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Plantas têm sinal de alerta para avisar vizinhas sobre perigos

Quando sente que está sob ataque de predadores, esta espécie cumpre as leis da boa vizinhança - informando quem está perto sobre a ameaça

“Ei, cara. Parece que esse gafanhoto está prestes a dar uma mordida bem na sua folha.”

Não é exatamente dessa forma, mas, ao serem atacadas, as plantas dão um jeito de avisar suas vizinhas sobre o perigo. Por meio de sinais químicos transmitidos pelo ar, elas fazem quem está por perto entender a ameaça – e passar a se preparar para não virar comida de inseto. Essa habilidade foi descrita por pesquisadores da Universidade de Delaware, nos EUA, em um estudo publicado no periódico Frontiers in Plant Science.

Em um experimento, os cientistas colocaram exemplares de Arabidopsis thaliana, espécie da mesma família da couve e da mostarda, em recipientes com ágar, uma substância gelatinosa. Essa gelatina servia como solo para as plantas, permitindo que elas fixassem suas raízes e se desenvolvessem por ali. O processo é parecido com aquele experimento que você já fez na escola, usando um grão de feijão e um algodão encharcado. Assim elas ficaram crescendo, saudáveis e verdinhas, em seus habitats de acrílico.

Oito dias após a germinação, os cientistas separaram duas dessas plantas e fizeram dois pequenos cortes em suas folhas – simulando o ataque de um inseto. Então, os exemplares cortados foram posicionados a uma distância entre 2 e 4 cm do restante.

Dias depois da mudança, os cientistas notaram algo curioso: as plantas que estavam próximas das que tiveram as folhas cortadas desenvolveram raízes mais compridas e grossas, além de ganharem mais ramificações em suas raízes principais. Foi como se elas passassem a contar com canudos maiores e mais potentes para sugar os nutrientes do solo, a fim de se fortalecerem para lidar com a ameaça.

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Isso foi possível por conta da postura um tanto altruísta das plantas retiradas, que, ao invés de reforçarem as próprias defesas para se livrarem do “invasor”, se preocuparam em avisar o restante do bando sobre a “ameaça”. “Esperávamos que as plantas machucadas concentrassem seus esforços em desenvolver mais suas raízes. Mas não foi isso que aconteceu”, explica Harsh Bais, um dos autores do estudo. Interpretando os cortes feitos pelos cientistas como as mordidas de um inseto, elas trataram de enviar sinais químicos às outras, que entenderam de pronto o recado e se armaram como podiam contra o predador.

A tarefa passou a ser, então, entender os mecanismos responsáveis pelo crescimento orientado das raízes. Os cientistas notaram um aumento da atividade de genes ligados à produção de auxina (ALMT1), hormônio do crescimento das plantas, naquelas que estavam próximas das lesionadas. Outro gene (DR5), ligado ao transporte de um ácido que controla o uso de bactérias do solo, também passou a ser mais expressado de uma hora para a outra. Esses fatores ajudaram o desenvolvimento das plantas, agora mais fortes para lidar com a ameaça.

Apesar de saberem o porquê e como essa comunicação de risco acontece, os cientistas ainda têm algumas perguntas que permanecem sem respostas. Não se conseguiu cravar, por exemplo, a duração que esse alarme de emergência possui, ou ainda a maneira exata que os sinais químicos passeiam pelo ar. Sabe-se apenas que tais elementos são liberados principalmente pelas folhas das plantas. “Se você passar por uma área de grama depois que ela for cortada ou por uma plantação depois da colheita, você vai sentir o cheiro desses componentes”, completa Bais.

Por isso, melhor ter cuidado com seu cortador de grama da próxima vez que resolver dar um trato no jardim. Cortes despretensiosos podem ligar vários alarmes de uma vez só, instaurando um verdadeiro caos na flora da região.

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