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Para onde vamos?

A ciência já sabe de onde viemos. Mas e agora? Onde o Universo vai parar? Quem viver não verá. O breu vai ser total.

Texto Salvador Nogueira

Leia também a reportagem De onde Viemos?

Um técnico americano de beisebol, Yogi Berra, sintetizou tudo: “É duro fazer predições – especialmente quando são sobre o futuro”. Diante da veracidade
dessa afirmação, os cientistas têm muito do que se orgulhar. A duras penas, conseguiram conceber teorias físicas que não só foram capazes de dizer como o Universo progrediu desde seu surgimento como também permitiram extrapolar de maneira razoável como o Universo irá se desenvolver daqui para os próximos zilhões de anos.

Caso nada importante tenha sido deixado de fora em nossos atuais modelos teóricos, já é possível desenharmos uma imagem precisa de como o Cosmos evoluirá ao longo dos éons. O que não podemos dizer é até quando a humanidade terá um espaço nele. E isso inclui amanhã.

Apocalipse quando?
Talvez a maior desvantagem de fazer parte de uma civilização tecnológica seja o inevitável desenvolvimento de uma série cada vez maior de maneiras de ela acabar de uma vez por todas com si mesma.

Esse é um raciocínio que começou a ser mais exercitado pelos pensadores depois da criação da bomba atômica. A proliferação exuberante de técnicas de suicídio coletivo talvez explique por que ainda não encontramos nenhum alienígena inteligente lá fora – é provável que todos os que foram espertos o suficiente (como nós) para desenvolver suas primeiras espaçonaves e radiotelescópios tenham se matado antes de conseguir estabelecer contato com alguém.

Por mais que não gostemos, essa é uma resposta bem possível ao famoso paradoxo de Fermi. Em 1950, durante uma animada conversa após o almoço com seus colegas, o ítalo-americano Enrico Fermi (1901-1954) ouvia argumentos entusiasmados sobre quão provável seria a existência de outras civilizações no Cosmos. Com uma indagação, o cientista nuclear quebrou as pernas dos entusiastas da vida inteligente: “Então onde está todo mundo?”

A premissa é simples: se é tão fácil o desenvolvimento de civilizações Universo afora, como ainda não encontramos nenhum sinal claro de sua presença? Nem uma sonda não tripulada, nem um monólito, nem um ET de Varginha, nem um sinal de rádio... nada. (Ou, pelo menos, nada que possa ser verificado cientificamente como prova de vida extraterrestre.)

É fato que, uma vez que tivesse desenvolvido uma determinada capacidade tecnológica e de vôo espacial (não muito distante da que temos hoje), uma espécie alienígena teria facilidade para espalhar sinais de sua existência pelo Cosmos.

Entra em cena o conceito das sondas auto-replicadoras de John von Neumann (1903-1957). Se uma civilização criasse pequenos robôs capazes de aproveitar matéria-prima local para se replicar e, dessa forma, se espalhar pela galáxia, todos os 200 bilhões de estrelas da Via Láctea teriam sido visitados por uma dessas espaçonaves em meio milhão de anos (voando a modestos 10% da velocidade da luz).

Comparado com a idade do Universo (cerca de 13,7 bilhões de anos), esse período de tempo é ridiculamente curto. Ou seja, se alguém teve essa idéia lá fora nos últimos bilhões de anos, deveria haver algum sinal disso em nosso sistema solar.

Outra hipótese é que a vida inteligente seja muito rara. E pronto. É o que defendem o astrônomo Donald Brownlee e o paleontólogo Peter Ward, em seu livro Sós no Universo?. Mas pode ser também que os ETs sabichões tenham simplesmente tropeçado, por acidente ou burrice, em alguma tecnologia que se mostrou fatal para sua existência. Esse é um risco que corremos.

A pergunta é: podemos escapar dessa armadilha? Talvez. Mas não vai adiantar grande coisa. A maior bomba nuclear que temos por perto está bem aí no seu nariz. É o Sol. E ela vai detonar.