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Oswaldo Cruz: tudo pela saúde

Um médico tímido, de poucas palavras, viciado em trabalho, enfrentou o ódio de uma cidade para erradicar a peste bubônica e a febre amarela. E inaugurou a pesquisa científica no Brasil.

Maria Inês Zanchetta

Em 1902, quando o paulista Francisco de Paula Rodrigues Alves tomou posse como presidente dos Estados Unidos do Brasil, a capital do país o Rio de Janeiro, não era propriamente uma cidade maravilhosa. As ruas sem calçamento, os cortiços, os esgotos lançados a céu aberto, as poças de água estagnada cheias de insetos — tudo isso castigava os 700 mil cariocas com surtos epidêmicos de peste bubônica, varíola e febre amarela. Só a febre mataria naquele ano quase mil pessoas. Não surpreende, portanto, que logo ao se instalar no Palácio do Catete, sede do governo, Rodrigues Alves partisse para cumprir a principal meta que se fixara: a reforma sanitária e urbana da cidade.

Para cuidar da reurbanização, Rodrigues Alves nomeou prefeito o engenheiro Pereira Passos. Para cuidar da reforma sanitárias, seu ministro do Interior. J.J. Seabra, indicou-lhe um certo Oswaldo Cruz. “Mas quem é esse Oswaldo Cruz?”, perguntou o presidente. Nem Seabra, porém, o conhecia pessoalmente. O nome fora recomendado pelo médico particular do ministro, Egídio de Sales Guerra, que sabia do trabalho como bacteriologista de Oswaldo Gonçalves Cruz, um jovem colega de 30 anos, que dirigia o Instituto Soroterápico do Rio de Janeiro. Primeiro brasileiro a estudar no Instituto Pasteur, em Paris, especializou-se em Microbiologia, sua paixão desde que, apenas aos 15 anos, entrara no curso de Medicina da Faculdade Nacional do Rio de Janeiro, em 1988, o Instituto Pasteur associava teorias e prática a fim de resolver problemas de saúde, produzindo as vacinas para prevenir doenças, como a raiva, por exemplo.

No fim do século XIX, ao se descobrir que certas moléstias eram causadas por microorganismos, as atenções dos pesquisadores se voltaram para a Bacteriologia. Quando Oswaldo Cruz chegou ao Pasteur tomou contato com as novas técnicas de produção de soros e vacinas — daí especializou – se em soroterapia. A dedicação ao trabalho não impedia o pesquisador brasileiro de aprender em Paris a apreciar as artes, como os poemas de Charles Baudelaire, o célebre autor de As flores do mal.

Ao fim de três anos regressou ao Rio disposto a aplicar o que aprendera. Com apenas 27 anos e os cabelos prematuramente grisalhos, instalou o primeiro laboratório de análises clínicas da cidade. Meses depois, em outubro de 1899, irrompeu no porto de Santos um surto de peste bubônica, doença transmitida pela picada das pulgas de ratos infectados. Em dezembro, a peste chegou a São Paulo. Em janeiro, ao Rio. Era preciso fabricar no Brasil o soro e a vacina contra a doença — importados da Europa com dificuldade.

O barão de Pedro Afonso, diretor do Instituto Vacínico, pediu ao bacteriologista Émile Roux (1853 – 1933), diretor do Instituto Pasteur, que lhe mandasse de Paris um especialista capaz de levar o trabalho adiante. Para surpresa do barão, Roux, o descobridor do soro antidiftérico, respondeu que o melhor especialista já estava no Brasil — era Oswaldo Cruz. Em julho de 1900, em duas casinhas de uma fazenda da prefeitura em Manguinhos, na zona norte do Rio, começava a funcionar o Instituto Soroterápico. Meio ano depois já se produziam ali o soro e a vacina contra a peste. Era um grupo restrito de pesquisadores, entre eles o estudante de Medicina Ezequiel Dias, indicado por um amigo de Oswaldo Cruz.

“O senhor conhece alguma coisa de Bacteriologia?”, perguntou-lhe o cientista. Ezequiel, embora precisasse muito do emprego, respondeu que não. Oswaldo Cruz sorriu: “Pois está muito bem. Essa é uma das condições que exijo”. Tempos depois, explicaria por quê: “É muito simples. Se você soubesse alguma coisa da matéria, devia ser muito pouco, o que só serviria para torná-lo presunçoso e dificultar seu aprendizado. Eu prefiro certos ignorantes”.

