E se...

Se você se sente pobre cada vez que faz uma compra em várias vezes no cartão de crédito ou pede dinheiro emprestado, repense. Não fosse a possibilidade de fazer dívidas, seríamos todos muito mais pobres. É que todo dinheiro emitido pelo Banco Central é uma dívida pública. Você só consegue sacar uma nota de R$ 50 no caixa eletrônico porque alguém deve essa quantidade de dinheiro ao banco. Se ninguém devesse, o banco viraria cofre e deixaria de render juros. Você não teria poupança e os banqueiros não enriqueceriam tanto.
Segundo Márcio Salvato, economista do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec-MG), o crescimento de um país depende de sua capacidade de poupança - que pode vir pela contração de dívidas externas (com instituições como o FMI) ou internas (com empresas e bancos nacionais). No caso do Brasil, o hábito de o estado contrair grandes dívidas foi um aliado histórico. Foram elas que bancaram a industrialização nos anos 50, levando o país a investir em siderurgia e petroquímica. Sem dinheiro arrematado na forma de dívida externa, Brasília poderia nem ter sido construída e nossa capital ainda seria o Rio de Janeiro.
O fim das dívidas seria também o fim do crédito. Fazer compras no cartão pela internet ou dividir a TV de LCD e a geladeira em 12 vezes, nem pensar. Seria uma catástrofe para a economia nacional. Foi o crédito que salvou o Brasil durante a crise de 2008. Enquanto a indústria nacional sofria as consequências, o brasileiro continuou gastando o que não tinha e aquecendo o mercado.
Um dos setores mais abalados seria o imobiliário. Segundo estimativa do Conselho Federal de Corretores de Imóveis, menos da metade dos imóveis é comprada à vista no país. Apesar de tudo, não viveríamos assombrados pela inflação. "Menos crédito significa menos consumo, o que pode resultar num quadro inflacionário mais tranquilo", explica Bruno Rocha, do departamento de economia da Universidade Federal da Minas Gerais (UFMG).
Fontes Márcio Antônio Salvato, coordenador de Economia do IBMEC-MG; Bruno de Paula Rocha, professor da Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG; Paulo Nakatani, do Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas da UFES; Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL); Serviço de Proteção ao Crédito (SPC); Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci-Creci); Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
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