A essa altura até o não-gamer mais desinformado já sabe que abril é o mês de Grand Theft Auto IV. O infinitamente adiado jogo da Rockstar sai para Xbox 360 e Playstation 3 no mundo inteiro em 29/04. Com a previsão de venda de milhões de cópias (possivelmente mais até que Halo 3, que era exclusivo do console da Microsoft), até Hollywood anda preocupada com o efeito do lançamento sobre a estréia de filmes-evento como Homem de Ferro.
GTA IV promete ser o maior e também o primeiro da série a trazer para os consoles um modo online de disputas entre vários jogadores. Sua maior revolução, porém, começa depois que o jogo terminar: se tudo correr como planejado, a Rockstar lança em agosto, via download e por um preço ainda não divulgado, o primeiro de dois pacotes de expansão exclusivos para quem tem Xbox 360 e a rede Xbox Live. Os últimos rumores apontam que não se trata de simples personagens ou cenários extras para o modo multiplayer, mas de novos episódios com horas e horas de jogo cada um - possivelmente incluindo uma ou mais cidades totalmente novas. Algo parecido com o que GTA: Vice City e GTA: San Andreas fizeram por GTA III. Se o jogo já era pra ser enorme, tudo indica que, para quem tem Xbox, ele será uma experiência épica sem precedentes.
O modelo de conteúdo episódico para download (DLC) não é novidade, muito menos a tradição de lançar os chamados "pacotes de expansão" para games populares. Só que essas eram práticas ainda um pouco limitadas a gêneros específicos, como jogos de estratégia, adventures e RPGs online no estilo World of Warcraft. O próprio Xbox Live e os concorrentes Playstation Network e Virtual Console (do Wii) são mais usados para downloads de jogos casuais e de títulos clássicos. Os episódios online da Rockstar escancaram as possibilidades imensas que o modelo de distribuição online oferece também para jogos AAA como GTA IV. Vantagem para quem joga e para quem distribui: dizem por aí que a Microsoft desembolsou cerca de 50 milhões de dólares pela exclusividade, sabendo que ela pode ser fator decisivo para quem ainda não comprou um console de nova geração Além disso, é a chance deles de testar algo que, à medida em que mais pessoas conseguem acesso às redes online dos consoles, deve virar regra na indústria.
É só ver o que acontece nos PCs. Está cada vez mais fácil comprar jogos de computador sem depender de qualquer tipo de mídia gravável. Exemplo: a desenvolvedora Valve, adepta do conteúdo episódico (ainda que com intervalos imensos) com a série Half-Life, mantém o Steam, site no qual os membros podem baixar demos e jogos completos por preços muitas vezes menores que nas lojas. Outro serviço popular é o GameTap, que investe bastante em jogos casuais e é um dos favoritos dos fãs de aventura por causa da série Sam & Max, desenvolvida e lançada na forma de "temporadas" de 5 a 6 episódios curtos cada - o que mostra que os criadores já pensam nesse modelo de distribuição desde a etapa de planejamento para viabilizar jogos de orçamento pequeno.
A novidade mais recente é o lançamento da Greenhouse, serviço de distribuição digital dos mesmos caras por trás da HQ online Penny Arcade. O primeiro título disponível para distribuição digital é, claro, o jogo do Penny Arcade. Que, pelo trailer, deve ser ótimo. E que vai ser lançado em episódios.
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