FESTA DA VIRGEM - Homem dança em transe em terreiro vodu na cidade de Saut d’Eau (também conhecida por Ville Bonheur), no leste do Haiti, durante a festa de Nossa Senhora dos Milagres, a Vyej Mirak.

Texto: Marcos Nogueira; Fotos: Les Stone/Zuma Press

ESPÍRITOS FESTEIROS - O sucre é um ritual que dura 15 dias e celebra 21 dos espíritos do vodu. Como ocorre em outros festivais, cabras e galinhas não se divertem – elas são oferecidas em sacrifício. Pessoas em transe (aparentemente possuídas pelas entidades) passam noites em claro, bebendo e dançando ao som de tambores.

Texto: Marcos Nogueira; Fotos: Les Stone/Zuma Press

LAMA MILAGROSA - Homem supostamente possuído por Ougou Feraille (ou são Tiago Maior) é agarrado por amigo em uma poça de lama em Plaine du Nord. No festival de Ougou, os possuídos se oferecem para dividir seus poderes com as outras pessoas ao esfregar-lhes lama – o elemento que teria originado a vida.

Texto: Marcos Nogueira; Fotos: Les Stone/Zuma Press

BLOCO DOS RONALDINHOS - Os haitianos também celebram o Carnaval, que lá se chama Mardi Gras (em francês, "terça-feira gorda"). Aqui, dois foliões usam uma máscara de papel machê com dentes de cavalo para satirizar os tonton macoutes ("bichos-papões"), a temida polícia secreta do ditador François Duvalier, o Papa Doc, que governou o Haiti até 1990.

Texto: Marcos Nogueira; Fotos: Les Stone/Zuma Press

OUTROS CARNAVAIS - Não é só no Carnaval que a folia corre solta no Haiti. Durante a Quaresma – e mais intensamente na Semana Santa – um festival vodu toma conta de todo o país, animado por bandas de um estilo musical chamado rara. Possessões espirituais são desaconselhadas na festa, que começa com a visita ao túmulo de antepassados.

Texto: Marcos Nogueira; Fotos: Les Stone/Zuma Press

OLHA A COBRA - O vodu é um sistema complexo de filosofia, medicina, leis e religião. Entretanto, o que domina o imaginário dos não iniciados é a feitiçaria – isso, em parte, porque os rituais vodu têm uma enorme carga dramática. Espetar bonecos é algo que não existe no vodu haitiano: trata-se de um feitiço da variante praticada em Nova Orleans (EUA).

Texto: Marcos Nogueira; Fotos: Les Stone/Zuma Press

CABRA MACHO - Praticante de vodu corta o pescoço de um bode para usar o sangue em um festival para a divindade Ogou Feraille, em Plain du Nord, no interior do Haiti. A religião é uma adaptação de crenças de povos da África Ocidental, como os iorubas e os fons.

Texto: Marcos Nogueira; Fotos: Les Stone/Zuma Press

SANGUE PARA A VIRGEM - Coberta com o sangue de um animal sacrificado, mulher participa de ritual para Ezili Freda, associada a Nossa Senhora dos Milagres - ou, na língua crioula do Haiti, Vyej Mirak. Como ocorre com os orixás do candomblé e da umbanda, os Iwas (divindades do vodu) têm paralelos em santos católicos.

Texto: Marcos Nogueira; Fotos: Les Stone/Zuma Press

PENITÊNCIAS PENOSAS - Os rituais do festival para Ogou Feraille (são Tiago Maior) incluem banhos na lama e sacrifícios de animais. Aqui, um jovem se dedica ao pase poul ("passa-frango"). Ao esfregar a ave viva na pele, os voduístas acreditam que maus espíritos são transferidos para o galináceo, que em seguida é degolado por um sacerdote.

Texto: Marcos Nogueira; Fotos: Les Stone/Zuma Press

SEGURANDO VELAS - Fiéis entoam cânticos na festa de Vyej Mirak, em Ville-Bonheur, onde há uma cachoeira em que teria ocorrido uma aparição de Nossa Senhora. Obrigados a adotar o catolicismo nos séculos 16 e 17, os descendentes de escravos desenvolveram uma crença mista: o Deus da Bíblia é adorado como o criador de todos os outros espíritos cultuados pelo vodu.

Texto: Marcos Nogueira; Fotos: Les Stone/Zuma Press