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Morte de um amigo em comum fortalece amizades por 2 anos

Estudo do Facebook mostra que as pessoas próximas do falecido criam conexões mais fortes entre elas.

Pensamos sempre na morte como uma dor pessoal. Curiosamente, porém, ela também tem um forte aspecto social. É só pensar nas grandes reuniões de cerimônias fúnebres – e quantas pessoas só encontramos em velórios.

Foi esse lado da morte que o Facebook se dispôs a investigar mais a fundo. Em parceria com a Northeastern University, em Boston, eles investigaram mais de 45 mil grupos de amigos conectados na rede social.

O que eles queriam entender é o que acontecia quando morria uma pessoa central em um grupo de amigos – aquele amigo que serve de “ponte” entre vários conhecidos. Para isso, compararam as mudanças em círculos sociais reais na plataforma, observando as diferenças de interação naqueles que perderam alguém.

A hipótese deles era de que um evento trágico tende a aproximar os amigos mais próximos do falecido. E foi isso que aconteceu: os melhores amigos do falecido interagiam 30% a mais no mês após a morte.

Mesmo os conhecidos da pessoa que morreu, que não eram tão próximos, comentaram, postaram e tiraram fotos umas com as outras 15% a mais do que antes do falecimento.

Como era de se esperar, essa intensidade de contato não se manteve pelo resto da vida. Mas 2 anos depois da morte no grupo, os amigos e conhecidos que perderam alguém tinham laços 3% mais fortes do que nos grupos de controle, em que ninguém faleceu.

Um dos fatores que afetou o tipo de contato entre as pessoas era a causa da morte. Os grupos se tornavam mais próximos depois de uma morte acidental ou por câncer. Já quando a causa da morte era socialmente estigmatizada (suicídio, overdose ou complicações de alcoolismo), as pessoas se mantinham mais afastadas. É como se, ao rejeitar a causa da morte, as pessoas rejeitassem tudo aquilo que a traz à lembrança.

É claro que a pesquisa tem algumas limitações: não leva em conta o conteúdo das mensagens trocadas entre os amigos, nem limitações culturais (os participantes eram todos da Califórnia).

Mesmo assim, ele indica o quão coletivo é o processo de luto, mostrando a tendência de buscar quem sinta a mesma dor após um momento de tragédia.