As condições de trabalho devem ter-lhe dado saudade do Instituto Pasteur. Para chegar a Manguinhos ou se tomava o único trem diário no centro do Rio — uma viagem que demorava 40 minutos com uma baldeação — ou se precisava caminhar 9 quilômetros, debaixo de sol, naturalmente. A outra alternativa — ir de charrete — não devia ser lá muito confortável, dada a buraqueira dos caminhos no Rio do início do século. Apesar das dificuldades, Oswaldo Cruz empenhou-se em fazer do laboratório um centro de pesquisas, destinado a formar especialistas em doenças tropicais, que viria a ser a primeira escola de Biologia e Medicina Experimental do Brasil. Assim já em 1903 começou a construção de um edifício de cinco andares — em estilo mourisco, por escolha do próprio Oswaldo. O prédio, que se avista ainda hoje da avenida Brasil, na entrada do Rio, foi inaugurado em 1910. Desde 1908, já se chamava Instituto Oswaldo Cruz.

Nervoso, hipertenso, Oswaldo Cruz era viciado em trabalho. Desde os tempos de Paris, acostumara-se a varar noites estudando. Certa vez, escrevendo ao amigo Sales Guerra, pediu que não se preocupasse com suas “lamúrias”: “Habituei-me a explorar isto a que por eufemismo chamo neurastenia. O que preciso é de trabalho”. De estatura mediana, atarracado, olhos negros e vasto bigode, era homem de poucas palavras — isso, numa época em que, nas elites, a oratória era essencial à figura masculina, da mesma forma que o fraque, o chapéu coco, o bigode e um título de doutor, fosse em Direito ou em Medicina.

Oswaldo, fiel a sua timidez, não gostava de homenagens e discursos. Por isso, quando o novo prédio de Manguinhos foi inaugurado, não houve sequer placa comemorativa. Eleito, em 1912, para a Academia Brasileira de Letras, tendo aceito a candidatura por muita insistência de amigos, pode-se supor que o inevitável discurso de posse e o não menos obrigatório fardão representaram para ele um autêntico sacrifício.

Como diretor da Saúde Pública do governo federal, Oswaldo Cruz viria a ser a figura mais controvertida do país. O fundador da pesquisa científica no Brasil há de ter sofrido com tanta fama. Já na Faculdade, a timidez o prejudicara. Embora assíduo e estudioso, não foi um aluno destacado; quase não falava. Nas provas orais, atrapalhava-se, tropeçava nas palavras e raramente conseguia mostrar o que sabia. O interesse pela Medicina ele herdou, com certeza, do pai, o médico carioca Bento Gonçalves Cruz que durante alguns anos foi clinicar na pacata São Luis do Paraitinga, em São Paulo. Ali, em 1872, nasceu Oswaldo, o primeiro e único filho homem dos seis filhos do casal Bento e Amália.

Em 1877, o doutor Bento voltou ao Rio e montou uma clínica na Gávea. Nessa época, Oswaldo já aprendera com a mãe a ler, escrever e arrumar a cama todos os dias. Essa exigência devia ser levada muito a sério. Certa vez. Oswaldo saiu do colégio no meio de uma aula e correu para casa. Motivo: esquecera de arrumar a cama. No final de 1892, terminou o curso de Medicina. No mesmo dia em que entregou sua tese — A veiculação microbiana pelas águas —, assistiu a morte do pai, depois de longa doença. A partir de então assumiu seu lugar na clínica e incorporou o Gonçalves do sobrenome do pai, passando a assinar Oswaldo Gonçalves Cruz.

Casou-se logo depois, no início de 1893, com Emília Fonseca, sua namoradinha de infância. O sogro, um rico comerciante, lhe deu de presente de casamento o que Oswaldo mais queria: um pequeno mas bem equipado laboratório, que montou no primeiro andar da casa onde foi morar com a mulher. Teve seis filhos, dos quais três homens que seguiram a carreira do pai. Um deles, Bento, chegou a trabalhar ao seu lado. Fascinado pela Microbiologia Oswaldo gostava muito mais de estudar que de clinicar. E foi para estudar que deixou o Brasil com a família em 1896, indo para Paris.

Ao assumir a direção da Saúde Pública em março de 1903, para sanear o Rio de Janeiro, como queria o presidente Rodrigues Alves, Oswaldo Cruz estava a par das pesquisas do médico cubano Carlos Juan Finlay. Dois anos antes, Finlay conseguira provar que a febre amarela, doença típica dos meses de verão, era transmitida pela picada de um pernilongo — o Aedes Aegypti — que depositava larvas em poças de água parada.

Assim, o único modo de evitar a propagação da doença era exterminar esses focos, o que Finlay logo tratou de fazer em Havana. Com base na experiência cubana, Oswaldo Cruz sentiu-se encorajado a prometer a Rodrigues Alves que em três anos erradicaria a febre amarela. Enquanto isso, o engenheiro Pereira Passos começava a reurbanização da capital, alargando ruas, demolindo casas, derrubando quiosques, toscas construções de madeira e zinco onde se vendiam comidas e bebidas em condições de higiene facilmente imagináveis.

