

Texto Eloisa Deveze, Edição Rafael Kenski
Você pode colecionar selos ou moedas, mas se o seu objetivo é saber como a mente funciona, o ideal é juntar um bocado de cérebros. Foi o que fez a neuropatologista Lea Grinberg e uma equipe da faculdade de medicina do Hospital das Clínicas de São Paulo. Desde abril de 2004, ela juntou mais de 1200 cérebros congelados de pacientes acima de 50 anos. Recebendo entre 80 e 120 órgãos por mês, ela caminha para se tornar a maior biblioteca do gênero no mundo. Metade é de pessoas que sofriam de doenças cerebrais, metade são órgãos sadios. Comparando um grupo com o outro e cruzando com dados fornecidos por familiares sobre a psicologia de cada paciente, eles querem elaborar o mais completo perfil epidemiológico já feito sobre males cerebrais. “Queremos saber quando doenças cerebrais se manifestam no cérebro para diagnosticá-las precocemente”, diz Lea. Junto com outros setores da universidade, eles pretendem ir além e detectar a influência de metais em demências ou pesquisar o papel dos genes nesse tipo de doença. Uma vez que você reúne um material desse porte, não há limite para as pesquisas que podem ser feitas.