados por qualquer pessoa (e não apenas pelos seus amigos). São recursos importantes para alguns tipos de conteúdo – de política a piadas – e provavelmente darão uma vida longa aos blogs.