Campanha viral, ARG, golpe de marketing -- chame do que quiser. Um ano atrás, começava a estratégia que entra para a história como uma das mais barulhentas e imersivas já feitas para o cinema, o jogo de realidade alternativa criado pela 42 Entertainment para o lançamento de The Dark Knight. Graças ao ARG, o público, além de participar de caçadas por inúmeras cidades ao redor do mundo, pôde acompanhar de perto a escalada criminosa do Coringa, a campanha vitoriosa de Harvey Dent para procurador público e a difamação do homem-morcego na imprensa de Gotham City, tudo com uma produção e uma quantidade de conteúdo tão insanas quanto a risada do palhaço do crime.
Depois de assistir ao filme, me parece que não poderia ter sido diferente. São duas horas e meia tão vertiginosas e tão repletas de informação que fica claro que o ARG de fato não é só uma campanha, mas uma extensão fundamental da experiência de O Cavaleiro das Trevas.
O próprio Christopher Nolan (que também dirigiu Batman Begins) declarou que com ele não tem essa história de guardar o melhor para o próximo filme. Ninguém nem sabe ainda se vai ter um próximo (sem falar que superar essa sequência vai ser uma tarefa hercúlea). The Dark Knight não deixa nada sobrando: é tudo aquilo que alguém poderia esperar de um filme do Batman, e muito mais. É uma crime saga que, como boa parte da crítica já comentou, está ali com os filmes de Scorcese e Michael Mann. O que inevitavelmente acontece é que a tela do cinema fica pequena demais para tanta riqueza narrativa - e isso aconteceria mesmo se o bendito IMAX tivesse chegado aqui a tempo.
Se você não acompanhou o ARG, é bom saber que a essa altura todos os sites da campanha foram vandalizados pelo Coringa, mas que ainda dá tempo de fazer um aquecimento para a estréia (comece pelos vídeos do gothamcablenews.com e pela retrospectiva da campanha no site WhySoSerious). É bem possível que daqui a 4 dias, enquanto se segura na cadeira do cinema, você murmure um agradecimento silencioso a seja lá quem for que inventou essa belezinha chamada transmedia.
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