CONTÉM

Pistola .40

Mais tiros, mais precisão e menos contrabando. Assim a Polícia Militar de São Paulo apresentou sua nova arma. Só esqueceram um detalhe: ela é também mais sangrenta do que o antigo três-oitão

por Luisa Destri

1. Por encomenda

A pistola .40 foi criada nos anos 70 a pedido do FBI. Isso aconteceu depois de uma perseguição em que dois agentes foram mortos por fugitivos. Como um dos criminosos levou 12 tiros antes de parar de atirar, a polícia percebeu que precisava de uma arma com maior poder de parada - e desenvolveu a .40. Mas... poder de parada?


2. Máquina mortífera

A polícia jura que poder de parada não é o mesmo que letalidade - e sim o impacto da bala na pessoa. Vamos pensar no alvo como uma melancia. Se for acertada por um revólver 38, ela fica inteira, exceto pelo furo da bala. Já um tiro de .40 a deixaria toda destroçada - e a bala ficaria dentro com os caroços. Com um humano não é diferente...


3. Dor nas vísceras

A bala tem um furo na ponta que se abre no momento em que atinge o alvo. Quando acerta uma pessoa, ela esmaga e rompe os tecidos: abre buracos que são preenchidos com o sangue das veias rompidas. Isso quando não atinge partes mais rígidas, como ossos ou cabeça, que são estilhaçados. Mas a bala salva inocentes, diz a polícia.


4. Precisão e munição

A vantagem de uma bala que não atravessa o alvo é que ela não vai acertar sem querer alguém que estiver atrás dele. Ou seja, apesar de fazer maior estrago, faz menos vítimas não intencionais. A não ser, claro, que o policial resolva usar todo o arsenal. No 38 cabiam 7 balas; na pistola são 16. E no cinturão ele carrega mais 30 balas extras.


5. Nas contas do governo

A troca de armas custou R$ 190 milhões para a PM de São Paulo: um incentivo para a indústria nacional, pois a .40 é produzida aqui. Ela só pode ser vendida a forças policiais - diferentemente do 38, livre para civis. A ideia é evitar o contrabando. Se vai funcionar, é difícil dizer, já que metade dos 16 milhões de armas no país é ilegal.


Fontes Cleodato do Nascimento, porta-voz do Comando de Policiamento da Capital; José Alfredo Padilha, cirurgião da Secretaria de Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro; Sandro Costa Santos, consultor de segurança pública do Viva Rio; Sérgio Sardinha, diretor do Hospital Central da Polícia Militar do Rio de Janeiro; Polícia Militar do Estado de São Paulo.

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