Impaciente, Oswaldo Cruz não esperou que o Congresso liberasse a verba que lhe permitiria contratar 1200 homens para auxiliá-lo no combate aos pernilongos. Começou o trabalho com os 85 homens da Saúde Pública — os famosos mata – mosquitos, com o emblema de uma cruz nos bonés. Eles percorriam quintais, jardins, sótãos e porões, aplicando inseticidas. Lacravam caixas-d’água, jogavam petróleo nos alagados e removiam os doentes para os hospitais de isolamento. Era uma verdadeira revolução na ainda provinciana cidade.

O povo, desinformado do que se pretendia com todo esse barulho, a princípio achou graça. Mas os comerciantes e proprietários de imóveis de aluguel, sentindo-se prejudicados com as demolições, começaram a protestar. E nesse Rio de Janeiro do começo do século, onde Machado de Assis escrevia Dom Casmurro e Euclides da Cunha aprontava Os Sertões, a ignorância, tão disseminada como a falta de higiene, fazia multiplicar os protestos. Pereira Passos e Oswaldo Cruz passaram a ser alvejados diariamente na imprensa e pelos adversários do governo de Rodrigues Alves. Entre estes, destacavam-se os positivistas.

O positivismo, concebido pelo pensador francês Augusto Comte (1798 – 1857), afirmava que a experiência — e não as idéias abstratas — devia dar a última palavra em ciência. Muito em moda na Europa do século XIX, teve importância decisiva na formação dos militares brasileiros que proclamaram a República em 1889.

Mas os positivistas que hostilizavam Oswaldo Cruz eram outras cabeças: duvidavam que microorganismos pudessem causar doenças como a varíola e passaram a contestar duramente as medidas sanitárias impostas, como atentatórias à liberdade individual. A campanha contra Oswaldo Cruz tomou conta da cidade. Houve quem impetrasse habeas corpus contra as inspeções domiciliares dos mata-mosquitos. Rodrigues Alves chegou a pedir a Oswaldo Cruz que fosse menos rígido, mas ele ameaçou se demitir. Diante disso, o presidente lhe deu mão forte, convencido de que o jovem médico tinha razão.

Os resultados não tardariam a aparecer: o número de mortes causadas pela febre amarela no Rio caiu de 584 em 1903 para 48 no ano seguinte. Em 1905, os óbitos voltaram a aumentar, mas no começo de 1907 Oswaldo Cruz pôde anunciar que a epidemia de febre amarela estava erradicado. Nesses quatro anos, Oswaldo também atacou a peste bubônica e a varíola. A bordo de uma lancha especial aplicava-se gás sulfuroso e vapores de fenol nos navios suspeitos; brigadas percorriam os bairros mais pobres para exterminar os ratos. “Esses homens, que ganham por mês uma bagatela”, anunciou Oswaldo Cruz numa entrevista, “têm a obrigação de trazer todos os dias cinco ratos cada um. Os que trouxerem a mais serão pagos a 300 réis por cabeça.”

Mais de 50 mil ratos foram exterminados. Em abril de 1904, a peste foi dada como extinta no Rio. Já a campanha contra a varíola — doença causada por um vírus que se manifestava sobretudo no inverno — foi até mais difícil que o combate à febre amarela. Explica-se: o único remédio antivaríola era a vacinação obrigatória — e contra ela se insurgiram os positivistas, a imprensa e a população. Enquanto o Congresso debatia a obrigatoriedade ou não da vacina —descoberta pelo médico inglês Edward Jenner (1749-1823), nada menos que 108 anos antes — cresciam os casos de varíola maior e mais importante cidade brasileira: no segundo semestre de 1904 a doença matava em média 130 pessoas por semana.

As crendices usadas como argumentos contra a vacina eram muitas: dizia-se que o remédio não funcionava e ainda por cima transmitia sífilis e tuberculose. Apelava-se também para a moral e os bons costumes: numa época em que as mulheres nem sequer mostravam os tornozelos, com seus vestidos longos e saiotes por baixo, onde já se viu vacinar senhoras e senhoritas na coxa? Caricaturas mostravam Oswaldo Cruz como um sedutor barato que perseguia as mocinhas, tentando vaciná-las com segundas intenções. Nesse clima explodiu a Revolta da Vacina apoiada pelos cadetes da Escola Militar. Para controlar a agitação, o governo voltou atrás e revogou a obrigatoriedade da vacina, aprovada pelo Congresso em outubro de 1904. A varíola só desapareceria do Brasil oficialmente em 1971.

De todo modo, o Rio era outra cidade depois de Rodrigues Alves: nas largas avenidas de calçamento de macadame já circulavam automóveis — a mais nova conquista da tecnologia: em 1908, cafés ao estilo europeu com mesinhas na calçada se espalhavam pela avenida Central (atual Rio Branco). O trabalho de saneamento foi reconhecido internacionalmente em 1907, quando Oswaldo Cruz recebeu a medalha de ouro da Exposição Internacional de Higiene, em Berlim.Três anos depois, embora com a saúde abalada em conseqüência de sérias lesões renais, passou oitenta dias na Amazônia, para tentar diminuir os casos de malária, transmitida pela picada de um mosquito, que dizimava os trabalhadores da construção da Estrada de Ferro Madeira—Mamoré.

