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Cara a cara com a Al Qaeda

O jornalista Lawrence Wrigth investigou por 5 anos os bastidores da organização de Bin Laden para entender a dinâmica da Al Qaeda e a mente dos terroristas.

Por Natalia Engler

O jornalista americano Lawrence Wright passou os últimos 5 anos na trilha da Al Qaeda. O resultado da apuração, o livro O Vulto das Torres, levou o Prêmio Pulitzer de 2007.

Através das histórias de Osama bin Laden e seu braço direito, Ayman al-Zawahiri, o livro acompanha a trajetória da Al Qaeda desde a formação do pensamento islâmico radical.

Wright escreve para a revista New Yorker desde 1992. Durante a pesquisa para o livro, aceitou trabalhar em um jornal da Arábia Saudita para obter um visto. É dele o roteiro do filme Nova York sitiada, de 1998, que retrata um atentado terrorista na cidade.

O jornalista acredita que o governo americano sabe onde Bin Laden está, mas não quer pagar o preço político de invadir o Paquistão para capturá-lo.

A seguir, a entrevista de Wright à SUPER:

Como nasceu o radicalismo que deu origem a organizações como a Al Qaeda?
Existem muitas razões diferentes e só parte delas tem a ver com religião. Uma delas é que o islã representa um quinto da população mundial, 1,3 bilhão de pessoas, mas compreende metade dos pobres do mundo. Se tirarmos o petróleo dos 27 países árabes que vão do Marrocos ao golfo Pérsico e somente uma parcela dessas nações produz petróleo o PIB da região toda é menor que o da Finlândia. Se colocarmos o petróleo de volta, o PIB islâmico é inferior à metade da produção da Califórnia. Ou seja, são todos países com economias altamente

Qual era o foco inicial das organizações fundamentalistas islâmicas?
Sayyd Qutb, o mais influente pensador islamita, integrava a Irmandade Muçulmana, primeira e mais importante associação islamita, criada em 1924 com a meta de estabelecer um Estado islâmico puro em seu país, o Egito. Essa ainda é a meta deles e de muitas organizações, incluindo a Al Qaeda. É um objetivo, aliás, que já foi tentado em outros países no Afeganistão com o Talibã; no Sudão; no Irã, desde a revolução de 1979.

Todas experiências com resultados catastróficos, porque eles não estão interessados em governo, mas apenas em pureza e purificação. É preciso entender que Qutb escreveu numa época em que os árabes passavam por uma profunda crise de identidade. As derrotas militares para o recém-criado Israel foram um golpe psicológico do qual eles nunca se recuperaram. Os muçulmanos se perguntavam Por que isso está acontecendo? E a resposta de Qutb era Deus está descontente conosco. Se vocês retornarem ao islã puro, Deus restaurará sua benção.

Uma das razões alegadas pela Al Qaeda para atacar os EUA é a presença americana na Arábia Saudita. Mas os EUA têm bases militares no mundo todo. Por que os fundamentalistas islâmicos foram os únicos a reagir de forma tão violenta?
Nenhum lugar é mais sensível à presença militar americana que a Arábia Saudita. Quando Maomé estava em seu leito de morte, ele declarou: Que não haja duas religiões na Arábia. Em outras palavras: Que haja apenas uma religião: o islã. Na época em que ele morreu havia muitos judeus e cristãos na península Arábica e, durante séculos, continuou a haver povos de outras crenças. Mas, para muçulmanos radicais como Osama bin Laden, não basta que não-muçulmanos não possam ir a Meca ou Medina. Ele quer a península inteira livre de não-muçulmanos. É interessante notar que em maio de 2003, um mês depois de os americanos retirarem suas tropas da Arábia Saudita, a Al Qaeda começou seus ataques a complexos residenciais habitados por estrangeiros.

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