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Chineses já cultivavam arroz há pelo menos 9.400 anos

Novas evidências encontradas no sul da China permitem afirmar que o cereal já fazia parte da alimentação humana desde o início do período Holoceno.

Talvez você não saiba, mas a real origem do arroz que consumimos é um debate que intriga os cientistas. Embora uma variedade do cereal com 15 mil anos de idade encontrada na Coreia do Sul sonha com o prêmio de exemplar mais antigo, a descoberta não é unânime entre pesquisadores, por ser um exemplar geneticamente distante do atual.

A origem mais provável da Oryza sativa, nossa espécie de arroz mais comum, parece ser mesmo a China, alguns milhares de anos depois. Pesquisas como esta de 2011 e esta outra divulgada no ano passado já tinham cantado a bola, defendendo que a cultura do alimento foi desenvolvida há cerca de 8 mil anos, na região do vale do rio Yangtze. Esse local foi agora confirmado por um grupo de cientistas chineses, que encontraram evidências de que o arroz já fazia parte da alimentação de seu povo há mais tempo ainda: 9.400 anos – no começo do período Holoceno.

Para concluir isso, os pesquisadores se basearam em descobertas feitas na região do sítio arqueológico de Sangshan, localizado na província de Zhejiang, no sul da China – próxima do rio Yangtze. Por lá, foram encontrados vários fitólitos daquelas que provavelmente foram as primeiras plantas de arroz que o homem já cultivou. Fitólitos nada mais são do que pequenos grãos de sílica (SiO2) que podem ser encontrados no tecido de algumas espécies de plantas. Essas estruturas são produzidas pelas próprias plantas e ajudam na sustentação, desintoxicação e na defesa contra pragas, por exemplo.

Por serem feitos de sílica, esses fitólitos não sofreram com fenômenos como decomposição – responsável por levar embora para terra as plantas de arroz. Isso fez com que esses grãozinhos se mantivessem bastante preservados. Para cravar com precisão sua idade – e com isso, saber quão velho era o arroz que as criou – foram coletadas amostras do solo da região.

Depois de peneirado, e aquecido, o solo virou um pó que pode ser datado a partir de isótopos de carbono 14. Medindo a atividade radioativa do elemento, dá para saber desde quanto tempo ele esteve por lá. Nessa mistura é que estavam os fragmentos dos parentes mais antigos do melhor amigo do feijão. Os cientistas afirmam que esse tataravô do arroz é muito mais próximo da variedade atual mais comum, se comparado a outros tipos selvagens.

A partir daí, para que o cereal se tornasse um dos queridinhos dos chineses, foi um pulo. Os números que marcam esse fanatismo impressionam: hoje, cerca de 65% deles têm no arroz um item básico de alimentação. Além disso, estima-se que a China colherá na safra 2016/2017 mais de 144 milhões de toneladas. Isso mantém o país na liderança do ranking mundial de produção, um posto que a China parece não querer largar de jeito nenhum – há pelo menos nove mil anos.