Depois foi a Belém combater a febre amarela — dessa vez com o apoio do povo. Em 1915, como sua saúde piorasse, Oswaldo decidiu mudar-se para Petrópolis, onde passava os dias a cultivar flores. Ele plantou ali as primeiras hortênsias, No ano seguinte foi nomeado prefeito da cidade, mas por não se envolver com nenhum dos partidos políticos rivais tornou-se de novo alvo de intensa campanha de difamação. A 11 de fevereiro de 1917, com fortes crises renais complicadas por problemas respiratórios, Oswaldo Cruz morreu aos 44 anos. Estavam a seu lado a família e os amigos fiéis Carlos Chagas, pesquisador e discípulo, e Sales Guerra — o mesmo que havia indicado seu nome ao ministro J.J. Seabra para comandar a reforma sanitária do Rio de Janeiro.

 

 

Da peste à AIDS

Da semente plantada por Oswaldo Cruz ergueu-se uma duradoura instituição de investigação científica. Nas nove unidades da Fundação que leva seu nome, atualmente 300 pesquisadores tratam de aprofundar os conhecimentos sobre as doenças infecciosas e parasitárias que afligem a população. Ali se produzem vacinas contra sarampo, febre amarela, meningite (tipo A e C), cólera, febre tifóide e pálio. Ali também se faz a análise e o controle de qualidade de remédios e alimentos. Funciona ainda na Fundação, conhecida como Fiocruz, um hospital especializado em doenças infecciosas. Como toda instituição de pesquisa no Brasil que depende do governo, a Fiocruz passa volta e meia por períodos de penúria.

Nada comparável porém ao Massacre de Manguinhos — a perseguição de que foram vítimas os seus cientistas no governo Médici (1969-1974). Muitos tiveram cassados seus direitos políticos, perderam o emprego e foram obrigados a deixar o país. Só muito recentemente, a Fiocruz recuperou as condições de trabalho anteriores ao massacre. Da descoberta do Trypanosoma cruzi por Carlos Chagas, em 1909, à cura da leishmaniose, em 1913, e à fabricação de kits para diagnóstico de AIDS, a partir de 1987, Manguinhos coleciona um rol de realizações à altura da dedicação do seu fundador.

 

Três dias de guerra

Entre 11 e 14 de novembro de 1904, o Rio de Janeiro transformou-se em praça de guerra. Era a rebelião popular contra a vacinação antivariólica obrigatória. A população montou barricadas para enfrentar os vacinadores e os soldados, agredidos com latas e pedras. O quebra-quebra dominou o centro da cidade e o governo perdeu o controle da situação. Arandelas de gás partidas, postes de iluminação vergados, fragmentos de vidro por toda parte, paralelepípedos arrancados, bondes virados e incendiados, 700 presos, 65 feridos e 20 mortos — esse foi o saldo do protesto, conhecido como a Revolta da Vacina. Na noite do dia 14, quando tudo parecia enfim ter se acalmado, os cadetes da Escola Militar da Praia Vermelha, sob o comando do general Silvestre Travassos, amotinaram-se em apoio à população.

Nessa mesma noite, a casa de Oswaldo Cruz, na rua Voluntários da Pátria, em Botafogo, foi apedrejada e contra ela vários tiros foram disparados. A revolta na Escola Militar foi rapidamente controlada pelas tropas governistas, e o general Travassos, morto. Na verdade, a lei da vacina foi a gota de água na maré de insatisfação popular contra a carestia, os problemas da urbanização a toque de caixa e o desemprego. Quatro anos depois, uma epidemia de varíola mataria 6 400 cariocas, quase duas vezes mais do que em 1904. Ao longo deste século, muitas vezes faltou quem cuidasse da saúde pública no Brasil com a mesma garra de Oswaldo Cruz. Resultado: 71 anos após a sua morte, “não conseguimos ainda acabar com o mal da Chagas, a malária, o tétano e a paralisia infantil”, constata o sanitarista Sérgio Arouca, presidente da Fundação Oswaldo Cruz. “Faltam investimentos na área social e a saúde pública nunca foi considerada prioritária.”

 

 

 

Para saber mais:

Máquina de criar bactérias

(SUPER número 4, ano 8)

 

 

A revolta da vacina

(SUPER número 11, ano 8)

 

 

Vacinas do futuro

(SUPER número 2, ano 9)

 

 

100 motivos para se orgulhar da ciência brasileira

(SUPER número 1, ano 10)