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Seu nome combina com você?

Políticos cujos nomes e rostos ornam conseguem até 10 pontos percentuais a mais em eleições, de acordo com novo estudo

“Qual seu nome?”

Se alguém extremamente dramático te fizer essa pergunta, só há duas tréplicas possíveis: a premonitiva “Ai, eu ia chutar isso. Combina com você”, ou a igualmente forçada “Nossa, mas não tem nada a ver contigo. Você tem uma carinha de quem chama [insira um nome absurdo aqui]”. Chatíssimo, mas a ciência está começando a explicar porque isso acontece.

A resposta está vindo em um novo estudo da Universidade Otago, na Nova Zelândia. Para chegar a uma conclusão, pesquisadores resolveram se apoiar na teoria de Bouba/Kiki, uma linha de pensamento que pode ser exemplificada com um teste rápido: pense em uma bola e em um pedaço de vidro. Agora, você tem que dar nomes a eles. Um vai chamar Bouba e outro Kiki. Acontece que a grande maioria das pessoas tende a chamar a bola de Bouba e o vidro de Kiki. Isso porque, de acordo com a teoria, existem palavras que nos remetem a figuras arredondadas e outras que soam pontiagudas.

Agora voltando ao seu próprio nome. Os pesquisadores neozelandeses traçaram um paralelo entre como as pessoas são chamadas e o formato de seus rostos. Na prática, eles perceberam que Jorge, por exemplo, é uma palavra redonda – se ele tiver um rosto fino, pode causar alguma estranheza. O mesmo aconteceria caso aquela sua amiga Patrícia tivesse uma cara um pouquinho mais  arredondada – já que é um nome muito mais próximo de Kiki do que de Bouba.

 

Os estudiosos fizeram testes com 513 voluntários. Os experimentos variavam, mas sempre traçavam um paralelo entre o rosto de fulano e qual é o nome dele. Em um primeiro momento, por exemplo, mostraram uma série de caricaturas aos participantes, e pediram para eles dizerem como as pessoas desenhadas chamavam. Mais tarde fizeram o mesmo processo, só que dessa vez com fotos. Nesses dois casos, as pessoas tendiam a relacionar, de forma inconsciente, o formato dos rostos com a sonoridade dos nomes. Em um terceiro teste, mostraram fotos já com nome, e perguntaram aos participantes se tinham algum tipo de simpatia pelas pessoas retratadas. Adivinhe só: os mais queridos foram justamente os que tinham faces que combinavam com seus nomes.

Por fim, os pesquisadores resolveram testar a ideia com o grupo que mais precisa de você: os políticos. Eles mostraram para os voluntários fotos de candidatos que concorreram ao senado americano entre 2000 e 2008. A ideia era ver se os nomes dos políticos soavam compatível com suas feições. Todas as fotos eram de homens brancos (para evitar que qualquer tipo de racismo ou machismo interferisse nos resultados). Os resultados foram surpreendentes. Quando cruzaram os dados, os pesquisadores perceberam que os candidatos com rostos e nomes ornando conquistaram até 10 pontos percentuais a mais que seus oponentes.

Fica a dica: quando for escolher o nome dos seus filhos, pense no rostinho deles – isso pode fazer deles presidente um dia.