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Espécie de formiga ganha nome de Radiohead

Encontrada na amazônia venezuelana, a Sericomyrmex radioheadi cultiva seu próprio alimento - colônias fresquinhas de fungos

Não bastasse o crustáceo supersônico batizado de Pink Floyd ou o camarão com nome de Mick Jagger, o mundo do rock foi mais uma vez homenageado com a identificação de uma nova espécie. Vinda diretamente da Amazônia venezuelana, a formiga Radiohead adota uma vida sustentável: se alimenta dos fungos que ela mesma cultiva.

A descoberta foi feita durante uma expedição pelas Américas Central e do Sul conduzida por pesquisadores do Instituto Smithsonian, de Washington, nos EUA. Dentre os vários exemplares de insetos recolhidos na viagem, os cientistas identificaram três novas espécies. Uma delas ganhou o nome de Sericomyrmex radioheadi.

“Queríamos honrar a música deles”, explica Ana Ješovnik, uma das autoras do estudo. “Mas, acima de tudo, valorizar os esforços que os membros da banda promovem quanto a conservação do planeta, principalmente no que se refere ao aquecimento global”, completa, em entrevista ao Phys.org.

O líder do Radiohead, Thom Yorke, já reafirmou em diversas oportunidades seu compromisso com causas ligadas ao meio ambiente. Além de ter participado da Conferência do Clima de Copenhague, em 2009, elaborou, em conjunto com outros artistas, uma carta aberta às autoridades da COP21 de Paris, em 2015. Nela, mais 350 personalidades do mundo da música reivindicavam medidas mais ambiciosas aos tratados relacionados às mudanças climáticas.

E a homenagem faz ainda mais sentido se considerarmos o comportamento ecologicamente correto da S. radioheadi. O gênero Sericomyrmex contempla as formigas agricultoras, que se alimentam dos fungos que elas próprias criam. Para garantir a qualidade da colheita, elas costumam contar com um poderoso pesticida: bactérias especializadas no controle de pragas que carregam dentro do seu corpo.

A espécie que levou o nome da banda inglesa, no entanto, parece adotar uma estratégia diferente. Em laboratório, os pesquisadores conseguiram identificar uma fina cobertura branca cristalina que reveste o corpo dessas formigas. Ela foi notada nas fêmeas da espécie, tanto nas rainhas quanto operárias, mas não nos machos.

Uma das hipóteses que os cientistas consideram é que esse revestimento tenha função na proteção das formigas e de suas plantações. Isso porque mesmo as S. radioheadi que não contavam com as bactérias de função de pesticida, possuíam suas hortas de fungos livres de agentes estranhos.

Os resultados da pesquisa foram publicados na revista científica ZooKeys.