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Fidel Castro deu educação e saúde ao povo cubano?

Alguns índices de qualidade até melhoraram após a revolução de 1959. Mas a verdade é que Cuba já mandava bem nessas áreas

Os números não mentem: Cuba tem sistemas invejáveis de educação e saúde, com índices de eficiência dignos de país desenvolvido. Quase não há analfabetos na ilha, enquanto o número de professores, médicos e leitos de hospital por habitante é o maior da América Latina.

Mas não foi a revolução de Fidel Castro, levada a cabo em 1959, que deu tudo isso ao povo cubano. Embora o regime comunista adore propagandear essas “conquistas”, Cuba já apresentava bons indicadores de desenvolvimento social e humano antes de Fidel chegar ao poder.

A revolução teve efeito positivo sobre alguns desses indicadores. O número de médicos e dentistas, por exemplo, era de 128 para cada 100 mil habitantes em 1957 (3º melhor índice da América Latina). Hoje, é de 680 (1º lugar entre os países latino-americanos).

Por outro lado, algumas estatísticas são desfavoráveis para a era Fidel. Exemplo: em 1957, o consumo diário de calorias por cubano era o 3º maior da América Latina. Passadas 5 décadas de regime comunista, Cuba agora está em 11º lugar.

Dinheiro por fora

Não faltam dissidentes ou críticos de Fidel Castro apontando para a suposta falácia da educação e da saúde na ilha. Para eles, os recursos financeiros aplicados nessas duas áreas são insuficientes e tudo funciona muito mais para turistas e caciques políticos que para o cidadão cubano comum.

“O embargo econômico [imposto pelos americanos há mais de 50 anos] atrapalha, claro, mas é curioso notar como a falta de investimentos não prejudica o atendimento de saúde aos estrangeiros e à elite do Partido Comunista”, diz a antropóloga Katherine Hirschfeld, professora-assistente da Universidade de Oklahoma, nos EUA, e autora de um detalhado estudo sobre a sociedade cubana no final da década de 1990.

De acordo com a neurocirurgiã e dissidente política Hilda Molina (que continua vivendo na ilha, embora seja uma das vozes mais afiadas contra o regime cubano), quem paga um dinheiro extra por baixo dos panos recebe atendimento mais rápido e eficiente. Segundo Hilda, existiria até uma tabela de preços informal para serviços que deveriam ser, além de eficientes, gratuitos para todo mundo. Furar a fila de um raio X, por exemplo, custaria entre US$ 50 e US$ 60 — uma pequena fortuna para os padrões de vida em Cuba.

O regime comunista de Fidel apenas melhorou o que já funcionava bem. Veja abaixo.

Saúde

Mortalidade Infantil (mortos por 1000 nascidos)
1957 – 32 / 1º na América Latina, 13º no mundo
HOJE – 5,82 / 1º na América Latina, 43º no mundo

O avanço de Cuba foi enorme – redução de 82% na taxa de mortalidade. Mas isso ocorreu em quase todos os países do mundo. No ranking internacional, os cubanos caíram 30 posições da década de 1950 para cá.

Médicos e dentistas (para cada 100 mil habitantes)
1957 – 128 / 3º lugar na América Latina
Hoje – 680 / 1º lugar na América Latina

Nos últimos 50 anos, o país multiplicou por 5 o número de profissionais de saúde. Nos últimos anos, o problema tem sido a exportação dos profissionais mais capacitados para trabalhar no exterior.

Consumo de calorias (per capita/diário)
1957 – 2 730 / 3º da América Latina
Hoje – 2 291 / 11º da América Latina

Para os defensores do regime, a alimentação piorou nas últimas 5 décadas por culpa do embargo econômico. Mas para os críticos o verdadeiro problema é outro: ineficiência crônica da agricultura.

Educação

Alfabetizados (em % da população)
1957 – 76% / 3º lugar na América Latina
Hoje – 99,8% / 1º lugar na América Latina

Cuba é o país com maior índice de alfabetização do continente. O ensino é gratuito até o nível superior. Em compensação, segue a cartilha do Partido Comunista, que vê cada aluno como futuro soldado da revolução.

Investimento na educação (em % do PIB)
1957 – 23% / 1º na América Latina
Hoje – 10% / 1º na América Latina

Proporcionalmente, o investimento caiu para menos da metade em 50 anos de revolução. Ainda assim, Cuba manteve-se em 1º lugar no ranking latino-americano de países que mais aplicam dinheiro público no setor da educação.

Anos na escola (em média)
1957 – 9 / 3º na América Latina
Hoje – 20,5 / 1º na América Latina

A escola é obrigatória por 9 anos, mas os cubanos passam muito mais do que isso estudando. Eles tiram notas bem mais altas em exames internacionais que os estudantes de outros países latino-americanos.

FONTES: OMS, Unesco.